A m・ica popular nos Estados Unidos, atualmente, ?um mosaico de dif・il descri艫o. Na entrevista que se segue, concedida a Michael J. Bandler, o m・ico e compositor de jazz, e educador Gary Burton, o maior vibrafonista do mundo, analisa o atual ambiente e as for・s que nele atuam. Burton, que j?se apresentou no mundo inteiro e j?gravou muitos trabalhos, ?vice-presidente executivo do Berklee College of Music [Faculdade de M・ica de Berklee] , em Boston, uma institui艫o cujo curr・ulo ?dedicado a todas as formas de m・ica contempor・ea.
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P: Voc?iniciou a sua carreira uma gera艫o atr・. Como voc?compararia os jovens m・icos daquela ・oca com os talentos que v?atualmente em Berklee e em outros lugares?
R: A principal diferen・ ?a educa艫o; os m・icos de jazz e pop da d・ada de sessenta, quando eu estava iniciando a minha carreira, eram os primeiros a ter a chance de freq・ntar um curso superior de m・ica e aprender mais sobre m・ica. Os m・icos ainda eram, na sua maioria, autodidatas, ou intuitivos, e aprendiam a partir das suas experi・cias no trabalho, mais do que em um contexto acad・ico organizado. Isso come・u a mudar na d・ada de setenta, e a mudan・ continuou at?a d・ada de oitenta. Agora ?muito mais comum encontrarmos jovens m・icos promissores que freq・ntam uma escola em algum lugar e que aprendem muito mais a respeito de m・ica de tipos diferentes, da hist・ia da m・ica, e dos detalhes da m・ica; isso os torna capazes de apresentar maior versatilidade e mais sofistica艫o no seu trabalho.
P: Paula Cole [uma das principais artistas pop dos Estados Unidos] ?um exemplo.
R: Na verdade, ela foi nossa aluna de produ艫o e engenharia da m・ica. Portanto, ela fica muito ?vontade no est・io, sob o ponto de vista t・nico, produzindo os seus pr・rios discos.
P: De que forma Berklee reagiu ?evolu艫o, ou ?revolu艫o, do pop?
R: O conceito original da escola, quando ela foi fundada no final da d・ada de quarenta, era proporcionar experi・cia e treinamento pr・ico para m・icos que provavelmente iriam trabalhar na ind・tria de m・ica comercial que, naquela ・oca, significava principalmente, m・ica baseada em jazz, que era usada na televis・ e em jingles [para propaganda] assim como em concertos. Com o tempo esse leque se ampliou, ?medida que outros tipos de m・ica popular foram se firmando. A partir dos ・timos anos da d・ada de sessenta e continuando at?a d・ada de setenta, come・mos a acrescentar cursos com estilos de m・ica baseados no rock, continuamos a oferecer mais variedades com o passar do tempo, e acrescentamos um grande programa para grava艫o e sintetizadores, porque isso tamb・ estava ficando mais popular. Presenciamos um grande aumento nas matr・ulas de vocalistas porque havia uma ・fase maior em cantores. Portanto, basicamente, acompanhamos, e tentamos oferecer o melhor poss・el em cada uma dessas ・eas que tiveram maior destaque com a evolu艫o do neg・io da m・ica.
P: No passado, o jazz, o blues e a m・ica country tiveram suas origens nas ra・es da sociedade negra na Apal・hia.
R: Mas al・ disso, h?influ・cias que v・ de mais longe. N・ adquirimos uma consci・cia muito mais global de outros tipos de m・ica. Temos at?todo um g・ero chamado "world music", que ?uma esp・ie de mistura de m・ica ・nica adaptada aos nossos estilos ocidentais modernos.
P: A world music abrange muita coisa. Acho que ela n・ chega a incluir o som latino.
R: N・ - o som latino ?uma categoria ?parte. Mas a world music inclui m・ica africana, indiana, asi・ica, grega - qualquer m・ica ・nica que n・ seja suficientemente grande para ter a sua pr・ria categoria. O Klezmer est?prestes a constituir a sua pr・ria categoria. A m・ica latina come・u a se infiltrar no jazz nas d・adas de quarenta e cinq・nta. Tito Puente e Dizzy Gillespie e George Shearing come・ram a acrescentar m・icos latinos, e da?em diante havia cada vez mais m・ica latina dispon・el. Al・ disso, a popula艫o latina nos Estados Unidos cresceu, e isso deu ainda mais apoio ao g・ero. Havia um p・lico-alvo para esse tipo de m・ica. Portanto, agora, como h?mais comunica艫o entre as culturas, e como h?um n・ero maior de cidad・s de origem latina no pa・, h?uma base maior de apoio popular para v・ios tipos de m・ica latina. Ela tem at?os seus pr・rios g・eros, dentro da categoria.
