A mobilidade social -- a oportunidade intr¡¦seca que os americanos possuem de progredir na vida -- ?um valor subjacente na sociedade dos Estados Unidos. Talvez essa caracter¡¦tica se manifeste de forma mais evidente em termos de aquisição de conhecimento. Esta descrição da educação ap¡¦ a escola secund¡¦ia na segunda metade do s¡¦ulo XX, feita por um veterano observador, reflete com clareza a sua evolução e expans¡¦, assim como a maneira pela qual as faculdades e universidades reagem e se adaptam rapidamente ¡¦ mudan¡¦s nas necessidades sociais e econ¡¦icas.
Aproximadamente meio s¡¦ulo atr¡¦, no in¡¦io da era p¡¦-Segunda Guerra Mundial, os Estados Unidos j?possu¡¦m um sistema bem desenvolvido de ensino superior, com 1,5 milh¡¦ de alunos matriculados em aproximadamente 1.700 campi no pa¡¦ inteiro.
Era um sistema com a sua pr¡¦ria hist¡¦ia. Ele abrangia universidades que combinavam, na mesma instituição, cursos de graduação no estilo ingl¡¦, e cursos de p¡¦-graduação e instalações de pesquisa no estilo alem¡¦. O sistema tinha abolido a hegemonia dos cl¡¦sicos, admitindo estudos pr¡¦icos como agricultura e engenharia no curr¡¦ulo entre 1860 e 1870, e cursos de administração, sa¡¦e, e muitos outros campos durante as quatro primeiras d¡¦adas do s¡¦ulo XX. Entre 1890 e 1900, havia sido criado o sistema de cursos e cr¡¦itos por hora, como uma forma de estimular as transfer¡¦cias entre instituições e associações de certificação -- administradas pelas pr¡¦rias faculdades -- para garantir a qualidade. E, nas primeiras d¡¦adas deste s¡¦ulo, o sistema havia desenvolvido quadros de professores que, sob o ponto de vista intelectual, se encontravam no mesmo n¡¦el dos seus colegas da universidades europ¡¦as, mais antigas. ?importante observar que, assim como as suas correspondentes mais antigas, as universidades americanas, fundadas mais recentemente, mesmo em 1945, eram elitistas, predominantemente freq¡¦ntadas por homens brancos, e se encontravam relativamente isoladas da sociedade. No entanto, por mais desiguais ou limitadas que fossem, essas eram as instituições que haviam educado, para a nação, pessoas como os presidentes Thomas Jefferson, John Adams e John Quincy Adams, Theodore e Franklin D. Roosevelt; o poeta Walt Whitman e o romancista Henry James; o pioneiro na teoria da educação John Dewey e a ativista social Jane Addams; e o pastor Martin Luther King, Jr., l¡¦er do movimento pelos direitos civis nos Estados Unidos.
Nas cinco d¡¦adas ap¡¦ a Segunda Guerra Mundial, o pa¡¦ reconstruiu e expandiu grandemente a participação no seu sistema de ensino superior. Por incr¡¦el que pare¡¦, a participação da população cresceu dez vezes, numa tentativa de fazer com que as oportunidades de educação fossem mais abertas e mais acess¡¦eis, mais justas e mais relevantes. O governo e as ind¡¦trias chegaram juntos ?conclus¡¦ de que o ensino superior era um investimento em uma for¡¦ de trabalho habilitada que impulsionaria a nação a novos n¡¦eis de bem-estar econ¡¦ico e seguran¡¦ nacional. Os indiv¡¦uos passaram a considerar o ensino superior como um investimento indispens¡¦el nos seus pr¡¦rios futuros, como um caminho para a mobilidade social e a realização pessoal. O resultado de tudo isso foi um sistema que, em 50 anos, cresceu de 1,5 milh¡¦ para 15 milh¡¦s de alunos, resultando no primeiro exemplo de ensino superior "de massa" no mundo. Neste processo, para dar vaz¡¦ a essa grande mudan¡¦ de escala, foi necess¡¦io criar maneiras inteiramente novas de administrar faculdades, financiar campi e alunos, e garantir a qualidade e a responsabilização.
Os Alicerces do Per¡¦do P¡¦-Guerra
Tr¡¦ eventos pr¡¦imos do final da Segunda Guerra Mundial ajudaram a montar o cen¡¦io para esse crescimento.
