Condensado de um discurso proferido por ocasi¡¦ da formatura de uma turma da University of California at San Diego (Universidade da Calif¡¦nia em San Diego), no dia 14 de junho de 1997
Quero lhes agradecer por estarem oferecendo ?nação um brilhante exemplo de excel¡¦cia com profundas ra¡¦es nas muitas origens que comp¡¦m esta terra maravilhosa. Voc¡¦ desbravaram novos caminhos na ci¡¦cia e na tecnologia, e exploraram novos horizontes da Bacia do Pac¡¦ico e da Am¡¦ica Latina. Esta ?uma excelente universidade para o S¡¦ulo XXI.
Hoje estamos comemorando as suas realizações em um momento muito especial para a Am¡¦ica. A Guerra Fria pertence ao passado e a liberdade floresce no mundo inteiro. Pela primeira vez na hist¡¦ia, mais da metade da população do planeta escolhe os seus pr¡¦rios governantes.
Nossa economia est?na sua fase mais saud¡¦el em toda uma geração, e ?a mais poderosa do mundo. Nossa cultura, nossa ci¡¦cia, e nossa tecnologia prometem avan¡¦s nunca antes imaginados e novas e interessantes carreiras. Os esfor¡¦s para resolver nossos problemas sociais, do crime ?pobreza, est¡¦ finalmente dando resultado.
?claro que alguns desafios os esperam. Al¡¦ das nossas fronteiras, devemos combater o terrorismo, o crime organizado e o tr¡¦ico de drogas, a disseminação das armas de destruição em massa, o poss¡¦el aparecimento de novas doen¡¦s, e a ocorr¡¦cia de desastres ambientais.
Em nosso pa¡¦, devemos garantir que todas as crian¡¦s tenham a oportunidade de desenvolver as aptid¡¦s que Deus lhes deu. N¡¦ podemos esperar at?que elas estejam em apuros para ent¡¦ percebermos o que est?acontecendo.
Devemos continuar a combater o flagelo das gangues, do crime e das drogas. Devemos nos preparar para a aposentadoria da geração que nasceu no per¡¦do da explos¡¦ populacional [e] reduzir os ¡¦dices de pobreza na inf¡¦cia...Devemos utilizar as for¡¦s da ci¡¦cia e da tecnologia para o bem comum, o bem de todo o p¡¦lico americano.
No entanto, acredito que o nosso maior desafio ?tamb¡¦ a nossa maior oportunidade. De todas as quest¡¦s referentes ? discriminação e ao preconceito que persistem em nossa sociedade, a que causa a maior perplexidade ?a mais antiga, e de certa forma, no momento, a mais nova: a quest¡¦ racial. Podemos cumprir a promessa da Am¡¦ica, abra¡¦ndo todos os nossos cidad¡¦s de todas as ra¡¦s, n¡¦ apenas em uma universidade na qual as pessoas t¡¦ o privil¡¦io de contar com talentosos professores e com tempo para refletir e crescer, e conhecermos uns aos outros na rotina di¡¦ia de todas as comunidades do pa¡¦? Resumindo, podemos ser um s?pa¡¦ no s¡¦ulo XXI?
Eu sei, e j?disse antes, que o dinheiro n¡¦ pode comprar esse objetivo, o poder n¡¦ pode nos obrigar a ating?lo, e a tecnologia n¡¦ pode cri?lo. Trata-se de uma coisa que s?pode nascer no esp¡¦ito humano -- o esp¡¦ito que vimos [aqui, hoje] quando um coro de muitas ra¡¦s cantou como um coro evang¡¦ico.
Hoje, o estado do Hava? representado neste evento por um senador e uma congressista, n¡¦ possui uma ra¡¦ ou grupo ¡¦nico que se possa ser considerado maioria. Trata-se de um lugar maravilhoso e exuberante, onde a amizade e o patriotismo imperam. Dentro de cinco anos, aqui na Calif¡¦nia, n¡¦ haver?uma ¡¦ica ra¡¦ ou grupo ¡¦nico que constitua a maioria da população do estado. Cinco dos nossos maiores distritos escolares j?atraem alunos de mais de 100 grupos raciais ou ¡¦nicos diferentes. Os ganhadores de doze Pr¡¦ios Nobel de nove pa¡¦es diferentes foram alunos ou professores neste campus. Daqui a meio s¡¦ulo, quando os seus netos estiverem na universidade, n¡¦ haver?uma ra¡¦ que represente a maioria da população do pa¡¦.
