A m¡¦ica popular nos Estados Unidos, atualmente, ?um mosaico de dif¡¦il descrição. Na entrevista que se segue, concedida a Michael J. Bandler, o m¡¦ico e compositor de jazz, e educador Gary Burton, o maior vibrafonista do mundo, analisa o atual ambiente e as for¡¦s que nele atuam. Burton, que j?se apresentou no mundo inteiro e j?gravou muitos trabalhos, ?vice-presidente executivo do Berklee College of Music [Faculdade de M¡¦ica de Berklee] , em Boston, uma instituição cujo curr¡¦ulo ?dedicado a todas as formas de m¡¦ica contempor¡¦ea.
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P: Voc?iniciou a sua carreira uma geração atr¡¦. Como voc?compararia os jovens m¡¦icos daquela ¡¦oca com os talentos que v?atualmente em Berklee e em outros lugares?
R: A principal diferen¡¦ ?a educação; os m¡¦icos de jazz e pop da d¡¦ada de sessenta, quando eu estava iniciando a minha carreira, eram os primeiros a ter a chance de freq¡¦ntar um curso superior de m¡¦ica e aprender mais sobre m¡¦ica. Os m¡¦icos ainda eram, na sua maioria, autodidatas, ou intuitivos, e aprendiam a partir das suas experi¡¦cias no trabalho, mais do que em um contexto acad¡¦ico organizado. Isso come¡¦u a mudar na d¡¦ada de setenta, e a mudan¡¦ continuou at?a d¡¦ada de oitenta. Agora ?muito mais comum encontrarmos jovens m¡¦icos promissores que freq¡¦ntam uma escola em algum lugar e que aprendem muito mais a respeito de m¡¦ica de tipos diferentes, da hist¡¦ia da m¡¦ica, e dos detalhes da m¡¦ica; isso os torna capazes de apresentar maior versatilidade e mais sofisticação no seu trabalho.
P: Paula Cole [uma das principais artistas pop dos Estados Unidos] ?um exemplo.
R: Na verdade, ela foi nossa aluna de produção e engenharia da m¡¦ica. Portanto, ela fica muito ?vontade no est¡¦io, sob o ponto de vista t¡¦nico, produzindo os seus pr¡¦rios discos.
P: De que forma Berklee reagiu ?evolução, ou ?revolução, do pop?
R: O conceito original da escola, quando ela foi fundada no final da d¡¦ada de quarenta, era proporcionar experi¡¦cia e treinamento pr¡¦ico para m¡¦icos que provavelmente iriam trabalhar na ind¡¦tria de m¡¦ica comercial que, naquela ¡¦oca, significava principalmente, m¡¦ica baseada em jazz, que era usada na televis¡¦ e em jingles [para propaganda] assim como em concertos. Com o tempo esse leque se ampliou, ?medida que outros tipos de m¡¦ica popular foram se firmando. A partir dos ¡¦timos anos da d¡¦ada de sessenta e continuando at?a d¡¦ada de setenta, come¡¦mos a acrescentar cursos com estilos de m¡¦ica baseados no rock, continuamos a oferecer mais variedades com o passar do tempo, e acrescentamos um grande programa para gravação e sintetizadores, porque isso tamb¡¦ estava ficando mais popular. Presenciamos um grande aumento nas matr¡¦ulas de vocalistas porque havia uma ¡¦fase maior em cantores. Portanto, basicamente, acompanhamos, e tentamos oferecer o melhor poss¡¦el em cada uma dessas ¡¦eas que tiveram maior destaque com a evolução do neg¡¦io da m¡¦ica.
P: No passado, o jazz, o blues e a m¡¦ica country tiveram suas origens nas ra¡¦es da sociedade negra na Apal¡¦hia.
R: Mas al¡¦ disso, h?influ¡¦cias que v¡¦ de mais longe. N¡¦ adquirimos uma consci¡¦cia muito mais global de outros tipos de m¡¦ica. Temos at?todo um g¡¦ero chamado "world music", que ?uma esp¡¦ie de mistura de m¡¦ica ¡¦nica adaptada aos nossos estilos ocidentais modernos.
