Minneapolis, Minnesota - Quase meio s・ulo atr・, em setembro de 1951, a revista Theatre Arts observou que "o teatro americano" naturalmente era o teatro de Nova York. "Infelizmente, muito pouca coisa de valor genu・o ou de interesse nacional tem origem fora da ilha de Manhattan," dizia o artigo.
Mesmo naquela ・oca isso n・ era bem verdade. Uma intr・ida agente chamada Margo Jones vinha lan・ndo novas pe・s no seu pequeno teatro em Dallas, Texas, desde 1947, especialmente Summer and Smoke, de Tennessee Williams. O dramaturgo Eugene O'Neill havia lan・do Lazarus Laughed no Pasadena Playhouse no sul da Calif・nia muito antes disso, em 1928.
Mas havia um fundo de verdade no ponto de vista da revista. Na pr・ica, o que existia era Broadway e off-Broadway [na Broadway e fora da Broadway] Todos os outros lugares -- Boston, Cleveland, Denver, Los Angeles, Chicago -- eram "fora da cidade". E as pessoas de "fora da cidade" concordavam com essa perspectiva. Quando uma produ艫o itinerante de uma pe・ ou musical lan・da(o) na Broadway era apresentada no Orpheum Theater em Minneapolis no per・do ap・ a Segunda Guerra Mundial, os poss・eis espectadores precisavam se certificar de que se tratava de um espet・ulo "direto de Nova York". Em outras palavras, teatro de verdade.
Mesmo assim a plat・a poderia ser pequena. O Orpheum Theater estava mal conservado; o padr・ de qualidade dos espet・ulos itinerantes estava caindo; as pessoas estavam ficando em casa por causa da televis・. Na verdade, algu・ poderia ter-se perguntado, existiria teatro profissional em Minneapolis da?a cinq・nta ou sessenta anos?
Agora estamos em abril de 1998. Percorrendo a Hennepin Avenue, no cora艫o de Minneapolis, passo em frente ao Orpheum Theater, que foi restaurado, recuperando sua gl・ia de outros tempos. The Lion King [O Rei Le・], uma adapta艫o do desenho animado de Walt Disney, que agora est?sendo muito comentado na Broadway - foi apresentado aqui, antes de ir para Nova York, em meados de 1997. Bring In 'Da Noise, Bring In 'Da Funk, uma hist・ia de negros americanos contada atrav・ da dan・ de percuss・, passou os feriados de inverno em Minneapolis. Uma das mais famosas reapresenta苺es da Broadway, Chicago, foi apresentada aqui na primavera. A companhia itinerante nacional do novo musical Ragtime, uma colorida representa艫o da Am・ica no in・io do s・ulo XX, est?a caminho dessa cidade. Ningu・ est?regateando eventos. "A estrada", o circuito itinerante, est?de volta.

--Fotos de Catherine Ashmore
(em cima) e Michael Cooper
(embaixo).
Mas outra estrada - - na verdade toda uma malha de estradas, de desenvolvimento - - est? no momento, instalada e vis・el atrav・ da lente do interior, do centro da Am・ica. Outros aspectos tamb・ se refletem aqui. A descentraliza艫o do teatro dos Estados Unidos - - um processo que levou uma gera艫o para ocorrer - - ?um fato hoje evidente em Minneapolis, e em cidades em outros pontos do mapa, de Seattle, Washington, a Hartford, Connecticut.
A poucos quarteir・s de dist・cia do Orpheum, por exemplo, pode-se ver outro tipo de casa de espet・ulos. O Tyrone Guthrie Theater foi inaugurado 35 anos atr・, com a encena艫o de Hamlet do lend・io diretor Guthrie. O Guthrie n・ foi o primeiro teatro regional - - ou profissional local - - a ser constru・o neste pa・, e nem seria o ・timo. No decorrer dessa ・tima gera艫o, o p・dulo do mundo do teatro tem oscilado, em grande parte, da Broadway para as outras regi・s, com o teatro de Nova York freq・ntemente dependendo do resto do pa・ para receber uma infus・ de atividade. Atualmente, se novas companhias n・ est・ surgindo por todos os lugares, aquelas que foram estabelecidas, na sua maioria entre 1950 e 1975 est・ construindo novas sedes, e segundos palcos, para expandir suas atividades.