Agora sabemos que apar¡¦cia teremos, mas como seremos, realmente? Podemos ser uma Am¡¦ica que respeite e at?mesmo reverencie, as nossas diferen¡¦s, mas que acate ainda mais o que temos em comum? Podemos definir o que significa ser americano, n¡¦ apenas em termos de hifens que mostram nossas origens ¡¦nicas, mas em termos do nosso compromisso b¡¦ico com os valores essenciais da Am¡¦ica, os valores que nos norteiam? Nossos corações querem responder que sim, mas a nossa hist¡¦ia nos lembra que isso ser? dif¡¦il. Os ideais que nos unem s¡¦ t¡¦ antigos quanto a nossa nação, mas as for¡¦s que nos separam s¡¦ igualmente antigas. Nossos fundadores quiseram formar "uma uni¡¦ mais perfeita"; a humildade e a esperan¡¦ dessa frase ?a hist¡¦ia da Am¡¦ica e ?a nossa miss¡¦, hoje.
Pensem nisso: Nosso pa¡¦ nasceu com uma Declaração de Independ¡¦cia que garantia que todos nascemos iguais, e uma Constituição que preservava a escravid¡¦. Lutamos uma sangrenta guerra civil para abolir a escravid¡¦, mas continuamos a ser uma casa dividida e governada por leis desiguais por mais um s¡¦ulo. Em nome da liberdade, avan¡¦mos continente adentro, mas ao faz?lo, varremos os americanos nativos de suas terras, freq¡¦ntemente destruindo sua cultura e seus meios de sobreviv¡¦cia. Nossa Est¡¦ua da Liberdade d?as boas vindas ¡¦ massas pobres, cansadas e amontoadas de imigrantes ¡¦ nossas fronteiras, mas cada nova leva sentiu na pr¡¦ria pele a discriminação.
Na Segunda Guerra Mundial, americanos de origem japonesa lutaram valentemente pela liberdade na Europa, sofrendo pesadas perdas, enquanto, em casa, suas fam¡¦ias eram confinadas em campos de internamento. Os famosos aviadores de Tuskegee n¡¦ perderam nenhum dos bombardeiros que estiveram sob a sua guarda durante a guerra, mas sua heran¡¦ afro-americana lhes custou muitos direitos quando eles voltaram para casa em paz.
Embora as minorias tenham, atualmente mais oportunidades do que nunca, a intoler¡¦cia ainda ?evidente -- desde a violação das casas de oração, sejam elas igrejas, sinagogas ou mesquitas, at? os coment¡¦ios preconceituosos nos escrit¡¦ios das grandes empresas. Voc¡¦, da turma de 1997, ainda t¡¦ muito trabalho pela frente.
Mas aqueles que dizem que n¡¦ podemos transformar o problema do preconceito na promessa da unidade esquecem o quanto progredimos, e eu n¡¦ acredito que eles tenham visto um grupo de pessoas como voc¡¦.
Quando olho para voc¡¦ ?quase imposs¡¦el recordar minha pr¡¦ria vida. Cresci em meio ao drama da Guerra Fria, no patri¡¦ico sul do pa¡¦. Sulistas brancos e negros envergaram o uniforme de nossa nação em defesa da liberdade e contra o comunismo. Eles lutaram e morreram juntos, da Cor¡¦a ao Vietn? Mas aqui, nos Estados Unidos, eu freq¡¦ntei escolas segregadas, nadei em piscinas p¡¦licas segregadas, sentei em seções s?para brancos em cinemas, e passei por pequenas cidades em meu estado onde ainda havia banheiros e bebedouros identificados pelos dizeres "brancos" e "pessoas de cor".
