Uma hist・ia de duas exposi苺es
No inverno do ano passado, o Whitney Museum of American Art em Nova York apresentou duas exposi苺es que, em conjunto, d・ uma id・a do estado plural・tico do atual ambiente art・tico nos Estados Unidos.
Uma delas consistia de uma s・ie de grandes instala苺es de v・eo, dram・icas, de autoria do artista Bill Viola. O espectador podia observar, perplexo, enquanto as imagens projetadas em grandes telas eram consumidas pelo fogo e pela ・ua, ou podia olhar pelo buraco da fechadura de uma sala fechada onde uma cela mon・tica era periodicamente invadida por dram・icos raios, ondas e furiosas tempestades. A exposi艫o refletia os interesses de Viola nas tradi苺es espirituais desde o Zen at?o Sufismo e o Cristianismo.
A outra exposi艫o era uma retrospectiva dedicada ao trabalho de Arthur Dove, um pintor abstrato americano, pouco conhecido, das d・adas de trinta e quarenta. As pequenas, modestas e abstratas composi苺es de Dove representam o esfor・ do artista para sintetizar m・ica, movimento e a experi・cia visual da natureza. As obras de Dove fazem parte de cole苺es dos principais museus em v・ios pontos dos Estados Unidos. No entanto, at?recentemente, ele freq・ntemente era considerado uma figura provinciana cuja explora艫o da abstra艫o era sobrepujada pelas realiza苺es de mais renome, de Picasso, Matisse, e outros membros da vanguarda francesa. Recentemente, no entanto, os historiadores da arte come・ram a reescrever a hist・ia padr・ da arte moderna. De acordo com essa releitura, a arte americana somente se tornou interessante ap・ a chegada de artistas imigrantes a Nova York no final da Segunda Guerra Mundial. O ressurgimento de Dove sinaliza uma nova disposi艫o, por parte dos acad・icos e cr・icos, no sentido de avaliar as genu・as realiza苺es de uma gera艫o anterior de pioneiros da arte americana.
Lado a lado, as duas exposi苺es eram um estudo de contrastes. Uma era muito teatral, contando com a mais recente tecnologia de v・eo e digital e atraindo os visitantes para uma rela艫o f・ica com imagens pulsantes de v・eo. A outra era silenciosa e contemplativa, explorando uma hist・ia subvalorizada e oferecendo um louvor ・uela que ?a mais aceita das formas de arte, a pintura. E no entanto, v・ios visitantes observaram a surpreendente compatibilidade das duas exposi苺es, na sua capacidade de mesclar tipos diferentes de experi・cias sensoriais.
A apresenta艫o simult・ea dessas exposi苺es revela uma importante realidade sobre a atual conjuntura no meio art・tico americano. Estamos em um tempo de movimento em que desenvolvimentos contrastantes e at?mesmo contradit・ios podem coexistir e se fertilizar mutuamente. A imagem confort・el e antiga da hist・ia da arte como uma hist・ia que se desdobra de forma evolucion・ia, com um movimento que nos leva, l・ica e inexoravelmente a outro, j?n・ parece ter nenhuma relev・cia no que diz respeito ?era conhecida como p・-moderna na qual nos encontramos. Em vez disso, os artistas buscam inspira艫o em todos os per・dos do passado distante e recente, falam de assuntos t・ diversos quanto pol・ica p・-colonial, intelig・cia artificial, e psican・ise, e direcionam suas obras para p・licos que variam desde aficionados tradicionais da arte at?intr・idos navegadores da Web, incluindo o apressado viajante que passa rapidamente por uma esta艫o ferrovi・ia ou um aeroporto.
A Globaliza艫o da arte
A desordem no mundo da arte contempor・ea ? na verdade, um reflexo das grandes transforma苺es pelas quais a sociedade em geral est?passando. O fim da Guerra Fria, o advento dos mercados globais e o aparecimento de formas radicalmente novas de comunica艫o eletr・ica transformaram a vida contempor・ea nos Estados Unidos de formas que teriam sido inimagin・eis at?mesmo dez anos atr・. N・ admira que o mundo da arte reflita esse estado de transi艫o radical.
