A prote艫o dos recursos cr・icos de informa艫o se tornar?"um dos mais importantes desafios da seguran・ nacional dos pr・imos anos," diz o vice-secret・io de Defesa John Hamre. Observando que o Pent・ono tem a responsabilidade de proteger 28.000 sistemas diferentes de computadores, ele avisa que a prote艫o do mundo virtual contra as amea・s cibern・icas "?tanto um processo de abordagem gerencial quanto de tecnologia."
Os Estados Unidos passaram por cinco eras de seguran・. Cada uma das mudan・s envolveu transi苺es de um passado certo para um futuro incerto. A primeira era foi da Guerra Revolucion・ia at?meados da d・ada de 1820 a 1830. Nesse per・do, os Estados Unidos se encontravam na margem de um ambiente internacional de seguran・ que ainda era dominado pela Europa.
De meados da d・ada de 1830 a 1840 at?o final do s・ulo 19, desfrutamos o isolamento proporcionado pelo Oceano Atl・tico e cuidamos das nossas vidas enquanto a velha estrutura pol・ica europ・a se desintegrava. Essa segunda era terminou com a Primeira Guerra Mundial e o surgimento da Uni・ Sovi・ica. Uma terceira era transcorreu de 1920 a 1946 e foi caracterizada pela recess・ global e pela ascens・ do comunismo internacional enquanto a Europa entrava em colapso. Esse eventos determinaram a ocorr・cia de uma crise para a democracia americana e para o sistema da livre iniciativa, com a Grande Depress・, e as tens・s no ambiente de seguran・ internacional acabaram provocando a eclos・ da Segunda Guerra Mundial.
A era mais recente -- a Guerra Fria -- foi dominada por um mundo bipolar. Os Estados Unidos lideraram a comunidade internacional, criando institui苺es para reconstruir as economias destro・das da Europa e lidar com o colapso dos velhos imp・ios do terceiro mundo, dominados pela Europa. Ao mesmo tempo, os Estados Unidos estavam liderando os estados do mundo livre para conter o comunismo, at?o colapso da Uni・ Sovi・ica.
Agora estamos na transi艫o para uma nova era, aparentemente caracterizada pela ressurgimento de velhos perigos -- nacionalismo e etnicidade. Outra dimens・ nessa nova era ?a dissolu艫o do controle e a dissemina艫o das tecnologias que foram criadas na era anterior e a dram・ica ascens・ de novos e impressionantes recursos t・nicos que apresentam um potencial nunca antes imaginado, para o bem e para o mal. Agora estamos convivendo com o desconcertante temor das "bombas at・icas sem dono" e das armas qu・icas e biol・icas nas m・s de terroristas.
A pr・ima era da seguran・ tamb・ trar?o desafio da seguran・ cibern・ica. O crescimento explosivo do uso da inform・ica teve um profundo efeito sobre todos os setores da economia dos Estados Unidos, assim como sobre o governo do pa・. A inform・ica possibilitou um incr・el crescimento econ・ico, e permitiu que as empresas americanas competissem com uma efic・ia nunca antes vista. Os Estados Unidos -- assim como o resto do mundo -- realmente contam com a inform・ica de uma forma que n・ se podia imaginar poucos anos atr・.
Isso ?particularmente verdadeiro nas for・s armadas dos Estados Unidos. O Departamento de Defesa (DOD) est?usando a inform・ica para fazer o que chamamos de Revolu艫o nas Quest・s Militares -- a movimenta艫o e a utiliza艫o de grande quantidade de informa苺es para proporcionar uma intelig・cia mais confi・el, comando e controle radicalmente aperfei・ados, melhores pr・icas comerciais e sistemas de armas mais poderosos. Essa revolu艫o ?vital se quisermos continuar prontos para defender os interesses dos Estados Unidos na atualidade e nos preparar para a evolu艫o das amea・s na pr・ima era de seguran・.