Gra¡¦s a Deus, meu av? que s?freq¡¦ntou a escola prim¡¦ia, mas que possu¡¦ o coração de um verdadeiro americano, me ensinou que aquilo (a segregação) n¡¦ estava certo. E gra¡¦s a Deus, houve afro-americanos corajosos como o congressista John Lewis, que muitas vezes arriscaram suas vidas para acabar com que estava errado. E houve tamb¡¦ americanos brancos, como o congressista Bob Filner, um defensor da liberdade que andou no mesmo ¡¦ibus em que John Lewis estava, na longa e nobre luta pelos direitos civis, que sabiam que aquela luta tamb¡¦ libertaria os brancos.
?claro que ainda h?problemas antigos e n¡¦ resolvidos entre americanos negros e brancos, mas o cl¡¦sico dilema americano agora se desdobra em muitos dilemas de ra¡¦ e etnicidade. N¡¦ vemos essa situação na tens¡¦ entre os fregueses negros e hisp¡¦icos e os coreanos e ¡¦abes, donos de mercearias; na volta do anti-semitismo at?mesmo no meio acad¡¦ico; em uma hostilidade para com os novos imigrantes da ¡¦ia, do Oriente M¡¦io, dos antigos pa¡¦es comunistas, da Am¡¦ica Latina e do Caribe -- at? mesmo aqueles que, devido ao seu ¡¦duo trabalho e ?for¡¦ de suas fam¡¦ias, obtiveram sucesso nos padr¡¦s do modo de vida americano.
Vemos uma tend¡¦cia alarmante de se atribuir a grupos inteiros, inclusive ?maioria branca, a conduta indesej¡¦el de alguns de seus membros. Se um negro americano cometer um crime, condenem o ato -- mas lembrem-se de que a maioria dos negros americanos ? constitu¡¦a de cidad¡¦s trabalhadores e cumpridores da lei. Se o membro de uma gangue de latinos estiver traficando drogas, condenem o ato -- mas lembrem-se, os hisp¡¦icos s¡¦, na sua esmagadora maioria, cidad¡¦s respons¡¦eis que tamb¡¦ lamentam os males que a droga causa ¡¦ nossas vidas. Se adolescentes brancos quase matam um jovem negro americano de pancada, pelo amor de Deus, condenem o ato -- mas lembrem-se, a maioria dos brancos tamb¡¦ achar?esse ato odioso. Se uma comerciante asi¡¦ica discriminar seus fregueses de outra minoria racial, ela deve ser repreendida -- mas lembrem-se de que muitos e muitos asi¡¦icos j? carregaram o fardo do preconceito e n¡¦ querem que outras pessoas passem por isso.
Lembrem-se, tamb¡¦, apesar da persist¡¦cia do preconceito, de que nunca estivemos t¡¦ integrados. Muitos, entre n¡¦, compartilham bairros, empregos, escolas, e atividades sociais, vida religiosa, e at?mesmo o amor, com outras ra¡¦s do que em qualquer per¡¦do, no passado. Muitos, entre n¡¦, apreciam a companhia de outros e suas diferentes culturas, do que em qualquer outra ¡¦oca. E, mais do que nunca, compreendemos os benef¡¦ios de nossa diversidade racial, lingüística e cultural em uma sociedade global, na qual redes de com¡¦cio e comunicações nos aproximam uns dos outros e trazem grandes recompensas ¡¦ueles que realmente compreendem a vida al¡¦ das fronteiras da sua nação.
Com apenas um vinte/avos da população do mundo, mas um quinto da renda mundial, n¡¦, na Am¡¦ica, simplesmente temos que vender para os outros 95 por cento dos consumidores do mundo, s?para manter o nosso padr¡¦ de vida. Como temos, em nossas origens, todas as culturas da Terra, nossa posição ?ideal para isso. Al¡¦ do com¡¦cio, a diversidade de origens e talentos dos nossos cidad¡¦s podem ajudar a Am¡¦ica a iluminar o mundo, mostrando a nações profundamente divididas pela ra¡¦, religi¡¦ e diferen¡¦s tribais, que existe um caminho melhor.