Em 1944, o governo federal dos Estados Unidos sancionou a G.I. Bill (lei dos ex-combatentes) que prometia aos homens e mulheres das for¡¦s armadas que, quando a guerra terminasse, Washington pagaria os seus estudos em uma faculdade ou escola profissionalizante. Milh¡¦s de ex-combatentes, poucos dos quais em outras circunst¡¦cias desejariam fazer isso, decidiram ingressar na universidade, o que resultou em um enorme crescimento no n¡¦ero de matr¡¦ulas at?bem depois do in¡¦io da d¡¦ada de cinq¡¦nta. Esses jovens amadurecidos e motivados se deram bem no campus, adquiriram qualificações que permitiram o seu ingresso em uma variedade de ocupações e profiss¡¦s, e se tornaram um modelo de sucesso, de tal forma que a pr¡¦ria id¡¦a de freq¡¦ntar um curso superior, e os respectivos benef¡¦ios, passou a ter uma import¡¦cia nunca antes vista entre os americanos.
O pr¡¦imo evento significativo ocorreu em 1947. Observando o ¡¦imo desempenho acad¡¦ico dos ex-combatentes j?matriculados, uma comiss¡¦ indicada pelo presidente prop¡¦ ao presidente Harry S. Truman a surpreendente recomendação de que n¡¦ apenas um d¡¦imo, mas um ter¡¦ de todos os jovens deviam freq¡¦ntar uma faculdade -- e que proporcionar as oportunidades necess¡¦ias coincidiria com os melhores interesses econ¡¦icos e sociais da nação. Portanto, nos primeiros anos ap¡¦ a guerra, a estrutura subjacente para a expans¡¦, em termos de experi¡¦cia e conceito, foi firmemente estabelecida.
O terceiro item significativo foi um relat¡¦io amplamente divulgado, emitido em 1945, por Vannevar Bush, respons¡¦el pelo U.S. Office of Scientific Research and Development (Escrit¡¦io de Pesquisa e Desenvolvimento Cient¡¦ico dos Estados Unidos), uma instituição muito respeitada. Bush, f¡¦ico e reitor do Massachusetts Institute of Technology (Instituto de Tecnologia de Massachusetts), tinha mobilizado os esfor¡¦s, durante a guerra, para fazer chegar ?frente de combate o radar, a penicilina, e uma s¡¦ie de novos sistemas de armamento -- especialmente a bomba at¡¦ica. Reconhecendo que tantos entre esses sucessos se originaram de uma fundação de pesquisa b¡¦ica, Bush criou a vis¡¦ de que a ci¡¦cia, nas suas palavras, era uma "fronteira sem fim" para a nação; o investimento nessa fronteira traria incont¡¦eis dividendos em termos de seguran¡¦ nacional e progresso social.
O esfor¡¦ de guerra fez com que surgisse toda uma geração de cientistas do mais alto n¡¦el, comprometidos com trabalhos relacionados ?seguran¡¦ nacional, homens (e algumas mulheres) que estavam sempre se movimentando entre o servi¡¦ p¡¦lico, os laborat¡¦ios nacionais, e o campus. Em 1950, o Congresso dos Estados Unidos criou a National Science Foundation (Fundação Nacional da Ci¡¦cia) e a incumbiu de promover a pesquisa e o desenvolvimento e a formação de cientistas. Em função do medo resultante da Guerra Fria, a pesquisa universit¡¦ia financiada pelo governo dos Estados Unidos logo se tornou um empreendimento significativo, com gastos em n¡¦el federal superiores a 1 bilh¡¦ de d¡¦ares em 1950. Nos anos seguintes, as despesas p¡¦licas e privadas referentes ¡¦ pesquisas sob contrato conduzidas nas universidades - analisadas por instituições similares e distribu¡¦as de forma competitiva - chegaram a 21 bilh¡¦s de d¡¦ares em 1996, sem d¡¦ida com muitos benef¡¦ios para os Estados Unidos, mas tamb¡¦ trazendo um grande avan¡¦ para a ci¡¦cia propriamente dita, e para aproximadamente 100 instituições de ensino superior ¡¦ quais foram alocadas 95 por cento dessas verbas federais.