A revolu艫o da inform・ica est?atingindo todos os cantos do DOD, tanto no campo quanto na sede. Em breve os nossos soldados em n・el de grupo de combate ter・ comunica苺es que permitir・ aos comandantes saber precisamente a posi艫o, situa艫o e at?mesmo os batimentos card・cos de cada soldado -- uma conscientiza艫o quase completa em rela艫o ao espa・ de batalha. Nossos marinheiros enviam e-mail de seus navios no mar para suas casas usando uma tecnologia muito similar ・uela usada na guiagem dos m・seis de cruzeiro. Os pilotos, atualmente, levam em considera艫o a "satura艫o de tarefas" do grande fluxo de informa苺es que se encontra ?sua disposi艫o em v・.
Nos nossos processos log・ticos, a tecnologia est?sendo usada para conectar as linhas de frente ・ linhas de suprimento. Assumimos o compromisso de ter um processo de aquisi艫o sem papel at?a virada do s・ulo. Abrimos o nosso Escrit・io Conjunto de Programa艫o Eletr・ica [Joint Electronic Program Office] para simplificar as compras em n・el de unidade, e agora estamos usando "shopping centers" eletr・icos baseados na Internet para comprar tudo, de canetas a atuadores hidr・licos. Estamos usando a Internet para um espectro que cobre desde pagamentos de viagens at?comunica苺es por sat・ite, e temos progredido muito na ・ea de editora艫o eletr・ica.
Resumindo, o DOD est?dominando o poder do microchip para construir as for・s armadas do s・ulo XXI. No entanto, ao fazermos isso, devemos tamb・ reconhecer que as novas tecnologias s・ seguidas por novos perigos. As mesmas tecnologias que nos permitem procurar novas efici・cias podem tamb・ ser usadas por aqueles que n・ podem nos atacar no campo de batalha convencional, para nos atacar no espa・ cibern・ico. Isso faz parte de uma dimens・ muito diferente e muito importante no pensamento da seguran・ nacional; as tecnologias que, no passado, somente se encontravam ao alcance das grandes na苺es-estado, agora est・ ao alcance de indiv・uos. A prote艫o dos nossos recursos de informa艫o -- a garantia da informa艫o -- ser? portanto, um dos principais desafios para a seguran・ nacional nos pr・imos anos.
N・ h?d・ida de que a garantia da informa艫o ?cr・ica; n・, do DOD, j?vimos a primeira onda de amea・s cibern・icas, tanto em exerc・ios quanto em ataques reais. Para que pud・semos ter uma id・a da nossa vulnerabilidade, no ano passado fizemos um exerc・io. Nosso "inimigo" era um grupo de aproximadamente 35 pessoas cuja miss・ era invadir os sistemas de computadores do DOD. Suas ferramentas eram limitadas a tecnologias comuns, dispon・eis comercialmente, e software que era vendido no mercado ou que podia ser obtido pela Internet, via "download". Dentro de tr・ meses, o grupo, operando com essas restri苺es, conseguiu nos atacar, invadir nossas redes n・-secretas, e na verdade, poderia ter causado s・ios danos ・ nossas comunica苺es e aos nossos sistemas de energia.
Em fevereiro deste ano, sofremos um ataque organizado contra os sistemas de computadores do Pent・ono, no momento em que est・amos aumentando o contingente posicionado no Golfo P・sico. Descobrimos que os autores do ataque eram dois adolescentes da Calif・nia, mas acontecendo quando aconteceu, as suas conseq��ncias poderiam ter sido muito mais s・ias. Tanto o nosso exerc・io quanto o pequeno ataque serviram como um alerta: a pergunta que deve ser feita quanto aos ataques mais s・ios n・ ?"se", mas "quando" e "onde".
Para lidar com essas amea・s, primeiro devemos levar em considera艫o a nossa mentalidade. Tradicionalmente, os americanos sempre pensaram em seguran・ como uma cerca no quintal, definindo os limites e protegendo a ・ea demarcada. Se a cerca for danificada, ela pode ser reparada, e o local estar?seguro novamente. Essa filosofia funcionava bem nas eras de seguran・ anteriores, mas n・ existem fronteiras no espa・ cibern・ico. A transi艫o para a pr・ima era dever?ser caracterizada n・ por avan・s tecnol・icos, mas pela flexibilidade de pensamento. Precisamos nos conscientizar de que a seguran・ no mundo virtual ?tanto um processo de abordagem gerencial e de aten艫o quanto de tecnologia.
