Entrevista com o Dr. Michael Usdan
O presidente do Institute for Educational Leadership (Instituto de Lideran¡¦ Educacional) discute quest¡¦s e tend¡¦cias do ensino prim¡¦io nos Estados Unidos. O compromisso hist¡¦ico da nossa nação com o ensino p¡¦lico de massa ?adequado na forma em que se apresenta atualmente? Quais s¡¦ as perspectivas das experi¡¦cias que se destinam a aperfei¡¦ar o ensino p¡¦lico? Ap¡¦ a entrevista, os editores da revista comentam algumas das quest¡¦s sobre a qualidade do ensino em Uma Avaliação do Ensino Atual nos Estados Unidos.
Pergunta:Na sua percepção, quais s¡¦ as principais quest¡¦s que afetam o ensino prim¡¦io e secund¡¦io nos Estados Unidos, no limiar do pr¡¦imo s¡¦ulo?
Dr. Usdan: A principal quest¡¦ ?a melhoria da qualidade do ensino p¡¦lico nos Estados Unidos. Todo o movimento para instituir e aperfei¡¦ar padr¡¦s nos n¡¦eis estadual, local e nacional ?um reflexo disso...e as preocupações que se inter-relacionam, sobre como possuir uma for¡¦ de trabalho economicamente competitiva, que seja capaz de competir na economia global. A melhoria do rendimento escolar ?a principal quest¡¦ a ser tratada ao nos aproximarmos do terceiro mil¡¦io.
P: Quais s¡¦ os componentes do ensino p¡¦lico com qualidade? O senhor mencionou padr¡¦s, por exemplo. Isso pode ser considerado como um elemento que ir?contribuir para isso. O senhor pode citar mais alguns elementos?
DR. Usdan: Essa quest¡¦ ?altamente politizada porque temos uma tradição muito forte neste pa¡¦, a respeito do controle local da educação, um sistema educacional realmente ¡¦ico e descentralizado. Na maioria dos pa¡¦es do mundo a educação ?muito mais centralizada, administrada por um ¡¦g¡¦ central, uma burocracia localizada em uma capital nacional com um ¡¦ico curr¡¦ulo.
N¡¦ desenvolvemos este sistema altamente descentralizado, no qual a educação ? legalmente, uma responsabilidade do estado e, historicamente, at?relativamente pouco tempo atr¡¦, havia um consenso generalizado de que a maior parte da responsabilidade operacional pelas escolas deveria ser delegada a esses 15.000 sistemas escolares locais. Esses sistemas podem variar, em tamanho, de uma escola com uma ¡¦ica sala de aula em uma ¡¦ea rural em Nebraska ou Kansas ou um sistema de escolas como o da cidade de Nova York, que educa mais de um milh¡¦ de crian¡¦s e adolescentes. Temos esses dois extremos e temos tudo entre um e outro.
P: Esses sistemas escolares s¡¦, na verdade, criaturas da estrutura dos estados?
DR. Usdan: Exatamente, e legalmente os estados podem criar e extinguir distritos escolares ?vontade. Mas existe uma tradição ¡¦ica, uma cultura local que ?extraordinariamente forte no ensino p¡¦lico nos Estados Unidos. O que tem sido interessante sobre a evolução do atual movimento pelos padr¡¦s [que defende a implementação de padr¡¦s nacionais, rigorosos, para avaliar o rendimento escolar de todos os estudantes dos Estados Unidos] ?que ele tem sido promovido de muitas maneiras por empresas e pelo setor privado, que, durante a maior parte da nossa hist¡¦ia, se opuseram ?noção de que o governo nacional ou federal deveria se envolver de qualquer maneira com os padr¡¦s. Esses grupos estavam preocupados com o controle que poderia ser exercido pelo governo federal. Eles se preocupavam com o que o controle em n¡¦el nacional poderia significar para o controle local e os impostos sobre a propriedade, sobre os neg¡¦ios, etc. Foi somente nos ¡¦timos dez ou vinte anos, com a preocupação generalizada a respeito da competitividade econ¡¦ica na economia global, que os empres¡¦ios passaram a se envolver, e que come¡¦ram a pressionar para o estabelecimento de padr¡¦s nacionais. E essa ?uma transformação profunda, a ant¡¦ese daquilo que grande parte das lideran¡¦s do setor privado defendeu durante quase toda a hist¡¦ia da nossa educação.
Voltando ?sua pergunta original, se voc?observar o desenvolvimento dos padr¡¦s, a quest¡¦ do que as crian¡¦s e adolescentes devem saber, essa ?uma quest¡¦ na qual os estados e munic¡¦ios est¡¦ trabalhando. O debate a respeito do teste em ¡¦bito nacional que tivemos recentemente no Congresso ?um reflexo do interesse nesta quest¡¦.
Portanto, temos que estabelecer os padr¡¦s. Em seguida temos que decidir como podemos criar um sistema de avaliação por meio do qual, basicamente, vamos saber se os alunos est¡¦ em conformidade com os padr¡¦s.
Em seguida temos que desenvolver um sistema de apuração de responsabilidade que definir?as conseqüências para aqueles que n¡¦ satisfizerem os requisitos.
P: Esse sistema de apuração de responsabilidade ?um grande problema?