P: A world music abrange muita coisa. Acho que ela n¡¦ chega a incluir o som latino.
R: N¡¦ - o som latino ?uma categoria ?parte. Mas a world music inclui m¡¦ica africana, indiana, asi¡¦ica, grega - qualquer m¡¦ica ¡¦nica que n¡¦ seja suficientemente grande para ter a sua pr¡¦ria categoria. O Klezmer est?prestes a constituir a sua pr¡¦ria categoria. A m¡¦ica latina come¡¦u a se infiltrar no jazz nas d¡¦adas de quarenta e cinq¡¦nta. Tito Puente e Dizzy Gillespie e George Shearing come¡¦ram a acrescentar m¡¦icos latinos, e da?em diante havia cada vez mais m¡¦ica latina dispon¡¦el. Al¡¦ disso, a população latina nos Estados Unidos cresceu, e isso deu ainda mais apoio ao g¡¦ero. Havia um p¡¦lico-alvo para esse tipo de m¡¦ica. Portanto, agora, como h?mais comunicação entre as culturas, e como h?um n¡¦ero maior de cidad¡¦s de origem latina no pa¡¦, h?uma base maior de apoio popular para v¡¦ios tipos de m¡¦ica latina. Ela tem at?os seus pr¡¦rios g¡¦eros, dentro da categoria.
P: Certamente o jazz tem sido a forma de m¡¦ica americana mais popular no exterior.
R: ?verdade.
P: O jazz enfrenta alguma concorr¡¦cia em se tratando desse p¡¦lico, atualmente?
R: A m¡¦ica pop americana est?adquirindo cada vez mais admiradores no exterior.
P: Como voc?definiria "m¡¦ica pop"?
R: M¡¦ica feita por americanos no campo popular. N¡¦ importa se ?hip-hop ou rap ou qualquer outra coisa - o rap em menor grau porque conta muito com as palavras. A m¡¦ica pop tem uma relação muito forte com a fama - o adolescente de algum outro pa¡¦ ouve as not¡¦ias, e l?a respeito de Michael Jackson ou Madonna e outros que est¡¦ na MTV [um canal de televis¡¦ por cabo dedicado ?m¡¦ica popular] regularmente e que t¡¦ um grupo de admiradores bastante numeroso no mundo inteiro. Trata-se tanto de um interesse cultural americano quanto de um estilo espec¡¦ico de m¡¦ica. Acho que, em parte, ?por isso que o jazz se tornou interessante no mundo inteiro. Ele ?percebido como uma coisa muito americana. As pessoas que t¡¦ curiosidade sobre os Estados Unidos sentem que o jazz, de certa forma, lhes conta alguma coisa a respeito de n¡¦.
P: O jazz est?em decad¡¦cia?
R: N¡¦.
P: E as emissoras de r¡¦io que tocam jazz?
R: Estas sim, est¡¦ em decad¡¦cia. Os clubes de jazz passaram pelo seu per¡¦do de decl¡¦io aproximadamente uma d¡¦ada atr¡¦ e desde ent¡¦ t¡¦-se mantido mais ou menos est¡¦eis. Mas como as emissoras de r¡¦io est¡¦ se tornando cada vez mais valiosas, sob o ponto de vista comercial, nenhuma emissora pode apresentar tipos alternativos de m¡¦ica, como m¡¦ica cl¡¦sica ou jazz. Entretanto, o n¡¦ero de emissoras de m¡¦ica cl¡¦sica tamb¡¦ ?pequeno.
