Em 1989, americanos e observadores do mundo inteiro assistiram admirados ?queda do muro de Berlim; assim como o muro, ca・ tamb・ por terra um enorme complexo de sistemas de cren・s calcificadas. Seja por causa do sincronismo ou simplesmente por causa da enganosa, por・ irresist・el tend・cia humana a estabelecer liga苺es entre as coisas, um observador do amplo espectro da m・ica cl・sica nos Estados Unidos poderia detectar a ocorr・cia de algo similar nesse meio tamb・. Na maneira pela qual os compositores trabalhavam nos tipos de institui苺es de apresenta艫o que traziam aquela m・ica e a m・ica do passado ao p・lico ouvinte, velhos modelos e maneiras de pensar que, decididamente, n・ davam certo, estavam sendo descartados.
Agora, quase uma d・ada depois, a m・ica cl・sica norte-americana est?no limiar de um enorme rejuvenescimento. O processo est?longe de estar completo - - na verdade, em algumas ・eas, ele est?apenas come・ndo - - mas as sementes que foram plantadas no decorrer dos ・timos anos est・, sem d・ida, come・ndo a dar frutos. A m・ica que est?sendo composta atualmente apresenta uma combina艫o de vitalidade e acessibilidade que durante muito tempo esteve ausente na m・ica americana. Um esp・ito similar, de aventura e inova艫o pode, cada vez mais, ser encontrado entre os int・pretes solo e as organiza苺es musicais do pa・.
Naturalmente, a liberta艫o art・tica ?um processo mais lento e mais difuso do que a liberta艫o pol・ica. Na aus・cia de uma ・ica figura, no estilo de Prometeu, do calibre de Beethoven ou Picasso, as velhas ortodoxias t・ mais probabilidade de serem erodidas do que de serem explodidas. Assim, uma boa parte da vida musical nos Estados Unidos ainda est?presa aos m・odos antigos. Alguns compositores proeminentes continuam a compor na linguagem densamente impenetr・el forjada durante o per・do modernista e ?qual se fixaram durante d・adas de hostilidade ou indiferen・ do p・lico-alvo. Algumas companhias de ・era e orquestras sinf・icas funcionam como se os Estados Unidos ainda fossem um posto avan・do da Europa, sem estarem convencidas do valor de qualquer coisa que n・ seja origin・ia do Velho Mundo.
Mas os sinais de mudan・ est・ presentes - - entre os compositores mais jovens que lutam para encontrar sua pr・ria voz, desafiando os velhos modelos, entre os int・pretes que est・ ansiosos para fazer com que essas vozes sejam ouvidas, e entre as organiza苺es suficientemente ousadas para dar ?vida musical da na艫o um perfil distintamente americano, finalmente.
Nada ?mais importante para este processo do que a produ艫o de nova m・ica, e ?nesse ponto que o panorama ?mais animador e mais variado. Do final da Segunda Guerra Mundial at?bem depois de 1970, a caracter・tica mais marcante na m・ica americana era o estilo ・ido, complexo, que havia se desenvolvido a partir da fase inicial do modernismo e continuado a florescer na arena sustentadora por・ isolada do meio acad・ico. Boa parte dessa m・ica era baseada no serialismo, o sistema derivado das obras de Schoenberg, Webern, e Berg nas quais as estruturas centralizadas nas chaves da m・ica tonal eram substitu・as por um tratamento sistematicamente equilibrado de todas as 12 notas da escala crom・ica. At?mesmo os compositores cujas obras n・ eram estritamente serialistas, como Elliott Carter e Roger Sessions, participavam da prefer・cia generalizada pelo rigor intelectual e pelas superf・ies densas, e de tra・s marcados. A perplexidade - no m・imo - dos ouvintes, com essa m・ica, era considerada meramente uma indica艫o de que os compositores estavam adiantados em rela艫o ?sua ・oca.