Na verdade, um dos mais surpreendentes desenvolvimentos na arte contempor・ea pode ser diretamente ligado a essas grandes correntes sociais, pol・icas e econ・icas. Da mesma forma que o colapso da Guerra Fria focalizou a aten艫o sobre partes do mundo que haviam sido ignoradas devido ?batalha monumental entre as superpot・cias, o mundo da arte come・u a ampliar o seu foco geogr・ico. Os profissionais da arte j?n・ podem mais limitar sua aten艫o ao que acontece nos Estados Unidos e na Europa. Agora, qualquer estudo s・io de arte contempor・ea deve incluir artistas do mundo inteiro. Artistas, curadores, cr・icos e colecionadores agora parecem n・ades culturais, constantemente em movimento ?procura de novidades.
Como conseq��ncia do campo de vis・ mais amplo, os museus atuais t・ um alcance geogr・ico muito maior do que tinham anteriormente. Enquanto eu escrevo este ensaio em Nova York, est?havendo uma exposi艫o de arte hist・ica e contempor・ea chinesa no Museu Guggenheim. O New Museum recentemente encerrou uma exposi艫o de um artista palestino que mora na Inglaterra e inaugurou uma exposi艫o das obras de um artista que vive na Espanha. O Museum of Modern Art [MOMA] est?apresentando uma exposi艫o de desenhos da Am・ica Latina. Enquanto isso, em San Antonio, Texas, uma nova funda艫o de arte chamada ArtPace proporciona est・ios para jovens artistas do mundo inteiro.
O Que ?um artista americano?
Neste clima, as quest・s de identidade nacional se tornam cada vez mais nebulosas.
Uma quest・ que surge cada vez com mais freq��ncia ? O que, exatamente ?um artista americano (ou, na verdade, o que ?um artista italiano, ou nigeriano, ou filipino)? Ser?que um artista americano ?uma pessoa que nasceu nos Estados Unidos? ?algu・ que possui cidadania americana? ?algu・ que atualmente est?morando nos Estados Unidos? E os americanos que vivem no exterior - - eles ainda podem ser considerados artistas americanos?
Quest・s similares surgem a respeito das defini苺es de arte americana. Trata-se de um estilo? Ou ser?que ?uma atitude, um tipo de treinamento ou uma escolha de temas? Essas quest・s ainda s・ importantes porque, freq・ntemente, as subven苺es para essas exposi苺es s・ determinadas pela origem nacional do indiv・uo. ・g・s governamentais fornecem os fundos para apoiar a inclus・ dos seus artistas em tais exposi苺es internacionais. Enquanto alguns adotam uma vis・ mais rigorosa, outros t・ uma atitude mais liberal. A Ag・cia de Informa苺es dos Estados Unidos [United States Information Agency-USIA], por exemplo, que patrocina muitas "bienais" internacionais, apenas exige que os artistas morem nos Estados Unidos.
O Impacto da m・ia eletr・ica
O surgimento da nova m・ia eletr・ica refor・ essas mudan・s. Este artigo, que voc?est?lendo em uma publica艫o on-line, demonstra a maneira pela qual a infovia ignora as fronteiras entre os pa・es e estabelece conex・ entre pessoas de lados opostos do mundo. Similarmente, os artistas come・ram a explorar as maneiras pelas quais a nova tecnologia pode alterar radicalmente o nosso conceito de n・ mesmos e da arte. P・inas de artistas na web ajudam os artistas a passar ao largo das institui苺es do mundo das artes para poder apresentar suas obras a um novo p・lico-alvo virtual. Muitos est・ colocando suas obras em CD-ROMs para poder explorar uma nova ordem de interatividade. Usando tecnologia que se tornou dispon・el recentemente, eles podem projetar obras de arte que permitem que as pessoas interessadas sigam os seus pr・rios rumos e criem as suas pr・rias conex・s e narrativas. Enquanto isso, os museus e as galerias est・ descobrindo que os sites personalizados na web permitem que eles coloquem exposi苺es de arte ?disposi艫o das pessoas que n・ podem comparecer.