P: Certamente o jazz tem sido a forma de m・ica americana mais popular no exterior.
R: ?verdade.
P: O jazz enfrenta alguma concorr・cia em se tratando desse p・lico, atualmente?
R: A m・ica pop americana est?adquirindo cada vez mais admiradores no exterior.
P: Como voc?definiria "m・ica pop"?
R: M・ica feita por americanos no campo popular. N・ importa se ?hip-hop ou rap ou qualquer outra coisa - o rap em menor grau porque conta muito com as palavras. A m・ica pop tem uma rela艫o muito forte com a fama - o adolescente de algum outro pa・ ouve as not・ias, e l?a respeito de Michael Jackson ou Madonna e outros que est・ na MTV [um canal de televis・ por cabo dedicado ?m・ica popular] regularmente e que t・ um grupo de admiradores bastante numeroso no mundo inteiro. Trata-se tanto de um interesse cultural americano quanto de um estilo espec・ico de m・ica. Acho que, em parte, ?por isso que o jazz se tornou interessante no mundo inteiro. Ele ?percebido como uma coisa muito americana. As pessoas que t・ curiosidade sobre os Estados Unidos sentem que o jazz, de certa forma, lhes conta alguma coisa a respeito de n・.
P: O jazz est?em decad・cia?
R: N・.
P: E as emissoras de r・io que tocam jazz?
R: Estas sim, est・ em decad・cia. Os clubes de jazz passaram pelo seu per・do de decl・io aproximadamente uma d・ada atr・ e desde ent・ t・-se mantido mais ou menos est・eis. Mas como as emissoras de r・io est・ se tornando cada vez mais valiosas, sob o ponto de vista comercial, nenhuma emissora pode apresentar tipos alternativos de m・ica, como m・ica cl・sica ou jazz. Entretanto, o n・ero de emissoras de m・ica cl・sica tamb・ ?pequeno.
Infelizmente as esta苺es de r・io est・ ficando todas iguais - - com v・ios tipos de rock e m・ica popular que n・ oferecem a amplitude ou a variedade que havia antigamente no r・io. Mas voc?ainda encontra discos de jazz, e as vendas t・-se mantido est・eis. E parece que novos artistas est・ sendo descobertos o tempo todo. Na verdade, a reclama艫o no campo do jazz ?que, freq・ntemente, os novos artistas atraem mais aten艫o do que os artistas mais estabelecidos, que podem n・ estar recebendo tanta aten艫o ou podem n・ estar sendo t・ expostos ao p・lico quanto talvez mere・m. Todas as gravadoras est・ esperando encontrar o pr・imo grande ・olo, o pr・imo Miles Davis, o pr・imo artista do jazz que proporcione mais do que apenas uma modesta venda de discos. Certamente existe um grande p・lico-alvo para o jazz. Ironicamente, a porcentagem de todo o neg・io de discos de jazz e m・ica cl・sica ?mais ou menos a mesma - - quatro por cento cada. Mas a distribui艫o, no campo do jazz, ?mais uniforme por um n・ero maior de artistas.
P: O que voc?tem a dizer sobre o blues - um tipo m・ico de m・ica?
R: O blues ?a raiz de muitos tipos de m・ica - - jazz, tipos diferentes de m・ica popular, certamente encontram suas influ・cia no blues mais tradicional, o mesmo blues ouvido por exemplo, por Bob Dylan ao crescer em Minneapolis [Minnesota]. Ele podia ouvir o blues em discos, e o g・ero influenciou a sua m・ica. Acho que os m・icos de rock da d・ada de sessenta - - menos Elvis Presley - - foram os primeiros a serem realmente influenciados pelo blues. A d・ada de sessenta foi, de uma certa forma, a primeira d・ada de ouro da aceita艫o do rock. O rock sempre tinha sido, basicamente, a m・ica dos adolescentes. Ele s?foi receber aten艫o dos adultos na d・ada de sessenta, e ent・, de repente, surgiram artistas como os Beatles e Bob Dylan e os Grateful Dead, que estavam redefinindo o p・lico-alvo do rock.
