Estudantes e educadores s¡¦ capazes de acessar mais informações, e em um ritmo mais r¡¦ido do que nunca. Em um mundo que est?cada vez mais interdependente, sob o ponto de vista econ¡¦ico e tamb¡¦ sob outros aspectos, os estudantes precisam aprender mais a respeito do resto do mundo, e novas tecnologias permitem que eles fa¡¦m isso mais do que em qualquer ¡¦oca no passado. Em um mundo que depende, cada vez mais, da a tecnologia, os estudantes est¡¦ se familiarizando com novas tecnologias muito cedo. A Internet proporciona ¡¦ pessoas de todas as idades -- onde quer que elas estudem, e mesmo se elas n¡¦ estiverem freq¡¦ntando uma escola formal -- acesso direto a um grande n¡¦ero de fontes de informação no mundo inteiro. O r¡¦ido ritmo das mudan¡¦s tecnol¡¦icas e o volume de informações que se encontram dispon¡¦eis apresentam novos desafios aos educadores, estudantes e outros envolvidos no aprendizado.A Dra. Barbara Means e o Dr. Seymour Papert s¡¦ observadores perspicazes do crescente relacionamento entre a tecnologia e a educação. Leia abaixo, suas ¡¦timas reflex¡¦s sobre este fen¡¦eno.
Pergunta: Muitas crian¡¦s nos Estados Unidos j?possuem experi¡¦cia com computadores (seja por meio dos jogos ou por meio de programas "s¡¦ios" de aprendizado) muito antes de entrarem para a escola. De que forma essa familiaridade com a tecnologia vai afetar os alunos e os adultos do futuro?
Dra. Means: A crescente familiaridade dos alunos com novas tecnologias oferece uma grande oportunidade para as escolas, se as escolas e os professores tiverem a sabedoria e autoconfian¡¦ para se beneficiarem disso. Em vez de tentar aprender, eles mesmos, a usar todo software e ferramenta da Internet, e a fazer toda a administração e pesquisa de panes dos seus pr¡¦rios sistemas, os professores podem come¡¦r a se considerar criadores e administradores de sistemas de instrução, e os alunos interessados podem contribuir para o processo com as habilidades tecnol¡¦icas necess¡¦ias. Os professores que tiverem confian¡¦ suficiente para se concentrar nos aspectos das atividades em sala de aula relacionados ao conte¡¦o, diagnose e avaliação dos alunos, e, ao mesmo tempo permitir que os alunos, que por caso possuam a compet¡¦cia t¡¦nica necess¡¦ia, ajudem os colegas a dominar os aspectos t¡¦nicos do uso do software e da Internet, ter¡¦ muito mais opções para o uso da tecnologia nas suas salas de aula. Al¡¦ disso, esse tipo de colaboração, com indiv¡¦uos diferentes contribuindo com formas diferentes de compet¡¦cia, ?um bom modelo para o tipo de "comunidade de aprendizado" que muitos reformadores da educação defendem.
Um exemplo interessante ?GENERATION WHY (A GERAÇÃO DOS PORQU¡¦), um projeto da Technology Innovation Challenge Grant (Subvenção Para Desafios da Inovação Tecnol¡¦ica). Este projeto est?treinando alunos das escolas secund¡¦ias para que eles ajudem a implementar a instrução apoiada pela tecnologia nas suas salas de aula. Os alunos recebem treinamento n¡¦ apenas em habilidade t¡¦nica, mas tamb¡¦ em t¡¦nicas de consultoria, com o objetivo de prepar?los para trabalhar com os seus professores-clientes.
H?uma tremenda oportunidade nisso, desde que as atuais equipes de professores das escolas n¡¦ fiquem t¡¦ ansiosas sobre "a perda do controle" ou sobre "n¡¦ saber tudo a respeito do conte¡¦o da aula" a ponto de n¡¦ se beneficiar das habilidades cada vez maiores dos alunos. Ao mesmo tempo, existe uma s¡¦ia quest¡¦ de igualdade. Nem todos os alunos possuem acesso, em casa, ?tecnologia de computadores e mesmo com a queda dos pre¡¦s, a disparidade provavelmente continuar? ?precisamente por causa dessa disparidade que o acesso na escola ao uso de ferramentas tecnol¡¦icas ?uma quest¡¦ importante de pol¡¦ica p¡¦lica.
