A admir・el reputa艫o adquirida pela dan・ nos Estados Unidos neste formativo s・ulo XX ?o resultado do trabalho de gigantes em v・ias disciplinas.
George Balanchine, Agnes de Mille, Antony Tudor e Jerome Robbins foram os pioneiros do bal?americano. Martha Graham, Doris Humphrey, Katherine Dunham, Merce Cunningham e Alvin Ailey abriram caminhos nunca antes imaginados na dan・ moderna. A arte do sapateado, exclusiva do Novo Mundo, teve como seus mestres Bill "Bojangles" Robinson, John Bubbles, os irm・s Nicholas, Jimmy Slyde, e Gregory Hines. No que diz respeito ao teatro musical e ?coreografia vocal, devemos muito a Fred Astaire, Gene Kelly, Michael Kidd, Bob Fosse e Cholly Atkins. E artistas como Twyla Tharp t・ trabalhado em uma variedade de g・eros da dan・.
Existem tamb・ os colaboradores, em grande parte an・imos, que trouxeram ao mundo dan・s de sal・ como o Charleston, o Lindy Hop e a "break dance", que acabaram virando moda no mundo inteiro.
A primeira gera艫o de mestres da dan・ j?se foi, e a segunda j?est?envelhecendo. Mesmo assim, com o surgimento de um contingente mais novo, em uma ・oca na qual h?um decl・io significativo nas vitais subven苺es do governo dos Estados Unidos, a dan・ no pa・ continua a inovar, com obras de alta qualidade. E, de maneira significativa, novas formas est・ evoluindo enquanto a dan・ mant・ a sua presen・ na globaliza艫o geral da cultura.
O Moderno se torna cl・sico
A dan・ moderna nos Estados Unidos, uma forma estabelecida durante a maior parte deste s・ulo, adquiriu o status de cl・sica. No entanto, ela continua a gerar novas ra・es. Companhias que ostentam o nome e as ins・nias coreogr・icas de pessoas do calibre de Merce Cunningham, Martha Graham e Alvin Ailey agora est・ compartilhando o espa・ com indiv・uos de estilo aventureiro como Mark Morris e Bill T. Jones. Mesmo ap・ a morte da gera艫o pioneira, os grupos que prevalecem na atualidade continuam a honrar aqueles primeiros artistas por meio de uma devo艫o ?dan・ que ?vista como uma express・ do corpo e da alma individuais, que apresenta ind・ios de ideais sociais e pol・icos, e que usa o vocabul・io t・nico dos seus antecessores. Acima de tudo, os artistas atuais honram os pioneiros fazendo o que eles faziam - rebelando-se contra as preocupa苺es e modos da gera艫o anterior.
MARK MORRIS: ARTISTA DO MIL・IO
Uma r・ida olhada na atual programa艫o de projetos do core・rafo norte-americano Mark Morris nos d?motivo para olhar com mais aten艫o.De fato, a extraordin・ia abrang・cia e onipresen・ em uma s・ie de ambientes - incluindo bal? m・ica moderna, ・era, teatro musical, v・eo e cinema - faz com que tudo isso seja dif・il de acreditar. Como ?que uma pessoa pode se expandir na abrang・cia, dinamismo e criatividade sem limites que s・ necess・ia para manter esse tipo de imp・io cultural de uma s?pessoa?
Ao completar 35 anos de idade, Morris tinha produzido um conjunto de obras suficientemente grande e importante para que ele se tornasse o assunto de uma famosa biografia cr・ica (Mark Morris, de Joan Acocella, Farrar, Straus e Giroux, 1993). Agora, com 41 anos, ele continua a progredir, de um ponto de for・ a outro, colocando sua marca coreogr・ica singular em novas obras.
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Mais do que qualquer outro core・rafo em atividade hoje, Morris distribui seus dan・rinos em curiosas rela苺es e configura苺es espaciais, criando padr・s geom・ricos que s・ equivalentes coreogr・icos do conceito renascentista da m・ica das esferas - a teoria segundo a qual a prova da exist・cia de Deus reside na beleza dos padr・s do c・.
