Poucas pessoas transformaram a aposentadoria em uma oportunidade para o trabalho volunt・io com mais entusiasmo do que o ex-presidente dos Estados Unidos Jimmy Carter. Atualmente com 73 anos, ele ?o presidente da entidade sem fins lucrativos Carter Center, em Atlanta, Ge・gia. Neste artigo, ele explica porque passa o tempo fazendo trabalho volunt・io, e porque ele acha essa atividade t・ satisfat・ia.
Quando eu meu aposentei da Casa Branca em 1980 (quatro anos antes do previsto), Rosalynn e eu t・hamos que resolver como passar・mos o resto de nossas vidas. ・amos relativamente jovens - ambos na casa dos 50 - e est・amos desempregados. Fomos diretamente de Washington para a nossa casa em Plains, Ge・gia (popula艫o: 700 pessoas), onde eu n・ tinha morado desde que fui eleito governador do estado [em 1970].
Voc?pode imaginar que essa n・ foi uma mudan・ f・il. Mas n・ concordamos em uma coisa: Plains era o nosso lar e era o lugar onde quer・mos ficar. Eu n・ queria mais me candidatar a nenhum cargo p・lico, e portanto come・mos a pensar sobre como poder・mos usar um pouco da habilidade e experi・cia que t・hamos adquirido com o tempo, para trabalhar em quest・s que sempre tinham sido importantes para n・.
Aquele primeiro ano foi um per・do de intensa reflex・. Da?surgiu a id・a do Carter Center [www.cartercenter.org]. Imaginamos um centro sem fins lucrativos, onde poder・mos reunir pessoas e recursos para promover a paz e melhorar a sa・e no mundo inteiro. Abrimos o nosso centro no campus da Universidade de Emory em 1983, e passamos a ocupar a nossa sede permanente, vizinha ?recentemente constru・a Jimmy Carter Library and Museum [Biblioteca e Museu Jimmy Carter], em 1986.
Com o tempo, Rosalynn e eu transformamos a aposentadoria em outra carreira, por meio do nosso trabalho no Carter Center. E devo dizer que os nossos anos ap・ a presid・cia foram ainda mais compensadores do que os anos em que ocupamos cargos p・licos. Em nome do Centro, viajamos a mais de 115 pa・es. Na Cor・a do Norte, Haiti, Nicar・ua, Lib・ia, Sud・ e outros lugares, ajudamos a resolver conflitos e crises potencialmente explosivas. Passamos semanas em aldeias remotas na ・rica, ensinando aos residentes sobre a erradica艫o da doen・ causada pelo verme da Guin? e distribuindo rem・ios, gratuitamente, para controlar a cegueira causada pela contato com as ・uas dos rios. Em outras partes da ・rica, ajudamos os agricultores a aumentar a produ艫o de milho e gr・s em at?400 por cento, usando pr・icas agr・olas simples e de baixo custo. Contribu・os para o progresso dos direitos humanos e ajudamos pa・es do terceiro mundo a desenvolver planos-mestre de desenvolvimento.
Nos Estados Unidos, Rosalynn deu continuidade aos seus esfor・s em prol dos doentes mentais, tendo como base o seu trabalho como primeira dama da Ge・gia e dos Estados Unidos. Ajudamos os moradores dos bairros pobres de Atlanta a desenvolver estrat・ias para melhorar suas vidas, compartilhando o que aprendemos com mais de cem outras cidades. E quando n・ estamos trabalhando para o Carter Center, passamos uma semana por ano construindo casas com outros volunt・ios, para a organiza艫o Habitat for Humanity, nos Estados Unidos e em outros pa・es.
Todos esses projetos t・ enriquecido minha vida de in・eras maneiras. Tenho aprendido coisas que nunca soube como senador estadual, ou governador, ou at?mesmo como presidente. Ao trabalharmos com outras pessoas, Rosalynn e eu atendemos ・ nossa pr・ria necessidade de enfrentar desafios e de agir como membros produtivos da nossa comunidade global.
Ao trilharmos esse caminho, tamb・ encontramos outras pessoas que procuram oportunidades de contribuir com tempo, experi・cia e recursos para minorar o sofrimento e melhorar as vidas de outros. Por exemplo, no Carter Center, unimos os nossos recursos aos recursos de nossos muitos parceiros - incluindo empresas, funda苺es e indiv・uos. Tenho tido contato com os empregados de muitas organiza苺es que fazem doa苺es, como a Merck, a DuPont e a United Parcel Service. Muitos chegaram a chorar de emo艫o quando eu lhes contei como as doa苺es das suas empresas ajudaram a livrar os habitantes das aldeias africanas da doen・ do verme da Guin?e da cegueira dos rios, ou amenizaram as dificuldades de uma fam・ia no nosso pr・rio pa・.
Darei outro exemplo de como a aposentadoria mudou a nossa vis・ do mundo. Rosalynn e eu temos liderado equipes do Carter Center na condi艫o de observadores - e ・ vezes, de mediadores - em elei苺es livres e justas em aproximadamente 15 pa・es. Em 1990, ficamos na fila com os haitianos no local de vota艫o onde apenas tr・ anos antes, dezenas de pessoas haviam sido mortas por terroristas patrocinados pelo governo quando estavam tentando votar. Muitos eleitores tinham se levantado no meio da noite e caminhado dist・cias entre 16 e 24 km., para poder entrar naquela mesma fila - embora temessem pelas pr・rias vidas. Ao percorrermos as ruas de Porto Pr・cipe naquele dia, conversamos com pessoas que haviam esperado horas somente pela oportunidade de votar - um privil・io sagrado que n・ e outros consideramos garantido aqui nos Estados Unidos.
Vivemos em uma terra de oportunidade, e o nosso afastamento da vida pol・ica abriu todo um novo e excitante mundo, cheio de desafios. Para n・, a aposentadoria n・ significou o fim, mas um novo come・. Esperamos passar muito mais tempo em atividade, aproveitando ao m・imo o resto de nossas vidas.
__________
Jimmy Carter foi presidente dos Estados Unidos de 1977 a 1981.
A reprodu艫o deste artigo pela imprensa foi autorizada fora dos Estados Unidos, com exce艫o da imprensa local na ・dia, Jap・, Espanha, R・sia e Tail・dia. A p・ina-t・ulo de qualquer reimpress・ dever?conter cr・ito ao autor e ?publica艫o
Condensado de Business Week, &169; de 20 de julho de 1998.
Sociedade e Valores dos
EUA
Revista Eletr・ica da USIA, Vol. 3, N?2, Setembro de
1998