A D¡¦ada de Sessenta, ¡¦oca de Grande Expans¡¦
Durante a d¡¦ada de sessenta, o sistema de ensino superior passou por uma fase de grande expans¡¦ e desenvolvimento. O motivo mais imediato foi a chegada, ¡¦ portas da universidade, dos filhos da explos¡¦ populacional - o grande contingente de jovens de 18 a 22 anos de idade nascidos logo ap¡¦ a Segunda Guerra Mundial. Esses rapazes e mo¡¦s, muitos dos quais eram filhos e filhas dos benefici¡¦ios da lei dos ex-combatentes, tinham grandes aspirações no que se referia ?educação. Como resultado, entre 1960 e 1970, o n¡¦ero de matr¡¦ulas nas faculdades aumentou de 3,6 para 8 milh¡¦s de alunos, com os gastos correspondentes subindo de 5,8 para 21,5 bilh¡¦s de d¡¦ares. Para poder atender ao aumento do n¡¦ero de alunos, as universidades existentes, assim como as faculdades que ofereciam cursos de quatro anos, cresceram fisicamente, auxiliadas por empr¡¦timos do governo federal, para construção, e por um grande investimento de capital, feito pelos estados que financiavam as instituições.
No entanto, o acontecimento mais digno de nota da d¡¦ada foi o surgimento de uma nova - e diferente - forma de instituição, a faculdade "da comunidade", de car¡¦er abrangente. As faculdades "j¡¦ior", que ofereciam os primeiros dois anos de instrução para os alunos que pretendiam se transferir para as instituições que ofereciam cursos em n¡¦el de bacharelado (quatro anos), j?existiam desde o in¡¦io do s¡¦ulo. No in¡¦io da d¡¦ada de sessenta, uma nova vis¡¦ referente a esse tipo de instituição - uma relação mais direta com a comunidade, pol¡¦ica de admiss¡¦ de porta aberta, e um elevado status para os cursos profissionalizantes - surgiu. Em breve, cada comunidade queria a sua "faculdade democr¡¦ica" como passaram a ser chamadas as faculdades da comunidade. No decorrer da d¡¦ada, novas faculdades da comunidade foram fundadas ?raz¡¦ de uma por semana - um total de 500 em dez anos. As matr¡¦ulas cresceram de 453.000 alunos para 2,2 milh¡¦s. Igualmente importante foi o fato de que embora dois ter¡¦s das matr¡¦ulas iniciais tenham sido feitas em cursos criados tendo como objetivo a transfer¡¦cia para um programa de quatro anos, na d¡¦ada de setenta, 80 por cento dos alunos das faculdade da comunidade estavam fazendo cursos de curta duração -- preparando-se para ser t¡¦nicos em engenharia, funcion¡¦ios do setor de sa¡¦e, policiais, e dezenas de outras ocupações. Se uma comunidade precisasse de empregados treinados para uma nova f¡¦rica, ensino fundamental para adultos, programas para que os funcion¡¦ios das creches pudessem obter um certificado, ou ensino de ingl¡¦ para imigrantes rec¡¦-chegados ao pa¡¦, l?estava a sua faculdade da comunidade para atender aos requisitos.
A grande expans¡¦ das instituições existentes, combinada com a criação de novas instituições, criou maiores necessidades no n¡¦el estadual, no que dizia respeito a novos mecanismos de planejamento, governo e finan¡¦s. Como resultado disso, na d¡¦ada de sessenta, muitos estados criaram conselhos de alto n¡¦el para gerenciar ou coordenar seus sistemas que se encontravam em r¡¦ido desenvolvimento, com a finalidade de supervisionar um crescimento planejado do ensino superior no setor p¡¦lico. Um modelo not¡¦el e que exerceu grande influ¡¦cia sobre os demais foi o California's 1960 Master Plan (Plano Mestre de 1960, da Calif¡¦nia), preparado por Clark Kerr [presidente em¡¦ito da Universidade da Calif¡¦nia (University of California)]. O plano especificava que os 12 por cento superiores de todos os formandos nas escolas secund¡¦ias da Calif¡¦nia teriam seu ingresso assegurado na prestigiosa University of California - a qual cresceu ou construiu nove campi no estado inteiro para atender a essa população. O plano tamb¡¦ estipulava que os 30 por cento superiores teriam o seu ingresso assegurado em um campus da California State University (Universidade Estadual da Calif¡¦nia), que cresceu, chegando a ter 22 campi; e que todos os formandos em escolas secund¡¦ias teria o seu ingresso garantido em uma faculdade da comunidade local (106 das quais foram desenvolvidas com o decorrer do tempo). Para garantir que todos os alunos tivessem acesso ¡¦ faculdades p¡¦licas, as mensalidades foram mantidas no mais baixo patamar poss¡¦el, com o estado financiando a maior parte do custo de um curso superior de quatro anos. As faculdades da comunidade, com os seus or¡¦mentos mais modestos, eram financiadas como se segue: um ter¡¦ pelo estado, um ter¡¦ pela comunidade patrocinadora, e um ter¡¦ pelas mensalidades pagas pelos alunos.
