"Precisamos avan・r al・ dos muros da empresa...com a mesma energia e comprometimento que investimos para construir a empresa circundada por esses muros. Avan・r al・ dos muros n・ ?uma quest・ de altru・mo; trata-se de interesse pr・rio esclarecido, uma necessidade de neg・ios."Peter F. Drucker, especialista em administra艫o
Um "ex・cito" cada vez maior, de funcion・ios-volunt・ios, est?trabalhando em comunidades em todos os Estados Unidos. Usando camisetas com logotipos de empresas, eles removem vest・ios de picha艫o, recolhem e distribuem alimentos para os que t・ fome, constr・m casas para os pobres, coordenam e prestam servi・s em competi苺es esportivas para os deficientes, ou ensinam crian・s - portadoras de dificuldades de aprendizado - a ler. Durante anos, o trabalho volunt・io executado por empregados foi considerado uma atividade perif・ica. No entanto, pesquisas recentes sobre a finalidade, o valor e o impacto desse movimento dos funcion・ios das empresas, t・ demonstrado que ele tem valor estrat・ico para a comunidade, para as empresas e para os pr・rios participantes.
Um programa de funcion・ios-volunt・ios ?qualquer esfor・ formal ou organizado por uma empresa para os seus empregados ativos e aposentados que desejam contribuir com o seu tempo e habilidade, prestando servi・s ?comunidade. Tal apoio pode incluir:
desenvolvimento e gerenciamento de projetos de trabalho em grupo para funcion・ios-volunt・ios, como dias de limpeza.
programas de reconhecimento para demonstrar gratid・ aos empregados que se apresentam como volunt・ios.
atividades de forma艫o de equipes e desenvolvimento de recursos humanos em fun艫o de projetos de trabalho volunt・io.
A Evolu艫o do Trabalho Volunt・io dos Empregados
O desenvolvimento deste tipo de servi・ se originou do reconhecimento cada vez maior, no in・io deste s・ulo, da interdepend・cia inerente entre as empresas e as comunidades. A estabilidade e o sucesso das empresas est・ intimamente ligadas ao ambiente econ・ico e social das comunidades onde elas operam.
Os primeiros esfor・s filantr・icos tinham uma ・fase maior na doa艫o de dinheiro do que na doa艫o do tempo dos volunt・ios. Havia um enfoque em se doar, ou em fazer servi・s em esp・ie, a uma variedade de causas, em vez de criar um interesse de nicho em um determinado setor como a educa艫o ou a sa・e.
Entre 1970 e 1980, sob a lideran・ da "declara艫o de responsabilidade" da organiza艫o Business Roundtable [Mesa-Redonda das Empresas], o termo "empresa socialmente respons・el" sugeria uma estrat・ia empresarial em rela艫o ?comunidade, baseada em um p・lico-alvo que envolvia clientes, fornecedores, comunidades, e acionistas. (A Business Roundtable ?uma associa艫o de executivos-chefes das principais empresas dos Estados Unidos, que examinam e desenvolvem posi苺es que procuram refletir princ・ios sociais e econ・icos s・idos.)
Na d・ada seguinte, a American Express Corporation criou a express・ "marketing relacionado a causas," descrevendo a rela艫o mutuamente ben・ica entre os patroc・ios e as promo苺es para as entidades sem fins lucrativos e as causas sociais. Por causa do descr・ito a respeito dessa atividade aparentemente ego・ta, o setor empresarial - na d・ada de 90 - passou a adotar estrat・ias mais dirigidas a quest・s, com enfoque em uma quest・ da comunidade particularmente relevante para a empresa. (Por exemplo, uma empresa do ramo farmac・tico poderia contribuir com verbas e trabalho volunt・io para causas relativas ?sa・e.)
Mais recentemente, o enfoque ?direcionado ?cria艫o de programas paralelos aos objetivos estrat・icos da empresa, enfatizando parcerias com organiza苺es comunit・ias. Criando iniciativas do tipo "joint venture" com entidades sem fins lucrativos, agora as empresas podem compartilhar seus recursos de maneiras novas e criativas que estimulam novos ganhos para elas mesmas, para seus empregados e para a comunidade.
Durante a d・ada de 90, a pr・ica de presta艫o de servi・s por empregados cresceu enormemente. As porcentagens das contribui苺es em dinheiro e outras mudaram de 80/20 na d・ada de 80 para 60/40 na d・ada de 90. (Corporate Philanthropy Report, 1996 [Relat・io de Filantropia Empresarial, 1996]). Durante o governo do presidente George Bush, o trabalho volunt・io origin・io das empresas recebeu um impulso do Escrit・io de Servi・s Nacionais [Office of National Service], e da Funda艫o Pontos de Luz [Points of Light Foundation], cuja forma艫o o presidente Bush apoiou, para promover o trabalho volunt・io.