Finalmente, como voc¡¦ mostraram hoje, nossa diversidade enriquecer?nossas vidas de maneira espiritual - aprofundando a nossa compreens¡¦ da natureza humana e das diferen¡¦s entre os seres humanos, tornando nossas comunidades mais interessantes, mais agrad¡¦eis, e mais significativas. ?por isso que eu estou aqui hoje, para pedir ao povo americano que se una a mim em um grande esfor¡¦ em ¡¦bito nacional, para cumprir, com perfeição, a promessa da Am¡¦ica para essa nova era, ao tentarmos construir nossa uni¡¦ mais perfeita.
Agora, quando h?mais motivos para a esperan¡¦ do que para o medo, quando n¡¦ estamos motivados por alguma emerg¡¦cia ou cataclismo social, ?chegado o momento de aprendermos juntos, falarmos e agirmos juntos, para construir uma Am¡¦ica.
Eu sei que muitos americanos brancos podem ter a impress¡¦ de que esta conversa os exclui ou os amea¡¦. Isso n¡¦ deve ser assim. Acredito que os americanos brancos t¡¦ tanto a ganhar quanto qualquer outro grupo, ao participar deste esfor¡¦ -- tanto a ganhar de uma Am¡¦ica onde n¡¦ finalmente nos responsabilizamos por todas as nossas crian¡¦s para que elas, possam finalmente, ser julgadas, como Martin Luther King esperava, "n¡¦ pela cor da sua pele, mas pelo conte¡¦o do seu car¡¦er".
O que devemos fazer? Nos ¡¦timos quatro anos e meio, tenho trabalhado para preparar a Am¡¦ica para o s¡¦ulo XXI com uma estrat¡¦ia de oportunidades para todos, responsabilidade de todos, e uma comunidade americana de todos os nossos cidad¡¦s. Para obter sucesso em todas essas ¡¦eas devemos lidar com as realidades e com as percepções que afetam todos os grupos raciais na Am¡¦ica.
Antes de mais nada, precisamos continuar a expandir as oportunidades. Total participação na nossa forte e crescente economia ?o melhor ant¡¦oto para a inveja, o desespero e o racismo. Precisamos ir em frente para tirar milh¡¦s da pobreza e da ajuda do governo, e proporcionar trabalho a eles; para levar a centelha da iniciativa aos bairros pobres das grandes cidades; para redobrar nossos esfor¡¦s para alcan¡¦r aquelas comunidades rurais que ficaram ?margem da prosperidade. E, acima de tudo, simplesmente precisamos dar aos nossos jovens a melhor educação do mundo.
N¡¦ h?crian¡¦s que, por causa de sua origem racial ou ¡¦nica, n¡¦ possam atingir os mais altos padr¡¦s acad¡¦icos se n¡¦ estabelecermos esses padr¡¦s e avaliarmos nossos alunos em conformidade com eles, se lhes proporcionarmos professores bem treinados e salas de aula bem equipadas, e se continuarmos a patrocinar reformas razo¡¦eis para chegarmos a um patamar de excel¡¦cia, como o movimento da educação padronizada.
Em um momento no qual a formação universit¡¦ia significa estabilidade, um bom emprego, um passaporte para a classe m¡¦ia, devemos abrir as portas da universidade para todos os americanos e devemos fazer com que pelo menos dois anos de curso superior signifiquem o que o diploma de segundo grau significa hoje.
Nos nossos esfor¡¦s para estender as oportunidades econ¡¦icas e educacionais para todos os nossos cidad¡¦s, devemos levar em consideração o papel da ação afirmativa. Eu sei que a ação afirmativa n¡¦ tem sido perfeita na Am¡¦ica -- ?por isso que, dois anos atr¡¦, come¡¦mos a fazer um esfor¡¦ para reparar o que est?errado nela -- mas quando usada da maneira correta, ela tem funcionado.
