AVISO SOBRE OS ARTIGOS

Alguns artigos recentes de interesse especial que oferecem uma vis¡¦
da sociedade e dos valores dos Estados Unidos


Cahn, Steven M., e outros. RACIAL AND ETHNIC PREFERENCES: A NEW ERA? (PREFER¡¦CIAS RACIAIS E ¡¦NICAS; UMA NOVA ERA?)(Academe, Janeiro/Fevereiro de 1997, pp. 12-37)

Esta revista (publicada pela American Association of University Professors [Associação Americana de Professores Universit¡¦ios]) examina cuidadosamente a quest¡¦ da diversidade nas universidades americanas. Em uma s¡¦ie de artigos, acad¡¦icos apresentam v¡¦ias posições, alguns pisando de leve em meio a um miasma de controv¡¦sia, e alguns apresentando ataques desafiadores. A discuss¡¦ ocorre em um momento apropriado, tendo em vista a decis¡¦ recente da Calif¡¦nia de abolir os programas de ação afirmativa que promovem a diversidade. Nenhuma solução ? oferecida aqui, mas os acad¡¦icos definem e defendem suas posições. Cahn observa que o que foi defendido pelo presidente Johnson em 1965 como um esfor¡¦ para recrutar estudantes e professores universit¡¦ios, independente de ra¡¦, religi¡¦, ou origem nacional, passou a ser um esfor¡¦ para admitir alunos e contratar professores por causa da diversidade ¡¦nica.


Early, Gerald. UNDERSTANDING INTEGRATION (COMPREENDENDO A INTEGRAÇÃO) (Civilization, vol. 3, no. 5, Outubro/Novembro de 1996, pp. 51-59)

Early, da Washington University in St. Louis (Universidade Washington em St. Louis), tra¡¦ a hist¡¦ia da integração nos Estados Unidos, desde o ingresso de Jackie Robinson no primeiro grupo dos times de beisebol profissional em 1947 (um evento sem precedentes) at?a Marcha de Um Milh¡¦ de Homens em 1995. Ele diz que tanto os negros quanto os brancos t¡¦ uma atitude sentimental, e at?mesmo rom¡¦tica, a respeito do poder comunit¡¦io da vida dos negros antes da integração, em grande parte porque eles acham que a integração foi uma decepção e que j?esgotou as suas possibilidades.


Edley, Christopher, Jr. AFFIRMATIVE ACTION ANGST (A ANG¡¦TIA DA AÇÃO AFIRMATIVA) (Change, vol. 28, no. 5, Setembro/Outubro de 1996, pp. 13-15)

O uso de programas de ação afirmativa para corrigir injusti¡¦s raciais e ¡¦nicas do passado, ou como forma de progredir rumo a uma maior diversidade institucional, continua a ser uma quest¡¦ pol¡¦ica nos Estados Unidos. Assim como ocorre com muitos casos que s¡¦ apresentados nos tribunais, o seu uso envolve garantias ou objetivos conflitantes ou que competem entre si, e que s¡¦ origin¡¦ios direta ou indiretamente da Constituição dos Estados Unidos. O autor, que ?professor da Faculdade de Direito de Harvard e diretor do grupo de trabalho que definiu a pol¡¦ica do governo Clinton nesta ¡¦ea dif¡¦il, examina o impacto das decis¡¦s recentes de v¡¦ios tribunais e da ret¡¦ica de campanha. Ele argumenta que o que ainda ?necess¡¦io n¡¦ ?um recuo do princ¡¦io, mas ajustes e bom senso, exatamente o que o presidente Clinton pediu quando declarou que "a ação afirmativa sempre foi boa para a Am¡¦ica... Consertem-na, mas n¡¦ acabem com ela."


