Todos os anos - ¡¦ vezes parece que isso acontece todos os meses - mais um cr¡¦ico de cinema envia uma rajada de cr¡¦icas eloq¡¦ntes e certeiras, que passam raspando pela proa da ind¡¦tria cinematogr¡¦ica contempor¡¦ea dos Estados Unidos.
As reclamações, em geral, seguem duas linhas de racioc¡¦io.
Primeiro, os filmes eram melhores 25 anos atr¡¦ - - quando possivelmente a pessoa que est?escrevendo o coment¡¦io come¡¦u a ir ao cinema ou come¡¦u a receber um sal¡¦io para ir ao cinema. E segundo, a dist¡¦cia entre os filmes que as pessoas querem ver - - como Titanic - - e os filmes que os cr¡¦icos insistem para que elas vejam - - como L.A . Confidential [Los Angeles - Cidade Proibida] ou Boogie Nights [Boogie Nights - Prazer Sem Limites] - - nunca foi maior.
Esta mistura de t¡¦io e futilidade pode faz?lo pensar que o cinema, como forma de arte, est?fadado ao desaparecimento. Mas isso n¡¦ ? necessariamente, verdade. O que parece certo ?que as farpas destinadas a Hollywood s¡¦ escritas por cr¡¦icos que querem se sentir jovens novamente, que querem sentir prazer com a id¡¦a de que a arte cinematogr¡¦ica ?uma for¡¦ viva, positiva, em vez de uma seqüência insossa de "filmes de evento" de pre¡¦ proibitivo e sem estilo.
Assistir filmes profissionalmente, nas d¡¦adas de 1980 e 1990, faz qualquer um ficar pensativo, ap¡¦ a grande safra das d¡¦adas de 1960 e 1970 - quando velhos mestres como John Ford, William Wyler e John Huston estavam diminuindo o ritmo de suas atividades e sendo substitu¡¦os por uma geração que era pelo menos t¡¦ ambiciosa e quase t¡¦ talentosa - pessoas como Steven Spielberg e George Lucas, Martin Scorsese e Francis Ford Coppola. Na verdade, as decepções das duas ¡¦timas d¡¦adas t¡¦ sido suficientemente verdadeiras para justificar o ponto de vista segundo o qual a ind¡¦tria cinematogr¡¦ica est?decadente.
Mesmo assim, a cada ano surgem seis, oito, ou dez bons filmes. Isso ?verdade hoje, e isso era verdade antigamente. A diferen¡¦ entre o passado e o presente est?na vasta faixa intermedi¡¦ia. - os filmes que nem s¡¦ cogitados como poss¡¦eis ganhadores do Oscar, que em vez disso s¡¦ exibidos durante aproximadamente duas semanas, ajudam a pagar as despesas do est¡¦io, satisfazem, at?certo ponto, o p¡¦lico nacional, e depois seguem o seu rumo. A realidade ?que qualquer filme m¡¦io, de James Cagney, das d¡¦adas de trinta e quarenta, que tinha o crime como tema, oferecia um texto mais interessante, personagens mais bem definidos, e uma narrativa mais forte e mais enxuta do que o seu correspondente atual.
O cinema de hoje foi danificado pelo conceito do sucesso de bilheteria - - como o recente ¡¦ico Godzilla - - que pode ser definido como um espet¡¦ulo pirot¡¦nico descart¡¦el, um entretenimento longo e barulhento que desaparece completamente da mente assim que a exibição dos cr¡¦itos termina. Esses filmes n¡¦ t¡¦ desenvolvimento de personagem - - eles somente t¡¦ cenas que ficam ?vontade para entrar em choque ou at?mesmo para se contradizer mutuamente, contanto que a l¡¦ica cumulativa das explos¡¦s e dos acidentes automobil¡¦ticos continue a crescer. Na verdade, o texto nunca teve t¡¦ pouca import¡¦cia para a atividade cinematogr¡¦ica nos est¡¦ios como tem hoje. O que conta, desde o in¡¦io, ?a possibilidade de lucro - - das vendas no exterior e de mercados secund¡¦ios, como televis¡¦ por cabo (pay-per-view) e distribuição de fitas de videocassete.
