Nos ¡¦timos 25 anos, tem havido um constante decl¡¦io na pontuação obtida nos testes padronizados feitos pelos estudantes americanos, que s¡¦ usados para avaliar os candidatos ao ingresso nas faculdades e universidades. Alguns observadores v¡¦ nisso mais uma indicação do fracasso da educação nos Estados Unidos.
Este n¡¦ ?o caso, argumenta Gerald Bracey, um conceituado acad¡¦ico da ¡¦ea de educação nos Estados Unidos. Bracey diz que uma porcentagem muito mais elevada do total de alunos de escolas secund¡¦ias dos Estados Unidos agora est¡¦ se submetendo a esses testes. Vinte e cinco anos atr¡¦ o grupo submetido aos exames representava os 25 por cento superiores entre os alunos de escolas secund¡¦ias dos Estados Unidos. Hoje, mais de 60 por cento dos alunos de escolas secund¡¦ias continuam a estudar, ingressando em faculdades ou universidades no pr¡¦imo ano letivo ap¡¦ a conclus¡¦ do segundo grau. A maioria desses alunos est?fazendo os testes. Estamos testando uma faixa muito mais ampla dos nossos alunos, e portanto ?claro que a pontuação diminuiu.
Isso significa que, atualmente, as faculdades e universidades dos Estados Unidos est¡¦ aceitando alunos que n¡¦ deveriam estar nessas instituições? N¡¦. Suposições simplistas de que os alunos de 25 anos atr¡¦ representavam algo como um per¡¦do ¡¦reo no contexto educacional n¡¦ s¡¦ confirmadas por testes padronizados de admiss¡¦ em cursos de p¡¦-graduação, pelas experi¡¦cias das empresas, e nem pelos ¡¦dices de desempenho educacional, diz Bracey.
Bracey e outros analistas argumentam que os exemplos acima demonstram tanto as suposições simplistas que levaram muitas pessoas a concluir que a educação nos Estados Unidos est?em s¡¦ias dificuldades, quanto o tipo de an¡¦ise mais detalhada que se faz necess¡¦ia para que se compreenda a atual situação na sua totalidade.
Existem bols¡¦s onde os problemas s¡¦ reais, e eles aparecem muito. Algumas escolas nos bairros mais pobres das grandes cidades est¡¦ apresentando graves falhas, pois n¡¦ est¡¦ cumprindo sua miss¡¦ junto aos seus alunos e comunidades. O contexto de desemprego, desagregação familiar, decl¡¦io da comunidade e viol¡¦cia est?causando um impacto indiscut¡¦el e destrutivo nas escolas das comunidades.
Em algumas ¡¦eas rurais, as r¡¦idas mudan¡¦s tecnol¡¦icas e econ¡¦icas resultaram em r¡¦idas mudan¡¦s demogr¡¦icas, o que, por sua vez coloca em jogo as fontes tradicionais de custeio para as escolas nessas ¡¦eas.
As expectativas da sociedade sobre quem estamos educando tamb¡¦ est¡¦ mudando. Na Am¡¦ica da d¡¦ada de cinq¡¦nta, a sociedade aceitava uma estrutura educacional na qual menos da metade dos alunos conseguia terminar o segundo grau. Nosso mercado de trabalho, com uma grande demanda reprimida para a produção industrial, tinha oportunidades abundantes para a m¡¦-de-obra semi-especializada. O atual quadro de desemprego ?muito diferente, assim como s¡¦ diferentes as necessidades educacionais e as expectativas dos alunos e das comunidades.
Al¡¦ disso, as expectativas dos educandos continuam mudando. Durante os ¡¦timos 15 anos, bem mais da metade do aumento nos gastos com a educação tem se destinado a programas de "educação especial" para crian¡¦s e adolescentes cuja condição f¡¦ica, mental e emocional requer apoio espec¡¦ico, freq¡¦ntemente a um custo adicional. Esses programas est¡¦ claramente em conformidade com o compromisso dos Estados Unidos de proporcionar oportunidades iguais para todos os seus cidad¡¦s, mas o cumprimento desse compromisso tem tido um custo significativo.
