RUMO A UMA REVOLU巴O AZULE
Don Hinrichsen, Bryant Robey, e Ushma D. Upadhyaya

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Reproduzido de Population Reports, Setembro de 1998

O mundo precisa de uma Revolu艫o Azul no gerenciamento da ・ua, da mesma forma que precisamos de uma Revolu艫o Verde na Agricultura. O tempo ?essencial. Dep・itos, cada vez menores, de ・ua doce per capita est・ amea・ndo os padr・s de sa・e e de vida de milh・s de pessoas em um n・ero cada vez maior de pa・es, e tamb・ est・ comprometendo a produtividade agr・ola e o desenvolvimento industrial. Uma Revolu艫o Azul exigir?pol・icas coordenadas e respostas a problemas nos n・eis internacionais, nacionais e locais.

Respostas Internacionais

Os pa・es aceitaram numerosas recomenda苺es feitas durante confer・cias internacionais sobre a ・ua nos ・timos 20 anos. No entanto, de modo geral, a comunidade internacional dos pa・es em desenvolvimento, e os governos nacionais ainda t・ que colocar essas palavras em pr・ica.

A primeira confer・cia internacional a chamar a aten艫o para a crise de ・ua que se aproxima foi realizada em 1997 - a Confer・cia da Organiza艫o das Na苺es Unidas Sobre a ・ua [United Nations Water Conference], realizada em Mar del Plata, Argentina. V・ias outras se seguiram, incluindo a Consulta Global Sobra ・ua Segura e Saneamento para a d・ada de 1990 [Global Consultation on Safe Water and Sanitation for the 1990s], realizada em Nova Delhi em 1990, e a Confer・cia Internacional Sobre a ・ua e o Meio Ambiente [International Conference on Water and the Environment], realizada em Dublin em 1992.

Os Princ・ios de Dublin Sobre a ・ua [Dublin Water Principles], estabelecidos na confer・cia de 1992, resumem os princ・ios do gerenciamento sustent・el da ・ua.

    red bullet Princ・io No 1: A ・ua doce ?um recurso finito e vulner・el, essencial para a manuten艫o da vida, para o desenvolvimento, e para o meio ambiente.

    red bullet Princ・io No 2: O desenvolvimento e o gerenciamento da ・ua deve ser baseado em uma abordagem participativa, envolvendo usu・ios, planejadores e encarregados de elabora艫o de pol・icas, em todos os n・eis.

    red bullet Princ・io No 3: As mulheres desempenham um papel essencial na provis・, no gerenciamento e na salvaguarda da ・ua.

    red bullet Princ・io No 4: A ・ua tem um valor econ・ico em todos os seus usos e deve ser reconhecida como um bem econ・ico.

Mais recentemente, em 1997, uma avalia艫o abrangente dos recursos globais de ・ua doce, baseada em uma s・ie de an・ises apresentadas por especialistas, foi preparada para a quinta sess・ da Comiss・ da ONU Sobre o Desenvolvimento Sustent・el [UN Commission on Sustainable Development]. Como diz um relat・io de 1998, para o secret・io-geral: "A avalia艫o concluiu que a escassez de ・ua e a polui艫o est・ causando problemas generalizados de sa・e p・lica, limitando o desenvolvimento econ・ico e agr・ola, e prejudicando uma grande variedade de ecossistemas. Esses problemas podem amea・r o fornecimento de alimentos em n・el global e causar a estagna艫o econ・ica em muitas ・eas do mundo. O resultado pode ser uma s・ie de crises de ・ua, locais e regionais, com s・ias implica苺es mundiais." Fazendo os Investimentos Necess・ios. Colocar os princ・ios em pr・ica ser?dif・il. A maioria dos pa・es precisa fazer enormes investimentos em infra-estrutura de saneamento e fornecimento de ・ua. Nos pa・es desenvolvidos, por exemplo, o Reino Unido precisa gastar quase 60 bilh・s de d・ares na constru艫o de esta苺es de tratamento de efluentes no decorrer da pr・ima d・ada para cumprir os novos requisitos europeus de qualidade de ・ua. Isso significa mil d・ares para cada pessoa no pa・. A Hungria tem problemas similares. Um quinto da popula艫o do pa・ n・ possui um sistema de esgoto que funciona. A Hungria precisar?investir aproximadamente 3,5 bilh・s no decorrer das duas pr・imas d・adas para que todos os seus cidad・s sejam servidos por esta苺es de tratamento de efluentes.