Um relat・io de 1993, do Conference Board [Conselho de Confer・cias] (um grupo sem fins lucrativos, que n・ foi formado para defender nenhuma id・a espec・ica; trata-se de uma das principais organiza苺es empresariais e de pesquisa do mundo, com grande n・ero de empresas-membros; o Conference Board re・e os principais executivos de mais de 2.900 empresas em mais de 60 pa・es, atrav・ das suas publica苺es e reuni・s) e da Points of Light Foundation revelou o seguinte:
77 por cento das empresas concordam com uma coisa: programas de trabalho volunt・io trazem benef・ios para os objetivos estrat・icos da empresa.
descobriu-se que aproximadamente quatro quintos dos programas de trabalho volunt・io avaliados melhoravam a capacidade da empresa de manter seus empregados e de aperfei・ar o treinamento.
aproximadamente a metade dos executivos consultados fez com que o servi・ comunit・io fizesse parte das declara苺es de miss・ das suas empresas.
31 por cento dos executivos consultados afirmaram que usam programas de trabalho volunt・io como parte da estrat・ia para tratar de quest・s cr・icas para a companhia.
mais da metade confirma a rela艫o entre os programas de trabalho volunt・io e a lucratividade. Um n・ero ainda maior concordou quanto ao fato de que os servi・s prestados pelos empregados serviam para elevar o moral da empresa, desenvolver o trabalho em equipe e a produtividade.
Alguns Programas de Trabalho Volunt・io Para Funcion・ios Que Servem de Exemplo
Os atuais estudos e pesquisas que envolvem as empresas do grupo "Fortune 500" - as empresas que mais se destacam nos Estados Unidos - revelam um n・ero, que cresce exponencialmente, de programas de trabalho volunt・io para funcion・ios. A atividade que, de longe, mais atrai o envolvimento das empresas ?a educa艫o. Mas o trabalho volunt・io executado por funcion・ios ?um fator essencial nas ・eas de sa・e, servi・s humanos, desenvolvimento econ・ico, as artes e o meio ambiente. Por exemplo:
A Adolph Coors Company, f・rica de bebidas, est?proporcionando treino de lideran・ para as institui苺es de ensino superior freq・ntadas principalmente por afro-americanos.
A ・ea de trabalho volunt・io da Lucent Technologies patrocina um "dia global de aten艫o" uma vez por ano, envolvendo 10.000 empregados e aposentados em projetos comunit・ios em 25 estados americanos e 17 outros pa・es.
A Honeywell, Inc., em parceria com a organiza艫o Habitat for Humanity, sediada em Atlanta, reuniu 4.000 empregados e volunt・ios aposentados para construir resid・cias de baixo custo no mundo inteiro.
A Target, uma empresa do ramo de mercadorias, possui equipes de "bons vizinhos" que selecionam escolas que mere・m apoio e em seguida assinam um contrato de um ano para ajud?las no que for preciso.
A empresa Hewlett-Packard, do ramo de eletr・ica, criou um programa de aulas particulares por e-mail que permite a comunica艫o entre empregados e alunos da 5?s・ie do primeiro grau at?a 3?s・ie do segundo grau. Todas as comunica苺es entre os alunos e os volunt・ios s・ feitas por e-mail.
A Home Depot, empresa de ・bito nacional, fornecedora de materiais de constru艫o e de uma variedade de equipamentos de uso dom・tico, trabalha em conjunto com a Habitat for Humanity em 60 cidades nos Estados Unidos e no Canad?para construir casas para indiv・uos de baixa renda - doando verbas, materiais de constru艫o, conhecimentos especializados e servi・s de empregados altamente qualificados.
A Transmedia Network, uma empresa que atua na ・ea de t・uetes de alimenta艫o com desconto, envolve as crian・s mais velhas em um programa de aulas particulares para estimular as crian・s mais novas a ler.
A Merck e a Eli Lilly, empresas do ramo farmac・tico, cede executivos a entidades sem fins lucrativos, durante um certo tempo, para trabalho volunt・io.
O trabalho volunt・io oferecido pelas empresas est?atendendo a uma sociedade que precisa cada vez mais de servi・s, a empresas que procuram ter empregados cada vez mais competentes e com mais no艫o de comprometimento, e a indiv・uos que procuram oportunidades para crescer e interagir. Portanto, o fato de que essas atividades t・ um impacto em potencial t・ grande n・ causa surpresa.
A comunidade se beneficia de tr・ maneiras. Primeiro, esses programas t・ trazido novos talentos, habilidades e mais energia a v・ios locais, especialmente no que se refere ?administra艫o e ?tecnologia. Segundo, eles t・ proporcionado grupos de trabalhadores volunt・ios para tipos de assist・cia vital que pode ser prestada em um dia - limpezas na orla mar・ima e ajuda em eventos especiais, por exemplo. Terceiro, eles t・ unido as empresas e as comunidades como parceiros, melhorando o modo de vida de todos os moradores das ・eas em que s・ implementados.
No que diz respeito aos benef・ios para as empresas, agora temos uma imagem muito mais definida ap・ muitas pesquisas e estudos - especialmente na d・ada de 90. Os programas de trabalho volunt・io podem dar um impulso aos objetivos estrat・icos da empresa (boa cidadania empresarial, por exemplo), e portanto s・ vistos como elementos integrais, e n・ perif・icos. Esses projetos podem construir - e constr・m - credibilidade p・lica para a empresa, e aumentam o reconhecimento do nome. Al・ disso, eles t・ a vantagem de atrair novos talentos para a empresa, motivar os empregados, e real・r o desenvolvimento profissional para o corpo gerencial, tanto no n・el m・io quanto superior.