Estudantes e Mercados
Em meados da d¡¦ada de quarenta, o papel de Washington no ensino superior se restringia, praticamente, ?coleta de dados. Muitos acreditavam que a educação, em todos os n¡¦eis, era uma tarefa atribu¡¦a aos estados pela Constituição; o apoio do governo federal traria consigo uma "intrus¡¦", ou at?mesmo um "controle". Mas ap¡¦ a Segunda Guerra Mundial, com os interesses referentes ?seguran¡¦ nacional assumindo um papel preponderante, aumentou o apoio ?pesquisa em n¡¦el universit¡¦io. No final da d¡¦ada de cinq¡¦nta, ap¡¦ a Uni¡¦ Sovi¡¦ica ter lan¡¦do a sua sonda espacial Sputinik, a defesa nacional foi invocada como motivo para proporcionar apoio ao treinamento de engenheiros, cientistas, especialistas em l¡¦guas estrangeiras e v¡¦ios programas de construção.
Nas d¡¦adas de sessenta e setenta, surgiu um consenso segundo o qual os programas federais para finalidades especiais deveriam ser reduzidos em favor da ajuda federal aos estudantes propriamente ditos, em sinal de apoio ao compromisso nacional com a igualdade de acesso, independente da origem da pessoa. O Higher Education Act of 1965 (Lei do Ensino Superior de 1965) e os Education Ammendments of 1972 (Emendas da Educação, de 1972), que complementam a lei, criaram o sistema atual de aux¡¦io financeiro para os estudantes. Ele combina bolsas de estudo, oportunidades de trabalho, e empr¡¦timos, para ajudar os estudantes com dedicação exclusiva a bancar as mensalidades e as suas despesas pessoais enquanto est¡¦ freq¡¦ntando uma faculdade.
De modo geral, a quantidade de ajuda que um aluno podia receber era determinada tanto pela renda da fam¡¦ia quanto pelos custos da faculdade pela qual o aluno optava. Em outras palavras, um rapaz ou uma mo¡¦ de uma fam¡¦ia de baixa renda poderia receber 2.000 d¡¦ares para freq¡¦ntar uma instituição p¡¦lica (uma universidade estadual) e 10.000 d¡¦ares para se matricular em uma instituição particular. Este dispositivo legal tinha a finalidade de "igualar as condições" entre a educação superior nas instituições p¡¦licas e particulares e proporcionar, a cada aluno, o acesso, tanto ao sistema em geral, quanto ?escola que ele ou ela preferisse. Outras leis que entraram em vigor no final da d¡¦ada de sessenta e na d¡¦ada de setenta, com o objetivo de tornar o acesso mais amplo, proibiam qualquer faculdade que recebesse subvenções do governo norte-americano de exercer discriminação com base na ra¡¦, g¡¦ero, religi¡¦, nacionalidade ou defici¡¦cia.