No entanto, nos ・timos 20 anos, duas circunst・cias importantes representaram, na pr・ica, um desafio ・uele estado de coisas. Uma delas ?o advento do minimalismo, um estilo de m・ica que, na sua forma pura, ?baseado em harmonias tonais simples, padr・s r・micos transparentes, e freq・nte repeti艫o. A outra ?um movimento que tem tentado dar continuidade ao desenvolvimento da m・ica tonal a partir do ponto ao qual foi levada por Mahler, Strauss e Sibelius; essa tend・cia ?conhecida como o "novo romantismo" (como a maior parte dos r・ulos, esse ?potencialmente enganoso e inevitavelmente ・il). Esses dois estilos, combinados - - um com a sua busca da beleza e da simplicidade, o outro com a sua ・fase na comunica艫o expressiva - - representaram uma potente censura ・ soberbas abstra苺es da alta escola modernista.
Embora as suas ra・es remontem a um passado mais distante, a primeira grande manifesta艫o do minimalismo surgiu em meados da d・ada de setenta, nas obras de dois importantes compositores, Steve Reich e Philip Glass. A m・ica que esses homens executavam com as suas pr・rias orquestras de c・ara - - pe・s longas, decididamente est・icas, cujas escalas repetidas, ritmos onomatopaicos e harmonias simples - - e que, num primeiro momento, parecia dif・il de ser levada a s・io - - acabou exercendo uma enorme influ・cia sobre uma gera艫o de compositores.
Um fato interessante, por・, ocorreu: o minimalismo acabou sendo mais um caminho do que uma etapa na hist・ia da m・ica. Reich e Glass, que agora est・ na faixa dos sessenta anos de idade, continuam a compor m・ica de grande inventividade e beleza - - Glass com mais freq��ncia, e Reich (na minha opini・) produzindo obras mais cativantes. Mais particularmente, Different Trains [Trens Diferentes], de Reich, uma medita艫o sobre o Holocausto, criada para vozes gravadas em fita e a superposi艫o de um quarteto de cordas, desponta como uma das grandes pe・s americanas da d・ada passada. Mas embora os padr・s r・micos que se entremeiam, e as harmonias tonais do minimalismo tenham se tornado lugares comuns, n・ existe uma segunda gera艫o de compositores minimalistas; os seguidores de Reich e Glass, em vez de se manterem fi・s ao idioma que eles criaram, conduziram esses recursos musicais para os seus pr・rios caminhos.
Por outro lado, o novo romantismo - - talvez pelo fato de refletir uma atitude em rela艫o ?hist・ia da m・ica, mais do que um conjunto concreto de gestos musicais - - provou ser um fen・eno mais abrangente. O pr・rio nome foi cunhado em conjunto com um festival de m・ica nova patrocinado, em 1983, pela Orquestra Filarm・ica de Nova York e tendo como curador o falecido compositor Jacob Druckman, que desejava demonstrar a presen・ e a viabilidade dessa vertente retrospectiva na m・ica contempor・ea.
Talvez o novo rom・tico de maior destaque (embora ultimamente sua m・ica esteja desaparecida) seja George Rochberg, que evoluiu de uma posi艫o de serialista ferrenho, passando a compor m・ica pontuada por cita苺es de Beethoven, Mahler e outros. Entre outros representantes deste estilo se encontram pe・s, cheias de cores vivas, de Druckman e Joseph Schwantner, as pe・s extravagantes, que remontam a Strauss, que David Del Tredici comp・, baseado nos livros da s・ie Alice de Lewis Carroll, ou as obras amadurecidas e sensuais de John Coringliano. Uma gera艫o mais jovem de novos rom・ticos inclui compositores importantes como Christopher Rouse, George Tsontakis e Richard Danielpour.
Embora essa m・ica seja composta com habilidade e paix・, existe alguma coisa na sua nostalgia deliberada que ?uma limita艫o inerente (afinal, por que reescrever Strauss, se o pr・rio Strauss fez isso t・ bem da primeira vez?). Por outro lado, algumas das mais interessantes obras de m・ica cl・sica que est・ sendo escritas atualmente nos Estados Unidos podem ser consideradas uma fus・ do minimalismo e do novo romantismo.