Dr. Papert: ?¡¦vio que, a longo prazo, as vidas das crian¡¦s ser¡¦ radicalmente transformadas devido ?presen¡¦ de computadores ou m¡¦ia digital, ou qualquer que seja o nome dos descendentes dos nossos computadores na pr¡¦ima geração. A mais promissora direção de mudan¡¦ ?a aquisição de maior independ¡¦cia como alunos. As crian¡¦s crescer¡¦ sabendo que podem aprender o que precisam saber, quando precisarem sab?lo.
P: Alguns educadores acreditam que a presen¡¦ da tecnologia na sociedade ?um fator importante na mudan¡¦ de todo o ambiente de aprendizado. De que maneira as escolas podem acompanhar as mudan¡¦s tecnol¡¦icas, e quais s¡¦ as implicações se elas fizerem isso ou se n¡¦ o fizerem? Elas est¡¦ ficando para tr¡¦? At?que ponto s¡¦ importantes as quest¡¦s do acesso f¡¦ico ?tecnologia e a capacidade dos educadores de compreender e transmitir a compreens¡¦ da tecnologia?
Dr. Papert: ?¡¦vio que as escolas n¡¦ est¡¦ acompanhando as profundas mudan¡¦s na nossa sociedade. Elas ainda s¡¦ organizadas de acordo com o modelo das f¡¦ricas com linhas de montagem. A raz¡¦ mais profunda do atraso n¡¦ ?a falta de tecnologia f¡¦ica e nem de capacidade, dos educadores, de compreender o seu significado. A principal raz¡¦ ?a tend¡¦cia ?auto-preservação e ao conservadorismo enraizados no sistema educacional. Na minha opini¡¦, a melhor analogia ?a maneira pela qual a burocracia sovi¡¦ica se manteve no poder embora pudesse ver que a sua economia estava em r¡¦ida decad¡¦cia. A burocracia s?abriu m¡¦ do poder depois que a economia entrou em colapso total. Eu espero que o sistema educacional seja capaz de mudar antes de entrar em colapso.
Dra. Means: Muitas pessoas t¡¦ argumentado que as escolas est¡¦ muito atrasadas em relação aos setores empresarial e governamental no uso eficaz da tecnologia. Temos certeza de que a sala de aula de hoje, em m¡¦ia, n¡¦ ?muito diferente da sala de aula t¡¦ica de 40 anos atr¡¦, e n¡¦ podemos dizer o mesmo a respeito de muitas empresas. No entanto, se levarmos em consideração as idades dos professores, acho que muitos deles est¡¦ ?frente dos seus contempor¡¦eos do p¡¦lico em geral quando se trata do uso da tecnologia. A principal quest¡¦ n¡¦ ?a execução f¡¦ica das etapas da utilização da tecnologia; trata-se de ver o potencial da tecnologia de hoje para atender a objetivos educacionais espec¡¦icos e ter o tempo, a criatividade e a coragem de tentar usufruir desse potencial.
Muitos de n¡¦ pedem aos professores que se afastem da abordagem tipo "receita de bolo" das aulas e das atividades para estudantes totalmente previstas em apostilas ou similares, e que passem a adotar estilos de ensino nos quais os alunos tenham muito maior latitude na exploração das quest¡¦s pelas quais se interessam, conduzindo pesquisas e criando apresentações com o uso de ferramentas de tecnologia onde elas forem apropriadas. Essas abordagens exigem que os professores sejam desenvolvedores de atividades, consultores, e instrutores, assim como indiv¡¦uos capazes de diagnosticar e avaliar o trabalho dos alunos. ?a preparação para essas funções que requer tanto tempo e esfor¡¦.
