Quando os Estados Unidos foram criados, mais de dois s・ulos atr・, um dos principais conceitos nos quais as esperan・s da nova democracia se baseavam era o ideal de que todos os seus cidad・s fossem indiv・uos esclarecidos, com direitos claramente articulados e a oportunidade de atingir a realiza艫o pessoal e obter uma educa艫o. Thomas Jefferson e outros acreditavam firmemente que o progresso da mente humana era t・ importante quanto o progresso do esp・ito humano e tinha que coexistir com ele. Eles compreendiam, como n・ compreendemos agora, que em um pa・ livre, no qual o poder pertence ao povo, o compromisso com a educa艫o define o progresso dessa democracia e ?o catalisador para o progresso no futuro.
Dois s・ulos mais tarde, ?claro que este valor b・ico n・ apenas resistiu ao teste do tempo como tamb・ se tornou mais importante. Ao entrarmos nesta nova era da Informa艫o e da economia internacional, a educa艫o ? cada vez mais, um bem essencial; ela ?a precursora do sucesso em potencial, e ?a mola mestra das mudan・s. No entanto, ?importante reconhecer que a abordagem que adotamos atualmente em rela艫o ?educa艫o difere da abordagem do passado. A escola e o trabalho eram mundos diferentes, em parte porque os tipos de empregos que as pessoas tinham n・ requeriam o tipo de educa艫o b・ica e treinamento especializado que freq・ntemente ?exigido da for・ de trabalho de hoje. Na d・ada de 50, por exemplo, somente 20 por cento dos empregos nos Estados Unidos eram caracterizados como profissionais (em geral, de n・el superior ou equivalente), 20 por cento eram considerados especializados, e 60 por cento n・ especializados.
Hoje nosso mundo mudou. A propor艫o de empregos n・ especializados caiu para 20 por cento, enquanto os empregos especializados agora somam pelo menos 60 por cento da for・ de trabalho. Mais importante ainda, quase todos os empregos, atualmente, exigem uma combina艫o de conhecimento acad・ico e habilidade pr・ica que devem ser adquiridos durante toda uma vida.
O presidente Clinton tem trabalhado no sentido de garantir que esta nova Era da Informa艫o seja tamb・ uma "Era da Educa艫o", uma era na qual haja cada vez mais oportunidades de educa艫o para todos os americanos. Ele e eu acreditamos que a educa艫o ?a ・ica maneira de progredir, que para ter um melhor padr・ de vida, ?preciso que os cidad・s possuam educa艫o, habilidade e compet・cia. O presidente desafiou os americanos a ajudar a garantir que, assim que as crian・s entrem para a escola, elas se tornem parte de um ambiente excitante e desafiador de ensino e aprendizado, que ir?garantir que toda crian・ de 8 anos saiba ler, que toda crian・ de 12 anos possa entrar na Internet, que todo jovem de 18 anos possa entrar para a universidade, e que todos os adultos possam continuar a aprender enquanto viverem.
Sabemos que as crian・s que s・ desafiadas a aprender gostam de aprender - e geralmente aprendem mais. E sabemos que um ambiente de aprendizado rigoroso, no qual cada crian・ domine os fundamentos, como a leitura e a matem・ica, e no qual os pais, professores e alunos saibam medir o n・el de desempenho que os alunos est・ atingindo, cria oportunidades para o sucesso no futuro.
Por outro lado, as crian・s cujas mentes n・ enfrentam desafios t・ mais probabilidades de ficar entediadas com o que acontece na sala de aula, e em geral, t・ menos oportunidades ?sua disposi艫o para que possam obter sucesso no futuro. Por exemplo, uma crian・ que n・ sabe ler de maneira independente na quarta s・ie, e que n・ domine a matem・ica, incluindo conceitos desafiadores como ・gebra e geometria, na oitava s・ie, provavelmente ter?menos op苺es no futuro. Essas s・ habilidades fundamentais que abrem portas importantes, na escola secund・ia, para que os alunos possam freq・ntar toda uma s・ie de variedade de cursos b・icos, e assim possam se preparar para a universidade.