Provavelmente o compositor mais popular e respeitado que atualmente se encontra em atividade nos Estados Unidos seja John Adams, cuja m・ica combina, de maneira bel・sima, as duas abordagens. Adams, de 51 anos, talvez seja mais conhecido pelas duas ・eras que escreveu em conjunto com a libretista Alice Goodman e o diretor Peter Sellars: Nixon in China [Nixon na China], um relato engra・do e emocionante do encontro, em 1972, do falecido presidente com o dirigente chin・ Mao Tse Tung, e The Death of Klinghoffer [A Morte de Klinghoffer], sobre o seq・stro, em 1985, por palestinos, do navio de cruzeiro Achille Lauro. Adams iniciou sua carreira como um minimalista declarado, mas em breve se viu impossibilitado de romper inteiramente seus la・s com o passado. Come・ndo com a sua extraordin・ia pe・ para orquestra Harmonielehre, escrita para a Orquestra Sinf・ica de San Francisco, Adams tem conseguido incorporar os gestos superficiais do minimalismo a um impulso art・tico t・ abertamente expressivo quanto o de qualquer compositor do s・ulo XIX.
O mais importante compositor americano da gera艫o que se segue ?Aaron Jay Kernis, de 38 anos, que recentemente ganhou o Pr・io Nobel de M・ica de 1998, pelo sua obra String Quartet No. 2 [Quarteto de Cordas N.?2] . A linguagem musical de Kernis tem uma d・ida menos expl・ita com o minimalismo do que a de Adams, mas o impacto do minimalismo, assim como uma variedade de estilos musicais populares, pode ser ouvido na sua m・ica, lado a lado com os de Mahler, Strauss e Berg. Este compositor, incrivelmente talentoso e produtivo, ?capaz de se manifestar de maneira profundamente moral, como ?o caso na sua poderosa Symphony No. 2 [Sinfonia N.?2], e de apresentar divers・ pura, popular, como ocorre com os seus 100 Greatest Dance Hits [100 Maiores Sucessos Para Dan・] para viol・ e quarteto de cordas.
As combina苺es de influ・cias tamb・ d・ forma a algumas das outras tend・cias musicais importantes da atualidade. Para muitos compositores que agora est・ na faixa dos 30 e 40 anos, por exemplo, as impress・s do rock continuam sendo formativas, se manifestando no uso da guitarra (como ocorre na obra de Steve Mackey ou Nick Didkovsky) e em uma energia r・mica bruta que praticamente nunca foi ouvida antes na m・ica cl・sica.
Os melhores exemplos dessa caracter・tica s・ os compositores ligados ao "Bang on a Can," [literalmente, Batendo na Lata] um produtivo festival anual de m・ica nova fundado em Nova York em 1986. A obra dos tr・ diretores art・ticos do festival, os compositores Michael Gordon, Julia Wolfe e David Lang, ?visceralmente forte e ao mesmo tempo cuidadosamente trabalhada; Gordon, especialmente, envereda por complexidades r・micas que sempre permanecem no limiar da compreensibilidade.
Outra tend・cia recente e compensadora ?o surgimento de uma gera艫o de compositores imigrantes chineses que combinam a m・ica folcl・ica chinesa com a linguagem ocidental. Os destaques nesse grupo de compositores s・ Tan Dun (que foi escolhido para compor uma sinfonia para celebrar a volta de Hong Kong ao controle da China), Chen Yi e Bright Sheng.
Muitos desses compositores ainda contam com organiza苺es de apresenta艫o - principalmente as orquestras sinf・icas - - para transformar as notas impressas no papel em sons vivos. Durante a maior parte do s・ulo XX, a paisagem das orquestras americanas apresentou uma vista t・ imut・el quanto qualquer aspecto da vida cultural da na艫o. A hierarquia era clara. No topo estavam as chamadas Big Five ensembles [as Cinco Grandes orquestras] - - as orquestras sinf・icas de Boston, Nova York, Filad・fia, Cleveland e Chicago - - e todas as outras estavam abaixo delas. No decorrer do s・ulo, essas organiza苺es tinham, principalmente, o papel de importadoras de cultura musical do outro lado do Atl・tico. Com exce艫o da trepidante passagem de Leonard Bernstein pela Filarm・ica de Nova York na d・ada de sessenta, os diretores musicais, como a maior parte do repert・io, t・ sido europeus.