No entanto, para tudo que se ganha, algo tamb¡¦ se perde.
No cinema, o que se perdeu foi a capacidade de contar hist¡¦ias e o estilo. At?20 anos atr¡¦, um filme de Coppola n¡¦ se parecia com um filme de Sam Peckimpah, o qual, por sua vez, n¡¦ se parecia com um filme de Blake Edwards - - da mesma forma que uma geração anterior de espectadores podia distinguir, pela "apar¡¦cia", um "thriller" de Hitchcock de um "western" de Ford.
Hoje, a maioria dos filmes ?feita com um estilo imposs¡¦el de se distinguir. Sem os cr¡¦itos, seria imposs¡¦el definir o diretor. Os "close-ups" predominam, porque eles ficam bem na televis¡¦, a tela pequena na qual a maioria dos filmes encontra o seu maior p¡¦lico-alvo. Tomadas longas, contemplativas, e um ritmo suave e met¡¦ico, praticamente desapareceram, pois os cineastas se preocupam com a possibilidade de os espectadores ficarem impacientes. A ação passou a ser confundida com movimento.
Talvez a conseqüência mais lament¡¦el da ação abrasiva de limpeza do cinema americano contempor¡¦eo tenha sido o decl¡¦io das outrora pr¡¦peras ind¡¦trias cinematogr¡¦icas nacionais da Fran¡¦, Alemanha, Inglaterra e It¡¦ia. Os jovens diretores europeus se orgulhavam de suas apresentações fortes, idiom¡¦icas, nas suas pr¡¦rias l¡¦guas, atingindo, pouco a pouco, a maturidade como artistas.
Os filmes americanos das d¡¦adas de cinq¡¦nta e sessenta tinham uma tend¡¦cia a apresentar uma apatia narrativa, mas os l¡¦icos filmes franceses de Fran¡¦is Truffaut e os ensaios elegantemente austeros de Ingmar Bergman serviram como pequenos toques estil¡¦ticos que influenciaram o cinema americano para melhor. A conversa est¡¦ica mundial entre os cineastas e suas plat¡¦as dava uma textura mais interessante aos filmes de todos eles.
Hoje, freq¡¦ntemente, diretores estrangeiros promissores procuram se tornar diretores de Hollywood. Como os filmes desde The Fifth Element [O Quinto Elemento] at?Starship Troopers [Tropas Estelares] j?provaram, eles, em geral, s¡¦ bem sucedidos, infelizmente. Como dizia um personagem do filme Kings of the Road Esse aparente decl¡¦io, naturalmente, poderia ser somente uma calmaria tempor¡¦ia, caracter¡¦tica da rede inquieta e meio descompromissada na qual o mundo p¡¦-Guerra Fria caiu. Pense nessa fase como uma adaptação mental, uma troca de ferramentas, que resulta do fato de que a ind¡¦tria cinematogr¡¦ica, como neg¡¦io, mudou mais nas ¡¦timas duas d¡¦adas do que nos oitenta anos anteriores.
Os cinemas com uma s?sala de projeção foram substitu¡¦os por multisalas de 14 telas. Como resultado disso, os ritmos lentos de lan¡¦mento foram substitu¡¦os por lan¡¦mentos simult¡¦eos em 3.000 cinemas. Um forte sistema de controle pelos produtores evoluiu para um controle do tipo vale-tudo, envolvendo diretores, atores e at?mesmo agentes. A continuidade do sistema de contratos nos est¡¦ios foi substitu¡¦a pelo h¡¦ito de se trabalhar como free-lancer, e assim uma equipe de criação ?formada, desde o in¡¦io, para cada filme. E a televis¡¦ - especialmente a produção cinematogr¡¦ica dirigida ao mercado de televis¡¦ por cabo - est?se apoderando de artistas, assim como de plat¡¦as.
