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O Brasil come・u a aplicar a pol・ica de concorr・cia de maneira mais agressiva, em conformidade com a sua atitude de se integrar ?economia de mercado, diz Gesner Oliveira, presidente do ・g・ do governo brasileiro encarregado da pol・ica de concorr・cia, o CADE. Assim como outros pa・es em desenvolvimento, ele diz, o Brasil precisa, especialmente, construir as institui苺es de concorr・cia e promover a cultura de concorr・cia entre as suas empresas e consumidores.
O Brasil possui um ・g・ de fiscaliza艫o de concorr・cia, o Conselho Administrativo de Defesa Econ・ica (CADE), desde 1962. No entanto, a pol・ica de concorr・cia somente passou a ser uma quest・ importante na agenda p・lica do pa・ na d・ada de noventa. Este artigo apresenta uma vis・ geral deste processo, enfatizando as tend・cias recentes e as perspectivas futuras da pol・ica antitruste brasileira.
Pol・ica de Concorr・cia e Reforma Econ・ica
Contrastando com o contexto hist・ico da Lei Sherman, dos Estados Unidos, o advento da pol・ica de concorr・cia nos pa・es em desenvolvimento desde os ・timos anos da d・ada de oitenta est?associado a uma mudan・ no papel do estado, que tende a intervir cada vez menos nos mercados. Este, de fato, tem sido o caso no Brasil, onde a liberaliza艫o do com・cio, a desregulamenta艫o, e a privatiza艫o causaram profundas mudan・s na economia desde os primeiros anos da d・ada de noventa.
A legisla艫o de concorr・cia e a pol・ica de concorr・cia s・, ao mesmo tempo, produtos deste movimento rumo ?reforma econ・ica e catalisadores das recentes transforma苺es. Elas s・ produtos da reforma econ・ica no sentido de que, como resultado da privatiza艫o, desregulamenta艫o, e liberaliza艫o do com・cio, h?uma verdadeira demanda social para a repress・ e preven艫o do abuso do poder econ・ico, agora mais concentrado nas m・s de agentes privados. Elas s・ fatores, ou catalisadores, da reforma econ・ica no sentido de que a implementa艫o da pol・ica de concorr・cia - especialmente na sua dimens・ de concorr・cia-defesa de id・as - representa um importante fator para a continua艫o do processo de liberaliza艫o.
Portanto, o progresso da legisla艫o de concorr・cia, em princ・io, beneficia o investidor estrangeiro. Naturalmente, conv・ esperar para ter a certeza de que a legisla艫o recentemente promulgada n・ ser?usada de maneira inadequada e de que o tipo certo de institui苺es ser?desenvolvido. Se forem bem implementadas, as leis de concorr・cia podem ajudar a manter e a aprofundar o processo de liberaliza艫o. Este tem sido o principal objetivo do CADE nos ・timos anos.
A Legisla艫o Brasileira de Concorr・cia
A legisla艫o brasileira de concorr・cia n・ ?muito diferente dos padr・s internacionais. Embora as primeiras leis importantes tenham sido promulgadas em 1962, a pol・ica de concorr・cia adquiriu import・cia devido ?Lei no 8884, de 1994, que introduziu o controle de fus・s, transformou o CADE em um ・g・ mais independente e apresentou, pela primeira vez, o formato dos ・g・s fiscalizadores recentemente criados. O CADE tem um presidente, seis comiss・ios, e um procurador-geral. Todos eles cumprem mandatos fixos de dois anos. S?se pode apelar das decis・s do CADE junto ao poder judici・io.
Ao contr・io da maioria das economias emergentes, o Brasil j?chegou a uma quantidade consider・el de decis・s administrativas, a maior parte das quais entrou em vigor ap・ 1994, em conformidade com a Lei no 8884.
H?duas tend・cias dignas de nota:
Os casos referentes ?conduta, que s・ um tipo de caso antitruste, t・ prevalecido durante todo o per・do (77 por cento de todos os casos antitruste), mas as decis・s referentes a fus・s chegaram a 51 por cento no per・do de junho a dezembro de 1998. Isso reflete, em parte, a an・ise relativamente mais eficiente dos casos de fus・; ?medida que a qualidade e a velocidade da investiga艫o de pr・icas anticompetitivas melhoram, deve-se esperar uma porcentagem maior de casos referentes ?conduta.
A investiga艫o tem sido lenta demais em uma grande quantidade de casos, o que causa uma eleva艫o nos custos tanto para o setor p・lico quanto para o setor privado.