Como era de se esperar, essas novidades deram origem a discuss・s no meio art・tico sobre o valor e a fun艫o da nova tecnologia e da arte na nova m・ia. Alguns argumentam que a apresenta艫o visual da arte desvaloriza o contato direto do espectador com o objeto, que foi, at?agora, o aspecto essencial de uma experi・cia de arte. Outros dizem que ?um erro pensar nessas novas t・nicas como novas formas de arte -- e que elas simplesmente expandem nossos meios de transmitir os tipos de id・as que a arte sempre transmitiu. Outros, ainda, t・ d・idas sobre a promessa de novos p・licos. Eles perguntam, qual ?a profundidade da experi・cia da arte na web? A arte na web estimula uma no艫o melhor de democracia e participa艫o, ou ela apenas cria uma nova divis・ entre as classes, separando os que t・ acesso ?tecnologia dos que n・ t・, de uma forma muito mais decisiva do que a dos antigos museus de arte considerados elitistas? Ser?que a web exige uma compreens・ totalmente nova da est・ica?
A Natureza mutante da arte p・lica
As quest・s de p・lico tamb・ est・ por tr・ de outro desenvolvimento na arte contempor・ea, mais especificamente o interesse crescente na arte p・lica. Enquanto a Web promete criar um vasto e novo p・lico virtual para a arte, os artistas p・licos est・ interessados em trazer a arte ・ comunidades reais, localizadas. Houve uma mudan・ definitiva no pensamento a respeito da arte p・lica, desde os dias em que ela era vista principalmente como decora艫o ou como um monumento colocado em um espa・ p・lico. Os artistas p・licos contempor・eos trabalham de v・ias formas. Alguns criam projetos como parte de programas de "porcentagem de arte", nos quais uma porcentagem do or・mento da constru艫o de um edif・io p・lico ou privado ?alocada ?arte. Outros est・ mais envolvidos em projetos tempor・ios que assumem diversas formas, como por exemplo outdoors, se苺es de revistas criadas por artistas, e projetos comunit・ios nos quais os artistas trabalham com os membros de certas comunidades. Esses projetos de bairro podem variar desde a cria艫o de um jardim comunit・io at?um programa de educa艫o art・tica que d?・ crian・s carentes acesso ?arte e a equipamentos fotogr・icos, para uma explora艫o conjunta da hist・ia local.
Novamente, h?quest・s e controv・sias. Qual ?a natureza da responsbilidade do artista p・lico em rela艫o ?comunidade na qual o seu trabalho ?colocado? Um jardim ou um conjunto de placas ?arte mesmo? A arte est?come・ndo a convergir e a se aproximar demais do servi・ social?
Como era de se esperar, tais mudan・s radicais na defini艫o e distribui艫o da arte est・ tendo um efeito sobre as institui苺es que a apresentam ao p・lico. Um extraordin・io caso recente ?o surgimento das "bienais" internacionais como um dos principais mecanismos pelos quais os artistas se tornam internacionalmente conhecidos. As bienais s・ exposi苺es internacionais organizadas a cada dois anos nas capitais de arte no mundo inteiro sobre algum tema t・ico. Para as pessoas do mundo art・tico, essas exposi苺es s・ locais importantes de reuni・ onde id・as s・ trocadas, novas obras s・ descobertas, e reputa苺es s・ consolidadas.
At?recentemente, as "bienais", em sua maioria, estavam limitadas a locais na Europa e nos Estados Unidos. No entanto, na ・tima d・ada, essa situa艫o come・u a mudar. Os organizadores de arte em centros de arte long・quos est・ organizando as suas pr・rias exposi苺es, atraindo os curadores e cr・icos importantes ・ suas cidades e conquistando para si um lugar no mapa. Freq・ntemente eles colocam uma ・fase especial em artistas da regi・ na qual a "bienal" ocorre.