O que significa isso tudo? Provavelmente significa que estamos no meio de uma transição na qual muito poucos filmes ter¡¦ a import¡¦cia cultural singular do passado. Hoje, a sensibilidade mais r¡¦ida, mais agitada, enraizada na televis¡¦, est?assumindo a definição de faixa intermedi¡¦ia, de or¡¦mento m¡¦io, que antigamente era povoada por Cagney, Humphrey Bogart e John Wayne. N¡¦ nos surpreende o fato de que a nova geração de executivos de est¡¦ios, que cresceram com a televis¡¦ nas d¡¦adas de cinq¡¦nta, sessenta, e setenta, aprovaram para produção tantas adaptações para a tela grande de s¡¦ies de TV como Sergeant Bilko [O Sargento Trapalh¡¦], The Addams Family [A Fam¡¦ia Addams], The Flintstones [Os Flintstones], The Brady Bunch e Lost In Space[Perdidos no Espa¡¦].
Se a situação fosse s?ruim, no entanto, eu - - assim como muitos outros - - estaria indo ao cinema com muito menos freqüência. O fato ?que se perdemos habilidade e "brio" em certas partes da arte cinematogr¡¦ica, ganhamos muita coisa tamb¡¦.
Veja, por exemplo, o trabalho dos atores. ?medida que a qualidade dos roteiros piora, o desempenho dos atores tem se tornado significativamente mais rico. A representação na tela nunca foi melhor, nunca foi t¡¦ sutil. Existe um rico universo de representação de personagens - - come¡¦ndo com Robert Duvall e Gene Hackman e passando para outra faixa et¡¦ia (mais jovem), Kevin Spacey e Frances McDormand. Seu trabalho em filmes como The Apostle, Unforgiven [Os Imperdo¡¦eis], L.A. Confidential [Los Angeles - Cidade Proibida], The Usual Suspects [Os Suspeitos] e Fargo serve como exemplo. Homens e mulheres mais jovens -- Sean Penn, Johnny Depp, Gwyneth Paltrow - s¡¦ igualmente talentosos. Todos eles se consideram atores de personagens, e n¡¦ astros de cinema. E ainda h?outros que est¡¦ surgindo - pessoas como Christina Ricci e Elijah Wood - que ainda n¡¦ se tornaram figuras conhecidas como atores de cinema.
Mesmo os astros no sentido cl¡¦sico, como Brad Pitt, e a sensação deste ano na tela, Leonardo Di Caprio (Titanic) escolhem pap¡¦s que ¡¦ vezes tendem a ser mais interessantes na sua ambição do que na sua execução. De qualquer forma, eles merecem cr¡¦ito pela tentativa. Nesse aspecto, Tom Cruise tamb¡¦ merece cr¡¦ito, pois parece ter passado da fase das escolhas mais med¡¦cres.
Outro ponto de destaque ?a animação. Esse tipo de trabalho est?melhor, mais bem sucedido, e est?sendo visto com mais freqüência do que em qualquer outra ¡¦oca. A Disney continua em atividade, criando filmes, como tem feito h?d¡¦adas. O mais recente ?Mulan, que explora uma lenda chinesa sob o ponto de vista feminino. Mas a Disney j?n¡¦ tem mais o monop¡¦io da atividade. A Twentieth-Century Fox tamb¡¦ entrou nesse neg¡¦io, com Anastasia, a sua vers¡¦, de 1997, da hist¡¦ia czarista. Recentemente a Fox abriu um est¡¦io de animação no Arizona, o que prova que a empresa est?levando este g¡¦ero a s¡¦io. Outros grandes est¡¦ios tamb¡¦ est¡¦ expandindo seus horizontes de animação.