A porcentagem de casos de cartel ?alta, mas a participa艫o de certos tipos de pr・icas il・itas, como por exemplo, licita苺es fraudulentas, ainda ?baixa.
Em rela艫o aos casos de fus・, seis aspectos s・ dignos de nota:
A freq��ncia dos compromissos de cumprimento - acordos entre o CADE e os signat・ios de uma fus・, estabelecendo as condi苺es sob as quais a fus・ pode ser aprovada pelo CADE - tem diminu・o em rela艫o aos per・dos anteriores, e a natureza dos requisitos tem-se modificado. Desde 1996, o CADE tem apresentado uma prefer・cia por condi苺es estruturais em vez de condi苺es de ordem comportamental.
No per・do de junho a dezembro de 1998, n・ se observou nenhum compromisso de cumprimento. Nos casos de aprova艫o parcial de fus・s, tem havido uma prefer・cia por medidas a serem tomadas em car・er definitivo, em vez de acordos com os agentes privados que precisam ser monitorados regularmente.
Tem havido uma tentativa sistem・ica de eliminar a burocracia excessiva, especialmente nos casos simples.
Assim como ocorre em outras jurisdi苺es, o ・dice de fus・s n・ aprovadas tem permanecido baixo (menos de 5 por cento) e est?se tornando ainda mais baixo.
As decis・s t・ se tornado mais detalhadas e t・ dado alternativas ・ entidades do setor privado sempre que poss・el.
Uma importante dimens・ da implementa艫o ?a experi・cia com o sistema dos tribunais. Na Am・ica Latina, esse pode ser um dos maiores desafios para as autoridades da ・ea de concorr・cia. Atualmente h?70 casos nos tribunais; esse n・ero deve crescer exponencialmente nos pr・imos anos, ?medida que a Lei no 8884 se torna mais conhecida.
O n・ero de recursos tamb・ dever?aumentar devido ?atitude mais ativa que o CADE tem adotado e ao n・ero cada vez maior de multas aplicadas. A quantidade e os valores das multas t・ aumentado, especialmente nos casos de notifica艫o ap・ o prazo.
No Brasil, assim como nos Estados Unidos, apesar do fato de a lei de concorr・cia ser uma lei federal, existe um alto grau de autonomia por parte dos estados da federa艫o, o que leva ?discuss・ de v・ios casos no n・el estadual.
Mudan・s Recentes
Para se adaptar a uma economia global, o CADE passou por reformas significativas:
o Um c・igo de ・ica foi criado, introduzindo normas simples por・ ・eis a respeito de conflitos de interesse e ass・io sexual, entre outras quest・s.
Os procedimentos para o controle de fus・s foram totalmente reformulados; foi introduzido um processo de an・ise em duas etapas, harmoniza艫o com formul・ios de notifica艫o da Organiza艫o para a Coopera艫o e o Desenvolvimento Econ・ico, e simplifica艫o dos requisitos de informa艫o e documenta艫o. O processo de an・ise do CADE dever?diminuir de sete meses para pouco menos de dois meses e meio. 20 meses haviam decorrido antes da introdu艫o das primeiras inova苺es em 1996.
Os honor・ios provis・ios para abertura de processos referentes a controle de fus・ e consultas ao CADE passaram a ser exigidos por lei em janeiro de 1999, assegurando a capta艫o de recursos complementares para o or・mento do CADE.
Em uma economia global, a coopera艫o internacional na ・ea de concorr・cia passou a ter uma import・cia vital. Devido ao maior grau de interdepend・cia entre as economias das na苺es, as pr・icas e transa苺es comerciais t・, com muita freq��ncia, afetado v・ias jurisdi苺es. Em 1996, ocorreu um caso de concentra艫o no mercado brasileiro de dentifr・ios, devido a uma transa艫o envolvendo duas empresas americanas (American Home Products e Colgate), que afetou a estrat・ia de uma terceira empresa dos Estados Unidos (Procter & Gamble).
A mera aplica艫o de cl・sulas de extraterritorialidade n・ ?o suficiente para lidar com a nova agenda global. A harmoniza艫o de procedimentos e a permanente coopera艫o entre os v・ios ・g・s governamentais em n・el nacional poderiam, certamente, reduzir o custo, tanto para o setor p・lico quanto para o setor privado, referente ?aplica艫o do controle de fus・s. Esse ?um dos principais objetivos do CADE.
Perspectivas econ・icas
Revista Eletr・ica da USIA, Vol. 4, N?1,
Fevereiro de 1999