Ela nos deu toda uma geração de profissionais em campos que antigamente eram clubes exclusivos -- nos quais pessoas como eu recebiam os benef¡¦ios da ação 100 por cento afirmativa. Agora h? mais empresas de propriedade de mulheres do que em qualquer outra ¡¦oca. H?mais advogados, e ju¡¦es, cientistas e engenheiros, contadores e executivos negros, latino-americanos e americanos de origem asi¡¦ica do que em qualquer outra ¡¦oca.
Mas o melhor exemplo de ação afirmativa bem sucedida est?nas for¡¦s armadas. Nas nossas for¡¦s armadas h?diversidade em todos os n¡¦eis -- elas talvez formem a instituição mais integrada na nossa sociedade e certamente s¡¦ as for¡¦s armadas mais integradas no mundo. E, acima de tudo, ningu¡¦ duvida de que elas s¡¦ as melhores do mundo. Portanto, n¡¦ se pode afirmar que a excel¡¦cia e a adversidade n¡¦ caminham lado a lado.
H?os que afirmam que resultados em testes padronizados devem ser a ¡¦ica forma de avaliar a qualificação para o ingresso em faculdades e universidades. Mas muitos n¡¦ aplicariam o mesmo crit¡¦io para os filhos dos ex-alunos ou aqueles que possuem capacidade para praticar esportes.
Acredito que um corpo discente que reflita a excel¡¦cia e a diversidade das pessoas com as quais viveremos e trabalharemos possui valor educacional independente. Voc¡¦ n¡¦ acham que aprenderam muito mais do que teriam aprendido se todos os seus colegas tivessem a mesma apar¡¦cia? Eu acho que aprenderam.
E al¡¦ do valor educacional para voc¡¦, existe um interesse p¡¦lico, porque voc¡¦ aprender¡¦ a viver e a trabalhar melhor no mundo nos quais viver¡¦. Quando os jovens convivem e estudam com pessoas de muitas origens diferentes, eles aprendem algo que podem levar consigo para o mundo. E eles ser¡¦ cidad¡¦s mais eficientes.
Muitos estudantes da ação afirmativa s¡¦ excelentes. Ele se esfor¡¦m, atingem seus objetivos, se formam e servem ¡¦ comunidades que precisam deles, que precisam dos seus conhecimentos profissionais especializados e do modelo que eles representam. Se [n¡¦] fecharmos a porta para eles, enfraqueceremos nossas melhores universidades e ser?mais dif¡¦il construir a sociedade da qual precisaremos no s¡¦ulo XXI.
Eu sei que o povo da Calif¡¦nia n¡¦ teve m¡¦ intenções quando votou contra a ação afirmativa. A grande maioria da população simplesmente o fez com a convicção de que a discriminação e o isolamento j?n¡¦ s¡¦ mais barreiras para o sucesso. Mas pensem nos resultados. As matr¡¦ulas dos representantes das minorias nas faculdades de direito e outros cursos de p¡¦-graduação est¡¦ diminuindo pela primeira vez em dezenas de anos. O mesmo provavelmente acontecer?nos cursos de graduação. N¡¦ devemos voltar a segregar a educação ou atribuir ¡¦ universidades particulares o trabalho das instituições p¡¦licas.
No momento em que precisamos nos esfor¡¦r mais para vivermos e aprendermos juntos, n¡¦ devemos parar de equalizar as oportunidades econ¡¦icas. ¡¦ueles que se op¡¦m ?ação afirmativa, eu pe¡¦ que apresentem uma alternativa. Eu a acataria [essa alternativa] se pudesse encontrar uma solução melhor. E ¡¦ueles entre n¡¦ que ainda ap¡¦am a ação afirmativa, eu digo que devemos continuar a defend?la. Devemos procurar aqueles que n¡¦ concordam ou que n¡¦ t¡¦ certeza, e devemos falar com eles sobre o impacto pr¡¦ico dessas quest¡¦s; sempre devemos estar dispostos a trabalhar com aqueles que discordam de n¡¦. Assim poderemos encontrar novos meios de melhorar as vidas das pessoas e de un?las.