Nos pa・es em desenvolvimento, um dos problemas mais urgentes ?a necessidade gritante de se fazer grandes investimentos em infra-estrutura de saneamento e no fornecimento de ・ua limpa. O Banco Mundial estima que, no decorrer da pr・ima d・ada, ser?necess・io gastar de 600 a 800 bilh・s de d・ares para atender ?necessidade total de ・ua doce, incluindo a ・ua a ser usada para saneamento, irriga艫o e gera艫o de energia.

Dessa enorme quantia, o Banco Mundial somente ter?condi苺es de emprestar 35 a 40 bilh・s, no m・imo. O restante ter?que vir de uma combina艫o de custeio p・lico e investimentos privados. No entanto, ser?dif・il, ou imposs・el financiar o restante, para a maioria dos pa・es em desenvolvimento. Somente na Am・ica Latina, por exemplo, estima-se que os investimentos no gerenciamento e infra-estrutura de recursos h・ricos exigir・ 100 bilh・s de d・ares no decorrer das pr・imas duas d・adas.

Evitando Conflitos Internacionais. Uma parte importante de qualquer estrat・ia internacional de gerenciamento de ・ua ?ajudar os pa・es que compartilham bacias de rios a estabelecer pol・icas vi・eis para gerenciar os recursos h・ricos de maneira mais eq・tativa. Um mundo em que existe escassez de ・ua ?um mundo inerentemente inst・el. Quase 100 pa・es compartilham somente 13 rios e lagos principais. Mais de 200 sistemas de rios cruzam fronteiras internacionais. Conflitos podem surgir, especialmente nos locais em que os pa・es, cujas popula苺es crescem rapidamente e cujas terras agricult・eis s・ limitadas, entram em choque por causa do acesso aos recursos compartilhados de ・ua doce. O caso da ・dia e de Bangladesh demonstra como bacias de rios internacionais podem ser gerenciadas para atender ?demanda, apesar do fato de que a quantidade de ・ua ?limitada. O Ganges, o maior e mais importante rio do subcontinente, inicia a sua trajet・ia no Nepal e percorre 2.240 quil・etros atrav・ de tr・ estados indianos densamente povoados -- Uttar Pradesh, Bihar, e Bengala Ocidental - antes de desaguar na Ba・ de Bengala. O rio afeta as vidas de 500 milh・s de pessoas, muitas das quais dependem dele para a agricultura de subsist・cia e pesca. Depois de meio s・ulo de amarga rivalidade a respeito do acesso ・ ・uas do Ganges, a ・dia e Bangladesh assinaram um acordo, para 30 anos, de uso compartilhado de ・ua, em dezembro de 1996. Os dois pa・es anunciaram uma nova era, no tocante ao gerenciamento de ・ua.

O acordo, se for implementado na sua totalidade, fornecer?a Bangladesh uma quantidade m・ima garantida de ・ua durante a esta艫o das secas, especialmente nos meses mais secos, que s・ mar・, abril e maio. O novo tratado estabelece per・dos de dez dias durante esses tr・ meses, quando a ・dia e Bangladesh ter・ acesso, alternativamente, a uma quantidade de ・ua mutuamente aceita, que chega ?barragem de Farakka, uma enorme represa constru・a pela ・dia em 1974, em uma tentativa de conseguir a maior quantidade de ・ua poss・el para seu pr・rio uso antes de o Ganges entrar em Bangladesh. Para assegurar a implementa艫o do acordo, uma equipe de inspetores dos dois pa・es monitorar?a vaz・ na Barragem de Farakka, durante os meses de seca.

