Em 1989, americanos e observadores do mundo inteiro assistiram admirados ?queda do muro de Berlim; assim como o muro, ca¡¦ tamb¡¦ por terra um enorme complexo de sistemas de cren¡¦s calcificadas. Seja por causa do sincronismo ou simplesmente por causa da enganosa, por¡¦ irresist¡¦el tend¡¦cia humana a estabelecer ligações entre as coisas, um observador do amplo espectro da m¡¦ica cl¡¦sica nos Estados Unidos poderia detectar a ocorr¡¦cia de algo similar nesse meio tamb¡¦. Na maneira pela qual os compositores trabalhavam nos tipos de instituições de apresentação que traziam aquela m¡¦ica e a m¡¦ica do passado ao p¡¦lico ouvinte, velhos modelos e maneiras de pensar que, decididamente, n¡¦ davam certo, estavam sendo descartados.
Agora, quase uma d¡¦ada depois, a m¡¦ica cl¡¦sica norte-americana est?no limiar de um enorme rejuvenescimento. O processo est?longe de estar completo - - na verdade, em algumas ¡¦eas, ele est?apenas come¡¦ndo - - mas as sementes que foram plantadas no decorrer dos ¡¦timos anos est¡¦, sem d¡¦ida, come¡¦ndo a dar frutos. A m¡¦ica que est?sendo composta atualmente apresenta uma combinação de vitalidade e acessibilidade que durante muito tempo esteve ausente na m¡¦ica americana. Um esp¡¦ito similar, de aventura e inovação pode, cada vez mais, ser encontrado entre os int¡¦pretes solo e as organizações musicais do pa¡¦.
Naturalmente, a libertação art¡¦tica ?um processo mais lento e mais difuso do que a libertação pol¡¦ica. Na aus¡¦cia de uma ¡¦ica figura, no estilo de Prometeu, do calibre de Beethoven ou Picasso, as velhas ortodoxias t¡¦ mais probabilidade de serem erodidas do que de serem explodidas. Assim, uma boa parte da vida musical nos Estados Unidos ainda est?presa aos m¡¦odos antigos. Alguns compositores proeminentes continuam a compor na linguagem densamente impenetr¡¦el forjada durante o per¡¦do modernista e ?qual se fixaram durante d¡¦adas de hostilidade ou indiferen¡¦ do p¡¦lico-alvo. Algumas companhias de ¡¦era e orquestras sinf¡¦icas funcionam como se os Estados Unidos ainda fossem um posto avan¡¦do da Europa, sem estarem convencidas do valor de qualquer coisa que n¡¦ seja origin¡¦ia do Velho Mundo.
Mas os sinais de mudan¡¦ est¡¦ presentes - - entre os compositores mais jovens que lutam para encontrar sua pr¡¦ria voz, desafiando os velhos modelos, entre os int¡¦pretes que est¡¦ ansiosos para fazer com que essas vozes sejam ouvidas, e entre as organizações suficientemente ousadas para dar ?vida musical da nação um perfil distintamente americano, finalmente.
Nada ?mais importante para este processo do que a produção de nova m¡¦ica, e ?nesse ponto que o panorama ?mais animador e mais variado. Do final da Segunda Guerra Mundial at?bem depois de 1970, a caracter¡¦tica mais marcante na m¡¦ica americana era o estilo ¡¦ido, complexo, que havia se desenvolvido a partir da fase inicial do modernismo e continuado a florescer na arena sustentadora por¡¦ isolada do meio acad¡¦ico. Boa parte dessa m¡¦ica era baseada no serialismo, o sistema derivado das obras de Schoenberg, Webern, e Berg nas quais as estruturas centralizadas nas chaves da m¡¦ica tonal eram substitu¡¦as por um tratamento sistematicamente equilibrado de todas as 12 notas da escala crom¡¦ica. At?mesmo os compositores cujas obras n¡¦ eram estritamente serialistas, como Elliott Carter e Roger Sessions, participavam da prefer¡¦cia generalizada pelo rigor intelectual e pelas superf¡¦ies densas, e de tra¡¦s marcados. A perplexidade - no m¡¦imo - dos ouvintes, com essa m¡¦ica, era considerada meramente uma indicação de que os compositores estavam adiantados em relação ?sua ¡¦oca.
