Q U E S T ¡¦ E S G L O B A I S Mudan¡¦s Clim¡¦icas As Opções GRUPOS DE DEFESA DO MEIO AMBIENTE AP¡¦AM A ENERGIA RENOV¡¦EL
Jennifer Coffey
Organizações n¡¦-governamentais dizem que os Estados Unidos e outras nações industrializadas devem acelerar o ritmo de produção de energia renov¡¦el e a adoção de novas tecnologias energeticamente eficientes para poder cumprir as metas referentes ¡¦ mudan¡¦s clim¡¦icas que fazem parte do acordo recentemente assinado em Quioto.
O Protocolo de Quioto, se aprovado pelo Senado dos Estados Unidos, exigiria que os Estados Unidos reduzissem as suas emiss¡¦s de gases que causam o efeito estufa em 7 por cento abaixo dos n¡¦eis de 1990, at¡¦os anos 2008 a 2012. Outros pa¡¦es industrializados t¡¦m metas similares de redução de emiss¡¦s que variam de 6 a 8 por cento abaixo dos n¡¦eis de 1990.
Christopher Flavin, vice-presidente s¡¦ior de pesquisa do Worldwatch Institute, um grande grupo de defesa do meio ambiente, disse que os esfor¡¦s de muitos pa¡¦es desenvolvidos para cortar os subs¡¦ios aos combust¡¦eis f¡¦seis, melhorar os padr¡¦s de efici¡¦cia energ¡¦ica, e proporcionar incentivos para energia renov¡¦el e reflorestamento est¡¦ entre as modestas iniciativas que j¡¦come¡¦ram a diminuir o ritmo de crescimento das emiss¡¦s de gases que causam o efeito estufa.
Flavin disse que a produção de energia renov¡¦el est¡¦crescendo muito rapidamente. Por exemplo, a e¡¦ica - a fonte de energia que tem crescido mais rapidamente no mundo na d¡¦ada de 1990 - est¡¦tendo uma expans¡¦ de 25 por cento ao ano. Em comparação, os mercados de carv¡¦ e petr¡¦eo est¡¦ se expandindo somente em 1 por cento ao ano.
Flavin tamb¡¦ ressaltou que uma nova geração de pequenas usinas geradoras de energia, que usam pequenas turbinas a g¡¦ e c¡¦ulas de combust¡¦el para produzir eletricidade e aquecimento para edif¡¦ios de escrit¡¦ios e residenciais, poderiam tornar obsoletas as usinas geradoras de energia alimentadas a carv¡¦, que geram aproximadamente um ter¡¦ das emiss¡¦s de g¡¦ carb¡¦ico atualmente.
"Essas novidades animadoras sugerem que um Protocolo de Quioto forte criaria mais vencedores do que perdedores, abriria caminho para mudan¡¦s dram¡¦icas na economia energ¡¦ica mundial, e daria in¡¦io a uma concorr¡¦cia entre as nações, pelo dom¡¦io dos mercados energ¡¦icos no s¡¦ulo XXI," ele disse.
Flavin disse que o ritmo de adição de energia renov¡¦el e outras novas tecnologias energ¡¦icas depender¡¦da possibilidade das pol¡¦icas governamentais - muitas das quais defendem a situação e retardam o desenvolvimento de alternativas - serem transformadas.
"A experi¡¦cia em pa¡¦es como a Dinamarca, a Alemanha, e o Jap¡¦, mostra que mudan¡¦s relativamente modestas na pol¡¦ica - permitindo que novas tecnologias energ¡¦icas tenham acesso ao mercado, e fazendo com que a concorr¡¦cia ocorra no mesmo n¡¦el - s¡¦ tudo o que ¡¦necess¡¦io para dar in¡¦io a uma revolução energ¡¦ica."
Ele tamb¡¦ disse que ¡¦essencial que os pa¡¦es industrializados acelerem a revolução energ¡¦ica e estimulem a sua disseminação entre os pa¡¦es em desenvolvimento antes que esses pa¡¦es executem os seus planos de construir centenas de usinas geradoras de energia que queimem combust¡¦eis f¡¦seis e milh¡¦s de ve¡¦ulos a motor que poderiam estar produzindo poluição de g¡¦ carb¡¦ico nas pr¡¦imas d¡¦adas.