Etzioni, Amitai. NEW ISSUES: RETHINKING RACE (NOVAS QUEST¡¦S: REPENSANDO A RA¡¦) (The Public Perspective, vol. 8, no. 4, Junho/Julho de 1997, p¡¦inas 39-41)

A cada dez anos, o governo dos Estados Unidos conta os seus cidad¡¦s. Este censo proporciona uma s¡¦ie de informações, al¡¦ de determinar o n¡¦ero de membros do Congresso para cada estado, e como os distritos do Congresso s¡¦ definidos. Uma das categorias que o censo atualmente mede ?a ra¡¦. Neste artigo, o professor Etzione argumenta que a introdução de uma nova categoria racial , "all-American" (todo americano) ou "multirracial" enfatizaria a unidade ao inv¡¦ da diferen¡¦, e assim suavizaria as fronteiras raciais que atualmente dividem a Am¡¦ica. Os oponentes est¡¦ preocupados porque acham que a falta de definição das diferen¡¦s raciais poderia danificar uma riqueza cultural importante e enfraquecer o comprometimento com a justi¡¦ racial num plano mais amplo.


Fullinwider, Robert K. CIVIL RIGHTS AND RACIAL PREFERENCES: A LEGAL HISTORY OF AFFIRMATIVE ACTION (DIREITOS CIVIS E PREFER¡¦CIAS RACIAIS: UMA HIST¡¦IA JUR¡¦ICA DA AÇÃO AFIRMATIVA) (Relat¡¦io do Institute for Philosophy & Public Policy (Instituto de Filosofia e Pol¡¦ica P¡¦lica, vol. 17, nos. 1 & 2, Inverno/Primavera de 1997, pp. 9-20)

Uma an¡¦ise da hist¡¦ia da ação afirmativa desde a promulgação do Civil Rights Act of 1964 (Lei dos Direitos Civis de 1964) sugere que o que come¡¦u como ações n¡¦-preferenciais para compensar as conseqüências da discriminação racial se transformou em uma s¡¦ie de ações preferenciais que na verdade discriminavam os cidad¡¦s que n¡¦ pertenciam ¡¦ minorias. As decis¡¦s legais recentes sugerem que a sociedade americana n¡¦ est?a favor do uso de prefer¡¦cias raciais.


Galston, William A. AN AFFIRMATIVE ACTION STATUS REPORT: EVIDENCE AND OPTIONS (UM RELAT¡¦IO SOBRE A SITUAÇÃO DA AÇÃO AFIRMATIVA: PROVAS E OPÇÕES) (Relat¡¦io do Institute for Philosophy & Public Policy (Instituto de Filosofia e Pol¡¦ica P¡¦lica), vol. 17, nos. 1 & 2, Inverno/Primavera de 1997, p¡¦inas 2-9)

Esta hist¡¦ia das pol¡¦icas de ação afirmativa na sociedade americana, com ¡¦fase nos programas das For¡¦s Armadas dos Estados Unidos e no sistema da Universidade da Calif¡¦nia (University of California system) destaca v¡¦ias ¡¦eas essenciais do debate contempor¡¦eo a respeito desta abordagem para a justi¡¦ racial. Essas incluem os conflitos entre os meios e os fins, a d¡¦ida se as medidas transicionais devem se tornar permanentes, e a voz do p¡¦lico em relação ¡¦ pol¡¦icas de ação afirmativa. O autor, diretor da University of Maryland's Institute for Philosophy and Public Policy (Instituto de Filosofia e Pol¡¦ica P¡¦lica da Universidade de Maryland), oferece algumas opções de pol¡¦ica que poderiam corrigir as defici¡¦cias dos atuais programas de ação afirmativa e tamb¡¦ proporcionar alternativas --- as opções t¡¦ a finalidade de proporcionar mais oportunidades ao inv¡¦ de exigir resultados.


Graglia, Lino A., e outros. THE LONG HYPHEN: BLACK SEPARATION VS. AMERICAN INTEGRATION (O LONGO H¡¦EN: A SEPARAÇÃO DOS NEGROS VS. INTEGRAÇÃO AMERICANA) (Society, vol. 33, no. 3, Mar¡¦/Abril de 1996, pp. 7-47)

Este simp¡¦io cont¡¦ nove artigos de acad¡¦icos americanos sobre os efeitos da decis¡¦ da Supreme Court (Tribunal Superior) em 1954, que foi um marco hist¡¦ico -- Brown v. Board of Education (Brown v. Secretaria de Educação) --, a intenção do Civl Rights Act of 1964 (Lei dos Direitos Civis de 1964), e a continuação do debate sobre a ação afirmativa.