Conhecido pela transcendente musicalidade das suas obras, que se baseiam na sua profunda e imaginativa compreens・ da estrutura musical, Morris j?fez coreografias com aparentemente todos os tipos de m・ica, usando os movimentos dos dan・rinos para apresentar uma imagem visual da m・ica. ?prov・el que ele seja conhecido, acima de tudo, pela sua profunda afinidade com a m・ica vocal barroca, como a que ele utilizou na sua obra de 1988, L'Allegro, il Penseroso ed il Moderato, em conjunto com uma obra de Handel. Uma obra para 24 dan・rinos, um coral de 30 cantores, cinco solistas e uma orquestra completa, L'Allegro ganhou v・ios pr・ios na sua estr・a mundial em Londres e ser?apresentado pela primeira vez nos Estados Unidos, em Washington, no final de 1998.
Morris ?considerado um core・rafo para m・icos e est?envolvido em trabalhos significativos e cont・uos, em conjunto com o compositor Lou Harrison e o violoncelista Yo-Yo Ma. Para comemorar o 80.?anivers・io de Harrison, Morris encomendou a m・ica de Rhymes with Silver, o seu quinto trabalho em parceria com o compositor. Ma e o grupo de Morris, em breve viajar・ juntos, apresentando dan・s que incluem a nova obra de Harrison assim como Falling Down Stairs, uma obra feita para ser executada ao som da Terceira Suite de Bach para violoncelo sem acompanhamento.
Falling Down Stairs teve a sua primeira apresenta艫o na televis・ p・lica nos Estados Unidos em abril de 1998, como parte de uma s・ie de document・ios em v・eo que mostravam os trabalhos de Ma em conjunto com artistas de v・ios meios. A vers・ filmada de Dido and Aeneas, de Morris, que tamb・ foi exibida pela primeira vez nas televis・ por cabo nos Estados Unidos em abril, dever?ser transmitida para o mundo inteiro no decorrer de 1998.
O Grupo de Dan・ de Mark Morris tem uma das programa苺es de viagens nacionais e internacionais mais extensas entre as de qualquer companhia de dan・ do mundo. Morris j?coreografou mais de 90 obras para a sua companhia, mas ele recebe pedidos de outros grupos tamb・. No momento ele est?trabalhando em uma pe・ para o San Francisco Ballet, a quarta obra de Morris que entrar?no repert・io da organiza艫o.
Uma parte consider・el da energia de Morris, recentemente, tem sido dedicada ao teatro musical, tanto popular quanto cl・sico. Ele coreografou e dirigiu o novo musical, The Capeman com m・ica de Paul Simon, que foi apresentado em curta temporada na Broadway, no in・io de 1998. Morris tamb・ dirigiu e coreografou ・eras nos ・timos dez anos.
Apesar dessa impressionante quantidade e variedade de atividades, at?pouco tempo atr・, Morris e seu grupo n・ possu・m uma base permanente, um luxo que ? apesar de tudo, vital para o crescimento e a estabiliza艫o. Esse desafio j?foi vencido. Ele espera mudar sua companhia em breve para uma sede no centro de Brooklyn (uma regi・ administrativa de Nova York) que acomodar?a equipe administrativa e art・tica e ter?dois est・ios que permitir・ a realiza艫o de trabalhos ininterruptos de coreografia. Na verdade, esse novo lar para Morris ser?tamb・ um novo lar para a dan・ americana.