P: Se o rock da d・ada de cinq・nta era, em grande parte, preferido pelos adolescentes, o que voc?pode me dizer sobre os tipos de m・ica preferidos pelos adolescentes de hoje?
R: Tenho dois filhos adolescentes. Por curiosidade, observo o que eles ouvem. Devo admitir que n・ entendo. Talvez seja porque estou ficando velho. Acho que o tipo de rock vagamente conhecido como "alternativo" ?o maior fen・eno do momento. N・ sei exatamente qual ?a defini艫o disso. Meu filho mencionou "ska." Ele colocou um disco, para eu ouvir, de uma banda "ska". ?uma mistura interessante de rock com algumas influ・cias do jazz, entre todas as coisas.
P: E o grunge, o punk, etc.?
R: O punk j?existia at?mesmo na d・ada de setenta. Ele foi a primeira manifesta艫o do rock alternativo. Ele era mais rebelde. As letras eram mais nervosas. Ningu・ podia imaginar que as letras do rap chegariam a outro n・el. O grunge vem de Seattle. Os m・icos de l?precisavam de um nome para o grupo emergente de m・icos da cidade. De alguma forma, o grunge passou a ser esse nome.
P: Austin [Texas] tem tido um papel significativo na m・ica atual.
R: ?verdade - - um pouco de rock, um pouco de jazz, mas principalmente blues. Isso foi, em grande parte, o resultado dos festivais de m・ica organizados pelas emissoras p・licas de r・io e televis・ da cidade, e que transmitem de l?
P: Fale um pouco sobre o desenvolvimento do som urbano - - que pode incluir o rap e o hip-hop e Motown, mas tamb・ Austin e Seattle.
R: Acho que voc?citou os estilos que eu identificaria como urbanos. Certamente Motown foi a primeira m・ica urbana. O blues veio antes, mas n・ era considerado m・ica urbana. Era country. Motown tinha aquela sofistica艫o da cidade, aquele estilo, que, dentro da classifica艫o gen・ica de R&B [rhythm and blues], veio a se transformar no que hoje ?o hip-hop e rap. Acho que a maior parte do que se conhece como m・ica urbana se identifica com a influ・cia e o estilo negros.
P: J?que estamos falando sobre m・ica urbana, as letras sempre tiveram o significado, e o car・er controvertido que t・ hoje na m・ica pop?
R: N・. Sempre houve algu・ rotulado como o "bad boy" do mundo do rock - - Elvis, no seu tempo, agitando os quadris e usando letras sugestivas, ao contr・io da m・ica para os mascadores de chicletes, que falava, em suas letras, sobre hist・ias t・icas de amor. Isso persistiu at?a d・ada de sessenta. Na d・ada de setenta, sempre havia alguns artistas que cantavam m・icas muito agrad・eis, muito bonitas, e sempre havia alguns outros que tinham uma caracter・tica mais contundente, com uma refer・cia mais ou menos clara ?viol・cia e ?sexualidade. A quest・ sempre foi: at?que ponto voc?quer que a refer・cia seja ・via? Toda a ess・cia do rock 'n' roll, naturalmente, e que ele sempre teve, ?que ele tem uma forte caracter・tica sexual - e ?claro que o jazz tamb・ tem. Havia o equivalente nas gera苺es anteriores. A can艫o de Cole Porter, Love For Sale, ficou proibida por muitos anos. Havia Josephine Baker, na d・ada de vinte, que era considerada chocante demais (sob o ponto de vista sexual) para as plat・as da sua ・oca; ela teve que se mudar para Paris para poder dar prosseguimento ?sua carreira. Hoje, no entanto, como ocorre com todas as coisas, sempre parece que a coisa est?sendo levada a um outro n・el. De certa forma, cada gera艫o precisa aumentar o grau do choque para poder se expressar e para sair da vala comum. Portanto, vemos o que se passa atualmente, e ficamos chocados com a linguagem, mas na verdade trata-se de uma tend・cia que tem-se manifestado no decorrer de todo o s・ulo. Trata-se de um fen・eno evolucion・io.