Hendrie, Caroline. WITHOUT COURT ORDERS, SCHOOLS PONDER HOW TO PURSUE DIVERSITY (SEM DECIS¡¦S DOS TRIBUNAIS AS ESCOLAS PENSAM EM MANEIRAS DE OPTAR PELA DIVERSIDADE) (Education Week, vol. 16, no. 31, 30 de abril de 1997, pp. 1-36)

Durante muitos anos, as tentativas de obter o progresso racial na rede de ensino p¡¦lico dos Estados Unidos tiveram a integração como ponto focal. A segregação amparada pela lei foi banida na d¡¦ada de 50. Nas d¡¦adas de 70 e 80 houve uma variedade de tentativas de resolver a situação real da segregação. A separação refletia as diferen¡¦s entre os bairros e os estilos de vida. A solução mais radical foi o transporte obrigat¡¦io (com ordem judicial) de grande quantidade de alunos das escolas locais para instituições mais distantes para obter algum "equil¡¦rio racial" ou "diversidade". Nos anos recentes, os tribunais e os administradores das escolas em algumas ¡¦eas t¡¦ descartado a percepção de que a segregação de fato reflete um problema social significativo. Este artigo analisa os principais motivos dessa reavaliação, e estuda algumas das atuais alternativas no campo da educação.


Johnson, Roy, e outros. THE NEW BLACK POWER (Novo Poder Negro) (Fortune, vol. 136, no. 3, 4 de agosto de 1997, pp. 46-82)

Em uma seção especial de artigos, a revista focaliza a ascens¡¦ dos negros no setor empresarial nos Estados Unidos, com ¡¦fase especial em Wall Street, na economia global e na ind¡¦tria da inform¡¦ica. Os artigos incluem perfis dos novos "agentes da mudan¡¦ na estrutura de poder" -- "empreendedores, executivos e l¡¦eres comunit¡¦ios...diretamente envolvidos na sua luta pela influ¡¦cia e sem se deixar impressionar pelos obst¡¦ulos". Nas palavras de Hugh Price, presidente da National Urban League (Liga Urbana Nacional), "h?oportunidade e h?ação neste momento".


Kennedy, Randall. MY RACE PROBLEM AND OURS (MEU PROBLEMA RACIAL E O NOSSO) (The Atlantic Monthly, vol. 279, no. 5, Maio de 1997, pp. 55-66)

Expressando a sua convicção de que o orgulho racial deve ser ligado ¡¦ realizações e n¡¦ apenas ?semelhan¡¦, o autor, um professor da Faculdade de Direito de Harvard (Harvard Law School) apresenta argumentos contra a lealdade estratificada ?ra¡¦. Isso n¡¦ significa que ele ap¡¦a uma perspectiva que ignora as ra¡¦s, observando que "?uma m?pol¡¦ica n¡¦ se permitir enxergar qualquer conhecimento potencialmente ¡¦il". Mas os esfor¡¦s para a inclus¡¦ de qualquer grupo devem se basear "n¡¦ na semelhan¡¦ racial, mas na justi¡¦ da distribuição". Finalmente, ele prop¡¦ um "teste do sapato no p?errado quanto ?adequação do sentimento racial". "Se um sentimento ou pr¡¦ica pode ser julgado ofensivo quando mencionado ou implementado por qualquer um, ele(a) deve ser considerado ofensivo(a) em princ¡¦io, na maioria dos casos".


Loury, Glenn C. HOW TO MEND AFFIRMATIVE ACTION (COMO CONSERTAR A AÇÃO AFIRMATIVA) (The Public Interest, no. 127, Primavera de 1997, pp. 33-43)

O economista da Universidade de Boston (Boston University) Glenn C. Loury escreve que o rebaixamento dos padr¡¦s para admitir ou aceitar negros ?prejudicial para os americanos, tanto negros quanto brancos. Loury argumenta que as oportunidades de criação e desenvolvimento na fam¡¦ia s¡¦ muito mais importantes a longo prazo de que as "quotas" ou pol¡¦icas de ação afirmativa que prestam um desservi¡¦ para todos (empregador/empregado, escola/estudante). Ele conclui que "?moralmente n¡¦ justificado, e para este negro americano, humilhante, que o tratamento preferencial baseado em ra¡¦ deva ser institucionalizado para aqueles, entre n¡¦, que agora est¡¦ usufruindo todas as vantagens da vida de classe m¡¦ia".