Infelizmente as estações de r¡¦io est¡¦ ficando todas iguais - - com v¡¦ios tipos de rock e m¡¦ica popular que n¡¦ oferecem a amplitude ou a variedade que havia antigamente no r¡¦io. Mas voc?ainda encontra discos de jazz, e as vendas t¡¦-se mantido est¡¦eis. E parece que novos artistas est¡¦ sendo descobertos o tempo todo. Na verdade, a reclamação no campo do jazz ?que, freq¡¦ntemente, os novos artistas atraem mais atenção do que os artistas mais estabelecidos, que podem n¡¦ estar recebendo tanta atenção ou podem n¡¦ estar sendo t¡¦ expostos ao p¡¦lico quanto talvez mere¡¦m. Todas as gravadoras est¡¦ esperando encontrar o pr¡¦imo grande ¡¦olo, o pr¡¦imo Miles Davis, o pr¡¦imo artista do jazz que proporcione mais do que apenas uma modesta venda de discos. Certamente existe um grande p¡¦lico-alvo para o jazz. Ironicamente, a porcentagem de todo o neg¡¦io de discos de jazz e m¡¦ica cl¡¦sica ?mais ou menos a mesma - - quatro por cento cada. Mas a distribuição, no campo do jazz, ?mais uniforme por um n¡¦ero maior de artistas.
P: O que voc?tem a dizer sobre o blues - um tipo m¡¦ico de m¡¦ica?
R: O blues ?a raiz de muitos tipos de m¡¦ica - - jazz, tipos diferentes de m¡¦ica popular, certamente encontram suas influ¡¦cia no blues mais tradicional, o mesmo blues ouvido por exemplo, por Bob Dylan ao crescer em Minneapolis [Minnesota]. Ele podia ouvir o blues em discos, e o g¡¦ero influenciou a sua m¡¦ica. Acho que os m¡¦icos de rock da d¡¦ada de sessenta - - menos Elvis Presley - - foram os primeiros a serem realmente influenciados pelo blues. A d¡¦ada de sessenta foi, de uma certa forma, a primeira d¡¦ada de ouro da aceitação do rock. O rock sempre tinha sido, basicamente, a m¡¦ica dos adolescentes. Ele s?foi receber atenção dos adultos na d¡¦ada de sessenta, e ent¡¦, de repente, surgiram artistas como os Beatles e Bob Dylan e os Grateful Dead, que estavam redefinindo o p¡¦lico-alvo do rock.
P: Se o rock da d¡¦ada de cinq¡¦nta era, em grande parte, preferido pelos adolescentes, o que voc?pode me dizer sobre os tipos de m¡¦ica preferidos pelos adolescentes de hoje?
R: Tenho dois filhos adolescentes. Por curiosidade, observo o que eles ouvem. Devo admitir que n¡¦ entendo. Talvez seja porque estou ficando velho. Acho que o tipo de rock vagamente conhecido como "alternativo" ?o maior fen¡¦eno do momento. N¡¦ sei exatamente qual ?a definição disso. Meu filho mencionou "ska." Ele colocou um disco, para eu ouvir, de uma banda "ska". ?uma mistura interessante de rock com algumas influ¡¦cias do jazz, entre todas as coisas.
P: E o grunge, o punk, etc.?
R: O punk j?existia at?mesmo na d¡¦ada de setenta. Ele foi a primeira manifestação do rock alternativo. Ele era mais rebelde. As letras eram mais nervosas. Ningu¡¦ podia imaginar que as letras do rap chegariam a outro n¡¦el. O grunge vem de Seattle. Os m¡¦icos de l?precisavam de um nome para o grupo emergente de m¡¦icos da cidade. De alguma forma, o grunge passou a ser esse nome.
P: Austin [Texas] tem tido um papel significativo na m¡¦ica atual.
R: ?verdade - - um pouco de rock, um pouco de jazz, mas principalmente blues. Isso foi, em grande parte, o resultado dos festivais de m¡¦ica organizados pelas emissoras p¡¦licas de r¡¦io e televis¡¦ da cidade, e que transmitem de l?
P: Fale um pouco sobre o desenvolvimento do som urbano - - que pode incluir o rap e o hip-hop e Motown, mas tamb¡¦ Austin e Seattle.
R: Acho que voc?citou os estilos que eu identificaria como urbanos. Certamente Motown foi a primeira m¡¦ica urbana. O blues veio antes, mas n¡¦ era considerado m¡¦ica urbana. Era country. Motown tinha aquela sofisticação da cidade, aquele estilo, que, dentro da classificação gen¡¦ica de R&B [rhythm and blues], veio a se transformar no que hoje ?o hip-hop e rap. Acho que a maior parte do que se conhece como m¡¦ica urbana se identifica com a influ¡¦cia e o estilo negros.