No entanto, nos ¡¦timos 20 anos, duas circunst¡¦cias importantes representaram, na pr¡¦ica, um desafio ¡¦uele estado de coisas. Uma delas ?o advento do minimalismo, um estilo de m¡¦ica que, na sua forma pura, ?baseado em harmonias tonais simples, padr¡¦s r¡¦micos transparentes, e freq¡¦nte repetição. A outra ?um movimento que tem tentado dar continuidade ao desenvolvimento da m¡¦ica tonal a partir do ponto ao qual foi levada por Mahler, Strauss e Sibelius; essa tend¡¦cia ?conhecida como o "novo romantismo" (como a maior parte dos r¡¦ulos, esse ?potencialmente enganoso e inevitavelmente ¡¦il). Esses dois estilos, combinados - - um com a sua busca da beleza e da simplicidade, o outro com a sua ¡¦fase na comunicação expressiva - - representaram uma potente censura ¡¦ soberbas abstrações da alta escola modernista.
Embora as suas ra¡¦es remontem a um passado mais distante, a primeira grande manifestação do minimalismo surgiu em meados da d¡¦ada de setenta, nas obras de dois importantes compositores, Steve Reich e Philip Glass. A m¡¦ica que esses homens executavam com as suas pr¡¦rias orquestras de c¡¦ara - - pe¡¦s longas, decididamente est¡¦icas, cujas escalas repetidas, ritmos onomatopaicos e harmonias simples - - e que, num primeiro momento, parecia dif¡¦il de ser levada a s¡¦io - - acabou exercendo uma enorme influ¡¦cia sobre uma geração de compositores.
Um fato interessante, por¡¦, ocorreu: o minimalismo acabou sendo mais um caminho do que uma etapa na hist¡¦ia da m¡¦ica. Reich e Glass, que agora est¡¦ na faixa dos sessenta anos de idade, continuam a compor m¡¦ica de grande inventividade e beleza - - Glass com mais freqüência, e Reich (na minha opini¡¦) produzindo obras mais cativantes. Mais particularmente, Different Trains [Trens Diferentes], de Reich, uma meditação sobre o Holocausto, criada para vozes gravadas em fita e a superposição de um quarteto de cordas, desponta como uma das grandes pe¡¦s americanas da d¡¦ada passada. Mas embora os padr¡¦s r¡¦micos que se entremeiam, e as harmonias tonais do minimalismo tenham se tornado lugares comuns, n¡¦ existe uma segunda geração de compositores minimalistas; os seguidores de Reich e Glass, em vez de se manterem fi¡¦s ao idioma que eles criaram, conduziram esses recursos musicais para os seus pr¡¦rios caminhos.
Por outro lado, o novo romantismo - - talvez pelo fato de refletir uma atitude em relação ?hist¡¦ia da m¡¦ica, mais do que um conjunto concreto de gestos musicais - - provou ser um fen¡¦eno mais abrangente. O pr¡¦rio nome foi cunhado em conjunto com um festival de m¡¦ica nova patrocinado, em 1983, pela Orquestra Filarm¡¦ica de Nova York e tendo como curador o falecido compositor Jacob Druckman, que desejava demonstrar a presen¡¦ e a viabilidade dessa vertente retrospectiva na m¡¦ica contempor¡¦ea.