DR. Usdan: A quest¡¦ da responsabilidade ?um grande problema, porque apesar do fato de ter ganho muito terreno, ela ainda contraria, de muitas formas, toda a tradição, hist¡¦ia e cultura do ensino nos Estados Unidos, no qual a teologia da autonomia local ainda ?muito forte. O movimento em defesa dos padr¡¦s progrediu muito em relação a essa tradição da autonomia local, porque as preocupações de cunho econ¡¦ico a respeito da competitividade transcendem algumas das velhas tradições a respeito do controle local e da teologia da autonomia local.
P: Vamos falar sobre o controle local, que ?uma parte t¡¦ importante do ide¡¦io educacional americano. Qual ?a sua origem?
DR. Usdan: Bem, isso come¡¦u mais de 200 anos atr¡¦, quando ¡¦amos, em grande parte, um pa¡¦ de imigrantes, principalmente da Europa, pessoas que estavam fugindo da opress¡¦ religiosa e pol¡¦ica, e estabelecendo comunidades locais [nota do editor: o controle local do ensino ?um dos poderes reservados aos governos estaduais e municipais de acordo com a Constituição dos Estados Unidos - consulte "A Comunidade e a Sala de Aula", de Denis Doyle, neste volume]. ?medida que a nação avan¡¦va rumo ao oeste, foi surgindo o receio de um governo poderoso, de um governo central, e do foco teocr¡¦ico dos requisitos religiosos impostos pelo estado, ou de requisitos pol¡¦icos que poderiam refletir nas escolas. Devido a esse receio, comit¡¦ escolares locais come¡¦ram a se desenvolver, originalmente na Nova Inglaterra. Esses comit¡¦ evolu¡¦am, e se tornaram conselhos de educação, na maior parte do pa¡¦.
Eu acho que o poder da autonomia local no ensino se baseava nas mentalidades fortes, pioneiras e individualistas, assim como no medo de que um estado central todo-poderoso impusesse a sua vontade entre as pessoas que estavam tentando escapar da perseguição religiosa e pol¡¦ica.
P: O senhor est?falando, basicamente, das preocupações sobre o conte¡¦o que motivam esse enfoque local, mas o controle local n¡¦ estava muito ligado ao custeio? Havia essa noção de que a comunidade tinha a responsabilidade de proporcionar o ensino, por quaisquer meios que ela escolhesse.
DR. Usdan: Certamente. Trata-se de uma quest¡¦ muito importante, porque somente a partir do in¡¦io da d¡¦ada de 80 ?que mais de 50 por cento do custeio do ensino p¡¦lico passou a ser bancado por fontes n¡¦ locais. Portanto, parte dos motivos de haver um controle local ?que os impostos locais sobre a propriedade financiaram 80 a 90 por cento do ensino p¡¦lico durante a maior parte da nossa hist¡¦ia.
O controle local trouxe grandes vantagens de muitas maneiras, no sentido de proporcionar escolas pr¡¦imas ¡¦ pessoas, mas ele tamb¡¦ gerou profundas desigualdades, ?medida que a nossa sociedade foi se tornando mais diversa em termos de população e mais estratificada na sua composição socioecon¡¦ica. E, de muitas maneiras, n¡¦ temos um sistema de custeio escolar que perpetua uma situação na qual os ricos se tornam cada vez mais ricos e os pobres, cada vez mais pobres, no qual as pessoas lutam para manter, nas comunidades locais, as vantagens que os seus filhos t¡¦. O governo federal instituiu alguns programas com a finalidade de tentar aliviar, em parte, essa situação, mas os problemas persistem.
A seleção de um sistema escolar, para n¡¦ que temos filhos, ?o principal motivo de nos mudarmos para uma comunidade. ?a principal consideração. Voc?n¡¦ se muda para uma cidade porque ela tem um corpo de bombeiros de classe mundial, ou uma ¡¦ea de exterm¡¦io de mosquitos de prest¡¦io internacional; voc?se muda para uma cidade por causa da reputação das suas escolas. E as pessoas fazem todos os tipos de sacrif¡¦ios econ¡¦icos. Elas fazem sacrif¡¦ios em termos de longas e tediosas viagens di¡¦ias at?os seus locais de trabalho e de volta ¡¦ suas casas, para que os seus filhos possam ter as melhores oportunidades poss¡¦eis no que se refere ?educação. Esta ?a reação mais natural e humana dos pais. Em muitos casos, isso ?o que torna os problemas de igualdade no custeio das escolas e a poss¡¦el redistribuição dos recursos t¡¦ particularmente complexos e dif¡¦eis.
P: O senhor enfatiza o fato de que existe esta desigualdade, que resulta, em grande parte, da depend¡¦cia do imposto sobre a propriedade - tributação sobre resid¡¦cias locais ou estabelecimentos comerciais, ou qualquer outro tipo de propriedade a uma certa al¡¦uota. Essa al¡¦uota varia, e o valor dos im¡¦eis em partes diferentes do estado tamb¡¦ varia. Essas observações s¡¦ corretas?
DR. Usdan: Exatamente. E as pessoas mais ricas podem comprar as casas mais caras. Elas podem tamb¡¦ gerar uma receita fiscal superior, e portanto, elas podem investir mais em computadores e sal¡¦ios para os professores e laborat¡¦ios de ci¡¦cias.