Al¡¦ da oportunidade, devemos exigir que cada americano seja respons¡¦el. Para que tenhamos for¡¦ como sociedade, ?preciso que...as pessoas sejam respons¡¦eis por elas mesmas e pelas suas fam¡¦ias, ensinando bons valores a seus filhos, trabalhando arduamente e obedecendo ?lei. A nova economia oferece menos garantias, mais riscos e maiores recompensas. Ela exige que todos n¡¦ sejamos ainda mais respons¡¦eis pela nossa pr¡¦ria educação do que em qualquer outra ¡¦oca.
Na atual fase favor¡¦el da economia, somente um grupo racial ou ¡¦nico na Am¡¦ica tem sofrido, de fato, uma diminuição nos seus ganhos -- os hispano-americanos. Uma das principais raz¡¦s ?que as taxas de evas¡¦ escolar no segundo grau entre os hisp¡¦icos est¡¦ bem acima -- na verdade, muito acima -- daquelas dos brancos e negros. Alguns elementos que abandonam a escola t¡¦, de fato, demonstrado grande disposição para o trabalho. Admiramos a legend¡¦ia disposição para aceitar trabalho ¡¦duos, com longas jornadas e baixos sal¡¦ios. Na economia antiga, isso significava responsabilidade. Mas na nova economia, na qual a educação ?a chave do sucesso, responsabilidade significa continuar na escola.
N¡¦ existe responsabilidade maior do que cumprir a lei. Insistir para que todos os americanos o fa¡¦m n¡¦ ?ser racista. A luta contra o crime e as drogas ?uma luta pela liberdade de todos, incluindo aquelas -- talvez especialmente aquelas -- minorias que vivem nos nossos bairros mais pobres. Mas o respeito pela lei deve ser de parte a parte. A chocante diferen¡¦ nas percepções da lisura do nosso sistema de justi¡¦ criminal se origina das experi¡¦cias reais que um n¡¦ero enorme de representantes das minorias j?teve com policiais. Parte da resposta est?em fazer com que todos os nossos cidad¡¦s respeitem a lei, mas a norma b¡¦ica deve ser que a lei deve respeitar todos os nossos cidad¡¦s.
E isso se aplica tamb¡¦ ?observ¡¦cia das nossas leis referentes aos direitos civis. Por exemplo, a Comiss¡¦ de Oportunidades Iguais Para Empregos tem muitos casos acumulados de processos de discriminação -- embora tenhamos reduzido o n¡¦ero de casos acumulados em 25 por cento nos ¡¦timos quatro anos. N¡¦ podemos fazer muito melhor, a n¡¦ ser que obtenhamos mais recursos. ? imperativo que o Congresso -- especialmente os membros que se dizem a favor dos direitos civis mas s¡¦ contra a ação afirmativa -- pelo menos nos d?o dinheiro de que precisamos para fazer cumprir a lei do pa¡¦, e ?bom que isso aconte¡¦ logo.
Nossa terceira condição talvez seja a mais dif¡¦il de todas. Precisamos construir uma comunidade americana baseada no respeito m¡¦uo e nos valores que compartilhamos. Precisamos come¡¦r com uma conversa sincera sobre a situação das relações entre as ra¡¦s na atualidade e as implicações de termos americanos de tantas ra¡¦s diferentes vivendo e trabalhando juntos, no limiar de um novo s¡¦ulo. Devemos ser honestos uns com os outros. J?falamos um para o outro e uns dos outros por muito tempo. Est?na hora de come¡¦rmos a falar uns com os outros.
No decorrer do pr¡¦imo ano, quero liderar o povo americano em uma grande conversa sem precedentes sobre as ra¡¦s. Em esfor¡¦s comunit¡¦ios de Lima, Ohio, a Billings, Montana, em extraordin¡¦ias experi¡¦cias em comunicações entre ra¡¦s diferentes como o projeto adequadamente chamado ERACISM, eu tenho visto o que os americanos podem fazer se baixarem a guarda e estenderem as m¡¦s.