Os cr・icos argumentam que, para que o acordo seja bem sucedido, a longo prazo, a ・dia precisa come・r a gerenciar a bacia hidrogr・ica do Ganges muito melhor do que o faz atualmente. O desmatamento no Nepal e no norte da ・dia aumentou, grandemente, a quantidade de sedimentos que escorre das colinas para o rio durante a temporada das mon苺es, obstruindo os cursos d'・ua e aumentando a incid・cia de inunda苺es que causam danos. Se n・ forem encontradas maneiras de captar a ・ua que flui durante a esta艫o das chuvas, de forma mais est・el, para uso durante a esta艫o das secas, os produtores rurais indianos poder・ se sentir tentados a captar toda a ・ua que puderem do rio, durante os meses mais secos, o que comprometer?o acordo.

Apesar dessas restri苺es, o fato de que dois pa・es vizinhos negociaram, com resultado satisfat・io, e chegaram a um acordo abrangente sobre uma quest・ t・ pol・ica, ?um sinal positivo. Agora, provavelmente, Bangladesh, a jusante, ter?um fornecimento de ・ua mais eq・tativo, e por outro lado, a ・dia, a montante, ter?est・ulo para adotar melhores pr・icas de gerenciamento de ・ua.

Rea苺es em N・el Nacional

Nos pa・es onde a ・ua ?escassa, os governos nacionais precisam dar a maior prioridade ao gerenciamento dos recursos h・ricos. Criar e implementar uma estrat・ia nacional de recursos h・ricos ?essencial para o desenvolvimento sustent・el. Uma estrat・ia desse tipo deve incluir quatro elementos:

    red bullet A ado艫o de uma perspectiva de gerenciamento de bacia hidrogr・ica ou de rio, especialmente nas regi・s onde a ・ua ?escassa (isso tamb・ ?apropriado como uma resposta internacional, pois as bacias hidrogr・icas freq・ntemente atravessam fronteiras);

    red bullet A institui艫o de uma infra-estrutura vi・el de ・ua, para que as necessidades nacionais, regionais, e locais de ・ua possam ser atendidas dentro do contexto de uma pol・ica nacional de recursos h・ricos;

    red bullet A promulga艫o e a aplica艫o de legisla艫o e regulamenta艫o de recursos h・ricos que conservem a ・ua e que atribuam um valor a esse recurso, adequadamente, de acordo com o tipo de uso; e,

    red bullet A conex・ do gerenciamento de ・ua ・ necessidades da agricultura, da ind・tria, e dos munic・ios, e ao preenchimento dos requisitos de sa・e p・lica no que diz respeito ao saneamento e ?preven艫o de doen・s.

Uma Perspectiva de Gerenciamento de Bacias Hidrogr・icas. O gerenciamento de uma bacia hidrogr・ica significa o gerenciamento de todo um territ・io servido por todos os rios e camadas aq��feras que des・uam em uma determinada extens・ de ・ua (como uma ba・ semi-fechada). O gerenciamento de uma bacia de rio ? essencialmente, o mesmo conceito, aplicado a um sistema de rio, embora os dois termos sejam usados de forma intercambi・el.

Os Estados Unidos definem uma bacia hidrogr・ica como sendo toda uma ・ea de onde o sistema de um rio recebe ・ua, ou um dos seus principais afluentes. O Reino Unido define uma bacia hidrogr・ica como sendo a linha divis・ia entre bacias de rios, uma ・ea potencialmente muito maior. Qualquer que seja a defini艫o, "precisamos ver um rio ou um lago, assim como toda a sua bacia hidrogr・ica e todos os seus elementos f・icos, qu・icos, e biol・icos, como parte de um sistema complexo e integrado," segundo Janet Abramovitz, do Worldwatch Institute.

Todos possuem um endere・ de bacia hidrogr・ica: todos n・ vivemos em bacias que enviam a ・ua de chuva para riachos e rios, que mais cedo ou mais tarde, enviam a ・ua para o mar ou para lagos interiores. As pessoas que vivem na maior parte desses endere・s alteraram radicalmente os sistemas naturais de drenagem ao seu redor. A interfer・cia com as bacias hidrogr・icas acabou tendo resultados desastrosos para muitos pa・es em desenvolvimento, onde as encostas das montanhas, desprovidas de vegeta艫o, descarregam toneladas de solo nos cursos d'・ua todos os anos, causando inunda苺es durante as esta苺es das chuvas e sufocando a vida aqu・ica durante as temporadas de estiagem.