P: De que forma o pa¡¦ est?tentando resolver esse problema? O senhor mencionou que foi somente na d¡¦ada de oitenta que o imposto sobre a propriedade deixou de ser a principal fonte de renda das escolas. De que outros recursos estamos falando?
DR. Usdan: Bem, tributação estadual de base mais ampla, impostos sobre vendas ou impostos de renda estaduais. Mas na maioria dos estados, os recursos locais continuam sendo muito importantes, embora ainda haja enormes variações entre um estado e outro. Em New Hampshire, por exemplo, 85 a 90 por cento da conta das escolas ainda ?paga com os recursos locais. Em ¡¦bito nacional, em m¡¦ia, 40 a 45 por cento do or¡¦mento das escolas seria proveniente das fontes locais, 50 a 55 por cento do estado, e o governo federal, que sempre foi o s¡¦io minorit¡¦io por excel¡¦cia, participa com aproximadamente 5 por cento, atualmente.
P: Existe uma grande diferen¡¦ entre o sistema americano e os sistemas de outros pa¡¦es.
DR. Usdan: Certamente, eu fico contente por voc?ter levantado a quest¡¦ do financiamento, pois ela, definitivamente tem uma import¡¦cia fundamental, pela influ¡¦cia que tem sobre a pol¡¦ica. E isso faz com que o nosso sistema seja extraordinariamente ¡¦ico, e os estrangeiros que nos visitam t¡¦ dificuldade para compreender nossas pr¡¦icas, tanto sob o ponto de vista organizacional quanto sob o ponto de vista de igualdade. De muitas maneiras, se voc?analisar os problemas espec¡¦icos que ocorrem nas cidades e nos sub¡¦bios mais pr¡¦imos do centro, voc?encontrar?mais desigualdade sob o ponto de vista fiscal porque existe o que se chama "fator de sobrecarga municipal". Em outras palavras, o imposto local sobre a propriedade n¡¦ financia apenas as escolas; ele tamb¡¦ precisa proporcionar recursos para outras funções: pol¡¦ia, bombeiros, recreação, etc.
P: Al¡¦ do transporte, ¡¦ vezes.
DR. Usdan: Sim, e obviamente em uma comunidade urbana, a pol¡¦ia, os bombeiros, o servi¡¦ social, etc., ser¡¦ mais caros, o que torna o problema ainda mais grave, porque voc?ter?menos dinheiro dispon¡¦el para as escolas.
Nas comunidades suburbanas, especialmente as comunidades suburbanas homog¡¦eas - at?mesmo as mais pr¡¦imas dos nossos centros urbanos - tr¡¦ quartos dos recursos do imposto sobre a propriedade v¡¦ para as escolas, porque as outras funções municipais s¡¦ menos dispendiosas.
P: Ent¡¦ o que estamos dizendo ?que o custeio e a resolução referente ao custeio s¡¦ quest¡¦s importantes, e uma das tend¡¦cias mais importantes ser?a busca de alternativas.
DR. Usdan: Estamos lutando por essa quest¡¦ h?anos. No momento, o poder pol¡¦ico do nosso sistema est?nas comunidades suburbanas. Quando esses interesses est¡¦ em jogo, os conceitos de igualdade ou "redistribuição" desaparecem dos nossos vocabul¡¦ios coletivos atuais.
Desde o in¡¦io da d¡¦ada de setenta, temos tido uma s¡¦ie de pend¡¦cias judiciais. Na verdade h?processos legais em andamento, na maioria dos estados do pa¡¦, questionando e discutindo as desigualdades do atual sistema de custeio das escolas e o movimento reformista em termos de igualdade e recursos adequados. E os poderes legislativos estaduais t¡¦ feito ajustes, mas quando os ajustes s¡¦ feitos, os lit¡¦ios ocorrem novamente. Portanto, em muitos estados neste pa¡¦ temos tido pend¡¦cias legais durante d¡¦adas.
P: Falando em lit¡¦io, provavelmente o caso mais conhecido ?a quest¡¦ das transfer¡¦cias for¡¦das (busing), no qual os tribunais definiram um bem para o p¡¦lico, a maior integração das escolas, e em seguida apresentaram soluções que foram impostas ao sistema. O senhor acha que isso vai continuar?
DR. Usdan: O que est?come¡¦ndo a acontecer agora, porque os aspectos demogr¡¦icos da população se modificaram muito mais rapidamente do que os casos nos tribunais, ?que agora temos uma segregação racial ainda mais profunda. As quest¡¦s referentes ?diversidade, atualmente, s¡¦ muito mais complicadas do que eram na d¡¦ada de sessenta e nos primeiros anos da d¡¦ada de setenta, quando a quest¡¦ da integração era literalmente uma quest¡¦ entre brancos e negros.
Agora temos o dram¡¦ico crescimento da população latina, a população americana de origem asi¡¦ica, portanto as quest¡¦s de ra¡¦ e etnia se tornaram infinitamente mais complicadas. Por exemplo, metade do crescimento recente na população deste pa¡¦ ocorreu em apenas tr¡¦ estados -- Fl¡¦ida, Texas e Calif¡¦nia. Os latinos s¡¦ respons¡¦eis pela maior parte do crescimento nessas ¡¦eas e, especificamente, pela maior parte do aumento no n¡¦ero de matr¡¦ulas nas escolas. Portanto a situação como um todo se modificou e ficou mais complicada.