P: O rap, da maneira que voc?o ouve pela janela aberta de um carro ou saindo com um estrondo de um r・io port・il, parece ter valor n・ por qualquer m・ica, e sim pela letra e pelo fundo de percuss・.
R: Voc?tem que partir da premissa de que essas pessoas no carro ao lado do seu ou na rua n・ est・ fazendo isso para seu pr・rio prazer. Elas est・ fazendo uma apresenta艫o. Elas est・ dando um recado, mostrando uma imagem. Elas querem ser percebidas. ?mais importante que n・ ou・mos o que eles est・ escutando. Acho que um dos motivos pelos quais h?t・ pouca m・ica no rap ?que a m・ica n・ ?importante. ?quase como se eles quisessem dizeR: quanto mais isso incomodar, quanto mais aten艫o chamar, melhor. Mas o fen・eno como um todo, eu imagino, ser?analisado e ser?assunto de textos, sob o ponto de vista sociol・ico, por muito tempo ainda. Uma das verdadeiras ironias ?que o principal p・lico-alvo do rap consiste de adolescentes brancos, suburbanos, do sexo masculino.
P: Duas componentes da m・ica pop que, at?onde eu saiba, virtualmente n・ existiam uma d・ada ou duas atr・ s・ a M・ica da Nova era e a M・ica Crist?Contempor・ea - - que ?uma m・ica popular bem trabalhada com temas n・-seculares. H?discos que se tornaram sucessos nas paradas crist・, country e pop. 44 milh・s de discos de m・ica crist・ foram vendidos em 1997 contra 33 milh・s no ano anterior. O que deu origem a esse crescimento?
R: Em ambos os casos a resposta tem alguma coisa a ver com estilo, psicologia, e espiritualidade. No caso da M・ica Crist?Contempor・ea, ela surgiu porque a religi・ crist?estabeleceu uma liga艫o com os meios de comunica艫o nesses ・timos dez ou vinte anos. A religi・ deixou de ser uma coisa que acontecia na igreja aos domingos e passou a ser uma coisa que acontece na televis・ sete dias por semana. Algumas das figuras religiosas mais poderosas que surgiram s・, cada vez mais, celebridades da televis・. Gradualmente, mais int・pretes s・ acrescentados ao "mix" para as plat・as que estavam mais acostumadas o ouvir rock e m・ica pop do que m・ica europ・a para corais. Isso abriu a porta para muitos artistas que resolveram que ali estava a f・mula certa para eles, tanto sob o ponto de vista musical quanto da mensagem que eles queriam transmitir.
P: E a M・ica da Nova Era?
R: Em ・ocas passadas, isso se chamaria m・ica para determinados estados de esp・ito. A maioria dos m・icos a despreza, porque h?muito poucas "coisas" nela. N・ ?a mesma coisa que o minimalismo, como Steve Reich ou John Adams. A M・ica da Nova Era tende a ter muito menos em termos de conte・o inteligente. Ela serve para relaxar sem necessariamente pensar, alguma coisa bem in・ua. Os m・icos ficam ofendidos com isso por que achamos que a m・ica deve despertar alguma coisa em voc? H?muitas coisas no terreno lim・rofe entre a world music e a M・ica da Nova Era [New Age Music], dependendo de qu・ r・mica ou complexa a m・ica seja. Se ?simples, ela tende a ser considerada M・ica da Nova Era. Se ela apresenta um pouco mais de atividade e se for mais estridente e mais ・nica, nesse caso ?considerada world music. Mas a linha divis・ia entre uma coisa e outra ?muito obscura.
P: Essas categorias atingem o p・lico-alvo do exterior?
R: Duvido. A M・ica da Nova Era talvez atinja, um pouco. N・ se esque・ de que muitos pa・es t・ suas pr・rias vers・s de m・ica pop local que podem estar sendo executadas nas emissoras de r・io locais, e os ouvintes mais s・ios estar・ ouvindo m・ica cl・sica ou jazz ou algum dos principais artistas pop como Sting ou Paul Simon.
P: At?agora n・ falamos sobre artistas como esses.