As emendas de 1972 foram um passo ?frente no sentido de aperfei¡¦ar o ensino superior nos Estados Unidos. De acordo com as emendas, a ajuda financeira ia para o aluno e n¡¦ para a escola. Na pr¡¦ica, todas as faculdades, p¡¦licas ou particulares, teriam que competir entre si para conseguir matr¡¦ulas. Esperava-se que um novo mercado de servi¡¦s de ensino superior, orientado para os alunos, obrigaria as escolas a se concentrar mais nas necessidades dos alunos. Embora o n¡¦ero de matr¡¦ulas continuasse a crescer durante a d¡¦ada de setenta, os efeitos dessa mudan¡¦ foram, inicialmente, pequenos. Mas na d¡¦ada de oitenta, a população de pessoas em idade de freq¡¦ntar uma universidade come¡¦u a declinar (era o princ¡¦io da era p¡¦-explos¡¦ populacional); todos os tipos de instituições de ensino superior tiveram que aprender a promover os seus servi¡¦s, simplesmente para poder manter o n¡¦ero de alunos. Nos anos que se seguiram, e at?agora, os alunos altamente qualificados podiam -- e podem -- ser contactados literalmente centenas de vezes por escolas que desejam acolh?los, no in¡¦io da temporada de recrutamento, e at?mesmo antes dela. P> Com o tempo, portanto, o mercado da educação ap¡¦ a escola secund¡¦ia se reorganizou. Um n¡¦ero relativamente pequeno de faculdades e universidades de prest¡¦io, muitas das quais particulares, assumiu o comando de nichos do mercado que lhe permitiam admitir somente uma pequena parte (de 10 a 20 por cento) dos estudantes em condições de se candidatar a uma vaga. Em outro teste da estratificação resultante, as 30 melhores instituições de ensino superior atualmente nos Estados Unidos, s¡¦ freq¡¦ntadas por 80 por cento dos alunos das minorias raciais do pa¡¦ que obt¡¦ resultados nos testes de aptid¡¦ (standard aptitude tests) de 1.200 ou superiores (de um total poss¡¦el de 1600). Na outra extremidade do mercado, caracterizada pelas mensalidades mais baixas, e admiss¡¦ quase sempre poss¡¦el, surgiu um grupo de universidades agressivas e empreendedoras. A mais nova, a University of Phoenix (Universidade de Phoenix) (Arizona) tem uma incr¡¦el quantidade de alunos - 40.000 - em duas d¡¦ias de instalações no oeste dos Estados Unidos.
Avaliando a Situação
Para os visitantes estrangeiros, uma caracter¡¦tica marcante do ensino superior nos Estados Unidos ?o ponto ao qual ele ?orientado para o mercado e livre de uma direção centralizada. Na verdade, todas as instituições, grandes ou pequenas, p¡¦licas ou particulares, competem entre si quando se trata de conseguir pessoas talentosas para o seu quadro de professores ou administradores, subs¡¦ios para pesquisas e fundações, e - acima de tudo - o reconhecimento e a aprovação do p¡¦lico. Al¡¦ disso, as instituições maiores competem entre si por meio de programas de esportes que s¡¦ alvo de grande divulgação.
Ao mesmo tempo, as instituições norte-americanas tendem a ser relativamente din¡¦icas e a reagirem ¡¦ mudan¡¦s econ¡¦icas e sociais, pelo menos aquelas que t¡¦ reflexo nos mercados. Mesmo sem um treinamento centralizado de pessoal, a oferta e a procura por profissionais treinados como engenheiros, m¡¦icos e profissionais da ¡¦ea de educação t¡¦ se mantido mais ou menos equilibradas. O que tem sido uma decepção, segundo a maioria dos observadores, ?que uma maior capacidade de atendimento aos alunos n¡¦ resultou em melhorias fundamentais na qualidade do ensino em n¡¦el de graduação propriamente dito. Al¡¦ disso, o pr¡¦rio mercado nem sempre reconhece a atenção que uma faculdade dedica aos valores mais profundos, como um curr¡¦ulo mais amplo ou o estudo de l¡¦guas estrangeiras.
Isto posto, o hist¡¦ico geral do sistema em termos de realização continua sendo impressionante. Se havia um objetivo inicial de proporcionar a igualdade de acesso, esse objetivo foi alcan¡¦do. As mulheres, que somavam um quarto dos alunos em 1950, representam 55 por cento da população de estudantes no momento. O atual n¡¦ero de matr¡¦ulas de afro-americanos (10 por cento), hispano-americanos (7 por cento), americanos de origem asi¡¦ica (6 por cento) e americanos nativos (1 por cento) ?similar ¡¦ suas porcentagens na população em geral. No total, 77 por cento de todos os americanos de 18 anos terminam a escola secund¡¦ia, e dois ter¡¦s desse grupo continuam a estudar, ingressando na universidade.
Al¡¦ disso, entre as instituições p¡¦licas que oferecem cursos de dois e quatro anos, as matr¡¦ulas de adultos em cursos de carga hor¡¦ia parcial chegam a milh¡¦s e representam mais de 40 por cento do total das matr¡¦ulas. Em muitos campi, a idade mediana ?25 a 30 anos. Atualmente, em parte devido aos programas de t¡¦mino de curso para pessoas que est¡¦ na faixa dos 30 e 40 anos, um quarto da população adulta dos Estados Unidos possui um diploma universit¡¦io.