P: De que forma a tecnologia vai mudar a natureza do ensino, incluindo o que ?ensinado, onde ?ensinado e quem ensina? Por exemplo, Arthur Levine, da Universidade de Columbia perguntou, em um artigo recente, se a capacidade de ensinar eletronicamente significa o fim da uma instalação f¡¦ica conhecida como campus. Ele sugeriu que os melhores instrutores poder¡¦ ensinar al¡¦ das divisas dos estados, e a grandes dist¡¦cias.
Dra. Means: Como argumentei, se os alunos usarem a tecnologia como ferramentas e dispositivos de comunicação para se envolverem em projetos e investigações complexas, os professores passar¡¦ a ter uma função muito diferente daquela que domina o ambiente atualmente. Os professores passar¡¦ menos tempo dando aulas e notas de forma rotineira e mais tempo projetando, facilitando e orientando.
A World Wide Web est?abrindo possibilidades para novos tipos de aprendizado ?dist¡¦cia, mas eu, pelo menos, n¡¦ creio que as instalações f¡¦icas e o contato pessoal desaparecer¡¦. Os estudos dos grupos de pessoas que colaboram por meio das telecomunicações t¡¦ demonstrado, repetidas vezes, que um grupo eletr¡¦ico tem maior possibilidade de se manter em funcionamento se os seus membros tiverem tido algum tipo de contato face a face. Embora hoje seja poss¡¦el ter comunicação em tempo real por meio de videoconfer¡¦cia e ambientes virtuais multiusu¡¦io, muitos de n¡¦ sentem falta das nuan¡¦s e das sutilezas do contato pessoal.
A tecnologia ?um excelente complemento quando tal contato pessoal ?inconveniente, caro, ou imposs¡¦el, mas acho que se as pessoas puderem escolher, elas continuar¡¦ a optar por oportunidades de aprender em um ambiente social face a face (em vez de virtual). No entanto, acho que veremos um ensino interessante e fascinante (com cursos para cr¡¦itos e a obtenção de diplomas) por meio da World Wide Web e outras novas tecnologias; isso pressionar?aqueles que estiverem prestando servi¡¦s de educação e treinamento pessoal para que fa¡¦m um trabalho muito melhor.
Dr. Papert: O melhor professor ?algu¡¦ que traz conhecimento pessoal, calor humano e empatia, em uma relação com o indiv¡¦uo que est?aprendendo. O efeito das novas tecnologias ?proporcionar melhores condições para que tais professores possam trabalhar diretamente com os seus alunos. ?claro que o ensino ?dist¡¦cia tem uma função, mas espero que ele nunca se torne o principal m¡¦odo.
P: O progresso da tecnologia afetar?o envolvimento do setor privado na educação, tanto em termos de suporte quanto nas expectativas das qualificações que os estudantes devem ter ao se formarem? O senhor e a senhora imaginam uma ¡¦fase melhor no ensino da ¡¦ea t¡¦nica em vez de na ¡¦ea de humanidades, mesmo antes do aluno chegar ao n¡¦el universit¡¦io?
Dr. Papert: Eu acredito que o desenvolvimento da economia baseada no conhecimento trar?a percepção de que a qualificação mais importante n¡¦ ?o conhecimento t¡¦nico e sim a capacidade de aprender e de trabalhar de maneira independente. Para estimular essas qualidades precisamos substituir as escolas com curr¡¦ulos r¡¦idos, pelo tipo de ambiente de aprendizado flex¡¦el que se tornou poss¡¦el com o advento das novas tecnologias.
Dra. Means: Estamos vendo um envolvimento cada vez maior do setor privado na educação, particularmente nas grandes iniciativas envolvendo tecnologia. Na minha experi¡¦cia, contudo, o setor privado n¡¦ est?solicitando ¡¦ escolas que formem alunos com maior profici¡¦cia t¡¦nica. Eles acreditam que os alunos podem adquirir essas habilidades nos estudos p¡¦-secund¡¦ios ou dentro das pr¡¦rias ind¡¦trias. O que eles querem ?que os alunos tenham fortes habilidades b¡¦icas e com "os novos fundamentos" da aprendizagem para aprender, colaboração e a utilização eficaz dos recursos.