Tem havido surtos espor・icos de vigorosa inova艫o, como a paix・ demonstrada por Serge Koussevitzky na promo艫o da nova m・ica, durante o tempo em que esteve ?frente da Orquestra Sinf・ica de Boston, ou at?mesmo o incr・el programa no qual as pessoas compunham obras a pedido da Orquestra de Louisville durante a d・ada de 50; gra・s a esse programa, surgiram grandes obras da autoria de Aaron Copland, Elliott Carter, Virgil Thomson, Roy Harris e muitos outros. Mas de modo geral, as principais orquestras dos Estados Unidos t・ funcionado quase exclusivamente como guardi・ da tradi艫o europ・a.
Nos ・timos dez anos, aproximadamente, a paisagem mudou consideravelmente - de baixo para cima, por assim dizer. A situa艫o entre as Cinco Grandes n・ mudou muito. At?hoje, nenhuma delas possui um diretor musical nascido nos Estados Unidos (o diretor da orquestra de New York, Kurt Masur, o de Filad・fia, Wolfgang Sawallisch, e o de Cleveland, Christoph von Dohnanyi, s・ todos alem・s; o de Boston, Seiji Ozawa, ?japon・, e o de Chicago, Daniel Barenboim, ?israelense nascido na Argentina).
Mas essas orquestras j?n・ dominam o ambiente da m・ica como no passado. Qualquer lista das principais orquestras americanas da atualidade teria que incluir as de San Francisco, Los Angeles, Houston, St. Louis, Baltimore, Pittsburgh e Washington, D.C. Sob o ponto de vista t・nico, as melhores entre essas orquestras, atualmente, tocam suficientemente bem para desbancar a hierarquia da velha guarda; embora nenhuma delas, necessariamente, tenha for・ suficiente para entrar ?for・ no clube das cinco melhores, v・ias entre elas s・ suficientemente boas para fazer com que uma lista de cinco pare・ uma limita艫o arbitr・ia.
Outra atitude da mesma import・cia ?a mudan・ na maneira pela qual algumas dessas orquestras abordam a tarefa de trazer a m・ica para o p・lico. Sob a lideran・ de uma gera艫o de jovens e din・icos regentes, americanos na sua maioria, essas orquestras t・ conseguido incorporar um esp・ito de aventura e excita艫o ・ suas apresenta苺es, que ?muito diferente da no艫o muito difundida de que a cultura musical ?uma coisa "que n・ ?do seu n・el".
O exemplo que mais se destaca ?Michael Tilson Thomas, que em 1995 se tornou diretor musical da Orquestra Sinf・ica de San Francisco. O regente e pianista de 54 anos surgiu como protegido de Leonard Bernstein. Como um jovem regente na Orquestra Sinf・ica de Boston e depois como diretor musical da Orquestra Filarm・ica de Buffalo na d・ada de setenta, ele iniciou uma ofensiva explorat・ia da m・ica de compositores experimentalistas americanos como Charles Ives, Carl Ruggles, Henry Cowell e Edgard Varese. Em San Francisco, Tilson Thomas continuou a defender os interesses da m・ica americana (na sua primeira temporada, ele incluiu uma obra americana em cada grupo de concertos que ele regeu) assim como outras obras contempor・eas e menos conhecidas, e uma energia que estava fazendo muita falta no cen・io musical da cidade.
Na Orquestra Filarm・ica de Los Angeles, o jovem e ousado regente finland・ Esa-Pekka Salonen, segundo se informa, conseguiu realizar algo similar, embora o seu gosto em termos de m・ica nova tenda mais para as escolas europ・as. Leonard Slatkin, que recentemente assumiu o comando da Orquestra Sinf・ica Nacional, de Washington, D.C., tem sido um vigoroso defensor da m・ica contempor・ea americana, assim como David Zinman em Baltimore. Gerard Schwarz, nas suas grava苺es e apresenta苺es com a Orquestra Sinf・ica de Seattle, tem trabalhado para ressuscitar a m・ica de uma escola de membros do meio sinf・ico norte-americano de meados do s・ulo, que inclui Howard Hanson, Walter Piston, e David Diamond.