Mas vamos voltar ?nossa discuss¡¦ sobre os tribunais. J?dissemos que o governo federal tem exercido relativamente pouca influ¡¦cia sobre o ensino nos Estados Unidos, financeiramente, mas as pessoas freq¡¦ntemente ignoram o profundo impacto dos tribunais federais sobre a pol¡¦ica educacional. A decis¡¦ da Suprema Corte em 1954 (BROWN V. BOARD OF EDUCATION [Brown x Conselho de Educação]) -- a decis¡¦, da Suprema Corte, que estabeleceu um precedente, segundo a qual instituições de ensino separadas, mas iguais, n¡¦ cumpriam a garantia constitucional de oportunidade igual para todos os alunos] afetando a segregação nas escolas, ?um ¡¦imo exemplo.
P: Outra ¡¦ea na qual as decis¡¦s de um tribunal sobre leis de ¡¦bito nacional causaram um impacto substancial ?a ¡¦ea de alunos incapacitados ou portadores de defici¡¦cia, e alunos com dificuldade de aprendizado. Uma parte significativa do aumento nos gastos com o ensino nos ¡¦timos 15 ou 20 anos se destinou ?provis¡¦ dos meios para que esses alunos em desvantagem tivessem acesso ao ensino.
DR. Usdan: Sim. Acho que este ?outro excelente exemplo da influ¡¦cia do governo federal, particularmente nas quest¡¦s referentes ?igualdade. Tivemos os programas federais Title I que ajudaram as crian¡¦s e adolescentes em desvantagem. Mas a legislação sobre o ensino para os portadores de defici¡¦cia, que se n¡¦ me engano entrou em vigor em 1975, obrigou os sistemas escolares em todo o pa¡¦ a atender ¡¦ necessidades das crian¡¦s e adolescentes que eram fisicamente deficientes e deficientes de outras maneiras - um enorme contingente de estudantes cujas necessidades nunca tinham sido atendidas anteriormente.
Ao mesmo tempo, esses requisitos nacionais causaram um efeito negativo porque eles requeriam grandes planos e despesas, mas nunca proveram os recursos para que a legislação fosse implementada. Creio que, originalmente, o objetivo era que o governo federal deveria cobrir 40 por cento dos custos de educação especial, mas acho que a porcentagem que forneceu nunca foi muito al¡¦ de 8 ou 9 por cento. Portanto, esses requisitos, embora maravilhosamente destinados ?causa nobre das crian¡¦s e adolescentes portadores de defici¡¦cia, ajudaram a criar uma reação negativa no que diz respeito ?intervenção, burocracia, e regulamentos governamentais. Isso demonstra como o nosso sistema inter-governamental federal pode ser complicado.
P: De que forma essa estrutura complexa d?forma ?administração do nosso ensino?
DR. Usdan: Vamos falar sobre isso em termos de centralização ou descentralização. No nosso sistema de governo federal, temos os governos federal, estaduais e municipais, cada um deles com certas responsabilidades. Em conformidade com a nossa estrutura constitucional e estatut¡¦ia neste pa¡¦ existe, naturalmente, uma constituição federal e cada um dos estados tem a sua pr¡¦ria constituição. Em termos de pol¡¦ica educacional, o governo federal tem exercido a sua influ¡¦cia, os estados t¡¦ tido a sua responsabilidade legal, e os governos municipais b¡¦ica e historicamente t¡¦ tido a responsabilidade operacional.
Portanto, quando falamos sobre a pol¡¦ica educacional neste pa¡¦, falamos sobre muitos atores diferentes, diversificados, incluindo professores, diretores, administradores de escolas, pais, e membros dos conselhos de educação no n¡¦el local. Em muitos casos temos distritos intermedi¡¦ios que prestam alguns servi¡¦s especiais entre os distritos escolares locais e os estados. Temos departamentos de educação. Temos as assembl¡¦as legislativas estaduais. Temos governadores. Temos assessores dos governadores para assuntos referentes ?educação, que est¡¦ exercendo uma influ¡¦cia cada vez maior no processo de tomada de decis¡¦s. E temos a influ¡¦cia da estrutura federal sobre a qual est¡¦amos falando.
P: O movimento pelas escolas licenciadas (charter-school movement) [movimento para promover escolas p¡¦licas cuja administração seja desvinculada da estrutura tradicional do ensino p¡¦lico, mas que recebem verbas p¡¦licas] est?atraindo algum interesse no que diz respeito ao seu poss¡¦el impacto na nossa estrutura educacional.
DR. Usdan: Eu acho que o movimento pelas escolas licenciadas emana de v¡¦ias correntes hist¡¦icas diferentes. Uma delas ?a crescente insatisfação com o n¡¦ero cada vez maior de requisitos burocr¡¦icos e regulamentares sobre as escolas, a sensação de que os professores e administradores que se encontram no mesmo n¡¦el em que as crian¡¦s e adolescentes est¡¦, onde o processo de ensino e aprendizado ocorre, est¡¦ sujeitos ¡¦ restrições decorrentes de uma infinidade de requisitos burocr¡¦icos que n¡¦ t¡¦ nada a ver com o processo educacional propriamente dito. Portanto, essa ?uma atração do movimento pelas escolas licenciadas.