P: At?agora s?falamos sobre o acesso ?Internet. O senhor e a senhora querem opinar sobre a maneira pela qual outras tecnologias poderiam afetar a educação nos Estados Unidos?
Dr. Papert: Eu n¡¦ estava falando sobre o acesso ?Internet. Eu me referia a algo muito mais profundo no qual os computadores servem como material de construção, al¡¦ de proporcionar acesso ao conhecimento. Por exemplo, em colaboração com a empresa Lego [fabricante de brinquedos], eu e meus colegas no MIT desenvolvemos pequenos computadores que podem ser incorporados aos modelos que as crian¡¦s pequenas constr¡¦m. Assim, elas criam comportamentos, al¡¦ de estruturas f¡¦icas. Quando esses dispositivos se tornarem dispon¡¦eis para o p¡¦lico em geral - e isso acontecer?logo - eles aumentar¡¦ enormemente a oportunidade que cada crian¡¦ tem de saber como se executa um projeto complexo usando id¡¦as muito avan¡¦das de engenharia e de psicologia.
Dra. Means: O modelamento por computador torna poss¡¦el a representação de conceitos abstratos por meio de imagens visuais concretas que podem ser manipuladas. Estamos apenas come¡¦ndo a explorar o tremendo potencial de tais tecnologias para fazer o que sempre consideramos mat¡¦ias dif¡¦eis muito mais acess¡¦eis, como por exemplo, ensinar c¡¦culo a alunos de primeiro grau. H?um tremendo potencial nisso, se investirmos em pesquisa e desenvolvimento s¡¦idos, para compreender a melhor maneira de dar suporte ao aprendizado com as novas tecnologias que se encontram ao nosso dispor.
P: De que forma as tecnologias sobre as quais estamos falando afetam outros pa¡¦es, especialmente os pa¡¦es subdesenvolvidos que n¡¦ possuem os recursos econ¡¦icos dos Estados Unidos, Jap¡¦ e Europa? A revolução tecnol¡¦ica, a infovia, ?uma coisa que beneficiar? principalmente, os pa¡¦es mais desenvolvidos do mundo?
Dra. Means: Muitos pa¡¦es em desenvolvimento est¡¦ come¡¦ndo a considerar as aplicações da tecnologia para fins educacionais como uma importante estrat¡¦ia para o desenvolvimento econ¡¦ico. Aprendendo a partir das lições dos pa¡¦es mais desenvolvidos que investiram em tecnologias e abordagens que agora s¡¦ consideradas ultrapassadas, eles esperam poder "queimar etapas" e chegar ?utilização da tecnologia avan¡¦da de modo que resulte em competitividade econ¡¦ica. Al¡¦ disso, voc?pode argumentar que as tecnologias de informação podem ter um efeito maior sobre os pa¡¦es com recursos limitados. Considere o valor em potencial de uma conex¡¦ ?Internet em um pa¡¦ que n¡¦ tem dinheiro para comprar livros escolares, e muito menos para colocar livros nas estantes das bibliotecas das suas escolas secund¡¦ias. De repente, seus alunos t¡¦ acesso a um mundo de recursos de informação!
Dr. Papert: Esta n¡¦ ?uma quest¡¦ de especular sobre o que vai ou n¡¦ vai acontecer. Esta ?uma quest¡¦ que tem que ser decidida. Acho que seria muita tolice do mundo desenvolvido perder a chance de ajudar o mundo em desenvolvimento a adquirir os benef¡¦ios dos novos tipos de ambientes de aprendizado. Eu mesmo me uni a Nicholas Negroponte e algumas outras pessoas para criar uma organização chamada 2B1 Foundation com essa finalidade.