O que impressiona bastante ?que provavelmente h?mais variedade na produção cinematogr¡¦ica americana contempor¡¦ea do que em qualquer per¡¦do anterior. Os cineastas negros, atualmente, s¡¦ muito mais numerosos, e mais talentosos, do que em qualquer outra ¡¦oca. O fato de que Spike Lee, os irm¡¦s Hughes, e John Singleton, entre outros, podem coexistir confortavelmente, e o fato de que eles n¡¦ dependem do sucesso de cada filme que fazem - - na verdade eles t¡¦ o mesmo direito de falhar que todos t¡¦ - - ?uma prova significativa de que as situações evolu¡¦am. Al¡¦ disso, os diretores negros, atualmente, t¡¦ credibilidade suficiente para poder abandonar a sua ¡¦ea mais imediata. Forrest Whittaker, por exemplo, que antes fez o filme Waiting to Exhale voltado para a comunidade negra, acabou de dirigir Hope Floats, um drama - que tem como p¡¦lico-alvo a sociedade em geral e n¡¦ apenas uma minoria - sobre uma jovem branca, separada do marido, que precisa se reintegrar ?sua fam¡¦ia texana.
VICTOR NU¡¦Z:
UM CINEASTA VERDADEIRAMENTE INDEPENDENTE
A produção independente de filmes ?a ¡¦tima moda no cinema americano. Mas para os talentos mais promissores na direção, ela somente significa um meio de atingir um fim lucrativo - um contrato com um est¡¦io.
Ed Burns gastou uma pequena quantia para filmar The Brothers McMullen na cozinha da casa dos seus pais e nas ruas do seu bairro, com os seus irm¡¦s e amigos no elenco. O resultado: um sucesso de cr¡¦ica e um contrato de muitos milh¡¦s de d¡¦ares, para fazer dois filmes. Robert Rodriguez filma El Mariachi a um custo de 7 mil d¡¦ares e ?recompensando com uma atenção consider¡¦el, por parte de v¡¦ios entre os grandes est¡¦ios de Hollywood.
Victor Nu¡¦z n¡¦ quer saber de nada disso. Esse diretor resolveu seguir o caminho do or¡¦mento mais baixo para poder ter, ao mesmo tempo, controle e liberdade em suas m¡¦s.
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Seus projetos - o ¡¦timo dos quais, Ulee's Gold, foi muito elogiado por ocasi¡¦ do seu lan¡¦mento em 1997, s¡¦ decididamente "n¡¦-de-Hollywood." Eles n¡¦ t¡¦ a sua forma determinada por programas ou or¡¦mentos. Trata-se, geralmente, de hist¡¦ias discretas, pe¡¦s que refletem um estado de esp¡¦ito, estudos de personagens, contos ambientados na paisagem no norte da Fl¡¦ida. Eles refletem o entusiasmo do autor pelo "processo - que admito ser maravilhoso - de se fazer um filme" e menos pelo conte¡¦o propriamente dito.
"?incr¡¦el fazer parte de um processo desse tipo," disse Nu¡¦z, de 52 anos, de origem peruana, a respeito da sua tend¡¦cia a selecionar um tema que toca a sua sensibilidade, e em seguida escrever um roteiro que desenvolve o tema. "S?d?vontade de estar l? e fazer o filme." E ?isso que ele faz na Fl¡¦ida, onde cresceu. Na verdade, Nu¡¦z filmou Ulee's Gold em uma s¡¦ie de cidades pr¡¦imas ?capital do estado, Tallahassee, onde mora desde a inf¡¦cia.
"Adoro esta regi¡¦. Descobri o cinema e a literatura sulista ao mesmo tempo. Resolvi ser um cineasta sulista."