P: J?que estamos falando sobre m¡¦ica urbana, as letras sempre tiveram o significado, e o car¡¦er controvertido que t¡¦ hoje na m¡¦ica pop?
R: N¡¦. Sempre houve algu¡¦ rotulado como o "bad boy" do mundo do rock - - Elvis, no seu tempo, agitando os quadris e usando letras sugestivas, ao contr¡¦io da m¡¦ica para os mascadores de chicletes, que falava, em suas letras, sobre hist¡¦ias t¡¦icas de amor. Isso persistiu at?a d¡¦ada de sessenta. Na d¡¦ada de setenta, sempre havia alguns artistas que cantavam m¡¦icas muito agrad¡¦eis, muito bonitas, e sempre havia alguns outros que tinham uma caracter¡¦tica mais contundente, com uma refer¡¦cia mais ou menos clara ?viol¡¦cia e ?sexualidade. A quest¡¦ sempre foi: at?que ponto voc?quer que a refer¡¦cia seja ¡¦via? Toda a ess¡¦cia do rock 'n' roll, naturalmente, e que ele sempre teve, ?que ele tem uma forte caracter¡¦tica sexual - e ?claro que o jazz tamb¡¦ tem. Havia o equivalente nas gerações anteriores. A canção de Cole Porter, Love For Sale, ficou proibida por muitos anos. Havia Josephine Baker, na d¡¦ada de vinte, que era considerada chocante demais (sob o ponto de vista sexual) para as plat¡¦as da sua ¡¦oca; ela teve que se mudar para Paris para poder dar prosseguimento ?sua carreira. Hoje, no entanto, como ocorre com todas as coisas, sempre parece que a coisa est?sendo levada a um outro n¡¦el. De certa forma, cada geração precisa aumentar o grau do choque para poder se expressar e para sair da vala comum. Portanto, vemos o que se passa atualmente, e ficamos chocados com a linguagem, mas na verdade trata-se de uma tend¡¦cia que tem-se manifestado no decorrer de todo o s¡¦ulo. Trata-se de um fen¡¦eno evolucion¡¦io.
P: O rap, da maneira que voc?o ouve pela janela aberta de um carro ou saindo com um estrondo de um r¡¦io port¡¦il, parece ter valor n¡¦ por qualquer m¡¦ica, e sim pela letra e pelo fundo de percuss¡¦.
R: Voc?tem que partir da premissa de que essas pessoas no carro ao lado do seu ou na rua n¡¦ est¡¦ fazendo isso para seu pr¡¦rio prazer. Elas est¡¦ fazendo uma apresentação. Elas est¡¦ dando um recado, mostrando uma imagem. Elas querem ser percebidas. ?mais importante que n¡¦ ou¡¦mos o que eles est¡¦ escutando. Acho que um dos motivos pelos quais h?t¡¦ pouca m¡¦ica no rap ?que a m¡¦ica n¡¦ ?importante. ?quase como se eles quisessem dizeR: quanto mais isso incomodar, quanto mais atenção chamar, melhor. Mas o fen¡¦eno como um todo, eu imagino, ser?analisado e ser?assunto de textos, sob o ponto de vista sociol¡¦ico, por muito tempo ainda. Uma das verdadeiras ironias ?que o principal p¡¦lico-alvo do rap consiste de adolescentes brancos, suburbanos, do sexo masculino.
P: Duas componentes da m¡¦ica pop que, at?onde eu saiba, virtualmente n¡¦ existiam uma d¡¦ada ou duas atr¡¦ s¡¦ a M¡¦ica da Nova era e a M¡¦ica Crist?Contempor¡¦ea - - que ?uma m¡¦ica popular bem trabalhada com temas n¡¦-seculares. H?discos que se tornaram sucessos nas paradas crist¡¦, country e pop. 44 milh¡¦s de discos de m¡¦ica crist¡¦ foram vendidos em 1997 contra 33 milh¡¦s no ano anterior. O que deu origem a esse crescimento?