Os temas adotados por essas exposi苺es sugerem uma nova agenda. Com t・ulos como "Beyond Borders" [Al・ das Fronteiras], "Transculture" [Transcultura] e "Esperanto", eles tendem a enfatizar a id・a segundo a qual a arte atual transcende o nacionalismo e as fronteiras entre os pa・es. E os locais onde as exposi苺es s・ realizadas sugerem que o mundo art・tico est?se tornando verdadeiramente global. Somente em 1997, houve bienais em Kassel e Meunster, Alemanha; Veneza, It・ia; Lyon, Fran・; Kwangju, Cor・a do Sul; Joanesburgo, ・rica do Sul; Istambul, Turquia; Lubliana, Eslov・ia; Havana, Cuba; Sofia, Bulg・ia; e Montenegro e S・ Paulo, Brasil.
O Papel ampliado do museu
O novo foco no globalismo est?tamb・ tendo um efeito sobre a organiza艫o dos museus. O modelo global ?articulado da maneira mais surpreendente pelo Museu Guggenheim, que cresceu al・ da sua sede em Nova York, com filiais em Veneza, Berlim, e Bilbao, Espanha. Concebendo o museu menos como uma biblioteca ou um arquivo e mais como uma rede, Thomas Krens, diretor do Museu Guggenheim, faz com que as obras de arte e as exposi苺es circulem entre essas filiais internacionais. Ele argumenta que um n・ero grande demais de museus mant・ a maior parte das cole苺es guardadas, fora da vista tanto de visitantes casuais quanto de especialistas. O sistema de filiais permite que ele coloque uma porcentagem muito maior do vasto acervo do museu ?disposi艫o do p・lico.
A nova concep艫o de Krens, do museu global, ?uma resposta a maiores expectativas em rela艫o aos museus neste final do s・ulo XX. Existe uma press・ cada vez maior para que os museus atendam aos anseios dos seus p・licos. Press・s financeiras de doadores e concorr・cia de outras formas de entretenimento for・ram os museus a prestarem muito mais aten艫o ao trabalho de cultivar visitantes. Um resultado disso tem sido a eleva艫o do status do campo de educa艫o de museus. Essa atividade, que antigamente era considerada perif・ica, e cujo enfoque era a organiza艫o de excurs・s de escolas durante exposi苺es nos museus, agora ?uma das principais finalidades das institui艫o.
Dois projetos famosos e rec・ inaugurados revelam as maneiras pelas quais os muses est・ expandindo seus pap・s tradicionais. O novo J. Paul Getty Center ?um complexo de arte de um bilh・ de d・ares que foi inaugurado no final de 1997 em uma colina de onde se tem uma vista espetacular da cidade de Los Angeles. Embora a sua espinha dorsal seja um museu dedicado ・ antiguidades gregas e romanas, ・ artes decorativas e ・ pinturas dos velhos mestres europeus, esse complexo de seis edif・ios inclui institutos para pesquisa hist・ica, conserva艫o, informa苺es sobre artes e humanidades, educa艫o e o custeio das artes. Com um or・mento operacional [anual] de 189 milh・s de d・ares, espera-se que ele amplie radicalmente o perfil de Los Angeles no meio art・tico internacional.
Igualmente espetacular ?a nova filial do Guggenheim em Bilbao. O espetacular edif・io, projetado pelo arquiteto americano Frank Gehry, est?sendo considerado uma obra de arte por seus pr・rios m・itos. Enquanto isso, o museu propriamente dito est?sendo visto como uma excelente aquisi艫o, e espera-se que ele traga turistas para a regi・. O custo da constru艫o - 100 milh・s de d・ares - e o or・mento operacional anual, foram bancados pelo governo basco. Em contrapartida, o Museu Guggenheim contribui com a sua grande cole艫o e compet・cia da cria艫o de programas educacionais e de pesquisa.
Arte contempor・ea nos Estados Unidos
Que tipo de arte se adapta a esses tempos incertos? A diversidade da arte contempor・ea nos Estados Unidos ?sugerida pelos artistas escolhidos para representar o pa・ nas ・timas tr・ bienais de Veneza. Em 1993, a escolhida foi Louise Bourgeois, uma escultora nascida na Fran・, e que est?na faixa dos oitenta anos de idade, cujas esculturas sensuais e realistas evocam o corpo humano sem represent?lo especificamente. Em 1995, o o escolhido foi Viola, o artista do v・eo. E em 1997, o escolhido foi o pintor Robert Colescott, que se baseia na sua experi・cia como negro nos Estados Unidos para satirizar o estado de rela苺es raciais e a atitude tendenciosa dos brancos inerente na hist・ia convencional dos Estados Unidos.