H?tamb¡¦ a atração da opção. As pessoas de posses podem escolher o lugar onde seus filhos estudam, estejam eles vivendo em uma comunidade suburbana cara ou enviando seus filhos para escolas particulares ou independentes. O movimento pelas escolas licenciadas tem conseguido apoio em ¡¦eas onde as escolas t¡¦ atendido muito mal as crian¡¦s e adolescentes, especialmente nas ¡¦eas pr¡¦imas ao centro das cidades, onde h? um sentimento cada vez maior de que os pais e professores, e as pessoas no n¡¦el operacional devem ter mais prerrogativas e autoridade.
Portanto, uma maior capacidade de resposta no n¡¦el local ?um argumento em favor da descentralização. Um argumento em favor da descentralização ?que o que ?importante a respeito das escolas n¡¦ ?quem d?as ordens no n¡¦el municipal, estadual ou federal, mas se os alunos est¡¦ aprendendo, e se os alunos est¡¦ saindo da escola treinados e se sabem ler bem e se entendem ci¡¦cias, inform¡¦ica, ingl¡¦, matem¡¦ica, etc. O que temos nas comunidade suburbanas elegantes s¡¦ escolas destinadas ¡¦ pessoas que querem, antes de mais nada, que seus filhos sejam capazes de obter bons resultados nos testes de admiss¡¦ ?universidade, e que consigam entrar nas melhores faculdades particulares ou nas instituições p¡¦licas legend¡¦ias e de prest¡¦io.
Dessa forma, o aspecto governamental/administrativo em tais comunidades ?irrelevante. Quarenta, cinq¡¦nta ou sessenta anos atr¡¦, lugares como a cidade de Nova York, Chicago, Filad¡¦fia, Detroit, Washington, D.C., tinham sistemas escolares grandes e muito burocratizados, mas as crian¡¦s e adolescentes estavam apresentando um bom desempenho escolar apesar do tamanho dos distritos ou das suas estruturas administrativas centralizadas.
P: Freq¡¦ntemente, quando verificamos os gastos per capita com a educação nos Estados Unidos e comparamos esses dados com as despesas per capita com a educação em outros pa¡¦es, uma das disparidades nessas simples comparações ?que muitos recursos destinados ?educação em alguns distritos nos Estados Unidos s¡¦, na verdade, programas sociais, como por exemplo, programas de merenda escolar, de aulas de refor¡¦, de atividades na escola ap¡¦ o hor¡¦io normal, e isso n¡¦ acontece em muitos outros pa¡¦es.
DR. Usdan: Eu tenho certeza disso. Um dos verdadeiros dilemas que as escolas t¡¦ ?o fato de que t¡¦ ocorrido mudan¡¦s na estrutura da fam¡¦ia em todos os tipos de comunidades, n¡¦ apenas nas cidades pobres ou ¡¦eas rurais. Temos tido profundas mudan¡¦s na estrutura familiar. Cada vez mais, nas fam¡¦ias, o pai e a m¡¦ est¡¦ trabalhando. H?um n¡¦ero cada vez maior de lares em que n¡¦ existe um casal; s?existe um indiv¡¦uo respons¡¦el pela fam¡¦ia (pai ou m¡¦), em todos os tipos de comunidades. Podemos argumentar que ningu¡¦ est?tomando conta dos nossos filhos, e que as escolas t¡¦ um dilema: agora elas s¡¦ a ¡¦ica instituição remanescente na vida de muitas crian¡¦s. Portanto, o que uma escola vai fazer se uma crian¡¦ vem para as aulas de manh?com fome, se essa crian¡¦ n¡¦ tomou o caf?da manh? ou se uma crian¡¦ est?com dor de dente e n¡¦ foi a um dentista? Essa crian¡¦ n¡¦ vai ter um aprendizado ideal enquanto essas necessidades b¡¦icas n¡¦ forem atendidas.
Assim, o que realmente precisa ser feito ?uma reavaliação do sistema existente de administração escolar em n¡¦el local. Desenvolvemos neste pa¡¦, como parte do movimento de reforma municipal no in¡¦io do s¡¦ulo, uma separação entre as escolas e o governo, no sentido mais amplo; pens¡¦amos que as escolas eram importantes demais para serem politizadas, e criamos sistemas de administração totalmente separados.
Dessa forma, temos escolas maravilhosamente isoladas da massa da sociedade, com fontes separadas de custeio e outras facilidades. Os servi¡¦s sociais, os servi¡¦s de sa¡¦e, o sistema de emprego e treinamento, e outras coisas, est¡¦ sob a ¡¦ide do governo em geral, em uma ¡¦oca em que um n¡¦ero cada vez maior de crian¡¦s cresce na pobreza ou em circunst¡¦cias economicamente dif¡¦eis.
Portanto, as crian¡¦s chegam ?escola com todos os tipos de problemas sociais e de sa¡¦e que prejudicam a sua capacidade de aprender, mas a escola n¡¦ tem nenhum contato com os recursos e sistemas necess¡¦ios para enfrentar esses problemas.
Como voc?pode criar novos tipos de sistemas de prestação de servi¡¦s sociais que envolvem e usam a escola? A principal miss¡¦ da escola deveria ser acad¡¦ica; n¡¦ questiono isso, mas como as escolas s¡¦ os lugares onde as crian¡¦s est¡¦, temos que encontrar maneiras novas e criativas de criar escolas da comunidade que se concentrem nessa miss¡¦ principal, mas cujas depend¡¦cias sejam tamb¡¦ usadas para educação dos pais, aulas de refor¡¦ e servi¡¦s sociais. E devemos criar um sistema racional de custeio para fazer isso, para que as escolas n¡¦ tenham que arcar sozinhas com todo o custo.