Talvez o novo rom¡¦tico de maior destaque (embora ultimamente sua m¡¦ica esteja desaparecida) seja George Rochberg, que evoluiu de uma posição de serialista ferrenho, passando a compor m¡¦ica pontuada por citações de Beethoven, Mahler e outros. Entre outros representantes deste estilo se encontram pe¡¦s, cheias de cores vivas, de Druckman e Joseph Schwantner, as pe¡¦s extravagantes, que remontam a Strauss, que David Del Tredici comp¡¦, baseado nos livros da s¡¦ie Alice de Lewis Carroll, ou as obras amadurecidas e sensuais de John Coringliano. Uma geração mais jovem de novos rom¡¦ticos inclui compositores importantes como Christopher Rouse, George Tsontakis e Richard Danielpour.
Embora essa m¡¦ica seja composta com habilidade e paix¡¦, existe alguma coisa na sua nostalgia deliberada que ?uma limitação inerente (afinal, por que reescrever Strauss, se o pr¡¦rio Strauss fez isso t¡¦ bem da primeira vez?). Por outro lado, algumas das mais interessantes obras de m¡¦ica cl¡¦sica que est¡¦ sendo escritas atualmente nos Estados Unidos podem ser consideradas uma fus¡¦ do minimalismo e do novo romantismo.
Provavelmente o compositor mais popular e respeitado que atualmente se encontra em atividade nos Estados Unidos seja John Adams, cuja m¡¦ica combina, de maneira bel¡¦sima, as duas abordagens. Adams, de 51 anos, talvez seja mais conhecido pelas duas ¡¦eras que escreveu em conjunto com a libretista Alice Goodman e o diretor Peter Sellars: Nixon in China [Nixon na China], um relato engra¡¦do e emocionante do encontro, em 1972, do falecido presidente com o dirigente chin¡¦ Mao Tse Tung, e The Death of Klinghoffer [A Morte de Klinghoffer], sobre o seq¡¦stro, em 1985, por palestinos, do navio de cruzeiro Achille Lauro. Adams iniciou sua carreira como um minimalista declarado, mas em breve se viu impossibilitado de romper inteiramente seus la¡¦s com o passado. Come¡¦ndo com a sua extraordin¡¦ia pe¡¦ para orquestra Harmonielehre, escrita para a Orquestra Sinf¡¦ica de San Francisco, Adams tem conseguido incorporar os gestos superficiais do minimalismo a um impulso art¡¦tico t¡¦ abertamente expressivo quanto o de qualquer compositor do s¡¦ulo XIX.
O mais importante compositor americano da geração que se segue ?Aaron Jay Kernis, de 38 anos, que recentemente ganhou o Pr¡¦io Nobel de M¡¦ica de 1998, pelo sua obra String Quartet No. 2 [Quarteto de Cordas N.?2] . A linguagem musical de Kernis tem uma d¡¦ida menos expl¡¦ita com o minimalismo do que a de Adams, mas o impacto do minimalismo, assim como uma variedade de estilos musicais populares, pode ser ouvido na sua m¡¦ica, lado a lado com os de Mahler, Strauss e Berg. Este compositor, incrivelmente talentoso e produtivo, ?capaz de se manifestar de maneira profundamente moral, como ?o caso na sua poderosa Symphony No. 2 [Sinfonia N.?2], e de apresentar divers¡¦ pura, popular, como ocorre com os seus 100 Greatest Dance Hits [100 Maiores Sucessos Para Dan¡¦] para viol¡¦ e quarteto de cordas.
As combinações de influ¡¦cias tamb¡¦ d¡¦ forma a algumas das outras tend¡¦cias musicais importantes da atualidade. Para muitos compositores que agora est¡¦ na faixa dos 30 e 40 anos, por exemplo, as impress¡¦s do rock continuam sendo formativas, se manifestando no uso da guitarra (como ocorre na obra de Steve Mackey ou Nick Didkovsky) e em uma energia r¡¦mica bruta que praticamente nunca foi ouvida antes na m¡¦ica cl¡¦sica.