P: As universidades n¡¦ s¡¦ interativas de muitas formas, mas o senhor e a senhora acham que a educação pode ser globalizada, ou continuaremos em nossas redomas lingüísticas e culturais?
Dr. Papert: Mais cedo ou mais tarde ela ser?globalizada, mas o conservadorismo inerente ¡¦ universidades como organizações provavelmente resultar?em atrasos, ou seja, em perda de tempo.
Dra. Means: Minha experi¡¦cia no estudo de projetos que envolvem participantes de muitos pa¡¦es sugere que mesmo tendo todas as oportunidades que a Internet proporciona, voc?precisa dar aos professores um motivo muito bom para que eles queiram colaborar com os professores de outros pa¡¦es e grupos lingüísticos para conseguir qualquer tipo de participação duradoura. Existe muito interesse em colaboração internacional como conceito, mas poucos s¡¦ os professores que v¡¦ at?o fim, a n¡¦ ser que voc?encontre o gancho certo. Mas tais ganchos podem ser encontrados, por exemplo, ao se rastrear os efeitos do El Ni¡¦ atrav¡¦ dos pa¡¦es.
P: Falamos sobre a maneira pela qual a tecnologia est?moldando a educação. A educação tamb¡¦ est?moldando a tecnologia?
Dr. Papert: Infelizmente n¡¦. Eu acho uma vergonha o mundo da educação ter permitido que a ind¡¦tria da computação impusesse a sua id¡¦a do que um computador deve ser e como ele deve ser usado.
Dra. Means: Infelizmente o mercado da educação ?t¡¦ pequeno, quando comparado com os mercados empresariais e de tecnologia de uso dom¡¦tico, que ele tem pouco impacto sobre o desenvolvimento da tecnologia. As tecnologias que estamos usando nas escolas atualmente foram projetadas, principalmente, para escrit¡¦ios. Os especialistas em conte¡¦o educacional e na maneira pela qual as crian¡¦s aprendem raramente est¡¦ envolvidos no desenvolvimento de tecnologia. A melhoria dessa situação ?uma das metas do Center for Innovative Learning Technologies (Centro de Tecnologias Inovadoras de Aprendizado), uma nova organização de pesquisa formada pelos seguintes parceiros: SRI International, University of California at Berkeley (Universidade da Calif¡¦nia em Berkeley), Vanderbilt University (Universidade Vanderbilt) e o Concord Consortium (com verbas da National Science Foundation [Fundação Nacional de Ci¡¦cia]). Por meio de um Industry Partners Program (Programa de Parceiros na Ind¡¦tria), os pesquisadores neste centro trar¡¦ suas pesquisas sobre as maneiras mais eficazes de usar a tecnologia e sobre as necessidades de tecnologia dos alunos e professores ¡¦ empresas que desenvolvem novas tecnologias e software.
P: Dr. Papert, o senhor declarou (em depoimento perante o Congresso dos Estados Unidos) que o custo da tecnologia ?exagerado nas mentes dos respons¡¦eis pela pol¡¦ica educacional. O senhor poderia explicar essa afirmação, por favor?
Dr. Papert: O custo ?uma quest¡¦ de simples aritm¡¦ica. O custo de dar a cada crian¡¦ um computador de 750 d¡¦ares com uma vida ¡¦il de cinco anos somente acrescentaria 2 por cento ao custo m¡¦io da educação de uma crian¡¦ nos Estados Unidos. Com um pouco de pesquisa e desenvolvimento, a ind¡¦tria da computação pode facilmente chegar ?metade ou a um quarto dessa cifra.
P: Dra. Means, um dos seus livros se chama Technology and Education Reform: The Reality Behind the Promise (A Tecnologia e a Reforma da Educação: A Realidade Por Tr¡¦ da Promessa). A senhora acha que h?algum perigo de que as expectativas de resultados sejam muito altas, ou por outro lado, baixas demais?