O desmatamento arruinou a terra e alterou climas, fazendo com que chova menos em algumas ・eas. Em outras, a ・ua de chuva corre t・ rapidamente que somente uma pequena parte pode ser captada e utilizada. Na ・rica sub-saariana, por exemplo, o efeito do albedo - a secagem da paisagem como resultado da remo艫o generalizada das florestas tropicais e pr・icas agr・olas inadequadas - resultou em um ・dice pluviom・rico abaixo da m・ia no decorrer dos ・timos 40 anos, comparado com o ・dice do s・ulo como um todo.

O gerenciamento de bacias hidrogr・icas e de rios traz muitos benef・ios. O valor econ・ico da manuten艫o do ecossistema ?alto. O valor de uma plan・ie aluvial intacta, por exemplo - incluindo os seus pesqueiros, vida selvagem, recrea艫o e efeitos de controle natural de inunda苺es - foi calculado em quase 5 mil d・ares por hectare. Outra estimativa valoriza um hectare de p・tano em 15 mil d・ares.

Idealmente, um plano abrangente de gerenciamento de bacia hidrogr・ica mobiliza comunidades e indiv・uos, e obt・ ampla aceita艫o do p・lico no n・el nacional. No entanto, o gerenciamento de bacias hidrogr・icas n・ ?uma tarefa f・il. Trata-se de um processo complexo e pol・ico, que envolve muitas partes interessadas com opini・s conflitantes a respeito do uso da ・ua. Poucos pa・es t・ sido capazes de iniciar estrat・ias vi・eis de gerenciamento de bacias hidrogr・icas. A Ba・ de Chesapeake, o maior estu・io de ・ua salobra da Am・ica do Norte, tem um dos poucos planos abrangentes de gerenciamento de bacia hidrogr・ica em opera艫o que existem.

Alguns outros pa・es tamb・ institu・am esquemas de gerenciamento de bacias de rios ou est・ fazendo isso no momento. A Comiss・ da Bacia do Rio Murray-Darling [Murray-Darling River Basin Commission], na Austr・ia, por exemplo, ?uma organiza艫o inter-governamental cujo principal objetivo ?coordenar o gerenciamento dos recursos h・ricos atrav・ das divisas dos estados, dentro da Bacia do Murray-Darling, o maior sistema de rios do pa・. A capacidade t・nica da comiss・ ?muito abrangente, cobrindo o gerenciamento de rios e ecologia, impacto ambiental, finan・s e administra艫o, e comunica苺es. Todas as atividades de desenvolvimento na bacia dos rio est・ sob a jurisdi艫o da comiss・, e todos os ・g・s governamentais relacionados ao gerenciamento de recursos h・ricos e sua utiliza艫o devem colaborar.

Na ・dia, como resultado da Lei de Nacional de Recursos H・ricos de 1987 [1987 National Water Policy Act], os estados de Rajast・ e Gujarat est・ formando um comit?para regular e controlar a utiliza艫o da ・ua na Bacia do Rio Sabarmati, que abrange partes de ambos os estados. A quantidade de ・ua, em m・ia, que se encontra dispon・el na Bacia do Rio Sabarmati n・ ?superior a 360 metros c・icos por pessoa por ano; isso faz com que essa regi・ seja uma das mais carentes de ・ua no pa・. A ・ua n・ ?apenas um recurso limitado, mas ?tamb・ cada vez mais polu・o pela agricultura irrigada.

Para tratar desses problemas, o comit?regular?e administrar?os recursos h・ricos em toda a bacia do rio, com uma estrutura atrav・ da qual os representantes de todos os grandes grupos de usu・ios de ・ua s・ ouvidos. O comit?espera estabelecer um amplo apoio popular e institucional, e uma estrutura capaz de assegurar que os poluidores sejam multados e que os grandes usu・ios paguem um pre・ justo pela ・ua. Se o sistema funcionar, ele pode se estender a outras ・eas da ・dia, com ・ua escassa e alt・sima densidade populacional.