Na d・ada de quarenta, Margo Jones sonhava em percorrer o pa・ de costa a costa e encontrar um teatro profissional local que oferecesse "boas pe・s, bem feitas" em cada parada. Na d・ada de noventa, isso ?uma realidade. Uma r・ida olhada em uma rela艫o do que est?sendo apresentado em mais de 200 teatros locais do Hava?ao Maine, no ・timo n・ero de American Theatre, publica艫o que substituiu Theatre Arts, prova essa afirma艫o.
EAST WEST PLAYERS: CULTIVANDO O P・LICO-
ALVO ATRAV・ DE V・IAS FORMAS DE ARTE
V・ios meses atr・, quando o cortina subiu na apresenta艫o de uma produ艫o de Stepen Sondheim, Pacific Overtures, no novo lar do grupo East West Players no centro de Los Angeles, teve in・io um novo cap・ulo na hist・ia do grupo, e em um contexto mais abrangente, na hist・ia do teatro multicultural nos Estados Unidos.
East West Players ?a mais antiga, e uma das mais influentes companhias de teatro americanas de origem asi・ica no pa・; o grupo tem uma hist・ia de mais de tr・ d・adas durante a qual tem proporcionado, para os atores da Bacia do Pac・ico, um lugar para exercer sua atividade, aperfei・ar suas habilidades e obter uma vis・ mais clara da profiss・.
O sucesso do grupo ?"precedido pelo dos seus ex-componentes", Jan Breslaer escreveu recentemente no jornal Los Angeles Times sobre esse "campo f・til de valor inestim・el". Os atores Pat Morita, John Lone e Sab Shimono - todos bem conhecidos na ind・tria cinematogr・ica e de televis・ nos Estados Unidos - est・ entre os que passaram pelas portas da companhia, al・ dos dramaturgos David Henry Hwang (que teve quatro de suas pe・s encenadas na companhia) e Philip Kan Gotanda.
East West Players agora est?sediada no David Henry Hwang Theater, uma casa de espet・ulos com 220 assentos; trata-se de uma antiga igreja, atualmente conhecida como Union Center for the Arts, que tamb・ abriga uma galeria de arte e uma organiza艫o de cinema independente. A lista dos principais doadores incluiu Henry e Dorothy Hwang, pais do dramaturgo que deu nome ao teatro. Hwang, autor de dramas da Broadwaw como M.Butterfly e Golden Child, ?o mais bem sucedido dramaturgo americano de origem asi・ica da atualidade.
O primeiro diretor art・tico da companhia foi Mako, um rosto conhecido como ator em uma s・ie de filmes de Hollywood, e que mais tarde fez o papel principal na produ艫o original da Broadway, de Pacific Overtures, a descri艫o musical de Sondheim, em 1976, da abertura do Jap・ pelo Ocidente na d・ada de 1850 a 1860. Mako recorda que ele e seus colegas n・ estavam trabalhando, conscientemente, com o objetivo de estabelecer um modelo, quando come・ram a encenar pe・s. "O que est・amos tentando fazer, conscientemente, era ser honestos conosco, aprendendo a lidar com os elementos que estavam ao nosso redor, como o racismo e a discrimina艫o."
Beulah Quo, outra talentosa atriz americana de origem asi・ica e pioneira do grupo East West, recorda que no in・io, "・amos, de fato, o primeiro grupo de americanos de origem asi・ica que trabalharam juntos em Los Angeles. Agora isso ?comum. Mas naqueles dias, as pessoas nunca pensavam nisso."
Com a passagem de tr・ d・adas, East West Players reflete os temas da sociedade dos Estados Unidos, da pol・ica de identidade das d・adas de sessenta e setenta para as quest・s, que n・ se limitam ・ minorias, sobre a vida e o amor. A companhia, que inspirou a cria艫o de outras companhias americanas de origem asi・ica durante a d・ada de setenta, como resultado do seu pr・rio sucesso, ?tamb・ um exemplo t・ico do ambiente do teatro multicultural nos Estados Unidos. Ela representa o seu grupo formador da mesma forma que o teatro hispano-americano em Los Angeles, Nova York, e em outros lugares, e o teatro negro americano em todo o pa・. E assim, como essas outras modalidades, o teatro americano de origem asi・ica est?florescendo.