Dra. Means: John Doerr, um investidor do Vale do Sil¡¦io que financiou muitas das novas empresas bem sucedidas que desenvolveram novas tecnologias nos ¡¦timos 15 anos, argumenta que a Internet ?seriamente subestimada. N¡¦ ainda n¡¦ compreendemos totalmente como esse sistema de comunicação mudar?nossos lares, escrit¡¦ios e escolas. Talvez ele esteja certo. O problema ?que a mudan¡¦ provocada pela tecnologia freq¡¦ntemente n¡¦ ?linear. ?muito dif¡¦il fazer uma previs¡¦ baseada na extrapolação das atuais tend¡¦cias. Eu n¡¦ digo que posso prever as coisas com muita precis¡¦, portanto vou apresentar uma extrapolação do que vejo atualmente.
Muitos membros do p¡¦lico em geral acreditam piamente no poder que a tecnologia tem de transformar a educação por causa da "m¡¦tica" da tecnologia, ou porque eles j?tiveram contato com o poder da tecnologia em outras circunst¡¦cias. Existem problemas quando a tecnologia ?trazida para os sistemas escolares com grandes expectativas mas sem uma id¡¦a clara de como ou porque ela deve ser usada. O poder n¡¦ est?na tecnologia propriamente dita e sim no contexto de instrução ao qual ela pode proporcionar um suporte. A oportunidade de incorporar a tecnologia a uma escola pode se tornar um catalisador para repensar como a escola deve estruturar o seu uso de tempo e pessoal, o que ela est?tentando ensinar aos alunos, e como a sua equipe acredita que os alunos aprendem e podem demonstrar que aprenderam.
P: Para finalizar, talvez o senhor e a senhora pudessem apresentar, de forma resumida, o que pensam sobre a tecnologia e a educação - onde estamos, e onde provavelmente chegaremos no futuro?
Dra. Means: Levando todos os fatores em consideração, os cont¡¦uos avan¡¦s exponenciais na inform¡¦ica, o interesse em tecnologias de rede, nossa compreens¡¦ cada vez maior do processo cognitivo, e a preocupação generalizada com a qualidade da educação, temos os elementos para o que poderia ser uma d¡¦ada de revoluções educacionais lideradas pela tecnologia.
Novas tecnologias de rede poderiam estimular o aprendizado em colaboração entre os colegas em qualquer lugar, envolver novos participantes no suporte ao aprendizado dos alunos (por exemplo, cientistas, aposentados, peritos) e acabar com o isolamento da sala de aula no que tange ¡¦ preocupações e recursos do mundo real. Deve ser poss¡¦el oferecer uma rica seleção de cursos de padr¡¦ mundial e atividades de aprendizado para qualquer pessoa em qualquer lugar. O aprendizado informal por meio da colaboração com pessoas que possuem tipos importantes de compet¡¦cia deve ser uma importante faceta do aprendizado, nas escolas no local de trabalho, e em casa.
Tudo isso deve ser poss¡¦el, mas ainda n¡¦ estamos na linha de frente da tecnologia e nem da infra-estrutura organizacional. O software de confer¡¦cia eletr¡¦ica, at?agora, tem-se revelado pouco pr¡¦ico e restrito a textos. Os grupos de discuss¡¦ baseados em assuntos t¡¦-se mostrado de dif¡¦il compreens¡¦ e utilização pelos novos participantes. Estamos come¡¦ndo a ver aplicativos que combinam a comunicação s¡¦crona e ass¡¦crona de forma a proporcionar suporte para o aprendizado e o desenvolvimento profissional; (veja por exemplo, TAPPED IN, da SRI, um instituto virtual de desenvolvimento profissional para professores, que pode ser encontrado na World Wide Web no seguinte endere¡¦: http://www.tappedin.sri.com). A pr¡¦ima d¡¦ada certamente ser?muito interessante, tanto em termos de maiores avan¡¦s tecnol¡¦icos quanto em termos de maior conhecimento adquirido, gra¡¦s aos esfor¡¦s anteriores para dominar essas habilidades e coloc?las ?disposição da educação.