R: Em ambos os casos a resposta tem alguma coisa a ver com estilo, psicologia, e espiritualidade. No caso da M¡¦ica Crist?Contempor¡¦ea, ela surgiu porque a religi¡¦ crist?estabeleceu uma ligação com os meios de comunicação nesses ¡¦timos dez ou vinte anos. A religi¡¦ deixou de ser uma coisa que acontecia na igreja aos domingos e passou a ser uma coisa que acontece na televis¡¦ sete dias por semana. Algumas das figuras religiosas mais poderosas que surgiram s¡¦, cada vez mais, celebridades da televis¡¦. Gradualmente, mais int¡¦pretes s¡¦ acrescentados ao "mix" para as plat¡¦as que estavam mais acostumadas o ouvir rock e m¡¦ica pop do que m¡¦ica europ¡¦a para corais. Isso abriu a porta para muitos artistas que resolveram que ali estava a f¡¦mula certa para eles, tanto sob o ponto de vista musical quanto da mensagem que eles queriam transmitir.
P: E a M¡¦ica da Nova Era?
R: Em ¡¦ocas passadas, isso se chamaria m¡¦ica para determinados estados de esp¡¦ito. A maioria dos m¡¦icos a despreza, porque h?muito poucas "coisas" nela. N¡¦ ?a mesma coisa que o minimalismo, como Steve Reich ou John Adams. A M¡¦ica da Nova Era tende a ter muito menos em termos de conte¡¦o inteligente. Ela serve para relaxar sem necessariamente pensar, alguma coisa bem in¡¦ua. Os m¡¦icos ficam ofendidos com isso por que achamos que a m¡¦ica deve despertar alguma coisa em voc? H?muitas coisas no terreno lim¡¦rofe entre a world music e a M¡¦ica da Nova Era [New Age Music], dependendo de qu¡¦ r¡¦mica ou complexa a m¡¦ica seja. Se ?simples, ela tende a ser considerada M¡¦ica da Nova Era. Se ela apresenta um pouco mais de atividade e se for mais estridente e mais ¡¦nica, nesse caso ?considerada world music. Mas a linha divis¡¦ia entre uma coisa e outra ?muito obscura.
P: Essas categorias atingem o p¡¦lico-alvo do exterior?
R: Duvido. A M¡¦ica da Nova Era talvez atinja, um pouco. N¡¦ se esque¡¦ de que muitos pa¡¦es t¡¦ suas pr¡¦rias vers¡¦s de m¡¦ica pop local que podem estar sendo executadas nas emissoras de r¡¦io locais, e os ouvintes mais s¡¦ios estar¡¦ ouvindo m¡¦ica cl¡¦sica ou jazz ou algum dos principais artistas pop como Sting ou Paul Simon.
P: At?agora n¡¦ falamos sobre artistas como esses.
R: ?engra¡¦do. Pela primeira vez, existe uma categoria de rock "da terceira idade". Bruce Springsteen, Billy Joel, Paul Simon, James Taylor, Arlo Guthrie. Eles ainda s¡¦ identificados como pessoas que fazem m¡¦ica jovem. Aqueles que n¡¦ consideramos ¡¦ones est¡¦ em atividade h?30 anos. Todos eles est¡¦ altamente desenvolvidos no seu trabalho e na sua experi¡¦cia, e t¡¦ toda uma lista de lan¡¦mentos de discos, que se estendem por uma vida inteira, e que definem a sua m¡¦ica. Eles exercem uma poderosa influ¡¦cia no exterior, na verdade, mais do que os artistas mais novos que somente gravaram um disco at?agora. Ainda que esse ¡¦ico disco seja um grande sucesso, o astro mais estabelecido provavelmente exerce uma influ¡¦cia mais abrangente.
P: Isso ?verdade aqui nos Estados Unidos tamb¡¦ - - pessoas como George Strait e Reba McIntire.
R: ?verdade.
P: E, para fazer justi¡¦, voc?poderia incluir Barbra Streisand no grupo. Ela se encontra em atividade h?35 anos, tem um p¡¦lico vast¡¦simo, e continua seguindo em frente.