Isso j?est?come¡¦ndo a acontecer. Primeiro nas grandes cidades como Boston, Chicago, e Cleveland, os prefeitos est¡¦ cada vez mais interessados nas escolas, porque eles reconhecem que por mais que eles remodelem as ¡¦eas centrais das cidades e construam belos pr¡¦ios e museus, eles nunca v¡¦ atrair a classe m¡¦ia para que ela volte para as ¡¦eas centrais, a n¡¦ ser que fa¡¦m alguma coisa em prol das escolas.
Portanto, os prefeitos est¡¦ ficando cada vez mais envolvidos, e eu acho que as mudan¡¦s na administração local estar¡¦ entre as grandes quest¡¦s do novo mil¡¦io.
P: O multiculturalismo ou a presen¡¦ de muitas l¡¦guas tem atra¡¦o muita atenção do p¡¦lico em geral no que diz respeito ?educação, tanto em termos de que acontece na sala de aula quanto no curr¡¦ulo. A sensibilidade no que se refere ao multi-culturalismo tem sido uma preocupação nos Estados Unidos. Isso vai continuar assim?
DR. Usdan: Com certeza. Eu acho que, ?medida que a população se torna mais diversificada, teremos que pensar no que ?maioria e o que ?minoria neste pa¡¦, em termos demogr¡¦icos. A diversidade crescente talvez seja um dos principais desafios com os quais a sociedade, como um todo, est?tendo que lidar. Esta quest¡¦ est?afetando as escolas em primeiro lugar devido ao fato de que os novos imigrantes s¡¦, basicamente, uma população muito jovem.
Dessa forma, essas crian¡¦s est¡¦ passando pelas escolas. Mais de 30 por cento dos alunos matriculados nas escolas j?s¡¦ membros das minorias. Em meados do pr¡¦imo s¡¦ulo, nossas atuais minorias constituir¡¦ 50 por cento de toda a população. O espanhol ?a l¡¦gua falada mais comum no Hemisf¡¦io Ocidental. Nossos curr¡¦ulos, nossa capacidade de lidar com outras l¡¦guas al¡¦ do ingl¡¦, e a nossa sensibilidade no que se refere ?quest¡¦ cultural, devem enfrentar esse desafio.
P: Estamos falando sobre o impacto causado pelos imigrantes no sistema escolar, mas outra quest¡¦ referente ao sistema educacional norte-americano flui no sentido contr¡¦io: o impacto que as escolas causam no imigrante, a socialização, a criação de um cidad¡¦ dos Estados Unidos. O senhor pode falar um pouco sobre isso, e talvez comentar se essa quest¡¦, na atual conjuntura, ainda ?relevante ou n¡¦.
DR. Usdan: ?muito relevante. Eu acho que todos nos esquecemos desse fato. Meu pai, por exemplo, era imigrante e muito pobre. Ele cresceu na parte leste da cidade de Nova York, e freq¡¦ntou a Stuyvesant High School (escola secund¡¦ia de Stuyvesant) [uma instituição seletiva, que abrangia a cidade inteira], e se formou em odontologia. Ele proporcionou ?sua fam¡¦ia uma situação confort¡¦el, de classe m¡¦ia. Isso aconteceu apenas uma geração atr¡¦. Eu consegui estudar em uma das melhores faculdades do pa¡¦ e estou muito bem profissionalmente. Se meu pai n¡¦ tivesse freq¡¦ntado uma escola p¡¦lica de alta qualidade, minhas chances de ser bem sucedido seriam bem menores. Hist¡¦ica e tradicionalmente, o ensino p¡¦lico tem sido a mola mestra da nossa democracia e mobilidade social. Acho que deixamos de levar em consideração essa contribuição vital prestada pelo ensino p¡¦lico.
Apesar de todos os problemas dos nossos sistemas escolares e de todas as desigualdades, o sistema de ensino p¡¦lico dos Estados Unidos ainda ?a maior experi¡¦cia do mundo em termos de educação de massa. O sistema proporcionou um caminho de mobilidade social e econ¡¦ica para milh¡¦s de americanos. A maior parte dessa hist¡¦ia ocorreu no que era um tipo diferente de ambiente psicol¡¦ico no qual o nosso pa¡¦ e a sua economia estavam em constante crescimento. Est¡¦amos sempre crescendo em busca do nosso "destino manifesto". As pessoas realmente acreditavam que se voc?obtivesse uma boa formação, havia crescimento e oportunidade. Eu acho que o que come¡¦u a acontecer nas duas ¡¦timas d¡¦adas, ?medida que nos preocupamos com nossos filhos, ?que n¡¦ temos tanta certeza quanto t¡¦hamos antes, sobre a possibilidade de realizar o Sonho Americano, no qual voc?poderia esperar, dentro dos limites do razo¡¦el, ter mais sucesso do que os seus pais.