Pedi a um dos maiores educadores dos Estados Unidos, o Dr. John Hope Franklin, para presidir uma comiss¡¦ de sete americanos do mais alto n¡¦el para me ajudar nesse trabalho. Ele se unir?aos ex-governadores Thomas Kean, de New Jersey, e William Winter, do Mississippi, dois grandes batalhadores pelos direitos civis; a Linda Chavez-Thompson, vice-presidente executiva da AFL-CIO (organização de ¡¦bito nacional que re¡¦e sindicatos e associações de trabalhadores); ?l¡¦er religiosa Suzan Johnson Cook, ministra do Bronx e ex-integrante da equipe da Casa Branca (White House Fellow); a Angela Oh, advogada e l¡¦er comunit¡¦ia de Los Angeles; e a Robert Thompson, o executivo chefe da Nissan U.S.A. -- l¡¦eres de renome, l¡¦eres nas suas comunidades.
Quero que essa comiss¡¦ ajude a educar os americanos sobre os fatos a respeito da quest¡¦ racial; a promover um di¡¦ogo em cada comunidade do pa¡¦ para enfrentar e resolver essas quest¡¦s; a obter ades¡¦s e a encorajar as lideran¡¦s em todos os n¡¦eis, para ajudar a romper as barreiras entre as ra¡¦s; e a encontrar, recomendar, e desenvolver soluções concretas para os nossos problemas - soluções que nos envolver¡¦ a todos no governo, nas empresas e comunidades, e como cidad¡¦s. Farei relat¡¦ios peri¡¦icos ao povo americano sobre o que descobrirmos e o que n¡¦ todos teremos que fazer para levar a Am¡¦ica ?frente. Essa comiss¡¦ procurar?e ouvir?americanos de todas as ra¡¦s e de todas as profiss¡¦s. Essas pessoas est¡¦ prestando um grande servi¡¦ como cidad¡¦s, mas quando se trata da causa de construir uma Am¡¦ica, todos os cidad¡¦s precisam fazer a sua parte.
Como eu disse na President's Summit on Service (Reuni¡¦ de C¡¦ula Sobre Servi¡¦s com o Presidente) na Filad¡¦fia, em nossa nova era, tais servi¡¦s s¡¦ atos b¡¦icos de cidadania. O governo deve cumprir o seu papel, mas a maior parte do trabalho deve ser feita pelo povo americano como servi¡¦s prestados pelos cidad¡¦s. Esse esfor¡¦ servir?para nos tornar mais fortes e para nos aproximar uns dos outros.
No in¡¦io n¡¦ ser?f¡¦il estabelecer um di¡¦ogo honesto. Todos n¡¦ teremos que superar nossa atitude defensiva, nosso medo, nossa atitude politicamente correta e outros obst¡¦ulos. As emoções poder¡¦ ficar ?flor da pele, mas precisamos come¡¦r.
O que eu realmente quero que consigamos como pa¡¦? Se apenas conversarmos, ser?interessante mas n¡¦ ser?o suficiente. A mera proposta de atos de pol¡¦ica sem conex¡¦ entre si ser?¡¦il, mas n¡¦ ser?o suficiente.
Mas se daqui a 10 anos as pessoas olharem para tr¡¦ e virem que este ano de di¡¦ogo honesto e ação coordenada ajudou a remover o pesado fardo racial do futuro das nossas crian¡¦s, teremos dado um presente precioso ?Am¡¦ica.
Pe¡¦ a todos voc¡¦ que se lembrem por um momento - agora que j? passamos pelo dif¡¦il julgamento da explos¡¦ de Oklahoma City - daquele dia terr¡¦el, quando vimos o que aconteceu e choramos pelos americanos e esquecemos por um momento que havia muitos deles, de ra¡¦s diferentes...
Lembrem-se das muitas faces e ra¡¦s dos americanos que n¡¦ dormiram e arriscaram suas vidas para resgatar, ajudar e curar. Lembrem-se de que voc¡¦ viram coisas parecidas por ocasi¡¦ dos desastres naturais na Calif¡¦nia. Esta ?a face da Am¡¦ica de verdade. Esta ?a face que eu j?vi muitas vezes. De alguma forma, esta ?a Am¡¦ica, e n¡¦ temos que fazer com que esta seja a realidade na vida americana, todos os dias.