Esses tr・ artistas apenas come・m a sugerir a extens・ da m・ia e de quest・s exploradas pelos artistas contempor・eos americanos. A pintura atual varia do hiper-realismo de Chuck Close, cujos retratos gigantescos se baseiam em fotografias divididas em grat・ulas e recriadas com um tipo de pintura a dedo; a Elizabeth Murray, cujas abstra苺es dom・ticas transcendem o quadrado da tela para se curvar e inclinar de forma quase escultural; a Robert Ryman, cuja carreira ?uma cont・ua medita艫o sobre as infinitas varia苺es da tela branca.
ARTISTA ELIZABETH MURRAY:
FALANDO PARA O PRESENTE, A PARTIR DO PASSADO
Elizabeth Murray, mais conhecida pelas suas telas grandes, de formato irregular, e com v・ias camadas, est?entre os pintores mais importantes que est・ atualmente trabalhando nos Estados Unidos.
Seu trabalho tem sido descrito como uma fus・ do expressionismo abstrato e o que um cr・ico chamou de "figura艫o altamente sofisticada de funk" das ra・es de Chicago, da artista. Murray nasceu nessa cidade de Illinois e cresceu l?e em Michigan. Ela estudou no Art Institute of Chicago, tendo terminado seu curso de gradua艫o em belas artes em 1962; posteriormente ela fez mestrado no Mills College, em Oakland, Calif・nia.Quando ela chegou a Nova York no final da d・ada de sessenta, o minimalismo era uma das principais formas de arte. Murray come・u a desenvolver a sua pr・ria maneira de pintar. No in・io, o seu estilo era derivado do minimalismo, uma est・ica redutiva, baseada em formas geom・ricas, mas com o passar do tempo, adquiriu energia e narrativa. No final da d・ada de setenta, ela se tornou um s・bolo da revitaliza艫o da pintura nos Estados Unidos, e aproximadamente uma d・ada depois ela era considerada, em geral, como uma das principais figuras da sua gera艫o.
Seus trabalhos s・ inteligentes, animados, e f・eis de serem reconhecidos. Ela freq・ntemente insere objetos comuns em imagens abstratas. Suas telas grandes e coloridas s・ carregadas de cores vivas e formas aparentemente abstratas que s・ cheias de refer・cias a objetos dom・ticos como x・aras de caf? mesas e figuras humanas cheias de energia e vibrante desordem.
Em um artigo publicado em 1991 no jornal The New York Times, a autora Deborah Solomon observou que a obra de Murray "recapitula grandes momentos na arte do s・ulo XX". Os planos fraturados do cubismo, as cores vivas do fauvismo, as formas biom・ficas abatidas do surrealismo, a escala her・ca do expressionismo abstrato - - tudo isto est?presente em uma pintura de Murray. Isso n・ quer dizer que ela "se apodera" do estilo da d・ada de oitenta para ridicularizar o passado. Pelo contr・io, ela mostra como as imagens do passado podem se comunicar com o presente."
Uma das mais recentes obras de Murray ?tamb・ a maior e a mais ambiciosa da sua carreira - um mosaico mural de 40 metros que enfeita o mezanino de uma esta艫o de metr?no centro de Nova York. Chamada Blooming [Florescendo], ?uma das mais de 60 obras de arte encontradas no sistema de metr?de Nova York. O mural mostra uma fantasia ricamente colorida de s・s irradiantes, x・aras de caf?e galhos de ・vores que se parecem com serpentes.
Murray, de 58 anos, que anda de metr?h?mais de 30 anos, disse a David W. Dunlap, do jornal The New York Times, em um artigo de maio de 1998, que o mural foi inspirado em "trabalhadores".
"Eu tive essa vis・ das pessoas se levantando bem cedo, meio que sonhando, se vestindo, tomando uma x・ara de caf?e pegando o metr?para ir trabalhar."
Ultimamente, sua arte evolui da vida. "Quando voc?sai do atelier...pela rua afora, ?l?que voc?encontra a arte...Ou voc?a encontra em casa, bem ?sua frente."