--Suzanne Carbonneau
Essa ruptura est・ica chegou ao conhecimento do grande p・lico e da comunidade art・tica, de forma mais not・ia, com a publica艫o, na revista The New Yorker, do ataque da cr・ica de dan・ Arlene Croce a Bill T. Jones, como representante do que ela classificou de "arte de v・ima". Falando em nome de um segmento do meio art・tico, Croce expressou um desprezo pelo trabalho de Jones e de outros que, em ・tima an・ise, demonstrou que a real preocupa艫o de Croce era que a est・ica modernista - a ・ica cuja legitimidade ela reconhecia - j?n・ estava mais norteando muitos jovens core・rafos. No entanto, as tend・cias contra as quais Croce e outros estavam se manifestando j?havia se estabelecido na dan・ como uma grande for・, pelo menos uma d・ada antes da publica艫o do artigo.
Contexto social e pol・ico
Uma tend・cia c・lica que ressurgiu na dan・ moderna mais de dez anos atr・ e que prevalece hoje ?o fato de os core・rafos se concentrarem em fazer arte com um conte・o social e pol・ico. Esse trabalho tratava dos "ismos" do ・io (incluindo racismo, sexismo, e homofobia) na pol・ica de identidade, e em quest・s referentes ?crise da AIDS. Al・ de Jones (que ironicamente, no seu mais recente trabalho, adotou conceitos formalistas), core・rafos no pa・ inteiro est・ expressando preocupa苺es similares. David Rousseve, em Los Angeles, cria dan・s nas quais a hist・ia pessoal ?explorada tendo como objetivo quest・s sociais mais amplas. Stuart Pimsler, de Columbus, Ohio, trabalha com agentes de sa・e no desenvolvimento das suas dan・s. Em Seattle, Washington, Pat Graney leva a dan・ aos pres・ios femininos. Na sua coreografia para "Urban Bush Women" (Mulheres da Selva Urbana), Jawole Willa Jo Zollar, de Tallahassee, Florida, trata das quest・s associadas com a identidade das mulheres negras americanas. E Ralph Lemon, cuja obra mais recente explora a maneira pela qual a identidade ?criada pela ra・ e pela cultura, est?entre os muitos core・rafos em Nova York que trabalham nessa arena.
Mesmo nas companhias de dan・ moderna cujo trabalho se concentra nas preocupa苺es puramente est・icas, existe, sem d・ida, uma atitude muito diferente a respeito das fun苺es do corpo e do g・ero. Tem surgido um reconhecimento cada vez maior sobre a maneira pela qual a dan・ tem sofrido restri苺es devido aos conceitos de perfei艫o f・ica e "beleza", e est?sendo feita uma tentativa de abrir as companhias de dan・ moderna para incluir as pessoas que teriam tido seu acesso negado at?poucos anos atr・. Da mesma forma que a capacidade f・ica dos dan・rinos parece estar crescendo exponencialmente (como ocorre com os atletas) a cada ano que passa, est?come・ndo a surgir espa・ nos palcos americanos para uma gama mais heterog・ea de caracter・ticas f・icas. Os core・rafos mais jovens v・m cada vez menos a dan・ como meio de representar os pap・s tradicionais dos g・eros da maneira que estes foram idealizados e oficializados no bal?e na fase inicial da dan・ moderna. Hoje, as mulheres s・ parceiras dos homens e os levantam, e os homens podem demonstrar suavidade e vulnerabilidade.
Al・ disso, h?uma nova tend・cia na dan・ que ?ainda mais audaciosa nos seus desafios em rela艫o ?est・ica corporal - as companhias conhecidas como companhias de cadeiras de rodas. Essas companhias podem ser formadas inteiramente por dan・rinos deficientes ou podem incluir um "mix" de dan・rinos em cadeiras de rodas e dan・rinos "em p?. A core・rafa americana Victoria Marks, que atualmente mora em Los Angeles, chamou a aten艫o a essa forma de arte de maneira mais abrangente, pela primeira vez, com o seu filme Outside In, de 1994 (criado com a diretora Margaret Williams), que apresentava os membros da companhia brit・ica CanDoCo. Em 1997, a Boston Dance Umbrella desafiou suas plat・as com a sua apresenta艫o de um Festival Internacional de Dan・ em Cadeiras de Rodas [International Festival of Wheelchair Dance] que apresentava oito companhias de dan・ em cadeira de rodas, assim como grupos da Europa.