"O p・lico-alvo ?mais numeroso," Hwang disse recentemente ao jornal
The Washington Post. "?mais acess・el. ?mais vis・el do que poder・mos ter imaginado 20 anos atr・. ?emocionante, da mesma forma que ?emocionante ver qualquer crian・ crescer." Tim Dang, o atual diretor art・tico, disse ao The Daily Bruin, o jornal da Universidade da Calif・nia em Los Angeles que ele espera que a nova sede se torne um centro de artes em vez de continuar sendo apenas um teatro. "Acho que esse ?um dos nossos objetivos - atrair o p・lico de uma forma de arte para outras; esperamos que as pessoas que venham ao teatro compare・m ・ exposi苺es de arte tamb・, e se exibirmos filmes, convidaremos o p・lico-alvo do cinema para assistir aos espet・ulos de teatro tamb・"
--Charlotte Astor
Toda essa atividade ocorre no que ?conhecido, familiarmente, como "setor das entidades sem fins lucrativos." Atualmente, o teatro sem fins lucrativos est?tendo o per・do mais "sem fins lucrativos" da sua hist・ia. O apoio financeiro ainda ?recebido de funda苺es, conselhos estaduais de artes, empresas, e benfeitores individuais, por・, menos do que em qualquer outra ・oca, do National Endowment for the Arts [Fundo Nacional Para as Artes] - - cujo or・mento teve cortes dr・ticos.
Portanto, o vocabul・io precisava ser modificado. Atualmente, ?raro ouvir algu・ dizer a express・ "teatros de repert・io". Trocar os cartazes todas as noites acabou sendo muito mais caro do que produzir um espet・ulo de cada vez em uma temporada, como as companhias mais antigas costumavam fazer, talvez deixando algumas semanas vagas no final da temporada para o caso de o ・timo espet・ulo, freq・ntemente uma com・ia, ser um sucesso. Levando-se em considera艫o os atuais problemas de fluxo de caixa, os teatros precisam de sucessos.
O termo "acting company" [companhia de teatro] ainda ?ouvido, mas geralmente significa a companhia de teatro "desta noite", em vez do seu significado original: um grupo cujo objetivo era desempenhar uma s・ie de pap・s no decorrer de toda uma temporada. Tyrone Guthrie n・ gostaria disso; o novo diretor art・tico do Gurthrie, Joe Dowling, se conforma. Veterano do Abbey Threatre, da Irlanda, Dowling sabe que uma companhia de teatro pode se tornar permanente demais. Al・ disso, os atores de hoje relutam em assumir um compromisso para uma temporada inteira. E, freq・ntemente, os teatros n・ t・ recursos para manter um grande grupo de atores na sua folha de pagamento.
As duas primeiras temporadas de Dowling's foram mais "f・eis" para a plat・a do que as do seu antecessor, Garland Wright, e a receita est?aumentando. "Outro dia um sujeito disse que eu agrado ・ multid・s," Dowling diz. "Acho que agrado mesmo. Tenho que ocupar 1.300 assentos todas as noites. Gosto de multid・s. Quero agrad?las."
No entanto, at?que ponto se deve ceder? Esse ?o dilema que a maioria dos teatros sem fins lucrativos enfrenta. Freq・ntemente eles querem ser experimentais, ousados - querem descobrir o novo e brilhante dramaturgo ou conduzir experi・cias, artisticamente, com as apresenta苺es tradicionais dos cl・sicos e das eras nas quais eles s・ ambientados, ou criar um arranjo imaginativo para o palco. Mas quando se exige demais das plat・as, corre-se o risco de receber cartas de pessoas irritadas, corre-se o risco de perder contribui苺es e de ver o apoio empresarial diminuir. Se essas companhias foram inventadas para subverter a ordem social, elas com certeza n・ est・ fazendo isso no momento.
Outro desafio ?a pr・ria regularidade da programa艫o do teatro local. Os espet・ulos da Broadway s・ uma alian・ tempor・ia de fan・icos com a obsess・ de fazer com que o seu trabalho atual seja a mais estupenda produ艫o da hist・ia do teatro. A press・ ?cruel, o custo emocional ?grande, e os resultados, ・ vezes, s・ sensacionais.