Ulee's Gold, que recebeu uma indicação para o Oscar, com Peter Fonda no papel principal, ?um retrato de um apicultor solit¡¦io que seguiu a profiss¡¦ de seu pai e de seu av? Ele ?um ex-combatente do Vietn?que se v?em uma circunst¡¦cia familiar extremamente dif¡¦il que o for¡¦ a repensar suas opções de vida. Este foi o quarto "pequeno" filme bem recebido de Nu¡¦z - - depois de Gal Young 'Un, A Flash of Green e Ruby in Paradise - uma produção reconhecidamente modesta, para um per¡¦do de dezoito anos.
"Nada sinistro nem espetacular; as seleções dram¡¦icas de Nu¡¦z somente s¡¦ extraordin¡¦ias porque os temas emocionais s¡¦ t¡¦ comuns," Steve Persall escreveu no jornal St. Petersburg (Florida) Times, em meados de 1997. "A dignidade ?mais importante do que o fasc¡¦io."
Gal Young 'Un (1979), baseado em uma hist¡¦ia de Marjorie Kinnan Rawlings, tem como tema uma vi¡¦a solit¡¦ia que vive em uma ¡¦ea rural da Fl¡¦ida na ¡¦oca da Lei Seca (na d¡¦ada de vinte) e ?vitimizada por um jovem vigarista. A Flash of Green (1984), uma adaptação de um romance de John D. MacDonald, conhecido pelas suas obras de mist¡¦io, trata da articulação pol¡¦ica e dos riscos ambientais tendo como cen¡¦io um "boom" imobili¡¦io contempor¡¦eo. Ruby In Paradise (1993), um roteiro original de Nu¡¦z, ?um filme que tem os estados de esp¡¦ito como enfoque principal; ?a hist¡¦ia de uma jovem que, ao passar por uma pequena cidade do litoral da Fl¡¦ida, fugindo de um passado tenebroso, procura realizar sonhos fugidios.
Muito procurado depois que Ulee's Gold deu um lucro respeit¡¦el considerando o seu custo de 2,4 milh¡¦s de d¡¦ares, Nu¡¦z provavelmente continuar?trabalhando ?sua maneira no futuro. Isso n¡¦ significa que ele n¡¦ pensa no caminho que tantos colegas seus, independentes, resolveram trilhar.
"N¡¦ se pode ser um cineasta nos Estados Unidos sem pensar na possibilidade de fazer filmes de grandes or¡¦mentos," ele diz. "A desvantagem de n¡¦ ter muito dinheiro ?que h?coisas que n¡¦ se pode fazer. A vantagem ?que o elenco e a equipe est¡¦ trabalhando porque acreditam no filme. ?¡¦vio que este trabalho n¡¦ ?uma mina de ouro, mas ?gratificante."
Quando se fala que a produção independente ?uma tend¡¦cia, o diretor diz que isso ?apenas uma coisa que os cr¡¦icos inventam de vez em quando. "Na verdade, sempre haver?algumas pessoas que v¡¦ querer fazer filmes independentes, e que ser¡¦ bem sucedidas. Isso n¡¦ ?uma tend¡¦cia. ?uma coisa que acontece com um filme de cada vez."
-- Michael J. Bandler
O n¡¦ero de mulheres que dirigem e produzem filmes tem aumentado nos ¡¦timos anos - - entre elas Jodie Foster, Barbra Streisand e Rand Haines. Al¡¦ disso, as mulheres, atualmente, est¡¦ enveredando por g¡¦eros aparentemente incomuns. Mimi Leder, que se distinguiu como diretora de televis¡¦ com E.R.[Plant¡¦ M¡¦ico], fez dois filmes de ação extremamente marcantes -- The Peacemaker e Deep Impact [Impacto Profundo] - para iniciar sua carreira como diretora de cinema. E Betty Thomas, uma atriz que se distinguiu pela forte presen¡¦ no dram¡¦ico seriado de televis¡¦ Hill Street Blues, se tornou diretora de com¡¦ias voltadas para o p¡¦lico em geral, The Brady Bunch Movie, Private Parts e Doctor Doolittle [Dr. Doolittle], que foi lan¡¦do em meados de 1998.