A General Mills (ind・tria de produtos aliment・ios) e a FedEx (servi・ privado de entrega de correspond・cia, de ・bito mundial) descobriram que seus programas de presta艫o de servi・s ?comunidade fortaleciam as habilidades dos empregados no tocante ?lideran・, trabalho de equipe, organiza艫o e tomada de decis・s. A Intel Corporation (tecnologia na ・ea de inform・ica) descobriu que seus funcion・ios-volunt・ios tinham mais habilidade em comunica艫o, gerenciamento do tempo, negocia艫o, elabora艫o de or・mentos e distribui艫o de recursos. Al・ disso, os estudos da Intel revelaram maior compreens・ e respeito pela diversidade, e maior afirma艫o da capacidade pessoal de crescimento.
Os pr・rios empregados tamb・ se beneficiam, e muito. Por meio do seu trabalho volunt・io, eles t・ desenvolvido novos contatos profissionais, adquirido experi・cia em planejamento estrat・ico, t・ feito contato com l・eres da comunidade, e t・ aprendido a lidar com um p・lico-alvo at?ent・ desconhecido. Existe, tamb・, uma forte liga艫o, entre a sa・e f・ica e mental e a participa艫o em atividades volunt・ias.
Mas ?medida que o ambiente de trabalho e os empregados evoluem - isso ?o que tem ocorrido invariavelmente com o tempo - alguns desafios ainda precisam ser enfrentados pelas empresas e pelos seus empregados na sua intera艫o com as comunidades.
Quest・s de gerenciamento interno - redu苺es de efetivo e fus・s - s・ uma categoria. Os programas para funcion・ios-volunt・ios acabam sendo a cola que une as empresas e as pessoas em tempos de crise gerencial - tornando-se um ponto de orgulho, renova艫o e desenvolvimento de equipe. A Timberland, empresa do ramo de cal・dos e vestu・io, e a IBM Corporation s・ exemplos de firmas cujos projetos de trabalho volunt・io t・ sido ・coras institucionais.
A natureza e a transforma艫o dos efetivos das empresas, de empregados com muitos anos de servi・, seguros e leais, em indiv・uos com maior mobilidade, tem criado desafios e modificado a estrutura de alguns programas de trabalho volunt・io. No entanto, na maioria dos casos, essas atividades t・ dado aos novos empregados a oportunidade de conhecer seus correspondentes mais antigos, criando assim, rapidamente, uma no艫o desejada de identidade comunit・ia na empresa.
Com as fronteiras entre os pa・es ficando menos n・idas, e com o avan・ da globaliza艫o no ambiente empresarial, os programas de cidadania empresarial e outras iniciativas sociais internacionais de car・er inovador est・ sendo bem aceitas como novos par・etros para concorr・cia.
Embora, no passado, s?existissem poucas provas que documentassem o valor estrat・ico dos programas de cidadania empresarial, o quadro est?ficando mais claro. Um grande esfor・, Measuring the Value of Corporate Citizenship [Medindo o Valor da Cidadania Empresarial], foi publicado pelo Conselho das Funda苺es [Council on Foundations] em 1994. Hoje, o ambiente empresarial exige que cada departamento e fun艫o me・ os seus resultados, e isso est?acontecendo. A Funda艫o Pontos de Luz [Points of Light Foundation] e o Centro Universit・io de Boston de Rela苺es das Empresas com a Comunidade [Boston College's Center of Corporate Community Relations] se uniram em um esfor・ de dois anos para desenvolver ferramentas e processos de avalia艫o de programas que os gerentes das empresas possam usar para determinar, quantitativa e qualitativamente, o retorno do investimento em programas para funcion・ios-volunt・ios. Outro estudo, que serve como padr・, desenvolvido pelo Boston College Center e pelo Centro Americano de Produtividade e Qualidade [American Productivity and Quality Center] tem como objetivo determinar as pr・icas ideais para os programas de rela苺es da empresas com as comunidades em toda a na艫o.
"Pela primeira vez", Craig Smith, presidente da organiza艫o Corporate Citizen (Cidadania Empresarial) observou recentemente na revista Harvard Business Review, "as empresas est・ bancando iniciativas filantr・icas com o verdadeiro poder empresarial.". Esse poder inclui, de maneira muito significativa, legi・s de funcion・ios-volunt・ios. Nas suas atividades fora do local e do hor・io de trabalho eles est・ encontrando novos valores, adquirindo nova for・ e satisfa艫o.
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Betty B. Stallings ?instrutora, consultora e autora especializada em trabalho volunt・io, capta艫o de recursos para entidades sem fins lucrativos, desenvolvimento e lideran・ de conselhos. Ela reside na ・ea de S・ Francisco, Calif・nia.
Sociedade e Valores dos
EUA
Revista Eletr・ica da USIA, Vol. 3, N?2, Setembro de
1998