Os melhores exemplos dessa caracter¡¦tica s¡¦ os compositores ligados ao "Bang on a Can," [literalmente, Batendo na Lata] um produtivo festival anual de m¡¦ica nova fundado em Nova York em 1986. A obra dos tr¡¦ diretores art¡¦ticos do festival, os compositores Michael Gordon, Julia Wolfe e David Lang, ?visceralmente forte e ao mesmo tempo cuidadosamente trabalhada; Gordon, especialmente, envereda por complexidades r¡¦micas que sempre permanecem no limiar da compreensibilidade.
Outra tend¡¦cia recente e compensadora ?o surgimento de uma geração de compositores imigrantes chineses que combinam a m¡¦ica folcl¡¦ica chinesa com a linguagem ocidental. Os destaques nesse grupo de compositores s¡¦ Tan Dun (que foi escolhido para compor uma sinfonia para celebrar a volta de Hong Kong ao controle da China), Chen Yi e Bright Sheng.
Muitos desses compositores ainda contam com organizações de apresentação - principalmente as orquestras sinf¡¦icas - - para transformar as notas impressas no papel em sons vivos. Durante a maior parte do s¡¦ulo XX, a paisagem das orquestras americanas apresentou uma vista t¡¦ imut¡¦el quanto qualquer aspecto da vida cultural da nação. A hierarquia era clara. No topo estavam as chamadas Big Five ensembles [as Cinco Grandes orquestras] - - as orquestras sinf¡¦icas de Boston, Nova York, Filad¡¦fia, Cleveland e Chicago - - e todas as outras estavam abaixo delas. No decorrer do s¡¦ulo, essas organizações tinham, principalmente, o papel de importadoras de cultura musical do outro lado do Atl¡¦tico. Com exceção da trepidante passagem de Leonard Bernstein pela Filarm¡¦ica de Nova York na d¡¦ada de sessenta, os diretores musicais, como a maior parte do repert¡¦io, t¡¦ sido europeus.
Tem havido surtos espor¡¦icos de vigorosa inovação, como a paix¡¦ demonstrada por Serge Koussevitzky na promoção da nova m¡¦ica, durante o tempo em que esteve ?frente da Orquestra Sinf¡¦ica de Boston, ou at?mesmo o incr¡¦el programa no qual as pessoas compunham obras a pedido da Orquestra de Louisville durante a d¡¦ada de 50; gra¡¦s a esse programa, surgiram grandes obras da autoria de Aaron Copland, Elliott Carter, Virgil Thomson, Roy Harris e muitos outros. Mas de modo geral, as principais orquestras dos Estados Unidos t¡¦ funcionado quase exclusivamente como guardi¡¦ da tradição europ¡¦a.
Nos ¡¦timos dez anos, aproximadamente, a paisagem mudou consideravelmente - de baixo para cima, por assim dizer. A situação entre as Cinco Grandes n¡¦ mudou muito. At?hoje, nenhuma delas possui um diretor musical nascido nos Estados Unidos (o diretor da orquestra de New York, Kurt Masur, o de Filad¡¦fia, Wolfgang Sawallisch, e o de Cleveland, Christoph von Dohnanyi, s¡¦ todos alem¡¦s; o de Boston, Seiji Ozawa, ?japon¡¦, e o de Chicago, Daniel Barenboim, ?israelense nascido na Argentina).
Mas essas orquestras j?n¡¦ dominam o ambiente da m¡¦ica como no passado. Qualquer lista das principais orquestras americanas da atualidade teria que incluir as de San Francisco, Los Angeles, Houston, St. Louis, Baltimore, Pittsburgh e Washington, D.C. Sob o ponto de vista t¡¦nico, as melhores entre essas orquestras, atualmente, tocam suficientemente bem para desbancar a hierarquia da velha guarda; embora nenhuma delas, necessariamente, tenha for¡¦ suficiente para entrar ?for¡¦ no clube das cinco melhores, v¡¦ias entre elas s¡¦ suficientemente boas para fazer com que uma lista de cinco pare¡¦ uma limitação arbitr¡¦ia.
