Os pa・es africanos que implementaram reformas, com o objetivo de atrair investimentos estrangeiros com mais facilidade, devem estar prontos para iniciar campanhas para promover suas vantagens e procurar investidores em potencial, diz Louis T. Wells, da Escola de Administra艫o de Empresas da Universidade de Harvard [Harvard Business School]. Esses esfor・s promocionais n・ s・ baratos nem f・eis. Uma abordagem eficaz, diz Wells, seria se v・ios pa・es se unissem, formando um "pool" de recursos para divulgar suas atra苺es e para desenvolver pol・icas comuns de investimento. Eles tamb・ devem procurar saber que estrat・ias devem ser evitadas, como por exemplo, contar com incentivos fiscais e miss・s para investimentos generalizados, que, segundo ele diz, na maioria das vezes n・ s・ eficazes.
A experi・cia sugere que as reformas econ・icas, apenas, n・ atrair・ os investidores estrangeiros para a ・rica. As reformas geralmente t・ que ser acompanhadas por um programa ativo de marketing ou de promo艫o de investimentos, que se destine a "vender" as oportunidades do mercado africano. A promo艫o bem sucedida dos investimentos pode ser cara e deve ser cuidadosamente dirigida, para que seja eficaz. Os pa・es africanos que tiverem uma filosofia similar devem pensar na possibilidade de realizar programas de promo艫o em conjunto -- com um enfoque nas atividades de constru艫o de imagem. Nesses esfor・s em conjunto os pa・es n・ apenas compartilhariam os custos de se mudar as percep苺es dos investidores; eles tamb・ se comprometeriam com um conjunto padr・ de reformas e concordariam com a institui艫o de um conjunto comum de pol・icas tendo como objetivo os investimentos.
?preciso ter cuidado. Freq・ntemente, as perspectivas de grandes quantidades de investimentos estrangeiros que podem fluir para a ・rica s・ promovidas de maneira exagerada. A participa艫o da ・rica, no total dos investimentos, no bloco dos pa・es em desenvolvimento, tem diminu・o nos ・timos anos. Como os seus mercados s・ relativamente pequenos e eles n・ t・ fronteiras com pa・es ricos, os pa・es africanos t・ poucas probabilidades de atrair investimentos estrangeiros em volumes que podem exercer um impacto significativo na forma艫o total de capital -- pelo menos no futuro pr・imo. As exce苺es podem ser os pa・es com recursos minerais ou outros recursos naturais. Por outro lado, os benef・ios dos investimentos estrangeiros que, de fato, s・ feitos, podem n・ ser proporcionais ao que se implica a partir dos n・eros, como um todo. Por exemplo, os investimentos estrangeiros em manufatura para exporta艫o podem estimular as firmas locais para que elas exportem, e a administra艫o estrangeira pode aumentar a efici・cia das antigas empresas estatais. Acima de tudo, mesmo se a quantidade de investimento estrangeiro for menor do que seria desej・el, as reformas implementadas com o objetivo de atrair investimentos estrangeiros s・ do mesmo tipo das reformas que estimulam o investimento dom・tico.
Um governo precisa decidir que tipos de investimentos s・ desejados e que t・ possibilidade de serem atra・os para um pa・. Quando as autoridades governamentais pensam em investimentos estrangeiros, elas freq・ntemente t・ em mente investidores que fabricar・ produtos para o mercado dom・tico. As cervejarias, as f・ricas de baterias, as ind・trias de cimento e as refinarias, de propriedade de empresas estrangeiras, que est・ se espalhando por toda a ・rica, s・ exemplos desse tipo de investidor. ?・vio que esses investidores est・ interessados no tamanho do mercado local. O tipo de investidor que ?particularmente atraente para os governos ?o investidor que fabricar?produtos para os mercados de exporta艫o. Devido ?concorr・cia global, no entanto, pode ser particularmente dif・il atrair empresas de manufatura para a exporta艫o para se instalarem em um pa・ que n・ tenha uma reputa艫o associada a esse tipo de ind・tria. A ・rica tem tido muita experi・cia com um terceiro tipo de investidor -- aquele que vem para extrair uma mat・ia prima ou para investir em planta苺es.