Ken Bossong, diretor-executivo da Sustainable Energy Coalition [Coaliz¡¦ de Energia Sustent¡¦el], concordou com a avaliação do Worldwatch Institute, acrescentando que o programa dom¡¦tico dos Estados Unidos para reduzir as emiss¡¦s de gases que causam o efeito estufa n¡¦ tem o alcance suficiente.
"A proposta do governo, de investir 3,6 bilh¡¦s de d¡¦ares no decorrer dos pr¡¦imos cinco anos em novos incentivos fiscais para efici¡¦cia energ¡¦ica e energia renov¡¦el ¡¦um passo na direção certa," ele disse. "No entanto, esse pacote ¡¦muito pequeno quando comparado com os mais de 5 bilh¡¦s de d¡¦ares em incentivos fiscais que no momento, se encontram dispon¡¦eis, por ano, para as tecnologias de combust¡¦eis f¡¦seis."
"O s d¡¦ares em impostos que j¡¦foram gastos para promover o carv¡¦, o petr¡¦eo, e o g¡¦ natural, representam aproximadamente sete vezes o valor que est¡¦sendo proposto, atualmente, para ser gasto em efici¡¦cia e renov¡¦eis," ele continua. "Se a Casa Branca est¡¦sendo sincera ao querer realmente reduzir as emiss¡¦s de gases que causam o efeito estufa, causadas pela combust¡¦ de combust¡¦eis f¡¦seis, o primeiro passo deveria ser parar de subvencionar as tecnologias poluidoras."
Alguns economistas est¡¦ preocupados com o fato de que a redução da depend¡¦cia dos combust¡¦eis f¡¦seis ser¡¦prejudicial para a economia dos Estados Unidos, devido ¡¦perda de empregos e ao custo da substituição dos equipamentos nas ind¡¦trias que consomem combust¡¦eis f¡¦seis. No entanto, muitos grupos de defesa do meio ambiente acreditam que os Estados Unidos n¡¦ apenas s¡¦ capazes de cumprir as metas do protocolo de forma economicamente vi¡¦el, mas que podem tamb¡¦ garantir a sua estabilidade econ¡¦ica atrav¡¦ da reestruturação da sua ind¡¦tria energ¡¦ica. Bossong, por exemplo, disse que os benef¡¦ios de apoiar as tecnologias de energia renov¡¦el e de efici¡¦cia energ¡¦ica compensariam muitos custos iniciais da implementação do protocolo.
"O governo deveria perceber que um conjunto bem mais agressivo de subs¡¦ios e propostas tribut¡¦ias, combinado com novos incentivos nas ¡¦eas de transportes, aparelhos eletrodom¡¦ticos, e concession¡¦ias de fornecimento de energia, produzir¡¦muito mais benef¡¦ios do que problemas," ele disse.
"O custo econ¡¦ico relativamente baixo associado a essas propostas deve ser mais do que compensado pela criação de novas ind¡¦trias e empregos dom¡¦ticos, expans¡¦ de mercados internacionais, melhorias na balan¡¦ comercial, redução das importações de petr¡¦eo, e fortalecimento da seguran¡¦ nacional, al¡¦ do que ser¡¦ evitados os custos ambientais e de sa¡¦e p¡¦lica associados ¡¦ mudan¡¦s clim¡¦icas e ¡¦poluição," ele acrescentou.
Outros grupos defensores do meio ambiente acreditam que o Protocolo de Quioto ¡¦um excelente primeiro passo para a redução dos gases que causam o efeito estufa, mas insistem em dizer que ainda h¡¦mais trabalho a ser feito.
"¡¦um primeiro passo ¡¦il, mas n¡¦ tem o alcance suficiente," diz Dan Becker, do Sierra Club. "Vamos concentrar nossos esfor¡¦s na press¡¦ para que os Estados Unidos tomem medidas para combater a poluição, dentro do seu pr¡¦rio territ¡¦io, que cumpram e ultrapassem as metas do Protocolo de Quioto. A principal medida ¡¦fazer carros que percorram uma dist¡¦cia maior com um gal¡¦ de gasolina. O protocolo ¡¦fraco demais comparado com o que os cientistas dizem que precisamos fazer, mas ele ¡¦um passo ¡¦frente, e isso ¡¦bom."
Becker tamb¡¦ expressou preocupação a respeito do sistema de negociação de emiss¡¦s estabelecido pelo protocolo. Em conformidade com um regime de negociação de emiss¡¦s, pa¡¦es ou empresas podem adquirir licen¡¦s de emiss¡¦s mais baratas de pa¡¦es ou empresas que possuam mais licen¡¦s do que podem usar, por terem cumprido, folgadamente, sua metas. Normas e procedimentos - especialmente no que se refere ¡¦verificação, informação, e transpar¡¦cia e responsabilidade - ainda precisam ser estabelecidos.