Em compara艫o, veja, por exemplo, a recente estr・a de Sylvia, de A . R. Gurney, no Cleveland Play House, uma pe・ erudita e divertida sobre um homem que se apaixona (no sentido figurado) pelo seu c・. Tratava-se de um roteiro que tinha charme, que foi bem representado e do qual a plat・a gostou imensamente. Mas certamente n・ havia no ar aquela sensa艫o de perigo, de experimenta艫o.
No entanto, apesar de tudo isso, os nossos teatros locais ainda mant・ o seu compromisso com o que Peter Hackett, diretor art・tico do Cleveland Play House, ainda chama de "teatro e arte" uma express・ t・ antiga (remonta a O'Neill e ao Provincetown Playhouse) que voltou a ser nova. Por mais que "teatro de arte" seja dif・il de definir, ele n・ significa os candelabros pingentes de O Fantasma da ・era e os helic・teros de Miss Saigon em v・ rasante no palco. Os teatros locais t・ como objetivo apresentar um entretenimento significativo, e na maioria das vezes, isso ?o que eles fazem.
O resultado disso ?que um(a) freq・ntador(a) s・io(a) de teatro, em qualquer lugar dos Estados Unidos, j?n・ se considera tra・o(a) se uma pe・ bem recebida sair de cartaz em Nova York antes que ele ou ela possa v?la. Muito provavelmente, a pe・ aparecer?uma ou duas temporadas depois no programa do teatro local, em uma produ艫o que freq・ntemente ser?t・ boa quanto a original, e que muitas vezes ser?melhor ainda. At?hoje me arrependo de ter gasto 60 d・ares para ver uma jovem atriz de cinema - colocada no elenco pelo valor do seu nome - se apresentar, com dificuldade, no drama How I Learned To Drive, de Paula Vogel, que ganhou o Pr・io Pulitzer, quando eu sabia que uma inteligente diretora de Minneapolis, Casey Stangl, estava prestes a apresentar a pe・ no seu teatro local, Eye of the Storm. A pessoa que Stangl colocou no principal papel feminino pode n・ ter o seu nome nos cr・itos de um filme de Hollywood, mas eu tenho certeza de que ela saberia dar forma a um mon・ogo. O mesmo, sem d・ida, ocorreria no caso da atriz que est?fazendo esse papel na atual temporada em Providence, Rhode Island, ou Baltimore, Maryland, e na pr・ima temporada em Washington, D.C. e em outros lugares.
E essas pessoas podem ser estrelas - nas suas casas de espet・ulo locais. Uma das principais vantagens do teatro, na atualidade, ?que um bom ator pode fazer uma carreira em um ou mais de um teatro regional sem ter que se mudar para Nova York ou Los Angeles. Voc?pode n・ conseguir fama nem fortuna, mas pode ser abordado no supermercado por algu・ que tenha visto a sua apresenta艫o ontem ?noite, aqui mesmo nas Twin Cities [Minneapolis-Saint Paul], no Guthrie ou no Theatre de la Jeune Lune.
A fama e a fortuna n・ est・ exclu・as, com certeza. John Mahoney, que somente come・u a trabalhar como ator quando estava perto dos quarenta anos de idade, ?um produto do meio teatral de Chicago. Hoje ele pode comprar uma confort・el mans・ em Hollywood, ap・ ter tido sucesso em muitos filmes, e mais recentemente, no seriado de com・ia para TV, Frasier. Mas ele prefere viver em Chicago e se apresentar l?o mais freq・ntemente poss・el - na primavera de 1998, por exemplo, em uma reapresenta艫o da com・ia de Kaufman e Hart, da d・ada de trinta, The Man Who Came to Dinner, que em seguida ele iria apresentar em Londres.
Da mesma forma, Robert Prosky, um produto do Arena Stage, de Washington, ap・ ficar muito tempo com esse grupo, fez um papel no seriado "Hill Street Blues" na televis・, e representou muitas vezes no cinema tamb・.