Um dos setores mais vigorosos na atual ind¡¦tria cinematogr¡¦ica ?o dos filmes independentes. Este ?o solo f¡¦til de onde surgir¡¦ futuros diretores e atores. Somente nos ¡¦timos tr¡¦ ou quatro anos, novos nomes como Quentin Tarantino, Parker Posey, Ben Stiller, Hope Davis, Stanley Tucci e Campbell Scott se distinguiram. Os filmes de baixo or¡¦mento que eles criam e nos quais trabalham como atores s¡¦ vistos pela primeira vez, geralmente, no Sundance e em outros festivais de cinema, onde olheiros dos grandes est¡¦ios sempre aparecem. O resultado disso ?que, em geral, a nata da safra atual de filmes de produção independente consegue ser levada ao grande p¡¦lico.
A ind¡¦tria cinematogr¡¦ica tem sido suficientemente flex¡¦el, tamb¡¦, para admitir pessoas como os diretores canadenses Atom Egoyan e David Cronenberg, e os americanos Ethan and Joel Coen - talentosos por¡¦ inconstantes, donos de uma sensibilidade sombria e mordaz, e que trouxeram uma dose de loucura particularmente valiosa ¡¦ telas de cinema.
Tudo isso indica que as velhas verdades pertencem ao passado, e que ningu¡¦ sabe ao certo de onde vir?a pr¡¦ima onda de sucessos. A ind¡¦tria precisa estar aberta para todos os tipos de possibilidades, por mais remotas que sejam.
Um caso t¡¦ico
Vinte anos atr¡¦, Terence Malick fez uma bel¡¦sima e discreta obra-prima, Days of Heaven. Desde ent¡¦, ele passou a maior parte do tempo contemplando as suas possibilidades e escrevendo alguns roteiros que nunca sa¡¦am do papel. Este ano, no entanto, ele ser?representado na tela por uma adaptação, de cinq¡¦nta milh¡¦s de d¡¦ares, de The Thin Red Line, de James Jones, um romance de combate da Segunda Guerra Mundial.
Este tipo de retorno - caro - de um diretor que s?havia feito dois filmes de arte - - que ali¡¦ foram dois fracassos comerciais - - teria sido imposs¡¦el na ind¡¦tria mais monol¡¦ica de vinte e cinco anos atr¡¦ ou mais, na qual um lend¡¦io cineasta como Orson Welles era tratado com suspeita e desconfian¡¦ e tinha que financiar seus filmes ?medida que os fazia.
Portanto, a boa not¡¦ia ?que, como o dom¡¦io exercido por Hollywood sobre o mercado global criou tanta demanda, a pr¡¦ria Hollywood precisou estar pronta, disposta, e capaz de assumir riscos. Com as novas possibilidades de ganhos associados ao v¡¦eo e ?televis¡¦ por cabo, com muitos canais, sempre existe uma demanda para novos produtos. O resultado ?que praticamente todos t¡¦ a sua chance.
Se o primeiro s¡¦ulo de cinema possu¡¦ mais energia e inovação na meia idade do que na terceira idade, assim ?a vida. Mas tamb¡¦ ?verdade que o pr¡¦imo s¡¦ulo promete grandes saltos.
Se existe espa¡¦ para Terence Malick, qualquer coisa ?poss¡¦el.
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Scott Eyman, cr¡¦ico de The Palm Beach Post, ?o autor de The Speed Of Sound: Hollywood And The Talkie Revolution; Ernst Lubitsch: Laughter In Paradise; e Mary Pickford: America's Sweetheart. Atualmente ele est?escrevendo a biografia autorizada do cineasta norte-americano John Ford.
Sociedade e Valores dos
EUA
Revista Eletr¡¦ica da USIA, Vol. 3, N?1,
Junho de 1998