Cinq¡¦nta anos atr¡¦, a maioria dos alunos das escolas prim¡¦ias e secund¡¦ias nos Estados Unidos falava ingl¡¦, pelo menos o suficiente para atender ¡¦ suas necessidades b¡¦icas de educação. Hoje, a situação de rotina ?que 25 por cento dos alunos matriculados nas escolas em alguns dos nossos maiores estados (Calif¡¦nia, Texas, Nova York) n¡¦ falam o ingl¡¦ suficiente para lidar com os processos b¡¦icos de instrução. Nas escolas de Los Angeles, e em algumas outras cidades de grande porte, quase a metade dos alunos n¡¦ fala ingl¡¦.
Al¡¦ disso, a variedade de primeiras l¡¦guas em alguns distritos escolares ?extraordin¡¦ia. Em um sistema escolar suburbano de Washington, D.C., os alunos que freq¡¦ntam as escolas falam aproximadamente 81 l¡¦guas. De acordo com a lei, todos esses alunos t¡¦ direito ?educação p¡¦lica; para esses alunos, as escolas precisam proporcionar n¡¦ apenas o curr¡¦ulo apropriado para o seu n¡¦el de escolaridade mas tamb¡¦, aulas de ingl¡¦, para que possam freq¡¦ntar com sucesso as aulas normais. E al¡¦ das necessidades sob o aspecto lingüístico, existem as origens culturais diversas desses alunos e seus pais. Tudo isso constitui um s¡¦io desafio para uma interação saud¡¦el entre as escolas, os alunos e seus pais. No entanto, os educadores reconhecem, h?muito tempo, que esta interação ?um dos principais fatores necess¡¦ios para que se obtenham bons resultados na ¡¦ea da educação.
O exposto acima n¡¦ ?uma s¡¦ie de desculpas para as falhas das escolas. Mas, se devemos tornar as estrutura educacional dos Estados Unidos ainda mais eficaz -- e devemos, como dizem Bracey e outros -- devemos analisar e compreender a estrutura na sua complexidade. Nossa vis¡¦ deve reconhecer ¡¦eas de dificuldade e ¡¦eas de realizações. E h?¡¦eas substanciais onde se verificam realizações.
Nos ¡¦timos anos da d¡¦ada de quarenta, os educadores e as pessoas que elaboravam a pol¡¦ica educacional assumiam que no m¡¦imo 20 por cento da população poderiam participar, de maneira adequada, no processo do ensino superior. Hoje, quase dois ter¡¦s dos alunos que terminam a escola secund¡¦ia v¡¦ diretamente para a faculdade, e a participação em cursos para adultos e cursos de educação continuada continua se expandindo.
Mais alunos est¡¦ recebendo educação, e em um n¡¦el mais elevado. Muitas escolas est¡¦ lidando com uma base de conhecimento, que cresce de forma incr¡¦el, de maneira criativa e que atende bem ¡¦ necessidades dos seus alunos. Por exemplo, n¡¦ devemos nos desesperar se ainda n¡¦ sabemos exatamente como usar, de maneira mais adequada, os computadores pessoais nas nossas instituições de ensino. ?bom manter as coisas em perspectiva. A IBM lan¡¦u o seu PC (computador pessoal) no in¡¦io da d¡¦ada de oitenta. Leva tempo para se treinar pessoas em novas tecnologias, e s?agora estamos chegando a uma ¡¦oca em que os professores conhecem computadores t¡¦ bem quando a maior parte dos seus alunos.
As escolas neste pa¡¦ apresentam tanto boas quanto m¡¦ not¡¦ias, e devemos reconhecer ambos os tipos. Mas o governo Clinton argumenta que nossos esfor¡¦s para corrigir as defici¡¦cias n¡¦ devem amea¡¦r o abrangente sistema educacional que tem tido um papel t¡¦ importante na formação da nossa nação. A compreens¡¦ de que estamos lidando com desafios extraordin¡¦ios com algum sucesso, de fato, deve fortalecer nossa disposição de proporcionar os recursos intelectuais econ¡¦icos para corrigir as ¡¦eas deficit¡¦ias, e nos beneficiar das oportunidades da tecnologia para produzir uma estrutura educacional para todos os cidad¡¦s, que os Estados Unidos precisam e merecem.
Sociedade e Valores dos
EUA
Revista Eletr¡¦ica da USIA, Vol. 2, N?4,
Dezembro de 1997