A crise econ・ica e financeira na ・ia foi pior do que se esperava, mas h?sinais de que as medidas de reforma est・ causando um impacto, segundo Caroline Atkinson, vice-secret・ia assistente do Tesouro para pol・ica monet・ia e financeira internacional.Dois pa・es que t・ estado no centro da crise, a Cor・a do Sul e a Tail・dia, viram a resposta dos mercados aos seus compromissos com as reformas e ?implementa艫o das mesmas, diz Atkinson. Entretanto, grandes mudan・s estruturais s・ necess・ias para que os pa・es afetados recuperem as altas taxas de crescimento que apresentavam no passado, ela diz.
Enquanto isso, est・ sendo feitos esfor・s em v・ios ・g・s internacionais para desenvolver propostas para a reforma do sistema financeiro global, para que as futuras crises se tornem menos severas, diz Atkinson. "Trata-se de quest・s muito dif・eis e complexas, e eu acho que houve um progresso extraordin・io nas maneiras de abord?las."
Esta entrevista foi concedida a Warner Rose, redator de economia da USIA.
Pergunta: Qual ?a atual situa艫o na ・ia?
Atkinson: Por um lado eu acho que ?justo dizer que a crise foi pior do que a maior parte das pessoas poderia esperar um ano atr・. O impacto sobre as taxas de crescimento dessas economias foi maior do que a maioria esperava. Espera-se que as economias de todos esses pa・es - Tail・dia, Indon・ia, Cor・a do Sul, e Mal・ia - passem por um processo de encolhimento este ano - no caso da Indon・ia, esse encolhimento pode chegar a 12 por cento. Por outro lado, acho que se isso n・ era esperado, em parte, o motivo ?que as pessoas n・ compreendiam a profundidade da reforma estrutural que se fazia necess・ia para que um crescimento maior ou uma r・ida expans・ fosse poss・el.
A crise na ・ia refletiu problemas muito diferentes, em compara艫o com as crises econ・icas anteriores - como a do M・ico - porque ela se concentrou na necessidade de reforma estrutural, particularmente, o impacto de sistemas financeiros fracos.
Portanto, uma grande mudan・ era necess・ia para definir adequadamente os incentivos, para reconstruir e fortalecer os sistemas financeiros e para reconstruir e fortalecer a estrutura empresarial.
P: Que progresso tem sido feito?
Atkinson: ?importante compreender que os sistemas financeiros nos pa・es asi・icos freq・ntemente t・ sido sujeitos a empr・timos dirigidos e arranjados. Em outras palavras, nem sempre os empr・timos t・ sido feitos tendo como base uma an・ise de risco de cr・ito. Muitos empr・timos malsucedidos n・ eram adequadamente avaliados como malsucedidos e os sistemas financeiros eram fracos. Agora, a Cor・a, a Indon・ia e a Tail・dia est・ passando por uma grande reestrutura艫o dos seus setores financeiros. Na Cor・a h?tamb・ uma reestrutura艫o do setor privado, que estava muito endividado e que havia come・do a apresentar problemas de fal・cia no in・io de 1997. Em outra ・ea de reforma estrutural, essas economias t・ se tornado mais abertas ao investimento estrangeiro. Mais particularmente na Cor・a, o acesso ao capital estrangeiro para investimentos a longo prazo no sistema financeiro e outras partes da economia era muito restrito, mas isso mudou.
Todas essas reformas t・ tido o apoio do Fundo Monet・io Internacional, dos Estados Unidos e do Grupo dos Sete (G-7 - as sete na苺es industrializadas). Mais particularmente na Cor・a e na Tail・dia, os mercados reagiram ao compromisso com a reforma e implementa艫o da reforma por parte dos governos dos dois pa・es. A margem (spread) dos juros das suas d・idas, a capacidade de obter acesso a fundos externos e as suas taxas de c・bio se estabilizaram. No caso da moeda coreana, o won, houve uma valoriza艫o bastante significativa este ano. Tudo isso prova que houve uma estabiliza艫o e uma resposta positiva ?reforma nesses casos.
P: De que forma a crise afetou a confian・ dos investidores nos mercados emergentes em geral?
Atkinson: A maior parte dos mercados emergentes foi afetada no sentido de que, ap・ a crise na ・ia, os investidores passaram a analisar muito bem todos os mercados emergentes. As margens sobre a d・ida dos mercados emergentes, em muitos casos, se ampliaram.