"Estamos preocupados, pois, em vez de determinar reduções espec¡¦icas a serem feitas por poluidores espec¡¦icos, a negociação de emiss¡¦s d¡¦ aos poluidores que causam o aquecimento global, uma licen¡¦ para poluir ou negociar a poluição dentro do sistema," Becker disse. "E sem um sistema de fiscalização, ¡¦dif¡¦il acreditar que um sistema baseado na honestidade possa funcionar para reduzir a poluição."
Fred Krupp, diretor executivo do Environmental Defense Fund [Fundo de Defesa do Meio-Ambiente] (EDF), elogiou o Protocolo de Quioto como uma divisor de ¡¦uas que pode "redirecionar a Terra, de um caminho rumo a um clima com excesso de calor, para um mundo mais seguro."
Fazendo coment¡¦ios sobre pol¡¦icas espec¡¦icas contidas no protocolo, o economista s¡¦ior do EDF Dan Dudek observou que "o protocolo enfatiza a import¡¦cia da negociação de emiss¡¦s pelas companhias, na redução de emiss¡¦s de gases que causam o efeito estufa. No entanto, os detalhes sobre os elementos cr¡¦icos necess¡¦ios para que esse protocolo possa funcionar, como por exemplo, a conformidade e as normas para negociação, ainda n¡¦ foram determinados."
Ele acrescentou que as possibilidades apresentadas pelo protocolo somente se transformar¡¦ em benef¡¦ios ambientais para o planeta se os compromissos assumidos em Quioto forem implementados na sua totalidade e se forem feitas reduções antecipadas dos gases que causam o efeito estufa.
Em comparação com a atitude otimista de v¡¦ias organizações, outros grupos acreditam que o protocolo n¡¦ ¡¦uma maneira vi¡¦el de reduzir as emiss¡¦s de gases que causam o efeito estufa. Eles acreditam que a falta de participação de alguns dos principais pa¡¦es em desenvolvimento - principalmente a China, o Brasil e o M¡¦ico - comprometeria a competitividade internacional dos Estados Unidos. Outros acreditam que os anos definidos como metas pelo protocolo, 2008-1012, n¡¦ d¡¦ ¡¦ empresas tempo suficiente para adotar m¡¦odos mais energeticamente eficientes, e ao mesmo tempo, continuar a ser economicamente produtivas.
Gail McDonald, presidente da Global Climate Coalition - um grupo que representa ind¡¦trias, concession¡¦ias de servi¡¦s p¡¦licos, e empresas de mineração - disse que a sua organização se op¡¦ a metas e prazos de car¡¦er legalmente obrigat¡¦io. "O Protocolo de Quioto est¡¦errado. Ele exige reduções dr¡¦ticas sem o comprometimento de outros pa¡¦es e seria muito caro para os Estados Unidos," ela disse.
"Sem o comprometimento dos pa¡¦es em desenvolvimento, os Estados Unidos, sozinhos, n¡¦ podem causar um impacto suficientemente grande nas emiss¡¦s porque as emiss¡¦s nos pa¡¦es em desenvolvimento estariam crescendo," acrescenta McDonald. "Acreditamos que um problema global requer participação global."
A Union of Concerned Scientists [Uni¡¦ dos Cientistas Preocupados] (UCS) tamb¡¦ se manifesta sobre o papel dos pa¡¦es em desenvolvimento na redução de emiss¡¦s, predizendo que, mais cedo ou mais tarde, eles concordar¡¦ em limitar suas emiss¡¦s.
"O Protocolo de Quioto ¡¦somente uma etapa em um esfor¡¦ internacional, cont¡¦uo, para limitar o aquecimento global," um porta-voz da UCS disse. "O protocolo n¡¦ ¡¦um jogo de uma tacada s¡¦ Ele ¡¦o in¡¦io de um longo esfor¡¦ para evitar as s¡¦ias conseqüências do aquecimento global. Tendo em vista a veemente oposição apresentada por alguns pa¡¦es e pelas empresas americanas do ramo de carv¡¦ e de petr¡¦eo, o protocolo ¡¦uma realização substancial."
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Jennifer Coffey ¡¦estagi¡¦ia na equipe da revista Quest¡¦s Globais.
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