ESTRAT・IAS DE INVESTIMENTO A SEREM EVITADAS
As experi・cias dos pa・es da ・ia e de alguns pa・es da Am・ica Latina em atrair investimentos estrangeiros oferecem algumas li苺es importantes para os pa・es africanos, no que se refere ・ estrat・ias que devem ser evitadas.
Os Incentivos Fiscais Geralmente S・ Ineficazes. Sob o ponto de vista de pol・ica, o erro mais comum que um pa・ pode cometer ?contar com os incentivos fiscais -- especialmente os per・dos de isen艫o de impostos -- para atrair investimentos estrangeiros. V・ios estudos t・ demonstrado que os incentivos fiscais s・ quase totalmente ineficazes quando se trata de atrair investimentos para o mercado dom・tico e s?exercem um pequeno impacto sobre as empresas que fabricam produtos para exporta艫o. Taxas reduzidas de tributa艫o podem ser necess・ias se a carga tribut・ia para as empresas, no pa・, for excessivamente alta, mas ?melhor reduzir o ・dice de tributa艫o como um todo do que introduzir um sistema de incentivos.
A Cria艫o de ・g・s Governamentais do Tipo "Faz-Tudo". Muitos pa・es ansiosos para atrair investimentos estrangeiros criaram ・g・s governamentais do tipo "faz-tudo" -- ・g・s incumbidos de emitir todas as licen・s necess・ias, para um investidor estrangeiro, ou auxiliar o investidor no processo de obter essas licen・s junto a outras autoridades. Apesar das boas inten苺es dos governos, na maioria dos casos esses ・g・s rapidamente se transformaram em mais uma barreira para os investimentos estrangeiros. Sem o s・ido apoio dos principais l・eres do pa・, os ・g・s do tipo "faz-tudo" perdem rapidamente sua capacidade de emitir licen・s que sejam honradas pelos ・g・s implementadores das pol・icas do governo, e os investidores preferem negociar diretamente com os ・g・s respons・eis.
A Promo艫o de um Pa・ Antes da Hora. V・ios pa・es iniciaram seus efeitos para a promo艫o de investimentos antes de as reformas se completarem e antes de as pol・icas se estabilizarem. A promo艫o antes da hora n・ ?apenas um desperd・io de dinheiro; ela tamb・ pode ser prejudicial. Se um pa・ promover as suas reformas antes de as mesmas estarem completas, os investidores em potencial, que investigarem a situa艫o e que descobrirem que o ambiente ainda n・ ?prop・io, provavelmente n・ voltar・ para dar uma segunda olhada. H?certas atitudes referentes ?promo艫o que podem ser tomadas, com seguran・, no in・io do processo. O atendimento aos investidores que j?est・ no pa・ ajuda a determinar se as reformas, de fato, j?est・ firmemente implementadas, e ajuda a identificar as pol・icas que precisam ser revistas ou as reformas que ainda devem ser realizadas.
Combina苺es Inadequadas de Ferramentas de Promo艫o. As pesquisas t・ demonstrado que somente a constru艫o da imagem -- propaganda e miss・s relacionadas aos investimentos em geral -- muito raramente resulta em investimentos. Na melhor das hip・eses, essas coisas servem para transmitir, para os investidores em potencial, informa苺es sobre as pol・icas e impress・s gerais de um pa・. Por exemplo, os investidores em potencial -- especialmente os que n・ est・ ligados ・ ind・trias de mat・ia-prima -- tendem a agrupar os pa・es africanos. Eles assumem que a instabilidade social ?mais abrangente do que realmente ? e que a maioria dos pa・es africanos recuaram, afastando-se do caminho das reformas. No caso dos pa・es africanos que implementaram reformas, as atividades para a constru艫o da imagem s・ apropriadas para corrigir as impress・s err・eas dos investidores. No entanto, essas atividades devem ser seguidas de atividades "que possam gerar investimentos".