Estamos pedindo a todos os alunos e professores que atinjam padr・s elevados. Estamos trabalhando no sentido de garantir o acesso ・ mais recentes tecnologias de aprendizado para todos os alunos. Estamos tamb・ trabalhando para ter a certeza de que toda sala tenha um bom professor, de que as escolas sejam seguras e livres de drogas, e de que as portas das universidades estejam abertas para qualquer um que se esforce e que possa cumprir os seus requisitos. E, finalmente, estamos trabalhando para encorajar os pais, as fam・ias e as comunidades para que se envolvam com as escolas, o que as tornar?melhores.
No cerne desses esfor・s deve haver uma ・fase nos fundamentos da educa艫o, como leitura, matem・ica e ci・cias. A leitura, particularmente, ?o b・ico do b・ico; boa parte das oportunidades do futuro dependem da leitura. N・ nos surpreende o fato de que, no decorrer da hist・ia, impedir as pessoas de ter acesso ?leitura tem sido um objetivo dos indiv・uos e governos que desejam oprimir uma popula艫o e inibir o crescimento intelectual dos seus cidad・s. Os regimes mais repressivos t・ sido aqueles que se apossaram dos jornais, emissoras de r・io e televis・, fecharam bibliotecas e queimaram livros. Em compara艫o, uma marca registrada da democracia tem sido o respeito pela palavra escrita e o est・ulo ・ liberdades intelectuais, como a leitura e a escrita.
Uma maneira de fortalecer a capacidade de leitura ?o nosso "America Reads Challenge" (Desafio ?Leitura na Am・ica), que procura mobilizar todos os americanos para criar parcerias de educadores e cidad・s dedicados tendo, como pontos de refer・cias, todas as escolas, bibliotecas e comunidades, com o objetivo de ajudar a fortalecer as escolas e a garantir que as crian・s dessas comunidades aprendam a ler independentemente at?terminarem a terceira s・ie. Entre as muitas caracter・ticas de "America Reads", est?o esfor・ no sentido de estimular professores de refor・ treinados para trabalhar com alunos e professores, para que os alunos tenham a aten艫o e a pr・ica extra de que precisam e que merecem.
Embora hoje os americanos estejam lendo mais do que nunca, isso ainda n・ ?o suficiente. Quarenta por cento dos alunos da quarta s・ie nos Estados Unidos, atualmente, n・ conseguem ler no n・el b・ico determinado pelo National Assessment of Education Progress (Avalia艫o Nacional do Progresso Educacional) [Nota do Editor: O teste NAEP ?aplicado, a t・ulo de amostragem, a pequenos grupos de alunos em 43 estados norte-americanos.] Portanto, ele ?um indicador geral, mas n・ proporciona informa苺es espec・icas sobre o desempenho de cada aluno. Sem informa苺es espec・icas, os pais e educadores n・ podem agir de modo a [tratar] das necessidades de cada indiv・uo, e nem das necessidades dos grupos. ?por isso que o presidente Clinton prop・ testes volunt・ios de leitura em ・bito nacional, no n・el da quarta s・ie. Esses testes dariam ・ escolas que deles participassem uma nova e poderosa ferramenta para elevar o desempenho em leitura e auxiliaria os pais, professores e diretores a avaliar o n・el de aprendizado das crian・s e a permitir a ado艫o de padr・s adequados e desafiadores para a mat・ia que est?sendo ensinada.
O nosso foco tamb・ inclui uma ・fase renovada nas "outras" mat・ias b・icas -- matem・ica e ci・cias. A import・cia dessas mat・ias ?・via. O Departamento de Educa艫o dos Estados Unidos divulgou, recentemente, um relat・io que demonstra a liga艫o entre os alunos que freq・ntam os cursos de matem・ica que representam um desafio maior e o seu sucesso na universidade.