Murray n・ se considera uma pintora abstrata. "Todas as imagens na minha pintura representam alguma coisa. Elas n・ s・ puras como a abstra艫o; elas n・ est・ tentando ser lindas ou eternas ou superiores ?vida. A abstra艫o excluiu muita coisa."
Uma parte do apelo de Murray, segundo Marlena Doktorczyk-Donohue no n・ero de fevereiro de 1997 de ArtScene, ?o fato de que o seu trabalho n・ pode ser classificado.
"A obra ?rigorosamente abstrata, e no entanto, a figura艫o e a narrativa est・ sempre no ar. Os elementos formais possuem uma vida de sangue quente que permite que a abstra艫o entre na nossa consci・cia coletiva...Se o mundo art・tico pode ficar com a cabe・ pesada, Murray, como uma crian・ despreocupada que n・ percebe outras pessoas no playground, cria a beleza a partir de algum lugar do seu cora艫o indomado e deliciosamente enlouquecido."
"Eu pinto sobre as coisas que me rodeiam," Murray explica, "coisas que eu pego e manuseio todos os dias. Isso ?que ?arte. Arte ?um momento de revela艫o em uma x・ara de caf?"
--Charlotte Astor
Ao lado de tudo isso est?o trabalho de artistas que exploram novos meios de express・. Entre eles est?Nam June Paik, o artista nascido na Cor・a que ?conhecido como "o pai da arte em v・eo" e que usa televis・s para montar rob・ de hist・ias em quadrinhos; Kenneth Snelson, que tem traduzido suas esculturas parecidas com um ・omo em fantasias c・micas usando o software digital mais avan・do; e Paul Garrin, que criou uma instala艫o interativa na qual um c・ de guarda virtual muito amea・dor segue o visitante enquanto este se desloca pela sala.
Um item adicional nesse "mix" ?a presen・ crescente, na arte americana, de artistas imigrantes cuja obra explora a complexidade da cultura e da identidade h・ridas. Por exemplo, os artistas russos Vitaly Komar e Alexander Melamid vieram para os Estados Unidos em 1978, ap・ consolidar uma reputa艫o no "underground" na ent・ Uni・ Sovi・ica pelas suas espirituosas e afetuosas par・ias do realismo socialista sancionado pelos sovi・icos. Agora o seu trabalho tem probabilidades de conter representa苺es comicamente her・cas de figuras como George Washington, Abraham Lincoln e o resistente e altivo trabalhador americano, portanto reconhecendo que a idealiza艫o da hist・ia n・ conhece fronteiras geogr・icas nem ideol・icas.
O artista chin・ Xu Bing foi criado em Pequim, mas atualmente mora em Nova York. Ele cresceu durante a Revolu艫o Cultural, um per・do em que os livros considerados contra-revolucion・ios era destru・os, e seus autores, "reeducados". Seu trabalho trata do poder subversivo da linguagem escrita, atrav・ da cria艫o de livros cujo texto ?um h・rido, sem sentido, de ingl・ e chin・. E o artista Yukinori Yanagi, nascido no Jap・, e que tamb・ mora em Nova York, expressa a instabilidade das fronteiras e identidades nacionais com enormes formigueiros cujos habitantes gradualmente desfazem montagens de areia colorida dispostas de modo a representar as bandeiras de muitas na苺es.
No momento em que a arte americana ruma para o s・ulo XXI, fica cada vez mais evidente como o mundo do futuro ser?diferente do mundo do passado. Para os artistas, assim como para todos n・, estamos vivendo tempos de incerteza. Mas a incerteza oferece os seus pr・rios desafios criativos. No s・ulo XXI, os artistas poder・ nos ajudar a compreender como pensar e funcionar em um mundo que n・, agora, quase n・ podemos imaginar.
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Eleanor Heartney, escritora e cr・ica de Art And America e outras publica苺es, ?a autora de Critical Condition: American Culture At The Crossroads.
Sociedade e Valores dos
EUA
Revista Eletr・ica da USIA, Vol. 3, N?1,
Junho de 1998