Formandos, voc¡¦ ter¡¦ uma oportunidade melhor de realizar os seus sonhos do que qualquer geração na nossa hist¡¦ia, se pudermos fazer de nossas muitas correntes uma s?Am¡¦ica -- uma nação em paz consigo mesma, unida por valores compartilhados, aspirações, oportunidades e pelo verdadeiro respeito pelas nossas diferen¡¦s.
Sou um batista do sul dos Estados Unidos, de origem escocesa e irlandesa, e tenho orgulho do que sou. Mas a minha vida foi muito enriquecida pelo poder da Tora, pela beleza do Alcor¡¦, pela penetrante sabedoria das religi¡¦s do Oriente e do Sul da ¡¦ia -- todas adotadas pelos meus compatriotas. Senti alegria e paz indescrit¡¦eis em igrejas negras e pentecostais. Aprendi a amar a intensidade e a dedicação dos meus compatriotas hisp¡¦icos no que diz respeito ?fam¡¦ia. Como sulista, cresci com a m¡¦ica country e feiras estaduais e ainda hoje gosto dessas coisas. Mas tamb¡¦ me encantei com muitos festivais e com a m¡¦ica, a arte a a cultura dos ¡¦dios americanos e dos americanos de todas as regi¡¦s so mundo.
Em cada pa¡¦ que visitei como presidente dos Estados Unidos, eu me senti mais ?vontade porque algumas pessoas da ¡¦ea encontraram um lar na Am¡¦ica. Durante dois s¡¦ulos, levas sucessivas de imigrantes t¡¦ chegado ¡¦ nossas praias para construir uma nova vida, atra¡¦os pela promessa de liberdade e uma oportunidade justa. Seja o que for que tenham encontrado, at? mesmo a intoler¡¦cia e a viol¡¦cia, a maioria deles nunca desistiu da Am¡¦ica. Nem mesmo os negros desistiram da Am¡¦ica, embora os primeiros que chegaram aqui estivessem acorrentados.
Cabe a voc¡¦ provar que essa f?era merecida. A vida em ilhas de isolamento - algumas espl¡¦didas e algumas s¡¦didas -- n¡¦ ?o jeito americano. Basear o conceito que temos de n¡¦ mesmos na possibilidade de desprezar os outros n¡¦ ?o jeito americano. Ficar satisfeito quando se tem o que se quer e n¡¦ se importar se os outros n¡¦ t¡¦ nem o que precisam e merecem n¡¦ ?o jeito americano. J?derrubamos as barreiras das nossas leis. Agora precisamos derrubar as barreiras das nossas vidas, das nossas mentes e dos nossos corações.
H?mais de 30 anos, no ¡¦ice do movimento pelos direitos civis, a comiss¡¦ Kerner disse que est¡¦amos nos transformando em duas Am¡¦icas, uma branca e outra negra, separadas e desiguais. Hoje, enfrentamos uma escolha diferente: Vamos nos transformar em n¡¦ apenas duas, mas muitas Am¡¦icas, separadas, desiguais e isoladas? Ou vamos, com a for¡¦ de todo o nosso povo e com a nossa antiga f?na qualidade da dignidade humana, nos transformar na primeira democracia multirracial verdadeira do mundo? Esta ?a obra inacabada no nosso tempo, para remover o fardo da ra¡¦ e resgatar a promessa da Am¡¦ica.
Turma de 1997, eu cresci nas sombras de uma Am¡¦ica dividida, mas vi, de um relance, uma Am¡¦ica unida. Hoje voc¡¦ me mostraram este relance. Esta ?a Am¡¦ica que voc¡¦ far¡¦. Ela come¡¦ com os seus sonhos. Portanto sonhem alto, realizem os seus sonhos, desafiem seus pais e ensinem bem aos seus filhos.
Sociedade e Valores dos
EUA
Revista Electr¡¦ica da USIA, Vol. 2, N? 3, Agosto de 1997