Outra atitude da mesma import¡¦cia ?a mudan¡¦ na maneira pela qual algumas dessas orquestras abordam a tarefa de trazer a m¡¦ica para o p¡¦lico. Sob a lideran¡¦ de uma geração de jovens e din¡¦icos regentes, americanos na sua maioria, essas orquestras t¡¦ conseguido incorporar um esp¡¦ito de aventura e excitação ¡¦ suas apresentações, que ?muito diferente da noção muito difundida de que a cultura musical ?uma coisa "que n¡¦ ?do seu n¡¦el".
O exemplo que mais se destaca ?Michael Tilson Thomas, que em 1995 se tornou diretor musical da Orquestra Sinf¡¦ica de San Francisco. O regente e pianista de 54 anos surgiu como protegido de Leonard Bernstein. Como um jovem regente na Orquestra Sinf¡¦ica de Boston e depois como diretor musical da Orquestra Filarm¡¦ica de Buffalo na d¡¦ada de setenta, ele iniciou uma ofensiva explorat¡¦ia da m¡¦ica de compositores experimentalistas americanos como Charles Ives, Carl Ruggles, Henry Cowell e Edgard Varese. Em San Francisco, Tilson Thomas continuou a defender os interesses da m¡¦ica americana (na sua primeira temporada, ele incluiu uma obra americana em cada grupo de concertos que ele regeu) assim como outras obras contempor¡¦eas e menos conhecidas, e uma energia que estava fazendo muita falta no cen¡¦io musical da cidade.
Na Orquestra Filarm¡¦ica de Los Angeles, o jovem e ousado regente finland¡¦ Esa-Pekka Salonen, segundo se informa, conseguiu realizar algo similar, embora o seu gosto em termos de m¡¦ica nova tenda mais para as escolas europ¡¦as. Leonard Slatkin, que recentemente assumiu o comando da Orquestra Sinf¡¦ica Nacional, de Washington, D.C., tem sido um vigoroso defensor da m¡¦ica contempor¡¦ea americana, assim como David Zinman em Baltimore. Gerard Schwarz, nas suas gravações e apresentações com a Orquestra Sinf¡¦ica de Seattle, tem trabalhado para ressuscitar a m¡¦ica de uma escola de membros do meio sinf¡¦ico norte-americano de meados do s¡¦ulo, que inclui Howard Hanson, Walter Piston, e David Diamond.
MAESTRO LEONARD SLATKIN
Reger n¡¦ significa apenas brandir uma batuta ?frente de 100 m¡¦icos e um ou outro solista ou coral.
O diretor musical de uma orquestra ?respons¡¦el pela programação - a decis¡¦ sobre o que ser?executado e quando - - criando um "mix" harmonioso para a temporada de concertos. Se a orquestra sinf¡¦ica, como organização, estiver estabelecida e dispuser de uma boa subvenção, o regente tem autoridade para patrocinar novas obras para o repert¡¦io da orquestra, e, na verdade, para a m¡¦ica do s¡¦ulo XX como um todo.
O que nos leva a falar de Leonard Slatkin, maestro da National Symphony Orchestra [Orquestra Sinf¡¦ica Nacional] (NSO) em Washington, D.C. Sua filosofia ?muito simples: "Qualquer pessoa que dirige uma orquestra precisa ter um enfoque," ele explicou "Aparecer e reger j?n¡¦ ?o suficiente."
Slatkin, que teve uma longa e bem sucedida passagem pelo p¡¦io da Orquestra Sinf¡¦ica de St. Louis -- firmando-a como uma j¡¦a na coroa daquela cidade de Missouri - - ?uma raridade entre os regentes. Em uma ¡¦oca na qual poucas orquestras norte-americanas t¡¦ americanos no comando, ele est?levando a sua organização, na capital do pa¡¦, a novos patamares na promoção da m¡¦ica americana, em uma ocasi¡¦ em que essa ¡¦ea da m¡¦ica mundial se encontra em ascens¡¦. Nas suas pr¡¦rias palavras, "ele tem um s¡¦io compromisso com a m¡¦ica deste pa¡¦."