MAESTRO LEONARD SLATKIN
Reger n・ significa apenas brandir uma batuta ?frente de 100 m・icos e um ou outro solista ou coral.
O diretor musical de uma orquestra ?respons・el pela programa艫o - a decis・ sobre o que ser?executado e quando - - criando um "mix" harmonioso para a temporada de concertos. Se a orquestra sinf・ica, como organiza艫o, estiver estabelecida e dispuser de uma boa subven艫o, o regente tem autoridade para patrocinar novas obras para o repert・io da orquestra, e, na verdade, para a m・ica do s・ulo XX como um todo.
O que nos leva a falar de Leonard Slatkin, maestro da National Symphony Orchestra [Orquestra Sinf・ica Nacional] (NSO) em Washington, D.C. Sua filosofia ?muito simples: "Qualquer pessoa que dirige uma orquestra precisa ter um enfoque," ele explicou "Aparecer e reger j?n・ ?o suficiente."
Slatkin, que teve uma longa e bem sucedida passagem pelo p・io da Orquestra Sinf・ica de St. Louis -- firmando-a como uma j・a na coroa daquela cidade de Missouri - - ?uma raridade entre os regentes. Em uma ・oca na qual poucas orquestras norte-americanas t・ americanos no comando, ele est?levando a sua organiza艫o, na capital do pa・, a novos patamares na promo艫o da m・ica americana, em uma ocasi・ em que essa ・ea da m・ica mundial se encontra em ascens・. Nas suas pr・rias palavras, "ele tem um s・io compromisso com a m・ica deste pa・."
Com uma agenda cheia de atividades que incluem a reg・cia de outras orquestras de peso e companhias de ・era, Slatkin lida com suas paix・s com grande naturalidade. Seu pai foi mestre de concertos da orquestra de um grande est・io de Hollywood antes e durante a Segunda Guerra Mundial. Sua m・, uma famosa violoncelista, fundou, junto com o seu pai, o Quarteto de Cordas de Hollywood. Iniciou sua carreira como pianista, mas passou a maior parte do seu per・do de forma艫o como violista.
O per・do de mais de um quarto de s・ulo que ele passou em St. Louis se caracterizou pela sua dedica艫o a todo o espectro da m・ica americana, de Charles Ives a John Adams, e pelo seu empenho em promover a nova m・ica da autoria de pessoas como Joseph Schwantner, John Corigliano e William Bolcom, entre outros. Ele trouxe essa dedica艫o aos compositores americanos ?sua posi艫o em Washington - - e at?mesmo ?Europa, em uma recente turn?da National Symphony.
Todos os concertos regidos por Slatkin na programa艫o de 1998-99 da NSO incluem obras de compositores americanos - de Virgil Thomson e Samuel Barber a Ellen Zwilich e Elliott Carter. Em mar・ de 1999, a NSO - cuja grava艫o da First Simphony [Primeira Sinfonia] de Corigliano ganhou os principais pr・ios de discos nacionais de m・ica cl・sica - apresentar?a estr・a mundial da Second Symphony [Segunda Sinfonia] do mesmo compositor, uma obra para solistas e coro baseada em textos de Dylan Thomas.
O Kennedy Center Concert Hall - lar da NSO - passou recentemente por uma reconfigura艫o ac・tica. Com o som consideravelmente melhorado, e com Slatkin no comando, o ambiente da m・ica em Washington est?passando pela melhor fase de toda a sua hist・ia. Como o cr・ico Tim Page observou no jornal The Washington Post, esse regente e essa orquestra "podem se tornar o grupo que devemos observar - e acima de tudo, ouvir - ao nos prepararmos para o novo mil・io."
-- Michael J. Bandler
No que diz respeito ?・era, os sinais de progresso se manifestam mais lentamente mas s・ claramente percept・eis. Isso ?compreens・el. A ・era ? afinal, a ・ea mais tradicional da m・ica cl・sica. ?tamb・ a mais internacional; o mesmo grupo de cantores, regentes e diretores que se apresenta em Nova York em um dia, est?em Viena no dia seguinte e em Buenos Aires uma semana depois.