Perspectivas
Os visitantes estrangeiros observam v¡¦ios outros aspectos que s¡¦ peculiares ao ensino superior nos Estados Unidos.
Um deles ?simplesmente a sua ordem de grandeza e custo. Quinze milh¡¦s de alunos freq¡¦ntam aproximadamente 3.700 instituições de ensino p¡¦-secund¡¦io, nas quais o n¡¦ero da alunos varia de algumas centenas de alunos a 50.000 em universidades estaduais em Ohio e Minnesota. O total das despesas associadas ao ensino superior, atualmente, supera a marca dos 200 bilh¡¦s de d¡¦ares por ano - o que ?uma quantia incr¡¦el, 2,3 por cento do produto interno bruto (PIB), que se compara, por exemplo, com 0.9 por cento do PIB que se gasta no Reino Unido. Dos 200 milh¡¦s, aproximadamente a metade representa a atribuição de recursos p¡¦licos, enquanto a outra metade representa receitas provenientes de mensalidade e outras taxas, prestação de servi¡¦s, subvenções, e doações volunt¡¦ias (somente esta ¡¦tima categoria somou 14 bilh¡¦s de d¡¦ares em 1995-96). Uma universidade t¡¦ica de pesquisa, de grande porte (que possua um hospital-escola) possui um or¡¦mento operacional anual de 2,5 bilh¡¦s de d¡¦ares, 35.000 alunos, 4.000 professores na sua folha de pagamento, e 10.000 empregados em funções de apoio, recolhe 150 milh¡¦s de d¡¦ares por ano de doadores particulares e recebe subs¡¦ios de mais de 1 bilh¡¦ de d¡¦ares. A universidade p¡¦lica m¡¦ia, que oferece cursos de quatro anos, cobra uma anuidade de 3.000, e uma faculdade particular m¡¦ia cobra uma anuidade de 13.000 d¡¦ares - e aproximadamente metade dos alunos dos dois tipos de instituição recebe ajuda financeira.
A grande diferen¡¦ entre as anuidades cobradas pelas universidade p¡¦licas e pelas instituições independentes de ensino superior causa perplexidade aos visitantes estrangeiros. Como podem as instituições mais caras, do setor privado, sobreviver? A diferen¡¦ nas anuidades ocorre devido ao fato de que a faculdade particular n¡¦ recebe subvenção p¡¦lica direta. Na verdade, no entanto, para o aluno de uma fam¡¦ia de classe m¡¦ia ou de baixa renda, o diferencial das anuidades pode praticamente desaparecer devido ao aux¡¦io financeiro (possivelmente, com um grande empr¡¦timo a ser pago por ocasi¡¦ da formatura). De qualquer forma, a grande vantagem do ensino superior p¡¦lico, e a sua disponibilidade em virtualmente todas as comunidades, trouxe consigo a maioria dos aumentos no n¡¦ero de matr¡¦ulas das ¡¦timas d¡¦adas: em 1945, as faculdades p¡¦licas possu¡¦m a metade dos alunos; hoje, elas contam com 78 por cento da população escolar.
O setor privado est?fadado ao fracasso? ?claro que n¡¦. As faculdades particulares prosperam oferecendo curr¡¦ulos diferenciados, ambientes mais convidativos nos campi, e (freq¡¦ntemente) o prest¡¦io dos seus diplomas. Muitas continuam se beneficiando de comunidades que as subvencionam, religiosas ou ¡¦nicas. O ensino superior particular tende a ser mais inovador, empreendedor e orientado a valores, e serve como um equil¡¦rio criativo em relação ao ensino superior controlado pelo estado.
Outra caracter¡¦tica incomum da faculdade americana, tanto particular quanto p¡¦lica, ?a caracter¡¦tica dos estudos de graduação. Durante quatro anos de estudo, o aluno m¡¦io dedica cerca de um ter¡¦ do seu tempo a estudar uma mat¡¦ia "principal" (economia, f¡¦ica, administração, etc.); um ter¡¦ a mat¡¦ias eletivas e secund¡¦ias; e - principalmente nos dois primeiros anos - um ter¡¦ ?educação em geral. Este ¡¦timo elemento representa o compromisso hist¡¦ico da universidade de produzir formandos que t¡¦ uma ampla base de estudos; apreciam as ci¡¦cias, a filosofia, e as artes; aprendem os h¡¦itos da democracia; e desenvolvem uma capacidade superior de escrever, encontrar e utilizar informações, pensar de maneira cr¡¦ica, e trabalhar com outras pessoas.