Com uma agenda cheia de atividades que incluem a reg¡¦cia de outras orquestras de peso e companhias de ¡¦era, Slatkin lida com suas paix¡¦s com grande naturalidade. Seu pai foi mestre de concertos da orquestra de um grande est¡¦io de Hollywood antes e durante a Segunda Guerra Mundial. Sua m¡¦, uma famosa violoncelista, fundou, junto com o seu pai, o Quarteto de Cordas de Hollywood. Iniciou sua carreira como pianista, mas passou a maior parte do seu per¡¦do de formação como violista.
O per¡¦do de mais de um quarto de s¡¦ulo que ele passou em St. Louis se caracterizou pela sua dedicação a todo o espectro da m¡¦ica americana, de Charles Ives a John Adams, e pelo seu empenho em promover a nova m¡¦ica da autoria de pessoas como Joseph Schwantner, John Corigliano e William Bolcom, entre outros. Ele trouxe essa dedicação aos compositores americanos ?sua posição em Washington - - e at?mesmo ?Europa, em uma recente turn?da National Symphony.
Todos os concertos regidos por Slatkin na programação de 1998-99 da NSO incluem obras de compositores americanos - de Virgil Thomson e Samuel Barber a Ellen Zwilich e Elliott Carter. Em mar¡¦ de 1999, a NSO - cuja gravação da First Simphony [Primeira Sinfonia] de Corigliano ganhou os principais pr¡¦ios de discos nacionais de m¡¦ica cl¡¦sica - apresentar?a estr¡¦a mundial da Second Symphony [Segunda Sinfonia] do mesmo compositor, uma obra para solistas e coro baseada em textos de Dylan Thomas.
O Kennedy Center Concert Hall - lar da NSO - passou recentemente por uma reconfiguração ac¡¦tica. Com o som consideravelmente melhorado, e com Slatkin no comando, o ambiente da m¡¦ica em Washington est?passando pela melhor fase de toda a sua hist¡¦ia. Como o cr¡¦ico Tim Page observou no jornal The Washington Post, esse regente e essa orquestra "podem se tornar o grupo que devemos observar - e acima de tudo, ouvir - ao nos prepararmos para o novo mil¡¦io."
-- Michael J. Bandler
No que diz respeito ?¡¦era, os sinais de progresso se manifestam mais lentamente mas s¡¦ claramente percept¡¦eis. Isso ?compreens¡¦el. A ¡¦era ? afinal, a ¡¦ea mais tradicional da m¡¦ica cl¡¦sica. ?tamb¡¦ a mais internacional; o mesmo grupo de cantores, regentes e diretores que se apresenta em Nova York em um dia, est?em Viena no dia seguinte e em Buenos Aires uma semana depois.
De qualquer forma, n¡¦ h?d¡¦ida de que a situação da ¡¦era nos Estados Unidos est?come¡¦ndo a mudar. Entre outras coisas, trata-se de uma atividade que est?crescendo. O n¡¦ero de companhias de ¡¦era no pa¡¦ continua a aumentar; muitas cidades que antigamente dependiam exclusivamente de apresentações da ¡¦era Metropolitana e outras grandes instituições de ¡¦era agora possuem as suas pr¡¦rias organizações, ainda que o n¡¦ero de espet¡¦ulos seja pequeno e a qualidade n¡¦ seja do mesmo n¡¦el das instituições mais tradicionais. As plat¡¦as, tamb¡¦, est¡¦ crescendo em um ritmo surpreendente - - e tamb¡¦ est¡¦ ficando mais jovens, de acordo com pesquisas feitas pelas companhias. Em 1996, quando a ¡¦era de San Francisco apresentou uma produção "no estilo da Broadway" de La Boheme de Puccini, com ingressos baratos e oito apresentações por semana, feitas por quatro elencos que se revezavam, a companhia conseguiu estabelecer um recorde de pessoas que foram ?¡¦era pela primeira vez. Companhias em outros lugares est¡¦ vendo um surto parecido, de pessoas que nunca haviam assistido a uma ¡¦era antes, nas suas plat¡¦as.