Os governos acham particularmente dif・il organizar atividades que gerem investimentos, especialmente aquelas relacionadas com as apresenta苺es pessoais com fins promocionais. Para serem eficazes, as autoridades governamentais precisam escolher firmas que tenham probabilidade de investir no pa・, e precisam fazer apresenta苺es cuidadosamente preparadas para os diretores das empresas. Poucos burocratas possuem a habilidade de comunica艫o, o conhecimento dos neg・ios, a confian・ e a iniciativa para tais atividades. Al・ disso, os governos geralmente n・ dedicam os recursos suficientes ao atendimento tanto dos investidores atuais quanto daqueles em potencial -- programando visitas dos investidores, enviando funcion・ios para receb?los no aeroporto, acompanhando-os durante as formalidades de entrada no pa・, fornecendo guias e ajudando-os a obter as autoriza苺es e licen・s necess・ias.
A N・ Identifica艫o do P・lico-Alvo. Um dos erros comuns nos esfor・s de promo艫o ?o fato de que os investidores em potencial n・ s・ identificados. O trabalho de promo艫o ?caro, e portanto ele deve ser focalizado nos investidores desejados, e que provavelmente t・ algum interesse no pa・. A identifica艫o do p・lico-alvo requer uma habilidade consider・el, e ・ vezes requer tamb・ a ajuda de organiza苺es ou pessoas de fora. Freq・ntemente as id・as ou os investidores em potencial podem se originar das experi・cias de pa・es similares. A identifica艫o do p・lico-alvo deve ser feita n・ apenas tendo o tipo de ind・tria como crit・io, mas tamb・ de acordo com o tamanho e o pa・ de origem do investidor. As melhores op苺es nem sempre s・ as mais ・vias.
Confiar nas Embaixadas para o Trabalho de Promo艫o. V・ios pa・es t・ contado com as suas embaixadas e consulados no exterior para promover os investimentos estrangeiros. Eles acham que, por terem uma presen・ no exterior, eles n・ precisam estabelecer mais nenhuma infra-estrutura. Os resultados dessa pr・ica t・ sido decepcionantes. Os funcion・ios das embaixadas e consulados s・ pessoas cujas carreiras se baseiam na diplomacia, e n・ nos neg・ios. Geralmente eles n・ t・ a habilidade e nem a facilidade -- e nem recebem os benef・ios -- para contactar empresas estrangeiras. Eles podem fornecer literatura referente aos investimentos, se voc?pedir, mas eles quase nunca adotam uma postura agressiva na busca de investidores.
Prepara艫o de Estudos de Viabilidade. Alguns pa・es t・ pessoas especializadas na prepara艫o de estudos de viabilidade para investidores em potencial. Na grande maioria dos casos, esses esfor・s t・ sido desperdi・dos. Os investidores privados raramente t・ muita confian・ em propostas de neg・ios preparadas por governos. As firmas de investimentos financeiros que investem na ・rica constituem uma exce艫o. Essas firmas t・ grandes possibilidades de serem dirigidas por membros da Di・pora Africana e podem ter uma import・cia capital para alguns pa・es africanos. A melhor abordagem, contudo, ?apresentar essas firmas de investimentos financeiros aos empres・ios locais que tenham propostas de neg・ios.
A NECESSIDADE DE UNIR OS RECURSOS
A primeira fase da promo艫o para os investimentos ?a constru艫o da imagem -- pode ser cara. Muitos pa・es africanos acham imposs・el dedicar recursos suficientes do seu or・mento ・ mudan・s de imagem e ?gera艫o de investimentos. Uma solu艫o ?a uni・ entre pa・es africanos de mentalidade similar, fazendo um "pool" para realizar esse trabalho. Um grupo inicial de pa・es, agindo em um processo de coopera艫o, consistiria de na苺es que tenham institu・o reformas importantes, que tenham um hist・ico de rigorosa implementa艫o dessas reformas, e que procurem investimentos estrangeiros diretos. Para estimular uma identidade, o grupo pode adotar algum nome para o seu trabalho em comum -- "Invest Africa" [Invista na ・rica], por exemplo. Embora o grupo deva ser aberto para novos pa・es membros, estes somente devem ser admitidos ap・ uma cuidadosa an・ise da extens・ em que eles implementaram reformas e melhoraram o seu ambiente de investimentos.