A ・ua doce que se origina de ・eas montanhosas tamb・ pode ser mais bem protegida e administrada na fonte, observa a Mountain Agenda, uma organiza艫o n・-governamental interessada no desenvolvimento sustent・el nas montanhas. Segundo essa organiza艫o, nas ・eas ・idas, a propor艫o de ・ua gerada nas montanhas pode somar at?60 por cento do total da ・ua doce dispon・el nas ・eas das respectivas bacias hidrogr・icas e at?95 por cento nas ・eas ・idas.

Adquirindo Capacidade Institucional. A administra艫o, de maneira sustent・el, das bacias hidrogr・icas e bacias de rios, significa adquirir capacidade institucional, incluindo a cria艫o de sistemas de coleta e monitora艫o que abrangem mais de um setor. A aquisi艫o de capacidade ?um dos principais temas das organiza苺es internacionais que se destinam a promover mudan・s, incluindo o Banco Mundial, o Programa de Desenvolvimento da Organiza艫o das Na苺es Unidas, e a Parceria Global Para Recursos H・ricos [Global Water Partnership]. Para adquirir capacidade, as seguintes medidas s・ necess・ias:

    red bullet Avalia艫o dos requisitos nacionais de aquisi艫o de capacidade. ?vital que os governos conhe・m as capacidades dos seus ・g・s do setor de ・ua; esse ?o primeiro passo para a melhoria. red bullet Cria艫o de estruturas administrativas e legais competentes. A compet・cia t・nica e administrativa dos ・g・s governamentais nacionais, regionais e locais respons・eis pelo gerenciamento da ・ua deve ser fortalecida antes que se possa fazer qualquer progresso na ・ea do gerenciamento da ・ua.

    red bullet Fazer com que as institui苺es tenham rea苺es mais r・idas e sejam mais eficazes. Os ・g・s de gerenciamento de recursos h・ricos, tanto p・licos quanto privados, devem tamb・ ser capazes de reagir a situa苺es que mudam (situa苺es pol・icas e sociais, assim como as condi苺es ambientais). Organiza苺es est・icas e procedimentos ultrapassados precisam ser reformulados, especialmente no momento em que os pa・es entram na categoria em que a ・ua ?muito solicitada ou escassa.

    red bullet Treinamento dos administradores de recursos h・ricos de alto n・el. Poucos hidrologistas foram treinados para ter uma vis・ ampla dos recursos h・ricos. Da mesma forma que uma abordagem de engenharia ao gerenciamento de ・ua que trata das necessidades de fornecimento e de como satisfaz?las, uma abordagem voltada para a demanda se faz cada vez mais necess・ia.

    red bullet Estabelecimento de uma rela艫o mais estreita com universidades e centros de pesquisa. Como as quest・s referentes ?・ua envolvem preocupa苺es com a sociedade e valores culturais, os ・g・s governamentais que tratam dos recursos h・ricos devem ultrapassar a esfera governamental comum e explorar um amplo espectro de opini・s e habilidades para avaliar os problemas referentes ?・ua e encontrar solu苺es.

Valorizando os Recursos de ・ua Doce. A ・ua doce deve ser valorizada de modo a refletir o seu status de recurso escasso, em vez de ser tratada como um recurso gratuito ou quase gratuito. Como a Organiza艫o Para a Coopera艫o e o Desenvolvimento Econ・ico ressalta, pol・icas adequadas de pre・s podem encorajar o comportamento respons・el no tocante ao uso da ・ua, e podem tamb・ assegurar o fornecimento de uma quantidade adequada de ・ua. Para que isso seja feito, deve-se atribuir ?・ua um valor apropriado para cada uma das suas v・ias modalidades de utiliza艫o. A introdu艫o de mecanismos de mercado e de atribui艫o de pre・s para a ・ua pode exercer um impacto imediato e duradouro sobre a utiliza艫o da ・ua.