R: ?verdade. E existe tamb¡¦ essa coisa de se tornar um nome conhecido, uma marca registrada de um g¡¦ero. No campo do jazz, voc?pergunta a algu¡¦ que n¡¦ seja apreciador de jazz se ele sabe alguma coisa sobre jazz, e ele provavelmente mencionar?Louis Armstrong e Duke Ellington. O nome na m¡¦ica country com o qual a maioria das pessoas provavelmente se identificaria ?Hank Williams, e ele faleceu h?anos. Mas ele comp¡¦ muitas m¡¦icas que continuam conhecidas.
P: Qual ?o papel que a nova tecnologia tem na m¡¦ica pop?
R: Em alguns tipos de m¡¦ica, um papel importante; por exemplo, o som que sai de um carro ao lado do seu. Pessoas que nem ao menos s¡¦ m¡¦icos(as), que n¡¦ t¡¦ id¡¦a de como a m¡¦ica funciona e nem de como ela ? est¡¦ fazendo a mesma coisa que voc?faz quando prepara uma refeição com comida congelada, colocando-a no forno de microondas. O resultado final n¡¦ ?tanto como a m¡¦ica ?feita, e sim o efeito que ela tem sobre o ouvinte. Se funciona, ?dif¡¦il criticar a maneira pela qual a pessoa agiu, mesmo que n¡¦ pare¡¦ ser muito tradicional ou que n¡¦ siga a abordagem que tendemos a ensinar aos nossos alunos de m¡¦ica. Portanto, a tecnologia tem exercido uma grande influ¡¦cia nesse aspecto. Ela tem tido uma influ¡¦cia mais sutil e geral se considerarmos que atualmente ?mais f¡¦il gravar do que era no passado. ?mais barato, mais eficaz e mais sofisticado.
P: O que voc?pode dizer sobre o fen¡¦eno da passagem de um g¡¦ero para outro, como existe em todo o espectro da m¡¦ica contempor¡¦ea?
R: Eu gostaria de ressaltar que as nossas influ¡¦cias culturais est¡¦ muito mais acess¡¦eis, e estamos "trombando" um com o outro com freqüência. N¡¦ n¡¦ estamos avan¡¦ndo rumo a um grande estilo homog¡¦eo. O que estamos vendo ?uma s¡¦ie de encontros interessantes de influ¡¦cias diferentes em projetos aqui e ali. As motivações s¡¦ diferentes, dependendo do artista. Eu j?realizei muitos projetos que nada tinham a ver com jazz. Atualmente tenho um disco de tango no mercado. N¡¦ ?porque eu achava que havia um grande mercado para o tango. A quest¡¦ ?que eu gosto muito do g¡¦ero. Portanto, as pessoas se envolvem com esses projetos por v¡¦ios motivos - - pol¡¦icos, comerciais, ou simplesmente art¡¦ticos.
P: Fale sobre toda a obra que voc?desenvolveu com o vibrafone. Como voc?a selecionou? O que torna o seu som t¡¦ interessante?
R: O vibrafone foi inventado em 1929, e eu comecei a toc?lo quando tinha seis anos de idade, em 1949. Eu n¡¦ tinha nenhuma id¡¦a da sua hist¡¦ia e nem do que ele significava. Eu me envolvi com isso porque uma mulher que morava por perto tocava o instrumento e ensinava as pessoas a toc?lo. Minha irm?mais velha j?tocava piano, e portanto, quando meus pais resolveram que eu devia estudar m¡¦ica, eles tiveram que encontrar outra coisa, e descobriram essa professora. Eu s?fui perceber que havia todo um novo mundo de m¡¦ica naquilo quando eu j?era adolescente. Eu s?encontrei discos de vibrafone na adolesc¡¦cia. Nessa ¡¦oca, eu j?estava tocando o instrumento com relativa facilidade, e tinha passado tanto tempo com ele que o seu som e a maneira de toc?lo haviam se tornado uma esp¡¦ie de segunda natureza para mim. Assim, naquela ¡¦oca, embora eu experimentasse alguns outros instrumentos por alguns meses de cada vez, eu sempre voltava para o vibrafone. Era uma grande oportunidade por se tratar de um novo instrumento, e havia muitas t¡¦nicas e utilizações em potencial que ainda n¡¦ haviam sido exploradas. Por ser o primeiro, eu consegui estabelecer a minha pr¡¦ria identidade e colocar a minha pr¡¦ria marca no instrumento. Foi uma dessas raras oportunidades que s?surgem uma vez na vida.