Ao mesmo tempo em que a nossa ・fase nessas mat・ias b・icas precisa se tornar padr・, tamb・ precisamos nos esfor・r para garantir que as escolas ensinem, usem e apliquem as mais recentes tecnologias de aprendizado, para complementar os elementos b・icos tradicionais. Computadores e outras formas de tecnologia de comunica艫o s・ uma parte vital de um futuro s・ido na educa艫o e oferecem um tremendo potencial para ajudar os alunos a adquirir habilidades b・icas e avan・das e at?mesmo a concluir programas acad・icos e cursos de p・-gradua艫o. O or・mento de educa艫o que o presidente Clinton recentemente aprovou (o or・mento passou a ter a for・ de lei) inclui novos e substanciais investimentos na tecnologia da educa艫o que ajudar・ a aumentar a capacidade que os estudantes t・ de aprender e os professores de ensinar com computadores e outras tecnologias de aprendizado.
Com um toque no teclado ou uma viagem pela Internet, alunos e professores t・ acesso a uma enorme variedade de recursos de aprendizado; eles podem ter acesso a bibliotecas e museus de renome mundial; podem ser expostos a novos e atraentes m・odos de ensino, e informa苺es e perguntas espec・icas sobre quase qualquer assunto. E o mais importante ?que devemos garantir que essas tecnologias estejam ?disposi艫o de todos; devemos garantir que essas tecnologias sirvam para eliminar, e n・ para acentuar, o contraste de aprendizado entre os ricos e os pobres. ?por isso que estou t・ satisfeito por este governo ter sido capaz de desenvolver a E-rate (tarifa de educa艫o), que em breve come・r?a apresentar tarifas com grandes descontos para os servi・s de telecomunica苺es, como a Internet, nas bibliotecas e escolas.
Este governo tem trabalhado com muita dedica艫o no sentido de fortalecer e dar apoio ao ensino de qualidade nas salas de aula do nosso pa・, especialmente levando-se em considera艫o o influxo cont・uo e recorde de alunos ・ nossas escolas e a necessidade de professores nas comunidades mais vulner・eis. Nenhuma profiss・ ?mais vital para a garantia de um futuro forte e bem sucedido para a nossa na艫o do que o magist・io.
Recentemente, o presidente se comprometeu a fornecer recursos para ajudar 100.000 professores a adquirir a habilita艫o de "professores-padr・" - um em cada escola nos Estados Unidos - para servir de inspira艫o e modelo para os colegas. Mas, al・ de estimular as melhores mentes para que elas escolham o magist・io como profiss・, precisamos nos certificar de que as pessoas que j?fizeram essa op艫o queiram permanecer na profiss・. Nesse aspecto, precisamos aconselhar os professores que j?esgotaram suas possibilidades a deixar a profiss・, por meio de um processo r・ido e justo. Da mesma forma, devemos nos esfor・r para que cada escola esteja ?altura do desafio de proporcionar uma educa艫o nesses altos n・eis de qualidade. Se uma escola n・ estiver indo bem, devemos estar dispostos a fech?la ou reestrutur?la. Se um diretor(a) estiver custando a entender o que precisa ser entendido, os administradores e as secretarias de ensino devem estar dispostos a substitu?lo(a). N・ sabemos o que d?certo -- j?vimos reformas que funcionam, como a feita pela New American Schools Corporation (Empresa das Novas Escolas Americanas), que tem o objetivo de oferecer projetos, j?testados, de escolas bem sucedidas ・ comunidades, para que as mesmas revitalizem as suas pr・rias escolas locais.
Enquanto trabalhamos para tentar aumentar o nosso investimento em educa艫o em n・el nacional, enfatizar o aspecto financeiro da quest・ n・ ?e n・ deve ser o suficiente. O ingrediente mais importante para a constru艫o de escolas fortes requer um investimento por parte das pessoas. ?por isso que este governo tem trabalhado para garantir que os pais, as fam・ias, as empresas e as comunidades sejam partes essenciais da educa艫o. Temos trabalhado muito para estimular as empresas privadas para que elas se tornem amigas das fam・ias - para que elas invistam nas escolas das suas comunidades de forma que as mesmas possam se tornar centros de aprendizado mais fortes e ajudar os seus empregados a se envolverem mais na educa艫o dos seus filhos. E temos tentado, por meio de esfor・s de volunt・ios como a nossa Parceria Para o Envolvimento da Fam・ia na Educa艫o (Partnership for Familiy Involvement in Education), a reunir fam・ias, professores, empresas, e grupos religiosos e da comunidade, com o objetivo de melhorar a educa艫o.