Existem v・ios bons exemplos de como a ・ua pode ser valorizada de maneira mais adequada do que geralmente ? O Chile instituiu um mercado de ・ua em meados da d・ada de 1980 que n・ apenas economizou ・ua como tamb・ fez com que os fazendeiros fossem capazes de atender ・ suas necessidades, trocando direitos ao uso da ・ua entre fazendas vizinhas. Um estudo do Banco Mundial sobre o mercado de ・ua concluiu que ele contribuiu grandemente para a melhoria da administra艫o e para que os pre・s fossem mais justos.

Da mesma forma, no sul da Calif・nia, cronicamente uma das regi・s mais carentes de ・ua em um estado norte-americano onde a ・ua ?escassa, o Departamento de ・ua do Condado de San Diego [San Diego County Water Authority] conseguiu fazer um acordo com os fazendeiros da ・ea do Vale Imperial [Imperial Valley] a leste da cidade de San Diego. Esse acordo estimula os fazendeiros para que conservem at?200.000 acres-p・ de ・ua por ano e a vendam para o condado; o condado financiaria as medidas de conserva艫o e pagaria incentivos em dinheiro aos fazendeiros para que eles participassem do programa. O Condado de San Diego se beneficiaria da garantia do fornecimento de ・ua mais barata, e os fazendeiros, na verdade, seriam pagos para conservar o recurso. Essa abordagem ao gerenciamento da ・ua pode mudar a din・ica do uso da ・ua em todo o estado da Calif・nia.

Em S・ Paulo, o estado mais populoso do Brasil, onde os recursos h・ricos j?est・ pr・imos do limite, o aumento da demanda por parte dos munic・ios, ind・trias e agricultura, amea・ comprometer a capacidade que o estado tem de administrar os escassos recursos. Em 1997 um anteprojeto de Lei de Pre・s de ・ua foi enviado ao legislativo estadual; esse anteprojeto pode formar a base para uma pol・ica de gerenciamento de ・ua inteiramente nova. De acordo com essa proposta, o pre・ da ・ua ser?determinado pela fonte, pelo tipo de uso (seja ele municipal, industrial, ou agr・ola) e pela disponibilidade de ・ua. As tarifas recolhidas de acordo com essa pol・ica dever・ ser reinvestidas na infra-estrutura de gerenciamento da ・ua.

Gerenciando a ・ua Para Necessidades Setoriais. Um sistema vi・el de gerenciamento de ・ua requer a capacidade institucional para equilibrar as necessidades setoriais para o bem da sociedade como um todo, e tamb・ requer que se leve em considera艫o as necessidades do ecossistema. A aloca艫o de ・ua, em vez da escassez absoluta de ・ua, freq・ntemente est?no cerne dos problemas de ・ua de uma na艫o. Sem pol・icas que estabele・m a liga艫o entre o fornecimento de ・ua doce e as utiliza苺es setoriais conflitantes, pode ocorrer a escassez de ・ua em n・el local e regional, e a disputa se torna cada vez mais acirrada. Nos pa・es em desenvolvimento, o atendimento das necessidade setoriais ?um desafio, porque a maior a dos pa・es n・ tem sistemas eficientes de gerenciamento de ・ua nem pol・icas eq・tativas que determinam as tarifas de ・ua, que sejam baseadas na forma pela qual os recursos h・ricos s・ utilizados. Por exemplo, embora a China tenha promulgado uma legisla艫o nacional a respeito da ・ua em 1988, h?pouca coordena艫o do uso setorial de ・ua entre o Minist・io dos Recursos H・ricos, as comiss・s das bacias dos rios, e as v・ias autoridades provinciais e locais.