Dr. Papert: Vamos fazer uma comparação com algumas outras tecnologias. Quando a c¡¦era de cinema foi inventada, a sua primeira utilização foi basicamente ser colocada ?frente de um palco no qual os atores faziam o seu trabalho do mesmo jeito que vinham fazendo anteriormente. Demorou muito tempo para que os teatros auxiliados por c¡¦eras se tornassem o que hoje conhecemos como cinema e televis¡¦. O uso da tecnologia na educação est? em grande parte, no primeiro est¡¦io, no qual a tecnologia ?usada para real¡¦r o que as pessoas j?faziam antes, sem ela. Nas pr¡¦imas duas d¡¦adas, come¡¦remos a ver mudan¡¦s na maneira pela qual as pessoas pensam a respeito do aprendizado t¡¦ profundas quanto as mudan¡¦s que a tecnologia trouxe para a maneira pela qual vemos o entretenimento. Isso significar?muito, muito mais do que colocar uma porção de computadores em escolas que n¡¦ sofreram nenhuma outra mudan¡¦, e ensinar usando um curr¡¦ulo que, sob outros aspectos, n¡¦ mudou nada.
?imposs¡¦el prever como ser?a escola do futuro. A hist¡¦ia sempre supera os futuristas. Mas ?f¡¦il prever como ela N¡¦ ser? Tenho certeza de que a pr¡¦ica de segregar as crian¡¦s e adolescentes por idade em "s¡¦ies" ser?vista como um m¡¦odo antiquado e desumano, da ¡¦oca da "linha de montagem". Tenho certeza de que o conte¡¦o do que os alunos aprender¡¦ ter?muito pouco em comum com o curr¡¦ulo atual.
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A Dra. Barbara Means ?vice-presidente da Divis¡¦ de Pol¡¦ica (Policy Division) da SRI International, uma empresa de pesquisa e desenvolvimento e consultoria, com sede na Calif¡¦nia, que recentemente recebeu uma subvenção da National Science Foundation (Fundação Nacional da Ci¡¦cia) para o financiamento de um Center for Innovative Learning Technologies (Centro de Tecnologias Inovadoras de Aprendizado). A Dra. Means ?co-autora de Technology's Role in Education Reform (1995) [O Papel da Tecnologia na Reforma da Educação], e editora de Using Technologies to Support Education Reform (1993) [Usando Tecnologias para Proporcionar Suporte ?Reforma da Educação] e Technology and Education Reform: The Reality Behind the Promise (1994), [A Tecnologia e a Reforma da Educação: A Realidade por Tr¡¦ da Promessa] entre outras obras.
O Dr. Seymour Papert ?pesquisador no Media Lab [Laborat¡¦io de Meios de Comnunicação] do Massachusetts Institute of Technology (MIT) [Instituto de Tecnologia de Massachusetts]. O Dr. Papert liderou o projeto "School of the Future" [Escola do Futuro] do Laborat¡¦io de Meios de Comunicação, que incluiu estudos sobre "Children's Learning of Computational Ideas in a Multicultural School" [O Aprendizado, Pelas Crian¡¦s, de Id¡¦as Computacionais em Uma Escola Multicultural] e "Technological Fluency," [Flu¡¦cia Tecnol¡¦ica]; esse ¡¦timo item trata do estudo e desenvolvimento da flu¡¦cia tecnol¡¦ica am alunos pr?universit¡¦ios. Um dos pioneiros da Intelig¡¦cia Artificial, o Dr. Papert foi um dos fundadores, do Artificial Intelligence Lab [Laborat¡¦io de Intelig¡¦cia Artificial] do MIT no in¡¦io da d¡¦ada de sessenta. Ele ?o criador da linguagem de programação LOGO e autor de v¡¦ios livros e artigos. O mais recente deles ?The Connected Family: Bridging the Digital Generation Gap (1996) [A Fam¡¦ia Conectada: Eliminando o Choque Digital entre as Gerações].
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Sociedade e Valores dos
EUA
Revista Eletr¡¦ica da USIA, Vol. 2, N?4,
Dezembro de 1997