Outros artistas tamb・ est・ confrontando os conceitos sobre quem pode dan・r, abrindo um espa・ em seus palcos para vozes at?ent・ nunca ouvidas, e novas experi・cias. Liz Lerman, diretora art・tica da Dance Exchange, organiza艫o com sede em Washington, D.C. , desafiou o conceito da idade na dan・, expandindo sua companhia de modo a incluir membros com mais de sessenta anos, que ela chama de "dan・rinos da terceira idade." Da mesma forma, o core・rafo de Nova York, David Dorfman criou uma s・ie de projetos que recrutam dan・rinos n・ treinados em uma variedade de locais no pa・ para executar vers・s personalizadas de dan・s que tratam das suas experi・cias de vida. O Everett Dance Theater, de Providence, Rhode Island, tamb・ tornou mais obscuras as linhas entre a ajuda e a arte, no seu enfoque em criar obras com mensagens sociais, que s・ desenvolvidas de forma improvisada e cuja forma ?determinada pelo retorno recebido da comunidade sobre a qual a dan・ ?executada. E a core・rafa Ann Carlson, que mora em Nova York, se tornou conhecida gra・s ?sua s・ie "Real People" [Pessoas de Verdade], na qual ela criou dan・s para serem executadas por pessoas reunidas por uma profiss・ ou atividade em comum. At?agora o projeto incluiu advogados, policiais, jogadores de basquete, pescadores, violinistas, executivos, uma fazendeira e sua vaca leiteira, professores, freiras e pe・s (que tomam conta de cavalos).
Dan・ com jazz
Um dos benef・ios adicionais da expans・ da dan・ moderna tem sido o ressurgimento do interesse na m・ica tipicamente americana. Embora o jazz ultrapassasse, de longe, a dan・ moderna na sua fase ・rea, isso j?n・ acontece. H?um n・ero suficiente de colabora苺es atualmente em andamento entre core・rafos de dan・ moderna e compositores de jazz para que esse tipo de trabalho seja considerado uma tend・cia. Garth Fagan, core・rafo de The Lion King, musical de sucesso da Broadway, colaborou pela primeira faz com Wynton Marsalis, compositor e ganhador de um pr・io Pulitzer, em Griot New York, em 1991. Fagan e Marsalis est・ trabalhando juntos novamente em uma dan・, ainda sem t・ulo, que Fagan descreve como "uma estrada de tijolos amarelos para o Mil・io." Os core・rafos Dianne McIntyre, Bebe Miller, Bill T. Jones, Danny Buraczeski e Donald Byrd encomendaram m・icas de compositores de jazz que trazem essa m・ica a uma nova gera艫o de artistas da dan・. E o American Dance Festival e o Kennedy Center est・ tamb・ unindo suas for・s. Eles est・ procurando unir core・rafos a compositores de jazz, incluindo Billy Taylor, que est?criando uma nova sele艫o para a core・rafa Trisha Brown. At?mesmo o mundo do bal?est?se adaptando ?tend・cia. Peter Martins, diretor art・tico do New York City Ballet [Bal?da Cidade de Nova York] (NYCB), pediu a Marsalis que compusesse a sua primeira obra completa para uma orquestra sinf・ica, para a temporada de 1999-2000 da companhia, e pediu tamb・ que ele regesse a orquestra do bal? Esta ser?a primeira composi艫o de Marsalis para uma orquestra sinf・ica completa.
Embora alguns temessem que o pior aconteceria ao bal?americano ap・ a morte de George Balanchine, diretor-core・rafo do NYCB, em 1983, o bal?americano, como um todo, est?particularmente saud・el sob a dire艫o de Peter Martins, que est?solicitando uma s・ie de novos bal・ de outros core・rafos, acrescentando novos trabalhos ?tradi艫o criada por Balanchine, Jerome Robbins e outros. O American Ballet Theater, a principal companhia em repert・io de bal?dos Estados Unidos, assumiu a miss・ de divulgar o bal?em toda a na艫o, estabelecendo uma presen・ e ra・es na comunidade, em locais distantes entre si, como Newark (New Jersey), Detroit (Michigan), Washington, Costa Mesa (Calif・nia) e Los Angeles.