Alguns de n¡¦ se beneficiaram do per¡¦do ap¡¦ a Segunda Guerra Mundial em que uma boa parte do resto do mundo estava em um estado lastim¡¦el, e o nosso pa¡¦ era um colosso econ¡¦ico. T¡¦hamos 6 por cento da população, e ger¡¦amos aproximadamente 40 por cento do PIB do mundo. Isso n¡¦ podia continuar para sempre. A Europa, e depois a ¡¦ia, se recuperaram, e a concorr¡¦cia econ¡¦ica resultante deu origem a s¡¦ias d¡¦idas sobre n¡¦ mesmos, na nossa cultura, a respeito da mobilidade econ¡¦ica.
Acho que, de muitas maneiras, essas d¡¦idas econ¡¦icas tamb¡¦ refrearam um poss¡¦el renascimento do "liberalismo", e qualquer movimento que apontasse para a redistribuição dos recursos. ?muito mais f¡¦il ser um liberal em uma economia em expans¡¦ do que em uma economia que est?se contraindo. Acho que as pessoas est¡¦ cada vez mais preocupadas com o futuro dos seus pr¡¦rios filhos...e n¡¦ querem que os seus pr¡¦rios sistemas escolares tenham que pagar o pre¡¦ das pol¡¦icas de redistribuição. O movimento das escolas licenciadas, na minha opini¡¦, pode ser um movimento importante porque ele cria alternativas, concorr¡¦cia, e talvez o detalhe mais importante, ele pode provocar mudan¡¦s em alguns dos nossos sistemas mais calcificados de ensino p¡¦lico. As escolas licenciadas somente atendem a dois d¡¦imos de um por cento das crian¡¦s e adolescentes. Portanto, o desafio ?fortalecer as escolas p¡¦licas tradicionais. ?l?que quase todas as crian¡¦s est¡¦.
P: O que o senhor tem a dizer sobre os vouchers [um sistema no qual verbas p¡¦licas s¡¦ usadas pelos pais para pagar a escola de sua opção, p¡¦lica, ou particular, ou possivelmente, religiosa]?
DR. Usdan: Supostamente, um dos motivos pelos quais as escolas p¡¦licas atendem t¡¦ mal ¡¦ necessidades do seu p¡¦lico ?que elas t¡¦ um monop¡¦io. Mas a maioria das pessoas, mesmo dentro dos sistemas de ensino p¡¦lico, agora ?favor¡¦el ?opção, e o movimento das escolas licenciadas est?crescendo. Os principais sindicatos de professores t¡¦ os seus pr¡¦rios estabelecimentos, na ¡¦ea das escolas licenciadas, recentemente criados. Acho que h?uma aceitação crescente, embora hesitante, da opção, mesmo dentro do setor das escolas p¡¦licas. A quest¡¦, para mim, ?se "opção" deve incluir escolas particulares, assim com as escolas p¡¦licas.
N¡¦ acho que recursos p¡¦licos devam ser concedidos ¡¦ escolas particulares, porque essa pol¡¦ica dever?erodir ainda mais a base pol¡¦ica das escolas p¡¦licas, que j?est?diminuindo. P> P: O senhor j?disse, de maneira muito eloq¡¦nte, que basicamente o processo educacional ocorre entre o aluno e o professor na sala de aula. Muitos recursos s¡¦ empregados na preparação dos professores nos Estados Unidos. At?que ponto o senhor acha que fazemos isso bem?
DR. Usdan: Muito mal, eu acho. Acho que nenhuma, ou quase nenhuma das instituições que preparam os professores ?particularmente relevante; elas n¡¦ s¡¦ ligadas diretamente, sob um ponto de vista "cl¡¦ico" ¡¦ escolas onde a atividade de magist¡¦io/aprendizado ocorre. Acho que muitas escolas de magist¡¦io adotaram as normas das artes e ci¡¦cias e seguiram o paradigma da pesquisa, em vez de seguir o modelo cl¡¦ico, mais aplicado, das faculdades de administração ou de medicina, nas quais existem professores "cl¡¦icos" que possuem uma clientela cont¡¦ua, profissional, e que n¡¦ est¡¦ afastados da realidade do mundo "l?fora"..
A minha pr¡¦ria impress¡¦ ?de que a preparação dos professores precisa, urgentemente, de uma revis¡¦ e reformulação. Acho que os pr¡¦rios sistemas escolares precisam se tornar mais significativos no processo da instrução dos professores, especialmente no que se refere ?import¡¦cia cr¡¦ica do componente aluno-magist¡¦io, e como isso ?tratado.
P: O senhor est?ligado ao que n¡¦, no ambiente governamental, chamamos de ONG [organização n¡¦-governamental]. Como o senhor v?a responsabilidade ou a contribuição da sua organização no trato dessas quest¡¦s educacionais, desafios e oportunidades?
DR. Usdan: O Institute for Educational Leadership [Instituto de Lideran¡¦ Educacional] (IEL) ?uma organização privada, independente, sem fins lucrativos. N¡¦ temos um "eleitorado" no sentido tradicional. Temos operado no contexto pol¡¦ico, educacional e empresarial, aqui em Washington e no pa¡¦ inteiro. O ILE ?maravilhosamente independente e tem a capacidade de agir como catalisador em assuntos que se manifestam. Funcionamos como um mecanismo de ligação entre as escolas e os demais setores da sociedade, e nossos programas se referem a quest¡¦s demogr¡¦icas, de emprego e treinamento, fazendo a ligação entre as escolas e os servi¡¦s de sa¡¦e e sociais, etc., porque os problemas enfrentados pelas crian¡¦s, adolescentes, e fam¡¦ias exigir¡¦ novos tipos de abordagens de m¡¦tiplos setores. Existe uma profunda diferen¡¦ entre escolaridade e educação, mas na minha opini¡¦, muitas pessoas na nossa sociedade pensam que a educação s?significa ir ?escola.