P: Como voc?definiria a t¡¦nica que utilizou?
R: Eu tratei o instrumento como um teclado. Ele se parece com um piano. Mas at?aquele ponto, as pessoas o haviam tocado com dois martelos, e uma ¡¦ica linha mel¡¦ica, como um instrumento de sopro ou uma voz. Eu tocava sozinho, na minha pequena cidade em Indiana, e precisava de harmonia. O instrumento tinha um som vazio, ent¡¦ eu continuei tocando com quatro martelos e acrescentando notas e completando o som com cordas e ouras coisas, e adquiri flu¡¦cia tocando dessa forma. Penso como um pianista e toco como um tecladista. Essa t¡¦nica permite que o instrumento fa¡¦ uma variedade maior de coisas. Ele pode ser tocado sem acompanhamento, e ainda assim parecer completo. H?um n¡¦ero muito maior de oportunidades de textura e cor por causa dessa capacidade.
P: Em termos dos elementos que marcam o som e as letras da m¡¦ica pop - sociais, psicol¡¦icos, emocionais, sensuais, intelectuais. Provavelmente se trata de todos eles.
R: Sim. A m¡¦ica ?uma das mais b¡¦icas experi¡¦cias para os seres humanos. At?onde eu saiba, somos os ¡¦icos animais que reagem ?m¡¦ica do jeito que reagimos. Voc?pode colocar um disco para tocar, com um ritmo contagiante, e voc?est?sentado na sala de estar, e o seu corpo come¡¦ a se mover com a m¡¦ica. Voc?olha para o cachorro da fam¡¦ia que est?deitado no sof? ao seu lado, e ele est?totalmente alheio ao ritmo. Ele n¡¦ sente o ritmo. Ele n¡¦ quer se mover com o ritmo. Trata-se de uma coisa exclusivamente humana, uma linguagem fant¡¦tica, intuitiva. Para mim n¡¦ importa que seja m¡¦ica cl¡¦sica, ou pop, ou japonesa. A m¡¦ica tem essa capacidade, e ela nos atinge n¡¦ somente no n¡¦el subliminar, mas tamb¡¦ se comunica culturalmente.
P: Existe um som americano na m¡¦ica?
R: Sim. N¡¦ ?uma coisa s? da mesma forma que n¡¦ existe um som europeu - existe m¡¦ica cl¡¦sica francesa, alem? e italiana, ¡¦era, quarteto de cordas. Mas mesmo assim h?certos elementos que freq¡¦ntemente s¡¦ encontrados, e um certo tipo de sensibilidade que voc?de uma certa forma identifica como "pop" americano - um estilo que existe, embora seja muito dif¡¦il descrev?lo com palavras. Existe diversidade, um sabor de novidade, e aquela influ¡¦cia exclusiva que sempre esteve na ¡¦ea do pop e do jazz americanos - que ?o blues. Embora hoje ele tenha se incorporado a outras vertentes, essa presen¡¦ ainda destaca o pop americano da m¡¦ica dos outros pa¡¦es.
P: Voc?v?alguma tend¡¦cia no horizonte, na m¡¦ica pop?
R: N¡¦, n¡¦ vejo. As pessoas me perguntam sobre o jazz o tempo inteiro - para onde ele est?indo. Agora que o jazz e a m¡¦ica pop se tornaram t¡¦ diversificados, n¡¦ d?para responder. Antigamente s?havia uma "parada de sucesso", s?havia um grupo de "os dez maiores sucessos" ou "as dez mais". Agora existem tantas categorias e subcategorias diferentes, que a palavra-chave ?diversidade. Existe uma quantidade enorme de opções, alguma coisa que combine com o seu estado de esp¡¦ito em todas as ocasi¡¦s, e qualquer tipo de influ¡¦cia que voc?quiser que seja inclu¡¦a. Isso ?¡¦imo para a m¡¦ica, e ?¡¦imo para o ouvinte.