E o Dance Theater of Harlem, fundado pelo int・prete Arthur Mitchell em 1968, ap・ a morte de Martin Luther King, Jr., h?muito tempo ?reconhecido como uma das mais importantes companhias internacionais, como ficou evidente por ocasi・ da sua visita ?・rica do Sul, onde estabeleceu um precedente, em 1992; durante essa visita, a companhia se apresentou para plat・as multirraciais em Joanesburgo.
Outro ponto de destaque tem sido o significativo amadurecimento dos grupos regionais de bal?nas cidades atrav・ dos Estados Unidos. Na verdade, v・ias companhias de fora do centro de dan・ - quer dizer, Nova York - j?transcenderam o r・ulo de regional, estabelecendo uma presen・ nacional e global.
Uma dessas organiza苺es ?o Miami City Ballet, fundado em fins da d・ada de oitenta nessa cidade ・nica de r・ido crescimento, na Fl・ida. A companhia ?dirigida por Edward Villela, cuja presen・ viril como solista do Bal?da Cidade de Nova York entre as d・adas de cinq・nta e setenta teve um impacto significativo no sentido de erodir os estere・ipos negativos sobre os dan・rinos do sexo masculino. Como diretor art・tico, Villela criou uma companhia de classe mundial , partindo da estaca zero. Refletindo suas ra・es regionais, o grupo possui um estilo latino, como se pode ver pela verve e pelo esp・ito da sua dan・ e pelo grande n・ero de dan・rinos hisp・icos nas suas fileiras, e tamb・ pelas contribui苺es do seu core・rafo residente, Jimmy Gamonet De Los Heros, nascido no Peru.
Outra not・el companhia que recentemente se tornou famosa sob o comando de um disc・ulo de Balanchine ?o San Francisco Ballet. Embora essa seja a mais antiga companhia de bal?dos Estados Unidos (foi fundada em 1933 e tem funcionado continuamente desde ent・), ela adquiriu vida nova quando Helgi Tomasson, island・ de nascimento, assumiu a diretoria em 1985. A companhia executa obras-primas do repert・io do s・ulo XX, assim como cl・sicos do s・ulo XIX, em vers・s integrais atualizadas por Tomasson.
O equil・rio do criativo ecossistema do bal?americano ?mantido por pequenas companhias independentes que existem para realizar o sonho de um ・ico core・rafo, um modelo que ?mais familiar na dan・ moderna. ?prov・el que o exemplo mais not・el seja Eliot Feld, que continua desafiando a si mesmo e a plat・a, para encontrar a relev・cia do bal?cl・sico nesta ・oca e neste lugar. Feld, que entrou em cena em 1967 com suas pe・s coreografadas Harbinger e At Midnight, liderou uma s・ie de companhias dedicadas a apresentar a sua pr・ria est・ica. Fundada apenas um ano atr・, a mais recente companhia de Feld, Ballet Tech, ?composta exclusivamente por jovens dan・rinos treinados na sua escola gratuita, que tem o mesmo nome. Selecionando todos os seus alunos nas escolas p・licas de Nova York, o Ballet Tech democratiza e diversifica uma arte que teve sua origem nas cortes europ・as. Apresentando dan・s como Yo Shakespeare, a companhia reflete a cultura, a apar・cia, a textura, o esp・ito da ・oca, e o arco-・is de etnias da Am・ica urbana contempor・ea.