Uma parte essencial da educação certamente acontece no recinto da escola. Mas quando uma pessoa jovem chega aos dezoito anos, aproximadamente 91 por cento do seu tempo decorrer?fora do ambiente escolar, com a fam¡¦ia, com amigos, dormindo, etc. As crian¡¦s e adolescentes, como ?do nosso conhecimento, passam muito mais tempo assistindo ?televis¡¦ do que fazendo as tarefas da escola. E portanto, precisamos prestar mais atenção aos profundos efeitos educacionais, n¡¦-escolares, de outras facetas da sociedade.
P: O interesse da comunidade empresarial na educação causar?um impacto significativo na situação?
DR. Usdan: J?causou um impacto profundo. As coisas evolu¡¦am nos ¡¦timos dez ou vinte anos. As comunidades empresarial e pol¡¦ica est¡¦ cada vez, mais determinando o curso dos acontecimentos. Elas est¡¦ fortalecendo o movimento pelos padr¡¦s de ensino, que realmente come¡¦u, de certa forma com A Nation At Risk (Uma Nação em Perigo) em 1983. Em estados do sul do pa¡¦, governadores como Clinton em Arkansas, Hunt na Carolina do Norte e Riley na Carolina do Sul proporcionaram lideran¡¦ na ligação da escola com o desenvolvimento econ¡¦ico. Ao mesmo tempo, tivemos dolorosas transformações econ¡¦icas que estavam mudando nossa sociedade e nossa economia. Est¡¦amos perdendo nosso parque industrial. Tivemos que passar de uma economia industrial/de manufatura para uma economia de informação. Os educadores e a os novos l¡¦eres empresariais e pol¡¦icos reconheceram que j?n¡¦ t¡¦hamos mais empregos para grandes quantidades de indiv¡¦uos n¡¦ especializados. As escolas precisavam produzir pessoas preparadas para atuar em uma economia que requeria grande especialização e altos padr¡¦s.
A comunidade empresarial quer padr¡¦s nacionais. As empresas querem que as crian¡¦s e adolescentes no pa¡¦ inteiro se enquadrem dentro de certos padr¡¦s econ¡¦icos, e eu acho que o pa¡¦ est?se movendo nessa direção. Os jovens sabem, ou n¡¦ sabem matem¡¦ica. N¡¦ existe matem¡¦ica da Virg¡¦ia ou matem¡¦ica ou ci¡¦cias da Carolina do Sul. Veja, por exemplo, a influ¡¦cia da Business Roundtable (Mesa Redonda de Neg¡¦ios) que implantou esse movimento de reforma baseado em padr¡¦s em capitais de estados em todo o pa¡¦. A Mesa Redonda de Neg¡¦ios ?formada por 200 entre as maiores empresas do pa¡¦. Essas empresas nunca haviam se envolvido t¡¦ profundamente com a educação, mas agora h?empresas que est¡¦ proporcionando lideran¡¦ em capitais de estados para a implantação de altos padr¡¦s educacionais.
Portanto, a comunidade empresarial est?se envolvendo muito, e desenvolveu uma alian¡¦ natural com a lideran¡¦ pol¡¦ica. Em muitos estados, essa nova pol¡¦ica de educação fez com que o gabinete do governador ou o assessor do governador para educação se tornasse muito mais importante para a educação do que o secret¡¦io de educação. ?importante examinar os aspectos demogr¡¦icos do pa¡¦. S?aproximadamente 22 ou 23 por cento dos adultos t¡¦ filhos nas escolas. Os titulares dos cargos eletivos v¡¦ prestar atenção e v¡¦ se dedicar aos lugares onde existe dinheiro e poder. As crian¡¦s n¡¦ s¡¦ o seu p¡¦lico-alvo! Assim, a comunidade empresarial se torna ainda mais importante sob o ponto de vista pol¡¦ico.
Novas coaliz¡¦s pol¡¦icas devem evoluir, e a comunidade empresarial deve se unir aos pais e aos educadores, no novo mil¡¦io. Isso ?uma coisa que a nossa organização tentar?catalisar.
----------
O Dr. Michael Usdan ?o presidente do Institute for Educational Leadership, Inc (Instituto de Lideran¡¦ Educacional). Ele j?foi Commissioner of Higher Education (Comiss¡¦io de Ensino Superior) do estado de Connecticut, e presidente do Merrill-Palmer Institute (Instituto Merrill-Palmer) em Detroit. Ele foi professor nas seguintes instituições: Columbia University, City University of New York, Northwestern University, Fordham University, e em v¡¦ias escolas na cidade de Nova York e em White Plains, estado de Nova York. Ele ?membro do Conselho Editorial da revista PHI DELTA KAPPAN e foi membro e presidente do conselho de educação de New Rochelle, estado de Nova York. >
Sociedade e Valores dos
EUA
Revista Eletr¡¦ica da USIA, Vol. 2, N?4,
Dezembro de 1997