R: ?engra・do. Pela primeira vez, existe uma categoria de rock "da terceira idade". Bruce Springsteen, Billy Joel, Paul Simon, James Taylor, Arlo Guthrie. Eles ainda s・ identificados como pessoas que fazem m・ica jovem. Aqueles que n・ consideramos ・ones est・ em atividade h?30 anos. Todos eles est・ altamente desenvolvidos no seu trabalho e na sua experi・cia, e t・ toda uma lista de lan・mentos de discos, que se estendem por uma vida inteira, e que definem a sua m・ica. Eles exercem uma poderosa influ・cia no exterior, na verdade, mais do que os artistas mais novos que somente gravaram um disco at?agora. Ainda que esse ・ico disco seja um grande sucesso, o astro mais estabelecido provavelmente exerce uma influ・cia mais abrangente.
P: Isso ?verdade aqui nos Estados Unidos tamb・ - - pessoas como George Strait e Reba McIntire.
R: ?verdade.
P: E, para fazer justi・, voc?poderia incluir Barbra Streisand no grupo. Ela se encontra em atividade h?35 anos, tem um p・lico vast・simo, e continua seguindo em frente.
R: ?verdade. E existe tamb・ essa coisa de se tornar um nome conhecido, uma marca registrada de um g・ero. No campo do jazz, voc?pergunta a algu・ que n・ seja apreciador de jazz se ele sabe alguma coisa sobre jazz, e ele provavelmente mencionar?Louis Armstrong e Duke Ellington. O nome na m・ica country com o qual a maioria das pessoas provavelmente se identificaria ?Hank Williams, e ele faleceu h?anos. Mas ele comp・ muitas m・icas que continuam conhecidas.
P: Qual ?o papel que a nova tecnologia tem na m・ica pop?
R: Em alguns tipos de m・ica, um papel importante; por exemplo, o som que sai de um carro ao lado do seu. Pessoas que nem ao menos s・ m・icos(as), que n・ t・ id・a de como a m・ica funciona e nem de como ela ? est・ fazendo a mesma coisa que voc?faz quando prepara uma refei艫o com comida congelada, colocando-a no forno de microondas. O resultado final n・ ?tanto como a m・ica ?feita, e sim o efeito que ela tem sobre o ouvinte. Se funciona, ?dif・il criticar a maneira pela qual a pessoa agiu, mesmo que n・ pare・ ser muito tradicional ou que n・ siga a abordagem que tendemos a ensinar aos nossos alunos de m・ica. Portanto, a tecnologia tem exercido uma grande influ・cia nesse aspecto. Ela tem tido uma influ・cia mais sutil e geral se considerarmos que atualmente ?mais f・il gravar do que era no passado. ?mais barato, mais eficaz e mais sofisticado.
P: O que voc?pode dizer sobre o fen・eno da passagem de um g・ero para outro, como existe em todo o espectro da m・ica contempor・ea?
R: Eu gostaria de ressaltar que as nossas influ・cias culturais est・ muito mais acess・eis, e estamos "trombando" um com o outro com freq��ncia. N・ n・ estamos avan・ndo rumo a um grande estilo homog・eo. O que estamos vendo ?uma s・ie de encontros interessantes de influ・cias diferentes em projetos aqui e ali. As motiva苺es s・ diferentes, dependendo do artista. Eu j?realizei muitos projetos que nada tinham a ver com jazz. Atualmente tenho um disco de tango no mercado. N・ ?porque eu achava que havia um grande mercado para o tango. A quest・ ?que eu gosto muito do g・ero. Portanto, as pessoas se envolvem com esses projetos por v・ios motivos - - pol・icos, comerciais, ou simplesmente art・ticos.
P: Fale sobre toda a obra que voc?desenvolveu com o vibrafone. Como voc?a selecionou? O que torna o seu som t・ interessante?