Um n・ero cada vez maior de grupos de bal?est?reconhecendo sua responsabilidade em rela艫o ・ comunidades em que residem, desenvolvendo programas educacionais e de ajuda significativos cuja ・fase est?em servir ・ueles que tradicionalmente nunca teriam acesso ao treinamento de bal?ou nunca poderiam freq・ntar um teatro. Baseado no modelo estabelecido por Eliot Feld em Nova York, o Boston Ballet, o Pacific Northwest Ballet em Seattle (Washington), o Hartford (Connecticut) Ballet e outros, come・ram a dedicar recursos significativos ?funda艫o de escolas e programas gratuitos. Outras companhias est・ homenageando suas comunidades, patrocinando obras cujo enfoque est?nas localidades onde elas se baseiam. Por exemplo, o Ballet Arizona, de Phoenix, est?preparando uma nova obra com temas ind・enas e hist・ias desenvolvidas a partir de di・ogos com membros das tribos ind・enas da regi・ com o objetivo de estabelecer uma liga艫o entre os universos de ra・es inglesas e ind・enas.
Ru・os feitos com o corpo
Uma das tend・cias mais abrangentes na dan・ contempor・ea parece ser a enorme popularidade das v・ias formas de dan・ percussiva - sapateado irland・, outros tipos de sapateado, flamenco e outras formas h・ridas de ru・os feitos com o corpo. A dan・ s?foi t・ popular quanto ?agora no in・io deste s・ulo, quando a dan・ de sal・ dominava os palcos da Broadway e dos espet・ulos de variedades. Hoje, v・ias formas de dan・ percussiva se tornaram conhecidas no teatro de Nova York, assim como em outros lugares, em vers・s itinerantes dos espet・ulos. Riverdance e Lord of the Dance, Bring in 'da Noise! Bring in 'da Funk!, Tap Dogs, e Stomp - alguns do exterior e alguns origin・ios do pr・rio pa・ - todas essas obras servem como prova da mania s・ita e aparentemente insaci・el por essas formas de dan・ sonora que s・ acess・eis e altamente teatrais. Essa paix・ pode ter surgido a partir do ressurgimento do sapateado na d・ada de setenta, que apresentou uma nova gera艫o ?dan・, a qual leva consigo o seu pr・rio ritmo. Enquanto a est・ica varia de comercialismo pop descarado em
Com Noise/Funk, Savion Glover, um "menino-prod・io" de 24 anos, conseguiu a aten艫o que merece. Quase sozinho, Glover fez com que o sapateado se tornasse relevante para a gera艫o mais recente, atualizando os ritmos de jazz para incorporar aqueles da sensibilidade do hip-hop. A incr・el t・nica de Glover levou mestres mais antigos do sapateado, com os quais ele aprendeu, a consider?lo, potencialmente, o maior dan・rino de sapateado de todos os tempos.
A mania da dan・ percussiva ?global, chamando a aten艫o para formas de dan・ que tem suas ra・es em outras culturas. Embora a dan・ sempre tenha existido nos Estados Unidos como uma forma de "folclore" - - um meio de celebrar as ra・es ・nicas nesta na艫o de imigrantes - - tem havido uma tend・cia recente no sentido de profissionalizar dan・s tradicionais em companhias que seguem os modelos da dan・ moderna e do bal? Esse movimento reflete as mudan・s na met・ora dominante dos imigrantes nos Estados Unidos, na medida em que ele se afasta da teoria do caldeir・ onde tudo se mistura, e se aproxima da id・a de um prato delicioso no qual os ingredientes coexistem e se complementam, em vez de se misturarem.
Preservando as tradi苺es culturais
Modelos que se destacam, de companhias folcl・icas profissionais incluem a DanceBrazil, de Nova York, dirigida por Jelon Viera. O principal expoente neste pa・ da capoeira, a forma de artes marciais/dan・ que se originou no Brasil no tempo da escravid・, a DanceBrazil tem como objetivo uma fus・ do tradicional e do moderno. Recentemente, a DanceBrazil passou uma longa temporada em San Antonio (Texas) onde fez um trabalho com os membros das gangues dos bairros mais pobres da cidade. Comemorando o seu 25.?anivers・io este ano, a Caribbean Dance Company, de St.Croix, Ilhas Virgens, tamb・ procura preservar a heran・ cultural da regi・, enquanto usa a disciplina inerente ?dan・ para oferecer habilidades e esperan・ aos empobrecidos jovens da ilha.