Este tipo de envolvimento pode incluir tudo, desde empresas ajudando as escolas e as comunidades a se conectarem fisicamente ?Internet at?pessoas idosas se oferecendo para ler para um aluno ou para dar aulas particulares, gratuitamente. Eu j?vi as empresas adotarem classes e acompanharem os alunos, orientando-os e mostrando-lhes as oportunidades que se apresentam quando se tem uma boa forma艫o. Simplificando, quando os alunos, as fam・ias e as escolas se re・em, eles abrem portas e criam novos desafios e novas oportunidades de aprendizado.
H? no momento, sinais de verdadeiro progresso e realiza艫o na educa艫o. Em matem・ica e ci・cias, por exemplo, duas ・eas nas quais concentramos nossos esfor・s durante a ・tima d・ada, o desempenho dos alunos tem melhorado consideravelmente. Outro sinal de progresso ?o grande aumento no n・ero de alunos de escolas secund・ias que est・ fazendo cursos acad・icos b・icos. Isso mostra que, finalmente, estamos levando a educa艫o a s・io neste pa・.
E, talvez o mais importante seja o fato de que o ensino p・lico est?come・ndo a vencer as dificuldades. Ainda n・ chegamos onde queremos chegar, mas estamos na dire艫o certa. As comunidades, as fam・ias, e as empresas est・ se envolvendo com as suas escolas e est・ trabalhando para fortalec?las. No entanto, vamos nos assegurar de que ningu・ nos desvie dos nossos objetivos por meio de "solu苺es m・icas" que, na verdade, n・ s・ solu苺es, s・ truques pol・icos que s?servem para nos dividir.
Recentemente, a Comiss・ Nacional Sobre o Magist・io e o Futuro da Am・ica (National Commission on Teaching and America's Future) divulgou um documento intitulado "O Que ?Mais Importante" ("What Matters Most"). A comiss・ observou que "em nenhuma outra ・oca na hist・ia, o sucesso, e na verdade, a sobreviv・cia das na苺es e das pessoas foi t・ intimamente ligado(a) ?sua capacidade de aprender. A sociedade de hoje praticamente n・ tem espa・ para as pessoas que n・ sabem ler, escrever, e operar computadores com compet・cia, encontrar e utilizar recursos, identificar e resolver problemas, e aprender, continuamente, novas tecnologias, habilidades e ocupa苺es."
Assim como qualquer um dos seus antecessores, o presidente Clinton compreende o importante papel que a educa艫o desempenhar?no cont・uo sucesso da nossa na艫o e nas realiza苺es de cada cidad・ desta grande na艫o. Trabalhando para garantir que a ・fase hist・ica da nossa na艫o na educa艫o n・ apenas continue, mas tamb・ evolua, podemos ajudar a garantir que a nossa na艫o e todas as pessoas que nela vivam tenham um futuro mais brilhante.
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Richard W. Riley sempre morou no estado da Carolina do Sul. Exerceu cargos eletivos, entre eles o de governador do estado, antes de ser escolhido pelo presidente Clinton para ser secret・io da Educa艫o, em 1992. Como governador da Carolina do Sul, Riley trabalhou ativamente com o governador Bill Clinton, de Arkansas, para adotar importantes medidas na educa艫o dos seus estados; esses programas ajudaram a dar forma ?atual agenda nacional de ensino p・lico.
Sociedade e Valores dos
EUA
Revista Eletr・ica da USIA, Vol. 2, N?4,
Dezembro de 1997