A mudan・ de mentalidade pode ser uma das tarefas mais dif・eis. Sem perceber, por exemplo, estamos, neste exato momento, fornecendo informa苺es a inimigos em potencial, que eles, no passado, gastavam centenas de milh・s de d・ares em opera苺es de intelig・cia para obter. T・hamos uma instala艫o militar com o que parecia ser uma excelente home page na Web. A p・ina mostrava uma vista a・ea da instala艫o. Havia legendas identificando os pr・ios como "Centro de Opera苺es" e "Centro de Apoio T・nico." A p・ina era ・ima em termos de rela苺es p・licas, mas tamb・ fornecia informa苺es valiosas sobre alvos, para aqueles que porventura nos quisessem mal.
Compreendendo as quest・s mais amplas relacionadas ?garantia da informa艫o, devemos agir de modo a tomar provid・cias concretas para proteger os nossos recursos de inform・ica. No ano passado, o DOD concentrou esfor・s, at?ent・ dispersos, para tentar compreender os requisitos para a prote艫o da nossa infra-estrutura de inform・ica. O ritmo do progresso da ・ea da inform・ica faz com que essa tarefa represente um grande desafio; o DOD possui 28.000 sistemas diferentes de computa艫o, todos sendo atualizados e modificados, e precisamos compreender os seus pontos vulner・eis. O desafio da garantia da informa艫o ?como a guerra, e estamos utilizando uma abordagem adequada, alocando um Comandante de For・ Tarefa Conjunta Para Defesa de Redes de Computadores para organizar os nossos esfor・s. O DOD ?tamb・ um dos principais contribuintes do Centro Nacional de Prote艫o ?Informa艫o [National Information Protection Center] e do Escrit・io Presidencial de Garantia de Informa苺es Cr・icas.
Outras provid・cias tamb・ se fazem necess・ias. Noventa e cinco por cento das nossas comunica苺es, no momento, se processam por meio de linhas p・licas de telefone e fax. Isso faz com que a criptografia seja um elemento-chave na garantia da informa艫o. Um dos cen・ios mais perigosos no mundo virtual ?a possibilidade de nossos combatentes receberem mensagens falsas que os enganariam; portanto, sem uma criptografia confi・el, toda a infra-estrutura de informa苺es com a qual contamos se torna vulner・el. Em resposta a essa amea・, estamos, no momento, trabalhando para garantir que dentro do DOD, possamos garantir a identidade digital dos usu・ios e desenvolver um sistema confi・el de chave p・lica. Precisamos fortalecer os nossos processos de criptografia, para que as informa苺es que transmitimos e com as quais lidamos eletronicamente sejam seguras e possam ser verificadas.
Al・ disso, o DOD est?evoluindo de maneira significativa no que diz respeito ?seguran・ das redes, em um sentido mais amplo. Estamos instalando a infra-estrutura para a monitora艫o de redes e estamos trabalhando para garantir o controle de configura艫o em um ambiente de rede din・ico e que pela sua pr・ria natureza, est?sempre passando por mudan・s. Estamos instalando "firewalls" (paredes de fogo), centros de monitora艫o de redes, assinaturas digitais, e uma infra-estrutura de seguran・.
A garantia da informa艫o, a criptografia, e a seguran・ das redes apresentam alguns dos maiores desafios que o Departamento de Defesa j?enfrentou. Para se beneficiar da revolu艫o da inform・ica, devemos garantir o acesso e a prote艫o aos pr・rios recursos com os quais contamos. Estamos progredindo rapidamente rumo a esse objetivo, mas muita coisa ainda precisa ser feita. Esta ・oca, que apresenta grandes desafios, requer que contemos com a habilidade dos profissionais de inform・ica, tanto no DOD quanto nas demais ・eas do governo e no setor privado, para proteger os sistemas que s・ vitais para todos n・. Devemos assegurar que o caminho trilhado pela nossa na艫o rumo ?nova era de seguran・ seja t・ bem sucedido quanto foi da ・tima vez.
Agenda de Pol・ica Externa dos EUA
Revista Eletr・ica da USIA
Vol. 3, N?4, Novembre de 1998