Como boa parte do programa de educação geral de uma faculdade ?determinada para o aluno, quest¡¦s de valores inevitavelmente surgem. Os quadros de professores est¡¦ sempre discutindo o que deve ser ensinado e aprendido. Alguns defendem um princ¡¦io segundo o qual deve ser ensinada a cultura cl¡¦sica ocidental; outros lutam pela inclus¡¦ de t¡¦icos e vozes multiculturais. Todo o tempo, devido ao grande n¡¦ero de novos alunos, freq¡¦ntemente n¡¦ t¡¦ bem preparados, e devido ?import¡¦cia que os alunos atribuem aos empregos, as escolas t¡¦ maior dificuldade em manter os alunos (e ¡¦ vezes os professores) entusiasmados com uma base ampla de mat¡¦ias eletivas. E assim v¡¦ias inovações t¡¦ sido empregadas no ensino, nos programas e na tecnologia, para manter o interesse dos alunos e ajud?los a serem bem sucedidos.
Estatisticamente, ao se aproximar o fim do s¡¦ulo, as instituições de ensino superior nos Estados Unidos, concedem todos os anos, aproximadamente 540.000 diplomas de cursos de dois anos, 1,1 milh¡¦ de diplomas de cursos de quatro anos (n¡¦el de bacharelado ou equivalente), 400,000 diplomas de mestrado, 76.000 diplomas profissionais (em direito, medicina, e outros campos) e 45.000 doutorados. Entre os t¡¦ulos de doutorado, as ci¡¦cias biol¡¦icas e f¡¦icas, a matem¡¦ica e a engenharia predominam; nas principais universidades, at?50 por cento dos candidatos a esses t¡¦ulos s¡¦ de fora dos Estados Unidos. No ¡¦bito da p¡¦-graduação em geral, a ¡¦ea onde ocorre o maior crescimento ?o mestrado. Uma elevação constante das expectativas do mercado de trabalho e dos alunos tem levado a um aumento significativo nos estudos em n¡¦el de mestrado nas profiss¡¦s relacionadas ?administração de empresas, ?educação e ?sa¡¦e.
Em todos os n¡¦eis do ensino superior nos Estados Unidos, na d¡¦ada de noventa, houve uma explos¡¦ na implantação de tecnologias de informação. A maioria dos campi, e at?mesmo v¡¦ios sistemas estaduais na sua totalidade, est¡¦ "conectados". Bibliotecas inteiras est¡¦ on-line; as despesas com tecnologia chegaram ?marca dos 16 bilh¡¦s na d¡¦ada de oitenta, e espera-se que este n¡¦ero tenha dobrado na d¡¦ada atual. Em d¡¦ias de campi, cada aluno e professor, atualmente, possui o seu pr¡¦rio computador (e freq¡¦ntemente uma p¡¦ina na Web); em 35 por cento de todas as turmas, os professores e alunos se comunicam por correio eletr¡¦ico (por meio do computador). Os efeitos de tudo isso nas modalidades de instrução e nas caracter¡¦ticas do trabalho dos alunos e dos professores est¡¦ sendo intensamente investigados.
Um ¡¦timo desenvolvimento ?uma conseqüência desta revolução tecnol¡¦ica: um grande crescimento na instrução ?dist¡¦cia. Noventa por cento de todas as instituições dos Estados Unidos, que possuem 10.000 alunos ou mais, atualmente oferecem cursos on-line. Algumas novas universidades "virtuais" tamb¡¦ est¡¦ operando on-line. Entre elas a mais conhecida, a Western Governors University, inicia as suas operações em 11 estados em janeiro de 1998. A tecnologia, ao mesmo tempo em que reestrutura a sala de aula, parece tamb¡¦ estar pronta para reestruturar o mercado da educação p¡¦-secund¡¦ia.
----------
Theodore J. Marchese ?o vice-presidente da American Association for Higher Education (Associação Americana de Ensino Superior) e editor-executivo da revista Change. Seu endere¡¦ de e-mail ? [email protected].
Sociedade e Valores dos
EUA
Revista Eletr¡¦ica da USIA, Vol. 2, N?4,
Dezembro de 1997