Respostas em N・el Local

Iniciativas locais est・ demonstrando que a ・ua pode ser usada de uma maneira muito mais eficiente nas ・eas onde ?escassa, sejam elas urbanas ou rurais. Al・ disso, quando as comunidades gerenciam melhor os recursos de ・ua doce, elas tamb・ gerenciam melhor os solos e as florestas, aumentam a produ艫o agr・ola, e reduzem a incid・cia de doen・s. At?mesmo nos casos em que os governos municipais n・ conseguiram financiar um fornecimento de ・ua pot・el ou proporcionar saneamento adequado, esfor・s populares ・ vezes produzem bons resultados. Veja os seguintes exemplos:

    red bullet Na principal ・ea agr・ola de Burkina Faso, o Plat?de Mossi, um grupo chamado "Six S's" (Se Servir de la Saison Seche en Savanne et au Sahel) vem promovendo uma abordagem integrada ao gerenciamento de ・ua desde os ・timos anos da d・ada de 1970. O grupo estimula o estabelecimento de sistemas de irriga艫o em pequena escala, em conjunto com projetos de reflorestamento e controle de eros・. O grupo ensina aos l・eres das aldeias novas t・nicas para economizar ・ua e cultivar produtos agr・olas, proporciona educa艫o b・ica na ・ea de higiene, e presta assist・cia financeira para a conserva艫o de ・ua.

    red bullet Os plantadores de arroz de Bali usam t・nicas de irriga艫o em pequena escala h?500 anos. O sistema deles n・ ?tecnicamente avan・do; em vez disso, ele conta com represas e diques feitos com pedras soltas para a capta艫o de ・ua, que ? em seguida, distribu・a a campos situados em n・eis diferentes usando troncos ocos de coqueiros como encanamento. Acompanhando esse sistema tradicional de distribui艫o de ・ua existe uma estrutura social que regula a ・ua entre diferentes comunidades, distribuindo-a de acordo com o tamanho de cada planta艫o de arroz. Em parte, o sistema funciona porque as mulheres, que s・ a principal fonte de m・-de-obra para as planta苺es, t・ uma participa艫o no seu gerenciamento.

    red bullet No Paquist・, o Projeto-Piloto de Orangi [Orangi Pilot Project], executado em uma das piores favelas de Karachi, foi capaz de proporcionar, para 600.000 pessoas, um sistema de esgoto com latrinas cobertas. O projeto, que foi executado com uma pequena verba externa, deu certo gra・s ?progressista lideran・ local e ao forte apoio da comunidade. Mas os benef・ios n・ se limitam ?・ua encanada. O projeto tamb・ proporcionou mais acesso a melhores condi苺es de sa・e reprodutiva e servi・s de planejamento familiar, o que ajudar?a reduzir a demanda de ・ua no futuro.

    red bullet Em Honduras, seis comunidades carentes na capital do pa・, Tegucigalpa, cotizaram seus limitados recursos para fazer um acordo com a companhia de ・ua, para que esta lhes fornecesse ・ua encanada. Este esquema ?not・el porque o pre・ que as fam・ias pagam pela ・ua, na verdade, diminuiu ap・ a instala艫o dos encanamentos, pois os moradores j?n・ precisavam mais comprar ・ua de vendedores de rua, e a m・ia de liga艫o de resid・cias era de 85 por cento; os pr・rios consumidores pagavam pelas liga苺es.

Como esse exemplo demonstra, at?mesmo em ・eas urbanas carentes, ・ua encanada e limpa pode ser fornecida a um pre・ que os membros da comunidade podem pagar e que as empresas de ・ua podem aceitar. Estudos recentes em alguns pa・es deixam claro que os pobres est・ preparados para pagar pela ・ua encanada e por um saneamento adequado, se tiverem uma oportunidade. Em Onitsha, na Nig・ia, por exemplo, as fam・ias pobres estavam gastando at?18 por cento da sua pequena renda mensal em ・ua comprada de vendedores de rua, e essa porcentagem caiu para 5 por cento quando a ・ua encanada passou a ser fornecida. Tomando Medidas. As comunidades locais devem ter uma participa艫o ativa no planejamento e na implementa艫o de programas de gerenciamento de ・ua, para que esses programas sejam sustent・eis. As comunidades carentes, em particular, t・ obtido um sucesso not・el na introdu艫o da distribui艫o aut・oma local de ・ua, seja por meio de acordos especiais com as companhias de ・ua ou com fornecedores do setor privado. As comunidades tamb・ t・ estabelecido quiosques de venda administrados pela comunidade ou operado sistemas pequenos e aut・omos de fornecimento de ・ua.