Um forte movimento em defesa da heran・ cultural africana que tem-se firmado no decorrer dos ・timos trinta anos foi tamb・ auxiliado pelo estabelecimento do DanceAfrica, um festival criado h?vinte anos de apresenta苺es e oficinas em oito locais nos Estados Unidos, que re・e companhias cujo trabalho celebra as ra・es africanas na di・pora.
Outro tipo de enriquecimento cultural est?sendo trazido aos Estados Unidos pelas popula苺es imigrantes mais recentes, que procuram ref・io, e que resultou na preserva艫o de formas de dan・ amea・das pelos eventos pol・icos contempor・eos. Um dos principais exemplos ?a dan・ cambojana cl・sica, uma tradi艫o de mil anos que, por ser um poderoso s・bolo da identidade nacional, teve sua elimina艫o determinada pelo Khmer Vermelho. Alguns sobreviventes dos "campos da morte" conseguiram chegar aos Estados Unidos, onde fizeram um esfor・ sistem・ico para estabelecer um lar no ex・io para a dan・ cambojana. Grupos como Sam Ang Sam's Cambodian Network Council, em Washington, D.C., t・ mantido essa forma de arte viva, treinando uma nova gera艫o para apresent?la. Um esfor・ similar est? no momento, sendo conduzido para preservar as tradi苺es de apresenta艫o da antiga Iugosl・ia. Sediado em Granville, Ohio, o Zivili Kolo Ensemble, um grupo especializado em dan・ dos B・c・ est? atualmente,concentrando as suas energias em dan・s das ・eas que est・ mudando suas fronteiras e popula苺es, especialmente as regi・s de Slavonija, Vojvodina, o corredor de Posavina, e Lika.
Outra tend・cia na profissionaliza艫o das formas de dan・ est?ocorrendo na transfer・cia de estilos de rua, de sal・ e de clube para o palco. Embora o "break" como fen・eno de rua agora j?tenha mais de vinte anos de idade, s?recentemente ele come・u a aparecer em locais para concertos. ?inevit・el, tamb・, nesta era de amostragem cultural, que o "break" fosse assimilado pelo vocabul・io de outras formas de dan・. O hip-hop exerce uma forte influ・cia na forma atualmente assumida pelo bhangra, um exemplo de um fen・eno de dan・ particularmente americano que ? ao mesmo tempo, uma coisa de ra・es globais. Originalmente apresentado pelos fazendeiros do Punjab, o bhangra surgiu como uma fascinante nova for・ nos campi universit・ios dos Estados Unidos. Uma recente competi艫o universit・ia em ・bito nacional de bhangra encheu um audit・io de 3.700 lugares em Washington, D.C.
Embora a incr・el variedade e fecundidade da dan・ americana s?possam ser descritas superficialmente aqui, fica claro que - apesar da falta de fundos, tanto no setor p・lico quanto no setor privado - - essa forma de arte continua a refletir a cultura americana de uma forma vibrante, vital, e com consci・cia social. Bem depois do in・io do novo s・ulo, espera-se que a dan・ continue a ser um espelho das nossas mais profundas preocupa苺es, nossas esperan・s mais amorosas, nossos sonhos mais simpl・ios, nosso idealismo mais sonhador, e em ultima an・ise, nossas verdadeiras indentidades.
Como Martha Graham carinhosamente citando seu pai: "O movimento nunca mente."
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Suzanne Carbonneau j?escreveu muitas mat・ias sobre dan・ para The Washington Post e outras publica苺es.
Sociedade e Valores dos
EUA
Revista Eletr・ica da USIA, Vol. 3, N?1,
Junho de 1998