Mais cedo ou mais tarde, o grupo pode estimular certas pol・icas comuns no que se refere aos investidores estrangeiros. Por exemplo, condi苺es para projetos de minera艫o, normas para participa艫o local e garantias de que os ganhos e investimentos podem retornar ao pa・ de origem do investidor, podem ser padronizadas em todos os pa・es membros. As pol・icas em comum fariam com que a prote艫o comum se tornasse mais f・il e mais eficaz.
A constru艫o da imagem, por parte do grupo, consistiria de duas atividades: propaganda e miss・s gerais de investimento. A propaganda explicaria as reformas e os compromissos assumidos pelos pa・es participantes do grupo. Ela descreveria as oportunidades de investimento e relacionaria as pol・icas comuns dos clientes em rela艫o aos investimentos estrangeiros diretos. As miss・s de investimento levariam os investidores em potencial aos pa・es participantes do grupo para apresenta苺es a respeito do ambiente de investimento e para estimular contatos com os empres・ios locais.
Para ser bem sucedida, a campanha de forma艫o de imagem precisa ser apoiada por atividades que geram investimentos, por parte de cada pa・ participante do grupo. Embora o grupo possa ter uma ・ica unidade designada para os administradores de empresas que respondam aos an・cios ou que queiram maiores informa苺es, informa苺es detalhadas e apresenta苺es pessoais, precisam ser fornecidas e feitas pelos pr・rios pa・es membros. Cada um deles precisa ter uma unidade especializada em apresenta苺es associadas aos investimentos, para dar continuidade aos contatos gerados pelo processo de constru艫o de imagem, e finalmente, para identificar firmas, por seus pr・rios meios, para que as mesmas possam ser contactadas.
At?mesmo os grupos de pa・es africanos t・ poucas probabilidades de atrair o m・imo poss・el, em termos de investimentos estrangeiros. Eles precisam de coopera艫o de pa・es e de institui苺es multilaterais que podem proporcionar consultoria sobre a cria艫o de um ambiente prop・io ao investimento. Para os pa・es que possuem d・idas elevadas, o cancelamento das d・idas pelas institui苺es multilaterais e ajuda tempor・ia, no balan・ dos pagamentos, de fora da ・rica, s・ essenciais para que as promessas de conversibilidade sejam plaus・eis para os investidores em potencial.
Os pa・es mais ricos tamb・ podem proporcionar alguma ajuda na redu艫o do risco para os investidores em potencial. A Empresa para Investimentos Privados no Exterior, dos Estados Unidos [U.S. Overseas Private Investment Corporation], a Ag・cia Multilateral de Garantia de Investimentos [Multilateral Investment Guarantee Agency] do Banco Mundial, e organiza苺es similares, cobrem os riscos de desapropria艫o, inconversibilidade de moedas e perturba苺es da ordem social. O risco tamb・ pode ser reduzido se os governos dos pa・es de origem dos investidores permitirem que os preju・os nos investimentos na ・rica sejam amortizados, se ocorrerem, contra os lucros auferidos em outros locais, inclusive no pr・rio pa・ de origem.
Finalmente, visitas feitas por representantes de alto n・el dos governos dos pa・es de origem dos investidores, aos pa・es africanos que est・ implementando reformas, podem fazer mais pela constru艫o da imagem do que qualquer entidade de promo艫o de investimento. As visitas dos chefes de estado s・ cobertas pela imprensa do pa・ de origem. Isso chama a aten艫o dos investidores para os pa・es visitados; freq・ntemente os artigos descrevem os resultados das reformas. As visitas de estrangeiros podem resultar em investimentos estrangeiros se a constru艫o da imagem for acompanhada por atividades que gerem investimentos.
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Este artigo foi adaptado de uma vers・ mais longa que apareceu em "Africa and the American Private Sector: Corporate Perspectives on a Growing Relationship," publicado pelo Conselho Corporativo para a ・rica [Corporate Council on Africa].)
Perspectivas econ・icas
Revista Eletr・ica da USIA, Vol. 4, N?3,
Agosto de 1999