O ator Jeff Daniels, que trabalhou com Jim Carrey em Dumb and Dumber, ?t・ dedicado ao palco que resolveu abrir o seu pr・rio teatro, The Purple Rose, na sua cidade, Chelsea, Michigan. Em meados de 1998, o grupo estava apresentando uma estr・a mundial, Book of Days, de Lanford Wilson, um dos mais respeitados dramaturgos americanos contempor・eos.
Kevin Kling faz espet・ulos solo como 21 A e The Education of Walter Kaufman no mundo inteiro, mas tamb・ continua sendo um artista de Minnesota, seja ao apresentar Diary of a Scoundrel no Jungle Theatre, ao adaptar Venetian Twins de Goldoni para o Guthrie ou ao fazer um voice-over para pagar o aluguel.
Compare isso ?experi・cia de um dramaturgo do meio-oeste de uma era anterior. William Inge foi descoberto por Margo Jones na d・ada de 40. Firmemente convencido de que deveria ir para Nova York, ele finalmente fez isso com Come Back, Little Sheba em 1950. Depois de quatro sucessos seguidos (incluindo Bus Stop e Picnic), contudo, seu talento foi considerado obsoleto pela Broadway. Sentindo-se pouco ?vontade para voltar para o Kansas, pois achava que havia perdido os v・culos com o lugar, refugiou-se em Hollywood, onde permaneceu at?se suicidar em 1973.
Mesmo assim, essa triste hist・ia tem um final feliz. O William Inge Festival foi fundado em sua mem・ia 17 anos atr・ por uma professora de escola secund・ia chamada Margaret Goheen. O festival ocorre todos os anos, na primavera, na cidade onde Inge nasceu, Independence, Kansas, que ?um exemplo de cidade pequena do interior dos Estados Unidos. As pessoas que menos se espera aparecem nesse ambiente t・ico de plan・ie, para serem homenageadas durante o festival -- Arthur Miller, Edward Albee, August Wilson, Neil Simon, Wendy Wasserstein e, este ano, Stephen Sondheim.
Em parte, eles v・m para prestar uma homenagem a Inge, cuja carreira permanece como s・bolo da carreira do artista americano deslocado. Em parte eles v・m para serem homenageados: a homenagem a Sondheim, compositor e autor de letras de m・icas da Broadway, incluindo m・icas interpretadas por Bernadette Peters - que fez o principal papel feminino na sua obra vencedora do Pr・io Pulitzer, Sunday in the Park With George, assim como em
"Voc??conhecido como um artista intransigente, mas modificou Passion quando o trabalho se encontrava na fase experimental - - isso n・ ?transigir?" perguntou uma jovem.
"N・," Sondheim respondeu. "?fazer mudan・s. Eu n・ fa・ isso para agradar a plat・a. Fa・ isso para que a minha inten艫o fique clara para a plat・a. A partir do momento que ela sabe qual ?a minha inten艫o, ela pode aceit?la ou rejeit?la. No caso de "Passion", o que ocorreu foi rejei艫o.
Em Independence, tamb・ tivemos um novo roteiro de David Ives, que j?foi um dramaturgo emergente e que agora ?um dramaturgo de sucesso. Sua com・ia, All in the Timing foi a pe・ apresentada mais vezes nos teatros da regi・ na temporada de 1995-96. Como ele se tornou um dramaturgo? No teatro, as coisas acontecem por acaso, . Eu enviei uma pe・ para um sujeito em Minneapolis, que me falou sobre um teatro em Los Angeles..."
Acasos ?parte, atualmente h?canais estabelecidos para o desenvolvimento de novas pe・s - - at?mesmo para o teatro musical. H?tantos canais, na verdade, que os cr・icos t・ criticado alguns teatros regionais por "desenvolver roteiros at?a morte" - - ou seja, s・ feitas tantas leituras experimentais e discuss・s com a plat・a que, no fim, nem mesmo o dramaturgo sabe do que a pe・ trata. Ouve-se tamb・ uma queixa de uma situa艫o inversa: de que o teatro ・ vezes fica com um roteiro por um ano e depois o devolve sem coment・ios.
No entanto, de modo geral, para um jovem dramaturgo americano, hoje ?mais f・il conseguir uma apresenta艫o do que em qualquer ・oca anterior. E freq・ntemente, a estr・a acontece - - ・ vezes uma estr・a dupla.