A acessibilidade ?・ua limpa, como j?foi observado, promove melhor higiene dom・tica e melhora a sa・e e o bem-estar. O acesso ao fornecimento de ・ua deve ser o mais pr・imo poss・el dos lares e deve ser confi・el. Ao se fazer planos de levar ・ua encanada ・ fam・ias carentes, deve-se levar em considera艫o a quantidade de ・ua necess・ia, deve-se escolher o n・el adequado de tecnologia, e deve-se estipular o pre・ da ・ua de acordo com a possibilidade que os usu・ios t・ de pagar. Tanto os programas de fornecimento de ・ua quanto os programas de sa・e p・lica devem enfatizar a educa艫o para os cuidados preventivos com a sa・e e devem estimular o uso de ・ua limpa para o uso pessoal e para a higiene dom・tica.

Hora de Mudar de Dire艫o

O mundo precisa de gerenciamento sustent・el de ・ua, mas n・ n・ estamos nos voltando para a dire艫o certa com a velocidade devida. Um prov・bio chin・ diz: "Se n・ mudarmos de rumo, podemos acabar chegando ao nosso destino." Sem se mover em uma nova dire艫o, um n・ero muito maior de ・eas sofrer?com a falta de ・ua, um n・ero muito maior de pessoas sofrer・, mais conflitos ocorrer・ por causa da ・ua, e mais preciosos ecossistemas de p・tanos ser・ destru・os.

Embora uma crise de ・ua doce pare・ inevit・el em muitas regi・s onde a ・ua ?escassa, em outras o problema poderia ser resolvido se pol・icas e estrat・ias apropriadas fossem formuladas, aceitas, e implementadas logo. A comunidade internacional est?cada vez mais atenta aos problemas de ・ua do mundo, e algumas organiza苺es est・ fornecendo verbas e prestando assist・cia para ajudar a gerenciar a oferta e a procura da ・ua. Cada vez mais, est・ sendo implementados mecanismos que permitem um gerenciamento de ・ua mais eq・tativo. Os pa・es localizados nas regi・s onde a ・ua ?escassa est・ introduzindo melhores mecanismos para a fixa艫o de tarifas, estimulando programas de gerenciamento de ・ua baseados na comunidade, e progredindo no sentido de implantar regimes de gerenciamento de bacias hidrogr・icas e de rios. ?necess・io que o n・ero e a escala dessas atividades cres・m substancialmente.

Al・ disso, o ritmo de crescimento da popula艫o diminuiu, refletindo a aten艫o, em n・el internacional e nacional, aos programas de planejamento familiar, ao mesmo tempo que est?havendo maior demanda popular de anticoncepcionais. Para atender ・ necessidades das pessoas, os governos nacionais e os doadores internacionais precisam ter um compromisso maior com o planejamento familiar, com a melhoria das condi苺es de saneamento, com a luta contra a polui艫o, e com a redu艫o do flagelo das doen・s associadas ?・ua.

Uma parte vital de uma solu艫o a longo prazo ?o reconhecimento global das liga苺es entre as popula苺es que crescem rapidamente e as reservas de ・ua doce, que est・ diminuindo. O reconhecimento, o conhecimento, e a preocupa艫o podem ajudar a construir a vontade pol・ica para evitar uma crise e desenvolver o comprometimento necess・io para assegurar que a sede, aparentemente insaci・el, de ・ua doce, da humanidade, n・ esgote as finitas reservas de ・ua do mundo.

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Population Reports ?editado a cada trimestre e publicado pelo Programa de Informa苺es Sobre Popula艫o [Population Information Program], do Centro de Programas de Comunica艫o [Center for Communication Programs], Escola de Sa・e P・lica da Universidade Johns Hopkins [Johns Hopkins University School of Public Health], Baltimore, MD, Estados Unidos da Am・ica.

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