P: Mas existe algum perigo?
Atkinson: Existe a sensa艫o de que poderia haver, como diz o Secret・io de Tesouro Robert Rubin, uma pequena probabilidade de um evento de alto risco, de uma generaliza艫o da crise. E ?por isso que ?particularmente importante nos certificarmos de que o FMI disponha dos recursos adequados. Como voc?sabe, o FMI t・ cumprido um papel importante na estabiliza艫o dessas economias e no fornecimento de assist・cia financeira tempor・ia, n・ somente na ・ia mas tamb・ na R・sia, que no momento est?passando por uma baixa hist・ica no n・el de recursos dispon・eis. ?urgente que o Congresso aja no sentido de aumentar a verba do FMI.
P: Mas h?quem diga que o pr・rio FMI contribuiu para a crise, proporcionando recursos, e assim dando um recado aos investidores no sentido de que mesmo se eles tomassem uma m?decis・ quanto a investimentos, o FMI entraria em a艫o e os socorreria.
Atkinson: Eu acho que essa quest・ do "perigo moral" ?importante. Mas eu acho que h?v・ias interpreta苺es err・eas da quest・. N・ ?que os credores privados tenham permanecido intocados pela crise. Uma parte das preocupa苺es com os mercados emergentes se deve ao fato de que as pessoas est・ preocupadas com o risco de perda. Alguns investidores sofreram perdas, ou est・ se preparando para sofrer perdas.
A outra quest・, que eu chamo de quest・ do corpo de bombeiros, ?um pouco diferente. Voc?pode argumentar que algumas pessoas teriam um pouco mais de cuidado se soubessem que n・ haveria um corpo de bombeiros para apagar os seus inc・dios. Mas se voc?n・ tiver um corpo de bombeiros voc?poder?ter pessoas que ser・ mais cuidadosas, e um n・ero menor de inc・dios ocorrer? mas os inc・dios que acontecerem ser・ muito mais perigosos.
P: A quest・ da reforma da arquitetura financeira global est?sendo tratada em v・ios ambientes de discuss・. Qual ?a situa艫o deste esfor・?
Atkinson: Em abril, os Estados Unidos tiveram uma reuni・ com os ministros da fazenda e presidentes dos bancos centrais de 22 governos e criaram v・ios grupos de trabalho, que est・ agindo em tr・ ・eas em particular. A primeira delas ?transpar・cia e rastreabilidade, onde h?um foco na tentativa de melhorar os dados sobre quest・s como reservas financeiras e d・ida, as informa苺es que ser・ proporcionadas pela Norma Especial de Dissemina艫o de Dados do FMI, e a an・ise e a publicidade que o FMI d?aos dados sobre outros pa・es, como os Informes ?Imprensa [Press Information Notices], ou PINS, que s・ emitidos depois que os pa・es concluem consultas ao FMI. A segunda ?o fortalecimento dos sistemas financeiros, onde h?um amplo esfor・ para o estabelecimento de princ・ios que os pa・es devem adotar para fortalecer os seus sistemas financeiros, e incentivos para que eles fa・m isso; a terceira est?relacionada ?partilha das responsabilidades, em ・ocas de crise, com o setor privado, e ?essa ・ea que trata da quest・ do perigo moral. Essa talvez seja a quest・ mais dif・il.
H?muitos lugares em que as mesmas quest・s est・ sendo discutidas, o G-22, o G-7, o comit?interino de elabora艫o de pol・icas do FMI, o Banco Mundial e organiza苺es do setor privado. Espero que haja mais informa苺es sobre o andamento dos trabalhos, em Setembro/Outubro, por ocasi・ das reuni・s anuais do Banco Mundial e do FMI.
H?muitas medidas, que est・ sendo estudadas, que ajudariam a fortalecer o sistema financeiro internacional e assegurar que quando houver uma crise, ela ser?menos grave, e que ela seja tratada de uma forma adequada.
Essas quest・s s・ muito dif・eis e complexas, e eu acho que j?houve um progresso extraordin・io nas maneiras de lidar com elas.
Perspectivas
Econ・icas
Revista Eletr・ica da USIA, Vol. 3, N?4,
Agosto de 1998