R: O vibrafone foi inventado em 1929, e eu comecei a toc?lo quando tinha seis anos de idade, em 1949. Eu n・ tinha nenhuma id・a da sua hist・ia e nem do que ele significava. Eu me envolvi com isso porque uma mulher que morava por perto tocava o instrumento e ensinava as pessoas a toc?lo. Minha irm?mais velha j?tocava piano, e portanto, quando meus pais resolveram que eu devia estudar m・ica, eles tiveram que encontrar outra coisa, e descobriram essa professora. Eu s?fui perceber que havia todo um novo mundo de m・ica naquilo quando eu j?era adolescente. Eu s?encontrei discos de vibrafone na adolesc・cia. Nessa ・oca, eu j?estava tocando o instrumento com relativa facilidade, e tinha passado tanto tempo com ele que o seu som e a maneira de toc?lo haviam se tornado uma esp・ie de segunda natureza para mim. Assim, naquela ・oca, embora eu experimentasse alguns outros instrumentos por alguns meses de cada vez, eu sempre voltava para o vibrafone. Era uma grande oportunidade por se tratar de um novo instrumento, e havia muitas t・nicas e utiliza苺es em potencial que ainda n・ haviam sido exploradas. Por ser o primeiro, eu consegui estabelecer a minha pr・ria identidade e colocar a minha pr・ria marca no instrumento. Foi uma dessas raras oportunidades que s?surgem uma vez na vida.
P: Como voc?definiria a t・nica que utilizou?
R: Eu tratei o instrumento como um teclado. Ele se parece com um piano. Mas at?aquele ponto, as pessoas o haviam tocado com dois martelos, e uma ・ica linha mel・ica, como um instrumento de sopro ou uma voz. Eu tocava sozinho, na minha pequena cidade em Indiana, e precisava de harmonia. O instrumento tinha um som vazio, ent・ eu continuei tocando com quatro martelos e acrescentando notas e completando o som com cordas e ouras coisas, e adquiri flu・cia tocando dessa forma. Penso como um pianista e toco como um tecladista. Essa t・nica permite que o instrumento fa・ uma variedade maior de coisas. Ele pode ser tocado sem acompanhamento, e ainda assim parecer completo. H?um n・ero muito maior de oportunidades de textura e cor por causa dessa capacidade.
P: Em termos dos elementos que marcam o som e as letras da m・ica pop - sociais, psicol・icos, emocionais, sensuais, intelectuais. Provavelmente se trata de todos eles.
R: Sim. A m・ica ?uma das mais b・icas experi・cias para os seres humanos. At?onde eu saiba, somos os ・icos animais que reagem ?m・ica do jeito que reagimos. Voc?pode colocar um disco para tocar, com um ritmo contagiante, e voc?est?sentado na sala de estar, e o seu corpo come・ a se mover com a m・ica. Voc?olha para o cachorro da fam・ia que est?deitado no sof? ao seu lado, e ele est?totalmente alheio ao ritmo. Ele n・ sente o ritmo. Ele n・ quer se mover com o ritmo. Trata-se de uma coisa exclusivamente humana, uma linguagem fant・tica, intuitiva. Para mim n・ importa que seja m・ica cl・sica, ou pop, ou japonesa. A m・ica tem essa capacidade, e ela nos atinge n・ somente no n・el subliminar, mas tamb・ se comunica culturalmente.
P: Existe um som americano na m・ica?
R: Sim. N・ ?uma coisa s? da mesma forma que n・ existe um som europeu - existe m・ica cl・sica francesa, alem? e italiana, ・era, quarteto de cordas. Mas mesmo assim h?certos elementos que freq・ntemente s・ encontrados, e um certo tipo de sensibilidade que voc?de uma certa forma identifica como "pop" americano - um estilo que existe, embora seja muito dif・il descrev?lo com palavras. Existe diversidade, um sabor de novidade, e aquela influ・cia exclusiva que sempre esteve na ・ea do pop e do jazz americanos - que ?o blues. Embora hoje ele tenha se incorporado a outras vertentes, essa presen・ ainda destaca o pop americano da m・ica dos outros pa・es.
P: Voc?v?alguma tend・cia no horizonte, na m・ica pop?
R: N・, n・ vejo. As pessoas me perguntam sobre o jazz o tempo inteiro - para onde ele est?indo. Agora que o jazz e a m・ica pop se tornaram t・ diversificados, n・ d?para responder. Antigamente s?havia uma "parada de sucesso", s?havia um grupo de "os dez maiores sucessos" ou "as dez mais". Agora existem tantas categorias e subcategorias diferentes, que a palavra-chave ?diversidade. Existe uma quantidade enorme de op苺es, alguma coisa que combine com o seu estado de esp・ito em todas as ocasi・s, e qualquer tipo de influ・cia que voc?quiser que seja inclu・a. Isso ?・imo para a m・ica, e ?・imo para o ouvinte.