De qualquer forma, n・ h?d・ida de que a situa艫o da ・era nos Estados Unidos est?come・ndo a mudar. Entre outras coisas, trata-se de uma atividade que est?crescendo. O n・ero de companhias de ・era no pa・ continua a aumentar; muitas cidades que antigamente dependiam exclusivamente de apresenta苺es da ・era Metropolitana e outras grandes institui苺es de ・era agora possuem as suas pr・rias organiza苺es, ainda que o n・ero de espet・ulos seja pequeno e a qualidade n・ seja do mesmo n・el das institui苺es mais tradicionais. As plat・as, tamb・, est・ crescendo em um ritmo surpreendente - - e tamb・ est・ ficando mais jovens, de acordo com pesquisas feitas pelas companhias. Em 1996, quando a ・era de San Francisco apresentou uma produ艫o "no estilo da Broadway" de La Boheme de Puccini, com ingressos baratos e oito apresenta苺es por semana, feitas por quatro elencos que se revezavam, a companhia conseguiu estabelecer um recorde de pessoas que foram ?・era pela primeira vez. Companhias em outros lugares est・ vendo um surto parecido, de pessoas que nunca haviam assistido a uma ・era antes, nas suas plat・as.
Uma coisa igualmente encorajadora ?o aumento significativo no n・ero de novas ・eras que est・ sendo apresentadas a cada ano. ?verdade que muitas delas s・ de car・er decididamente tradicional, incluindo The Ghosts of Versailles [Os Fantasmas de Versalhes], de Corigliano, The Dangerous Liaisons [As Liga苺es Perigosas], de Conrad Susa, e Emmeline de Tobias Picker, para citar somente alguns espet・ulos recentes mais conhecidos. Alguns observadores tamb・ t・ criticado o que eles chamam de "・eras da CNN", cujos enredos s・ derivados de not・ias atuais ou recentes - obras como Harvey Milk, de Stewart Wallace e Michael Korie (sobre o pol・ico de San Francisco que foi assassinado), Marilyn, de Ezra Laderman (sobre Marilyn Monroe), ou Nixon in China [Nixon na China] de Adams. De qualquer maneira, t・ surgido not・eis obras recentes de figuras inovadoras como Glass, Bright Sheng, ou o brilhantemente exc・trico Meredith Monk, cuja obra Atlas, apresentada pela primeira vez na Grande ・era de Houston em 1991, continua sendo a mais maravilhosa e inquietante ・era da d・ada.
Seria errado pintar uma imagem excessivamente favor・el da m・ica cl・sica americana em uma conjuntura de nossa hist・ia que continua a ser incerta. Ainda h?perigos em demasia, ainda h?inc・nitas demais. A amea・ atual mais sombria ao futuro musical do pa・, certamente tem sido o quase desaparecimento da educa艫o musical dos conte・os program・icos das escolas prim・ias e secund・ias de alguns estados americanos, especialmente na d・ada de oitenta. A U.S. Music Educators National Conference [Confer・cia Nacional dos Educadores Musicais dos Estados Unidos] tem visto alguma melhoria nos ・timos anos, embora ainda demonstre preocupa艫o. Se o padr・ da ・tima d・ada n・ for revertido, pode ficar mais dif・il garantir que haja novas gera苺es de m・icos e amantes da m・ica. Da mesma forma, as dificuldades sociais e econ・icas das cidades norte-americanas t・ trazido conseq��ncias para as orquestras, casas de espet・ulos e ・eras, todas as quais dependem de centros culturais urbanos pr・peros. Outras formas e meios de entretenimento, da TV por cabo aos computadores dom・ticos, e at?qualquer novo dispositivo que esteja prestes a ser criado, tamb・ atraem o p・lico da m・ica cl・sica s・ia.
De qualquer forma, as perspectivas, pela primeira vez em uma d・ada ou duas, parecem excelentes. Deste ponto, parece que a Am・ica est?avan・ndo rumo a uma nova e vibrante cultura musical americana. Bem a tempo para o pr・imo s・ulo.
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Joshua Kosman ?o cr・ico de m・ica cl・sica do San Francisco Chronicle.
Sociedade e Valores dos
EUA
Revista Eletr・ica da USIA, Vol. 3, N?1,
Junho de 1998