Salins, Peter D. ASSIMILATION, AMERICAN STYLE (ASSIMILAÇÃO, ESTILO AMERICANO) (Reason, vol. 28, no. 9, Fevereiro de 1997, p¡¦inas 20-26)

Na Am¡¦ica, ao contr¡¦io de muitas outras sociedades, assimilação at?agora n¡¦ significou repudiar a cultura do imigrante, diz o autor. A assimilação no estilo americano sempre tem sido muito mais flex¡¦el e adapt¡¦el, e, conseq¡¦ntemente, muito mais eficaz ao atingir o seu objetivo, que ?permitir que os Estados Unidos preservem a sua "unidade nacional frente ao influxo de hordas de pessoas de dezenas de nacionalidades diferentes", nas palavras do soci¡¦ogo Henry Fairchild.


Santiago, Roberto. CRITICAL CONDITION (CONDIÇÃO CR¡¦ICA) (Hispanic, vol. 9, no. 8, Agosto de 1996, pp. 19-22)

De acordo com o autor, os peritos hisp¡¦icos em ação afirmativa dizem que a pol¡¦ica est?sendo combatida, n¡¦ porque a maioria dos americanos esteja contra ela, mas porque os cr¡¦icos conservadores, na verdade, distorceram a sua definição. Santiago relata as preocupações da comunidade hisp¡¦ica, observando que, embora possa haver pouca esperan¡¦ de salvar este "pilar de sustentação do movimento dos direitos civis", h?muito que os hisp¡¦icos podem fazer para preserv?lo, desbancando mitos conservadores, escrevendo para os seus representantes eleitos, e apoiando os comit¡¦ de ação pol¡¦ica.


Skerry, Peter. THE STRANGE POLITICS OF AFFIRMATIVE ACTION (A ESTRANHA POL¡¦ICA DA AÇÃO AFIRMATIVA) (Wilson Quarterly, vol. 21, no. 1, Inverno de 1997, pp, 39-46)

O autor cita o ponto de vista do soci¡¦ogo Seymour Martin Lipset de que nos ¡¦timos anos, as pol¡¦icas da ação afirmativa colocaram dois valores b¡¦icos da cultura americana em conflito direto -- o princ¡¦io da igualdade e o individualismo. Skerry argumenta que o conflito pode coexistir - e isso acontece - no mesmo indiv¡¦uo. Isso nos leva ?inevit¡¦el pergunta, "como os membros dos grupos minorit¡¦ios conciliam os benef¡¦ios que recebem da ação afirmativa com os seus pr¡¦rios valores individualistas?" A resposta a esta e outras perguntas sobre este assunto "tem muito a ver com a natureza da pol¡¦ica americana contempor¡¦ea e com o estado das relações raciais. E embora essa conclus¡¦ possa proporcionar alguma tranq¡¦lidade, ela tamb¡¦ sugere que a controv¡¦sia ser?muito dif¡¦il de resolver.


White, Jack E. I'M JUST WHO I AM (SOU APENAS O QUE SOU) (Time, vol. 149, no. 18, 5 de maio de 1997, p¡¦inas 32-36)

Os Estados Unidos est¡¦ "rapidamente se tornando a sociedade mais poliglota da hist¡¦ia", segundo o autor. "Se as atuais tend¡¦cias demogr¡¦icas persistirem, em meados do s¡¦ulo XXI, os brancos j? n¡¦ ser¡¦ mais a maioria da população dos Estados Unidos. Os negros ter¡¦ sido superados pelos hisp¡¦icos, que ser¡¦ o mais numeroso grupo minorit¡¦io ...e o n¡¦ero de asi¡¦icos e indiv¡¦uos oriundos da ilhas do Pac¡¦ico ser?mais do dobro do atual... " O casamento entre as ra¡¦s, cada vez mais comum, levou a uma proliferação de combinações raciais. Este artigo explica o que est?acontecendo e como isso levou a um debate sobre se o termo "multirracial" deve ser acrescentado aos formul¡¦ios do censo.

Sociedade e Valores dos EUA
Revista Electr¡¦ica da USIA, Vol. 2, No. 3, Agosto de 1997