Uma coisa igualmente encorajadora ?o aumento significativo no n¡¦ero de novas ¡¦eras que est¡¦ sendo apresentadas a cada ano. ?verdade que muitas delas s¡¦ de car¡¦er decididamente tradicional, incluindo The Ghosts of Versailles [Os Fantasmas de Versalhes], de Corigliano, The Dangerous Liaisons [As Ligações Perigosas], de Conrad Susa, e Emmeline de Tobias Picker, para citar somente alguns espet¡¦ulos recentes mais conhecidos. Alguns observadores tamb¡¦ t¡¦ criticado o que eles chamam de "¡¦eras da CNN", cujos enredos s¡¦ derivados de not¡¦ias atuais ou recentes - obras como Harvey Milk, de Stewart Wallace e Michael Korie (sobre o pol¡¦ico de San Francisco que foi assassinado), Marilyn, de Ezra Laderman (sobre Marilyn Monroe), ou Nixon in China [Nixon na China] de Adams. De qualquer maneira, t¡¦ surgido not¡¦eis obras recentes de figuras inovadoras como Glass, Bright Sheng, ou o brilhantemente exc¡¦trico Meredith Monk, cuja obra Atlas, apresentada pela primeira vez na Grande ¡¦era de Houston em 1991, continua sendo a mais maravilhosa e inquietante ¡¦era da d¡¦ada.
Seria errado pintar uma imagem excessivamente favor¡¦el da m¡¦ica cl¡¦sica americana em uma conjuntura de nossa hist¡¦ia que continua a ser incerta. Ainda h?perigos em demasia, ainda h?inc¡¦nitas demais. A amea¡¦ atual mais sombria ao futuro musical do pa¡¦, certamente tem sido o quase desaparecimento da educação musical dos conte¡¦os program¡¦icos das escolas prim¡¦ias e secund¡¦ias de alguns estados americanos, especialmente na d¡¦ada de oitenta. A U.S. Music Educators National Conference [Confer¡¦cia Nacional dos Educadores Musicais dos Estados Unidos] tem visto alguma melhoria nos ¡¦timos anos, embora ainda demonstre preocupação. Se o padr¡¦ da ¡¦tima d¡¦ada n¡¦ for revertido, pode ficar mais dif¡¦il garantir que haja novas gerações de m¡¦icos e amantes da m¡¦ica. Da mesma forma, as dificuldades sociais e econ¡¦icas das cidades norte-americanas t¡¦ trazido conseqüências para as orquestras, casas de espet¡¦ulos e ¡¦eras, todas as quais dependem de centros culturais urbanos pr¡¦peros. Outras formas e meios de entretenimento, da TV por cabo aos computadores dom¡¦ticos, e at?qualquer novo dispositivo que esteja prestes a ser criado, tamb¡¦ atraem o p¡¦lico da m¡¦ica cl¡¦sica s¡¦ia.
De qualquer forma, as perspectivas, pela primeira vez em uma d¡¦ada ou duas, parecem excelentes. Deste ponto, parece que a Am¡¦ica est?avan¡¦ndo rumo a uma nova e vibrante cultura musical americana. Bem a tempo para o pr¡¦imo s¡¦ulo.
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Joshua Kosman ?o cr¡¦ico de m¡¦ica cl¡¦sica do San Francisco Chronicle.
Sociedade e Valores dos
EUA
Revista Eletr¡¦ica da USIA, Vol. 3, N?1,
Junho de 1998