Black Elk Speaks, de Christopher Sergel foi direto da sua estr・a na Denver Theater Center Company para o Mark Taper Forum em Los Angeles em 1995, ap・ a produ艫o, para o Taper, de Nine Armenians, de Leslie Ayvazian. Black No More, de Syl Jones, foi patrocinado em conjunto pelo Guthrie Theater e pelo Arena Stage, de Washington. O Humana Festival, um evento anual do Actors Theatre of Louisville, trouxe mais de uma d・ia de novos dramaturgos de peso aos palcos norte-americanos. O Denver Center Theater patrocina dois festivais de pe・s novas - - um deles dedicado a pe・s escritas por mulheres.
Embora no teatro americano as autoras ainda n・ tenham conseguido o mesmo status dos seus colegas do sexo masculino, h?sinais animadores. Tina Howe, Marsha Norman, Wendy Wasserstein e Emily Mann continuam a marcar sua presen・ -- Mann como diretora art・tica do McCarter Theater em Princeton, New Jersey, al・ de como autora. Na verdade algumas das obras mais elogiadas que estrearam em Nova York nesta temporada foram de autoria de Howe (Pride's Crossing), Jane Anderson (Defying Gravity), e Amy Freed (Freedomland).
As autoras negras americanas est・ tendo um destaque especial atualmente. Al・ de Naomi Wallace, Suzan-Lori Parks and Cheryl West, Pearl Cleage lan・u sua obra Blues for an Alabama Sky nos Jogos Ol・picos de 1996 em Atlanta, com encena苺es subseq・ntes em diversos pontos dos Estados Unidos. E Kia Corthron ?uma novata capaz de produzir uma grande quantidade de trabalho, e que teve suas obras apresentadas em v・ias cidades, de Baltimore, Maryland at?Seattle, Washington.
Para completar o c・culo dessa discuss・ sobre o teatro americano, eu tenho que desviar o meu olhar de Minneapolis - - e me concentrar na Costa Leste, em um ambiente suburbano de Connecticut. L? em Waterford, em uma antiga fazenda, fica o Eugene O'Neill Theater Center, cujo nome ?uma homenagem ao grande dramaturgo americano da primeira metade deste s・ulo. O centro sedia uma confer・cia de dramaturgos, uma oficina de teatro musical, e um semin・io de cr・icos. A confer・cia de dramaturgos promove leituras de uma d・ia de novos roteiros, todos os ver・s. Algumas das pessoas que j?passaram por essa institui艫o s・ John Guare, Israel Horovitz, e August Wilson, o mais elogiado dramaturgo americano negro contempor・eo.
Wilson tem sido criticado por adotar o que alguns acreditam ser uma posi艫o separatista no teatro negro americano. Ele se defende dizendo que os escritores e artistas negros precisam resistir ?vertente principal branca no teatro, fundar suas pr・rias casas de espet・ulos, e se apresentar nelas. A ironia ?que o pr・rio Wilson continua a lan・r as suas pr・rias pe・s nos teatros voltados para a popula艫o em geral - e n・ para uma minoria - em todo o pa・.
Isso n・ obscurece o seu argumento b・ico segundo o qual os Estados Unidos deveriam usar mais teatros negros, mais teatros orientais, mais teatros hisp・icos, para fazer frente ao entusiasmo do p・lico-alvo multicultural, que est?se expandindo. Isso, por sua vez, pode resultar na presen・ de mais cr・icos multiculturais no ambiente do teatro, que poder・ se unir a dois importantes cr・icos negros, Sandra Brooks-Dillard, do The Denver Post e Rohan Preston, do Minneapolis Star-Tribune.
Portanto, ainda h?muito o que fazer no teatro americano. Mas agora, pelo menos, temos um verdadeiro teatro americano.
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Dan Sullivan foi cr・ico de teatro do ent・ Minneapolis Tribune, do The New York Times e do Los Angeles Times. Ele ?professor da Universidade de Minnesota.
Sociedade e Valores dos
EUA
Revista Eletr・ica da USIA, Vol. 3, N?1,
Junho de 1998